
28/04/10
27/04/10
Espaço dos Livros
22/04/10
01/04/10
Gonçalo M. Tavares de regresso às “Quintas de Leitura”

A próxima sessão do ciclo poético "Quintas de Leitura"- promovido pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento - assinala a 5ª presença do escritor Gonçalo M. Tavares nesta iniciativa. O evento, intitulado "ESPAÇO DOS LIVROS", realiza-se no próximo dia 22 de Abril, às 22h00, no Auditório do Teatro do Campo Alegre.
Gonçalo M. Tavares fará leituras - em redor do espaço - de excertos dos livros "1" e "O Bairro" (onde vivem vários Senhores, entre eles, o Senhor Calvino, que dará o texto à folha de sala da sessão). "Os Espacialistas" (Luís Baptista e Diogo de Castro Guimarães) interagem com as leituras do convidado, apresentando um trabalho visual e plástico. Estreia absoluta.
Assinale-se a participação da coreógrafa e performer canadiana Antonija Livingstone. Uma participação especial nas "Quintas de Leitura", inspirada na obra de Gonçalo M. Tavares. A sua prática como coreógrafa é bastante autodidacta, tendo raízes nas intersecções da sua experiência com o Ballet Clássico, o Contact-Improvisation e as Artes Marcias chinesas e actuando como Drag King, em clubes e contextos queer em todo o Canadá, Nova York e Berlim. A convite da Obra Madastra - estrutura de produção e difusão de artes performativas - Antonija Livingstone apresentará ainda no Auditório de Serralves o solo "The part" (24 de Abril) e participará num workshop (dias 25 e 26 de Abril).
Ao espectáculo acrescente-se também a estreia neste ciclo do harpista Eduardo Dias Martins que também ajudará à festa.
A sessão fecha em beleza com o músico Tiago Guillul. Ele é um pregador baptista, homem de família, colunista, crítico literário, conferencista e, nas horas vagas, um dos mais importantes e proeminentes nomes da música portuguesa do Séc.XXI. Em 1999 Tiago Guillul funda a editora FlorCaveira que o vem consolidar enquanto músico profícuo e visionário produtor. O seu quarto álbum a solo, "Tiago Guillul IV", é o disco do reconhecimento, com os generalizados aplausos da crítica e a incessante curiosidade dos media. Faz-se acompanhar, neste concerto, pelos músicos Guel e Lipe.
Uma grande festa da poesia porque, já se sabe, ninguém pode viver sem Sonho.
Espectáculo para maiores de 16 anos.
17/09/09
Literatura Portuguesa no seu melhor
Quatro autores portugueses entre os 10 finalistas do Prémio PT
José Luís Peixoto é um deles.
São Paulo, 16 Set (Lusa) -- Quatro escritores portugueses e seis brasileiros estão entre os dez finalistas do Prémio Portugal Telecom em Língua Portuguesa 2009, informaram hoje os organizadores.
Entre os finalistas portugueses estão "A eternidade e o desejo", de Inês Pedrosa, "Aprender a rezar na era da técnica", de Gonçalo M. Tavares, "Cemitério de pianos", de José Luís Peixoto, e "Ontem não te vi em Babilónia", de António Lobo Antunes.
As obras "A viagem do elefante", de José Saramago, e "Rio das Flores", de Miguel Sousa Tavares, estavam entre os 50 finalistas mas não foram indicados para a disputa final, cujo resultado será conhecido a 10 de Novembro, em São Paulo.
06/12/08
OS POETAS DAS "QUINTAS"/ GONÇALO M. TAVARES
Conheci num poema de Auden
um dentista reformado que se pôs a pintar montanhas.
Pintou trinta e três montanhas como os pintores de parede
pintam trinta e três paredes. Depois parou, limpou o suor da testa,
pediu um copo de vinho e uma mulher , e despiu-se, embriagado,
fazendo sexo como um dentista
e não como um pintor de montanhas.
E se pensas que uma e outra forma de tocar numa mulher
são idênticas, então deves ler mais poesia.
(Gonçalo M. Tavares, in "1")
26/09/08
25/09/08
A QUARTA PRESENÇA DE GONÇALO NAS "QUINTAS". ESTA NOITE.
Para abrir o apetite para logo à noite, deixo-vos com mais um texto seu.
A FILHA
A filha discute com a mãe.
A mãe terá oitenta anos, a filha sessenta?
A mãe treme da cabeça e do guarda-chuva,
a filha ainda não.
A que ainda não treme discute como quem ensina.
Mas também tu irás tremer da mão e da cabeça
e também tu serás ensinada.
(in "1", Relógio D'Água Editores)
18/09/08
OS MORTOS
Se um daqueles que nos pertence morre sete
ou setenta vezes no coração,
de quem apenas ouvimos falar morre uma vez, na sua data,
e os que sempre viveram longe
morrem-nos metade ou um oitavo. E metade
de uma morte é quase nada, são casas
decimais no sofrimento. (Que digo? Milésimas, milésimas!)
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)
PALAVRAS, ACTOS
Como se faz a um motor de automóvel:
Se retirares uma peça a máquina não anda, se mexeres
No verbo ou numa letra do substantivo
A frase trágica torna-se divertida,
E a divertida, trágica.
Este quase instinto de rasteirar as frases protegeu-me,
Desde novo, daquilo que ainda hoje receio: transformar
A linguagem num Deus que salve, e cada frase num anjo
Portador da verdade. Tirar seriedade ao acto da escrita
Aprendi-o na infância, tirar seriedade aos actos da vida
Comecei a aprender apenas depois de sair dela, e espero
Envelhecer aperfeiçoando esta desilusão.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)
17/09/08
CONSTRUÇÃO
uma bomba.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio ´D'Água Editores)
16/09/08
PINTURA
Nas cores do quadro. O pintor
Agradece. O peixe lento
Que o pintor trouxe ao mundo tem
Cores despropositadas, porém não há nenhuma razão
Para apontar aos peixes a responsabilidade
De um erro, afinal,
Estético.
Quanto à literatura: não falha na cor,
Mas jamais acerta nas palavras.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)
JÁ RESTAM POUCOS BILHETES
Participam:
Gonçalo M. Tavares - escritor convidado
Bernardo Sassetti - piano solo
Alexandre Soares - guitarra
Susana Menezes, Isaque Ferreira, Paulo Campos dos Reis e Pedro Lamares - leituras
Rachel Caiano - imagem
No dia 25 de Setembro (22h00) todos os caminhos do Porto vão dar ao TCA. Junte-se a nós e ajude-nos a construir uma noite memorável.
15/09/08
O TREINO (OBSERVAÇÃO LIGEIRAMENTE PERVERSA)
corre mais que a mulher
a fugir do violador.
Demonstra-se assim ao mundo
a importância relativa do sofrimento e do orgulho próprio
quando comparados, claro está,
com a eficácia dos músculos
da perna.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D´Água Editores)
12/09/08
O ACIDENTE
como cai sobre todas as coisas,
caindo com o peso inteiro e agressivo
concentrado numa intenção malvada,
recuperando no acto da queda a parte animal
(inimiga do homem)
que um dia lhe terá sido roubada pelos Deuses
quando separaram funções e coisas do Mundo
e à pedra disseram: não mais te mexas sem ordem dos outros.
A pedra cai, então, sobre a cabeça do ingénuo funcionário
dos correios, reformulando, por instantes,
o desequilíbrio do mundo.
Eis que sou um animal e odeio, diz a pedra
com a sua matéria
sobre a ingénua cabeça calva
de um funcionário dos correios,
amigo dócil dos seus patrões,
ingénuo como a pedra calma e imóvel em cima da erva
num domingo de sol claro.
(Gonçalo M. Tavares in "1"/ Relógio D'Água Editores)
11/09/08
ARQUITECTO
deslocou-se para o invulgar:
fundou um poema.
(Gonçalo M. Tavares in "1"/Relógio D'Água Editores)








































