
26/03/10
24/03/10
17/03/10
A poesia de Bénédicte Houart
no exterior do café portugal
ninguém lhe põe moedas
ninguém empoleirado
aos solavancos, ninguém
as moedas mudaram
as crianças cresceram
os adultos ganharam juízo e amealharam
para elefantes de verdade
com bosta e tudo
se não pelo teu próprio nome
por que nome responderás tu então?
x - x
fui aos perdidos e achados
minha senhora disse-me o polícia
sua o caraças senhora talvez
aqui não recolhemos objectos dessa natureza
tão pouco material
juraria ter ouvido comercial
vá antes à câmara municipal
serviço de saneamento básico
resíduos esgotos sarjetas
em suma, escoamentos
coisa que como podeis ler
não fiz nem farei
se ele se perdeu, compreendi afinal, foi porque quis
nunca se deve contrariar poema tão original
x - x
tenho um mamilo sempre erecto e
outro sempre murcho
ora bem,
a interpretação que faço do fenómeno
embora duvidando que entusiasme alguém
é a seguinte:
um pressente coisas de que o outro nem suspeita
coitado do primeiro
quando não há nada
coitado do segundo
se quiser arrebitar
(3 poemas de Bénédicte Houart, in "Vida:Variações"/ Cotovia)
15/03/10
A POESIA DAS NOSSA CONVIDADAS
Fui uma criança medrosa.
Tinha, como todas as crianças,
medo do escuro.
A minha irmã dizia-me: pensa no Mickey.
E eu calava-me e ficava perplexa a pensar:
mas porquê o Mickey.
(Filipa Leal, poema inédito)
Uma pedra
Atiro uma pedra à noite
a noite desfaz-se em aros
e há silêncio e solenidade
e trabalho o poema
com nova pedra na mão
mas não acuso tento salvar
aquilo a que me disponho
aquilo a que venho
sem temas nem fios
frente à grande boca da noite
com fome de nomes de coisas
maiores do que nós
que adormecemos sem querermos
na pouca luz que faz.
(Ana Salomé, poema inédito)
Meu amigo perdoa-me
se espantei as gazelas
para um canto do sotão
se me cresceram músculos neste olhar-te
neste cuidar que dá cuidado.
Mas do alto dos seios
no ruir das lamparinas
vale a pena olhar-te. Daqui
da mais sincera pobreza
onde permaneces apenas tu
adão e erva
e o céu manchado pelas libelinhas.
(Catarina Nunes de Almeida)
e por vezes os afogados
voltam à tona de água
pois desejam de novo atirar-se
ainda não esgotaram o desespero
ainda não esperam completamente
ainda temem que nada chegue
não sabem ainda que já ninguém virá
que mesmo o mergulho foi em vão
que tudo a água lava, mas a vida não
(Bénédicte Houart, poema inédito)
10/03/10
Um espectáculo no feminino
Depois do estrondoso sucesso da sessão 100
“Põe a cassete da tempestade” é o título da próxima sessão das "Quintas de Leitura", ciclo poético promovido pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento, que no passado dia 25 de Fevereiro celebrou a sua sessão número 100.
As "Quintas de Leitura" voltam à carga a 25 de Março, às 22h00, no Auditório do TCA. Carga poética de altíssima voltagem. Um espectáculo pensado no feminino, que reúne, à volta de um verso, quatro vozes singulares e insubmissas da novíssima poesia portuguesa: Ana Salomé, Filipa Leal, Catarina Nunes de Almeida e Bénèdicte Houart.
As poetas convidadas lerão muitos textos inéditos, de sua autoria, destacando-se entre eles um texto de homenagem a Adília Lopes, escrito por Filipa Leal.
A apresentação da sessão estará a cargo de Catarina Portas, que fará, assim, a sua estreia nas "Quintas de Leitura". O espectáculo contará com dois momentos dedicados ao Movimento: a performer e bailarina Sónia Baptista vai surpreender-nos com a peça "Secrétaire"- dez irrepreensíveis minutos de dança; e, da Noruega, chega Iris Sofia, dançarina profissional de dança do ventre. Um momento que não esquecerá mais.
Refira-se ainda que a desconcertante artista plástica Isabel Padrão assina a imagem do espectáculo. Um trabalho inspirado no universo poético das escritoras convidadas.
Depois de um retemperador intervalo, adivinha-se um concerto memorável de Paulo Furtado, "The Legendary Tigerman". Uma "one-man band" na tradição dos velhos blues do Delta do Mississipi. Tocará temas do seu novo e aclamado disco "Femina". Tudo a propósito, num espectáculo dedicado à mulher e à sua beleza.
Junte-se a nós. A razão já é conhecida: ninguém pode viver sem poesia.
Bilhetes a 9,00 e 6,00 Euros. Espectáculo para maiores de 16 anos (bem contados).
é uma casa de passagem onde
se vê o mar quando
a puta veste o fato de marinheiro e
põe a cassete da tempestade
(poema de Bénèdicte Houart)














