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26/05/14
29/10/12
A última sessão!
Fotografias de Sara Moutinho
Uma noite em cheio a valer
por três
De regresso à sala que as
viu nascer, o café-teatro, as “Quintas de Leitura”, ciclo poético do Teatro do
Campo Alegre, promovido pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação
Ciência e Desenvolvimento, apresentaram na passada noite de 25 de Outubro de 2012, a
sua 135ª sessão.
O espetáculo, intitulado
“As borboletas não dormem a sesta”, inspirou-se num pensamento quase normal do
agitador e escritor vanguardista Ramón Gómez da la Serna. E a sessão,
completamente esgotada foi uma noite especial, rara, imperdível e irrepetível,
construída em três momentos.
O primeiro levou ao palco
do café-teatro Adolfo Luxúria Canibal que disse, como só ele o sabe e pode
fazer, dois poemas de Mário Cesariny e dois estilhaços de sua própria autoria.
Adolfo esteve acompanhado pelos músicos António Rafael (piano, teclados,
programações), Henrique Fernandes (contrabaixo) e Jorge Coelho (guitarra
elétrica).
O segundo momento foi a
estreia absoluta nas “Quintas” do virtuoso guitarrista Pedro Jóia. Foram cerca
de 20 minutos de guitarra clássica com sonoridades mágicas que atravessaram
composições de Carlos Gardel e fados tradicionais portugueses.
Ficou para o fim do serão
o recital-concerto do coletivo poético “Peixe Graúdo”, constituído pelas vozes
de Ana Celeste Ferreira, Marta Bernardes e Teresa Coutinho e pelo piano de
Ricardo Caló. Poemas e melodias de sempre, ditos e cantados num registo cheio
de humor e quase provocatório.
Sobre esta atuação, João
Gesta, o programador do ciclo, esclarece: “Foi uma intervenção de elevado teor
patriótico, com bolinha vermelha ao canto da alma, só aconselhável a
contribuintes com sólida formação estomacal”.
O “Peixe Graúdo” contou
ainda com a participação especial de dois reforços de Outono: Tiago Beat (beatbox)
e Ianina Khmelik (violino).
22/01/10
poema sobre o domínio do mundo
para o adolfo luxúria canibal
as raparigas que visitavam o prisioneiro b33920 voltavam a casa grávidas de luz. depois, pariam em segredo ideias absurdas sobre um amor de aflição e afastavam-se lentamente da família. o prisioneiro, sensual, sabedor de tal feito, sorria mostrando o dente brilhante de quem ferrava rápido e sem piedade. tempos passados, tão longe as raparigas, eram procuradas pelos pais e pelas mães com saudade, vítimas de coração, que não as encontravam nem esqueciam. alguns homens desconhecidos afirmavam tê-las visto um dia. os pais e as mães acreditavam. aos homens, frequentemente, faltava uma orelha, um dedo ou até uma perna. e eles reiteravam que as tinham visto. mas, instigados com insistência, admitiam poder tê-las confundido com os dias mais claros
(poema de valter hugo mãe / livro de maldições / objecto cardíaco)
as raparigas que visitavam o prisioneiro b33920 voltavam a casa grávidas de luz. depois, pariam em segredo ideias absurdas sobre um amor de aflição e afastavam-se lentamente da família. o prisioneiro, sensual, sabedor de tal feito, sorria mostrando o dente brilhante de quem ferrava rápido e sem piedade. tempos passados, tão longe as raparigas, eram procuradas pelos pais e pelas mães com saudade, vítimas de coração, que não as encontravam nem esqueciam. alguns homens desconhecidos afirmavam tê-las visto um dia. os pais e as mães acreditavam. aos homens, frequentemente, faltava uma orelha, um dedo ou até uma perna. e eles reiteravam que as tinham visto. mas, instigados com insistência, admitiam poder tê-las confundido com os dias mais claros
(poema de valter hugo mãe / livro de maldições / objecto cardíaco)
31/12/09
A PRÓXIMA "QUINTA DE LEITURA". IMPERDÍVEL.
Intitula-se "BOMBA" e realiza-se no dia 28 de Janeiro (22h00).
Trará ao palco do Auditório do TCA um mar de estrelas.
Vejam só:
valter hugo mãe (poeta convidado)
Adolfo Luxúria Canibal, Rui Spranger, Isaque Ferreira e Sandra Salomé (leituras)
Nelson D´Aires (fotografia)
Tânia Carvalho e Luís Guerra (dança)
Tigrala
(Norberto Lobo, Guilherme Canhão e Ian Carlos Mendonza)
e ainda a participação especial da violinista russa Ianina Khmelik.
Foi você que pediu uma sessão bombástica?
Vejam só:
valter hugo mãe (poeta convidado)
Adolfo Luxúria Canibal, Rui Spranger, Isaque Ferreira e Sandra Salomé (leituras)
Nelson D´Aires (fotografia)
Tânia Carvalho e Luís Guerra (dança)
Tigrala
(Norberto Lobo, Guilherme Canhão e Ian Carlos Mendonza)
e ainda a participação especial da violinista russa Ianina Khmelik.
Foi você que pediu uma sessão bombástica?
09/12/08
OS POETAS DAS "QUINTAS"/ ADOLFO LUXÚRIA CANIBAL
WHITE LIGHT / WHITE HEAT
como fomos belos esta noite!...
o nosso perfil grego / pássaro / artista / nirvana
atravessou incólume a Babilónia -
a cidade sob o controle da mente.
faiscantes / olhos nos olhos / maravilhados
perdemos as referências;
invulneráveis, prostramos noctívagos bêbados
apenas com a força do plasma.
no prostíbulo, a deusa negra
dançou só para nós a dança da sedução -
em tons de roxo e amarelo
o fascínio do corpo e do sexo
a plástica perfeita do absoluto.
white light / white heat.
a Amália fez-se ouvir nostálgica / lírica / terna
cantando o Fado de Peniche na jukebox do canto -
a saudade, a paixão, a bruma
num ondear suave e indolente.
marinheiros navegámos para lá do nevoeiro
libertos do corpo em integração universal.
as palavras tornadas obsoletas
o poeta não passa dum aprendiz nos mistérios do infinito.
adquirimos um barco de pôr em cima do televisor
ao primeiro Dali que encontramos
e caravelas ou veleiros percorremos os mares
a depositar a nossa bondade longe da acção do tempo.
quando sentimos uma sombra presa a nós abanamo-nos
com os Sex Pistols cáusticos / vertigem / suor / espelhos.
imagem por demais bela / ácida / metálica / ascética.
invocamos S. Manso e o manso cordeiro
em feitiços de namorados.
concentrados rompemos as nuvens
e deixamos que a lua cheia nos banhasse a fronte -
as águas revoltas / jubilantes...
ah, como fomos belos esta noite!
(Adolfo Luxúria Canibal, in "Estilhaços")
como fomos belos esta noite!...
o nosso perfil grego / pássaro / artista / nirvana
atravessou incólume a Babilónia -
a cidade sob o controle da mente.
faiscantes / olhos nos olhos / maravilhados
perdemos as referências;
invulneráveis, prostramos noctívagos bêbados
apenas com a força do plasma.
no prostíbulo, a deusa negra
dançou só para nós a dança da sedução -
em tons de roxo e amarelo
o fascínio do corpo e do sexo
a plástica perfeita do absoluto.
white light / white heat.
a Amália fez-se ouvir nostálgica / lírica / terna
cantando o Fado de Peniche na jukebox do canto -
a saudade, a paixão, a bruma
num ondear suave e indolente.
marinheiros navegámos para lá do nevoeiro
libertos do corpo em integração universal.
as palavras tornadas obsoletas
o poeta não passa dum aprendiz nos mistérios do infinito.
adquirimos um barco de pôr em cima do televisor
ao primeiro Dali que encontramos
e caravelas ou veleiros percorremos os mares
a depositar a nossa bondade longe da acção do tempo.
quando sentimos uma sombra presa a nós abanamo-nos
com os Sex Pistols cáusticos / vertigem / suor / espelhos.
imagem por demais bela / ácida / metálica / ascética.
invocamos S. Manso e o manso cordeiro
em feitiços de namorados.
concentrados rompemos as nuvens
e deixamos que a lua cheia nos banhasse a fronte -
as águas revoltas / jubilantes...
ah, como fomos belos esta noite!
(Adolfo Luxúria Canibal, in "Estilhaços")
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