22/10/12

Manuel António Pina


Manuel António Pina por Pat



Um dia destes, zás!, morro!



Entre Deus e o Diabo venha o Diabo e escolha.
Entre amar-te e a vida te escolho ó dia como
uma doença de pele e te redijo
por palavras minhas tão envergonhado ó dia!
conforta-me e lava-me de toda a porcaria que eu
com a unha da melancolia te corrijo.


Em Lisboa perdi a paciência,
fui crucificado morto e enterrado.
Ressuscito-te dos mortos. E dentro da barriga te persisto
e entre dentes te percorro de solidão inesperado.
A ti recorro ó cirurgião estou tão zangado tão zangado
e morro porque não tenho idade para isto!


(Poema de Manuel António Pina)


3 comentários:

Pedra do Sertão disse...

Sempre a vida, sempre!
A alegria,
as diabruras...(o que seria da vida sem elas?!)

Parabéns pelo poema,

Abraço do Pedra

Graça Martins disse...

Afinal vai haver um Quintas de Leitura sobre o Manuel António Pina ou não? Beijinhos!

Patrícia Campos disse...

Olá Graça ! No âmbito do ciclo poético Quintas d eLeitura está prevista uma homenagem ao escritor Manuel António Pina no início do próximo ano.