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26/03/10

Ontem à noite: PÕE A CASSETE DA TEMPESTADE

Sónia Baptista (performance)


A actriz Isabel Nunes

Ana Salomé

A bailarina Iris Sofia

Bénédicte Houart

Catarina Nunes de Almeida

Filipa Leal


Marta Bernardes apresentou as Poetas em substituição de Catarina Portas



The Lengendary Tigerman

Fotografias de Sara Moutinho.

18/03/10

A POESIA DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA

Frotografia de Pat

Irei eu se ele for
na cavalgada.

Irei eu a galope em meus pés
veloz por entre as avezinhas
do fundo das águas-furtadas
em águas de lábios furtadas
veloz e espessa como a torrente
de um parto.

Irei eu em todas as minhas mãos
pégasos e ventanias
o corpo preso por um frio gentil
o corpo a tilintar de sonhos.

Serei eu o que ele for
na cavalgada.

Irei eu sem música sem mesa posta
dar-lhe prato verde
onde caibamos os dois dar-lhe
este emudecimento este abatimento cardíaco
da floresta.

x-x

Cântico dos Cântaros

Voltando um pouco atrás
à costura das fotografias
àquela escuridão pulmonar onde te vi
pela primeira vez onde eras
mais que certo quase cavalo
quase branco
a galope nos meus dentes.
Fotografias do tempo em que chamavas
árvore de rapina ao instrumento
que te educava os dedos.
Um dedilhar de amigo
à beira do vinhal.
Um encantar de amigo.

Se te deixasse ficar à sombra
haveria ainda as linhas da tua mão
tão irregulares tão imponderáveis
como a chuva nas boas noites.
Haveria ainda o perfume das grainhas
na primeira curva da manhã.
Era no tempo das fotografias.
Agora, dizes tu, há o orvalho dos murtais
um cesto silencioso e humano.

Nunca saberás que isso a que chamas
silêncio orvalho
eu chamo música
e toco-a.

(2 poemas de Catarina Nunes de Almeida)

15/03/10

A POESIA DAS NOSSA CONVIDADAS

Damos hoje um cheirinho do universo poético que nos espera no próximo dia 25 de Março. Poesia a quatro vozes.


Fui uma criança medrosa.
Tinha, como todas as crianças,
medo do escuro.
A minha irmã dizia-me: pensa no Mickey.
E eu calava-me e ficava perplexa a pensar:
mas porquê o Mickey.

(Filipa Leal, poema inédito)


Uma pedra

Atiro uma pedra à noite
a noite desfaz-se em aros
e há silêncio e solenidade
e trabalho o poema
com nova pedra na mão
mas não acuso tento salvar
aquilo a que me disponho
aquilo a que venho
sem temas nem fios
frente à grande boca da noite
com fome de nomes de coisas
maiores do que nós
que adormecemos sem querermos
na pouca luz que faz.

(Ana Salomé, poema inédito)


Meu amigo perdoa-me
se espantei as gazelas
para um canto do sotão
se me cresceram músculos neste olhar-te
neste cuidar que dá cuidado.
Mas do alto dos seios
no ruir das lamparinas
vale a pena olhar-te. Daqui
da mais sincera pobreza
onde permaneces apenas tu
adão e erva
e o céu manchado pelas libelinhas.

(Catarina Nunes de Almeida)



e por vezes os afogados
voltam à tona de água
pois desejam de novo atirar-se
ainda não esgotaram o desespero
ainda não esperam completamente
ainda temem que nada chegue
não sabem ainda que já ninguém virá
que mesmo o mergulho foi em vão
que tudo a água lava, mas a vida não

(Bénédicte Houart, poema inédito)

10/03/10


Um espectáculo no feminino

Depois do estrondoso sucesso da sessão 100

“Põe a cassete da tempestade” é o título da próxima sessão das "Quintas de Leitura", ciclo poético promovido pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento, que no passado dia 25 de Fevereiro celebrou a sua sessão número 100.

As "Quintas de Leitura" voltam à carga a 25 de Março, às 22h00, no Auditório do TCA. Carga poética de altíssima voltagem. Um espectáculo pensado no feminino, que reúne, à volta de um verso, quatro vozes singulares e insubmissas da novíssima poesia portuguesa: Ana Salomé, Filipa Leal, Catarina Nunes de Almeida e Bénèdicte Houart.

As poetas convidadas lerão muitos textos inéditos, de sua autoria, destacando-se entre eles um texto de homenagem a Adília Lopes, escrito por Filipa Leal.

A apresentação da sessão estará a cargo de Catarina Portas, que fará, assim, a sua estreia nas "Quintas de Leitura". O espectáculo contará com dois momentos dedicados ao Movimento: a performer e bailarina Sónia Baptista vai surpreender-nos com a peça "Secrétaire"- dez irrepreensíveis minutos de dança; e, da Noruega, chega Iris Sofia, dançarina profissional de dança do ventre. Um momento que não esquecerá mais.

Refira-se ainda que a desconcertante artista plástica Isabel Padrão assina a imagem do espectáculo. Um trabalho inspirado no universo poético das escritoras convidadas.

Depois de um retemperador intervalo, adivinha-se um concerto memorável de Paulo Furtado, "The Legendary Tigerman". Uma "one-man band" na tradição dos velhos blues do Delta do Mississipi. Tocará temas do seu novo e aclamado disco "Femina". Tudo a propósito, num espectáculo dedicado à mulher e à sua beleza.

Junte-se a nós. A razão já é conhecida: ninguém pode viver sem poesia.

Bilhetes a 9,00 e 6,00 Euros. Espectáculo para maiores de 16 anos (bem contados).


é uma casa de passagem onde

se vê o mar quando

a puta veste o fato de marinheiro e

põe a cassete da tempestade

(poema de Bénèdicte Houart)

A próxima sessão é vezes quatro no feminino

18/12/09

Ontem à noite - CERCO VOLUNTÁRIO


Sónia Baptista - "Rouge"

Vasco Gato, Catarina Nunes de Almeida e Pedro Lamares.


Vasco Gato

Catarina Nunes de Almeida e Pedro Lamares

Pedro Lamares



Marta Bernardes canta na performance "Mofo", com Henrique Fernandes e os Balla Prop.

Durante a performance de Marta Bernardes





Tó Trips deu a conhecer temas do seu novo disco "Guitarra 66".

Fotografias de Sara Moutinho

28/11/08

OS POETAS DAS "QUINTAS" / CATARINA NUNES DE ALMEIDA

Catarina Nunes de Almeida por Pat


A PROSTITUTA DA RUA DA GLÓRIA

Tanges a noite sem saber que a noite
é uma cítara com cordas de ferro
onde os insectos ferem as asas.
O teu canto arranha o azul da chama
e a cidade desperta para a dança:
um labirinto de minotauros
sorvendo o odor do primeiro tango -
um ténue resquício de feno escondido na nuca.

Ainda ontem foi lua cheia no teu ventre.
Sobrou um aquário onde os cegos vêm depenicar
a caspa dos pombos.
Hoje não saias, deixa-te ficar.

Pelos corredores as fêmeas largam o pó
das florestas quentes -
ténues resquícios de feno escondido na nuca.

Hoje não saias, deixa-te ficar.
Deixa dormir o teu sexo cansado de morrer.

(Catarina Nunes de Almeida, in "Prefloração)

22/07/08

Allegro ainda...



Entrevista à Poeta Catarina Nunes de Almeida pela Poeta e jornalista Filipa Leal. Fotografias de Pat. (para ler clicar sobre as imagens).

11/07/08

Momentos da noite de ontem


Dead Combo



Dead Combo com Ana Deus e Alexandre Soares



Filipa Leal e Catarina Nunes de Almeida


Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Susana Menezes e Pedro Lamares
Catarina, Daniel, Susana e Pedro Lamares