29/04/14

SEMPRE PARA SEMPRE


Fotografia de Rodrigo Cabral


Morreu o Poeta Vasco Graça Moura, um Amigo das “Quintas de Leitura”, ciclo por onde  passou fulgentemente em 22 de Março de 2012, assinando uma memorável sessão intitulada “A Furiosa Paixão Pelo Tangível”.


Hoje, prestamos homenagem ao Amigo, ao Poeta e ao Homem,  recordando um poema que ele próprio leu, com muito humor, na referida sessão.

diana no banho

via diana
pelo buraco
da fechadura.
era jacuzzi?

banho de espuma?
estava nua,
brilhava flava,
tinha o cabelo

puxado acima,
belas maminhas
à tona de água,
olhos fechados

deliciada,
os pés nas bordas
dos azulejos.
e marulhava

de leve a água,
num chape-chape
de mansa vaga,
como se a lua

mais perfumada
ali pousasse
na porcelana
enevoada.

logo se deu
por servo dela,
para cantá-la,
ensaboada,

e se pudesse
dar-lhe umas quecas
vezes sem conta,
fora da água.

logo por dentro
os seus desejos
o devoraram
espreitador

desprevenido,
dos próprios cães
inda comido.
quanto a diana,

não deu por nada,
não o puniu,
não se vingou.
não precisava.

(Vasco Graça Moura)





23/04/14

Alex Gozblau




A POESIA É UMA ARMA CARREGADA DE FUTURO
13 anos de “Quintas de Leitura” no Teatro Municipal do Porto


Um poema de Gabriel Celaya, imortalizado pela voz de Paco Ibañez, dá título à sessão comemorativa dos 13 anos de ação poética do ciclo “Quintas de Leitura”, “A poesia é uma arma carregada de futuro”, espetáculo a realizar no auditório do Campo Alegre, a 29 de maio, às 22h00.

Ana Drago, Maria do Rosário Pedreira, Mário Zambujal, Adolfo Luxúria Canibal e Paulo Cunha e Silva falarão sobre poesia, sobre o estado da cultura em Portugal, numa conversa sem rede e sem freios, moderada por Carlos Vaz Marques, diretor da revista “Granta” e condutor do programa televisivo e radiofónico “Governo Sombra”.

As leituras poéticas ficarão a cargo dos atores Teresa Coutinho, Paulo Campos dos Reis e Pedro Lamares. Entre leituras, a sonoridade encantatória do violino de Ianina Khmelik. O conceituado ilustrador Alex Gozblau assina a imagem da sessão.

Destaque-se ainda a presença da bailarina Mafalde Deville que apresentará um solo baseado na personagem ELA, protagonista do livro “O lago avesso” da escritora Joana Bértholo.

A voz mágica de Raquel Tavares, acompanhada pelo violão de Edu Miranda, remata esta sessão comemorativa.

“E no fim disto tudo um Azul-de-Prata.” (A. M. Lisboa)

Teatro Municipal . Campo Alegre
A POESIA É UMA ARMA CARREGADA DE FUTURO
29 de maio, 22h00
Bilhetes: 11 euros (normal) – 7.50 euros (com os descontos habituais) 

14/04/14

O regresso de José Luís Peixoto





















Fotografias de Sara Moutinho



O REGRESSO DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO ÀS "QUINTAS DE LEITURA"

Abril, o mês da Liberdade, marcou o regresso do escritor José Luís Peixoto às “Quintas de Leitura”, ciclo poético pelo organizado pelo Teatro Municipal do Porto. A sessão, intitulada “À janela de uma sala sem paredes”, esteve completamente esgotada, na noite de 10 de abril, no Campo Alegre.
José Luís Peixoto, que fez a sua 9ª apresentação neste ciclo, escolheu fragmentos de textos e poemas sobre viagens, que foram lidos em várias línguas e por leitores de várias nacionalidades. As leituras em português estiveram a cargo dos atores Jorge Mota, Alex Miranda, Margarida Carvalho e do próprio autor convidado. À conversa com José Luís Peixoto esteve Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell. A imagem da sessão, composta por fotografias e vídeos, foi assinada pelo jornalista Alfredo Leite e por José Luís Peixoto, que realizaram algumas viagens em conjunto.
Muitos outros artistas convidados enriqueceram a sessão: Diana Rego (dança), José Ayres (cozinheiro) e Lucia Aldao (música). A fechar a noite, o som metálico dos Moonspell, com um showcase acústico com a participação de Fernando Ribeiro (voz), Ricardo Amorim (guitarra) e Valter Freitas (violoncelo).

A próxima sessão do ciclo celebra 13 anos de “Quintas de Leitura” e está marcada para dia 29 de maio. 

31/03/14

A sessão de abril

Para ler por favor clicar sobre a imagem. Obrigada. 

As escolhas poéticas


















Fotografias de Sara Moutinho


AS ESCOLHAS POÉTICAS DE ANTÓNIO MEGA FERREIRA NO TEATRO MUNICIPAL 


Um verso de Mário Cesariny – “Falta por aqui uma grande razão” – deu título à sessão das “Quintas de Leitura”, ciclo poético promovido pelo Teatro Municipal. O espetáculo, baseado nas escolhas poéticas de António Mega Ferreira e completamente esgotado desde a primeira hora, realizou-se na quinta-feira passada, no auditório do Campo Alegre.

António Mega Ferreira conversou sobre poesia com Fernando Luís Sampaio. O pianista Filipe Pinto-Ribeiro interagiu com os recitadores destacados para a sessão: Filipa Leal, Pedro Lamares e o próprio António Mega Ferreira. Foram lidos poemas de Camilo Pessanha, Álvaro de Campos, Vitorino Nemésio, Mário Cesariny, Sophia, Herberto Helder, Al Berto e Jorge de Sena. E foi neste universo poético que o artista plástico João Queiroz se inspirou para construir a imagem da sessão.

A noite terminou com uma atuação a solo de Samuel Úria, que interpretou temas como “Teimoso” e “Não arrastes o meu caixão”. Também na segunda parte foi tempo para um momento de dança burlesca por Miss Tea.

Depois de Isaque Ferreira, Inês Pedrosa, Fernando Alvim, Rui Reininho e Paula Moura Pinheiro, esta foi a vez de António Mega Ferreira revelar as suas escolhas poéticas.



25/03/14

Fotografia de Raquel Viegas
Raquel Viegas


Pedro Tochas – UM TEMPO
de regresso às Quintas de Leitura

Para dar resposta a todos aqueles que não conseguiram comprar bilhete na estreia, em junho, e ainda na reposição, em outubro, as Quintas de Leitura do Teatro Municipal apresentam, novamente, o espetáculo de Pedro Tochas - UM TEMPO.

Numa sessão destinada a maiores de 16 anos, Pedro Tochas leva de novo a cena um espetáculo no mínimo desconcertante, agendado, desta feita, para os dias 27 e 28 de março, às 22h00. Derradeira oportunidade para quem ainda não conseguiu assistir a esta reflexão de Pedro Tochas sobre o seu “tempo”.

O comediante explica assim o espetáculo: “a nossa vida não é mais do que UM TEMPO de existência neste mundo. UM TEMPO cheio de pequenas aventuras, acidentes, trapalhadas, conquistas, fracassos, amores e ódios”. O comediante partilha a sua visão deste mundo louco e ao mesmo tempo deslumbrante, porque não há nada melhor do que passar UM TEMPO a rir de nós próprios e do que nos rodeia. Este espetáculo é uma boa oportunidade para rir e esquecer os momentos menos bons da vida... pelo menos durante UM TEMPO!

Teatro Municipal . Campo Alegre

27 e 28 de março – 22h00

19/03/14

António Mega Ferreira

Fotografia de Pat


Queremos que conheçam melhor os nossos ilustres convidados.
Decidimos colocar-lhes, à queima-roupa, algumas questões.


Alguns deles não viraram a cara ao desafio e à nossa curiosidade. 

Aqui ficam as respostas de António Mega Ferreira: 

- um filme que nunca esquecerá

Dois: A Palavra, de Carl Th. Dreyer (1955) e A Desaparecida, de John Ford (1956).

- o livro de cabeceira

Dom Quixote, de Miguel de Cervantes.

- a música que o vai acompanhar toda a vida

Quarteto nº 14, op. 131, de Beethoven.

- a cidade onde gostaria de viver

Roma.

- um político de referência

Willy Brandt; Winston Churchill.

- a mulher mais charmosa do mundo

Atualmente, Scarlett Johansson; há vinte anos (se tanto), Juliette Binoche.

- uma medida para melhorar o mundo

Melhorá-lo.

- a revolução está na ordem do dia?

Há ordem no dia?



05/03/14

















Fotografias de Sara Moutinho 



Um geógrafo e um poeta

Realizou-se na noite de 27 de fevereiro no Teatro do Campo Alegre/Câmara Municipal do Porto, o ciclo que, apontando para o futuro, continuará a fazer jus ao momento irrepetível e inusitado, à imaginação e à irreverência: “Quintas de Leitura”.
Desta feita a Palavra poética cruzou-se com a palavra conferencial e, de forma lúdica e dessacralizada, também com a dança, as artes plásticas, a performance, a música.
Esta sessão teve dois convidados principais, funcionando como um dois-em-um: o geógrafo Álvaro Domingues e o poeta João Habitualmente.
Álvaro Domingues fez a sua sexta conferência-esquisita, desta vez subordinada ao tema “Entre nós”, ou como os nós das autoestradas se entrelaçam com a nossa vida quotidiana.
Na segunda parte, o poeta João Habitualmente revelou, em primeiríssima mão, fragmentos do seu novo livro “Coisas do Arco da Ovelha”, pequeno tratado do banal familiar. O poeta convidado conversou sobre o livro e sobre a atualidade portuguesa com Francisco Louçã.
A sessão abriu com a atuação de Tânia Carvalho (voz) e Joana Gama (piano) na performance musical “ Idiolecto”. A ideia foi misturar duas músicas que fazem parte do imaginário da maior parte das pessoas, conseguindo encaixar uma música pop/rock cantada, por cima de uma clássica para piano.

A sessão contou ainda com outros convidados de peso: CAPICUA (música), Momentum Crew (dança), Isaque Ferreira e Isabel Queirós (leituras) e JAS (imagem).