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29/10/12

A última sessão!


















Fotografias de Sara Moutinho



Uma noite em cheio a valer por três


De regresso à sala que as viu nascer, o café-teatro, as “Quintas de Leitura”, ciclo poético do Teatro do Campo Alegre, promovido pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento, apresentaram na passada noite de 25 de Outubro de 2012, a sua 135ª sessão.

O espetáculo, intitulado “As borboletas não dormem a sesta”, inspirou-se num pensamento quase normal do agitador e escritor vanguardista Ramón Gómez da la Serna. E a sessão, completamente esgotada foi uma noite especial, rara, imperdível e irrepetível, construída em três momentos.

O primeiro levou ao palco do café-teatro Adolfo Luxúria Canibal que disse, como só ele o sabe e pode fazer, dois poemas de Mário Cesariny e dois estilhaços de sua própria autoria. Adolfo esteve acompanhado pelos músicos António Rafael (piano, teclados, programações), Henrique Fernandes (contrabaixo) e Jorge Coelho (guitarra elétrica).

O segundo momento foi a estreia absoluta nas “Quintas” do virtuoso guitarrista Pedro Jóia. Foram cerca de 20 minutos de guitarra clássica com sonoridades mágicas que atravessaram composições de Carlos Gardel e fados tradicionais portugueses.

Ficou para o fim do serão o recital-concerto do coletivo poético “Peixe Graúdo”, constituído pelas vozes de Ana Celeste Ferreira, Marta Bernardes e Teresa Coutinho e pelo piano de Ricardo Caló. Poemas e melodias de sempre, ditos e cantados num registo cheio de humor e quase provocatório.

Sobre esta atuação, João Gesta, o programador do ciclo, esclarece: “Foi uma intervenção de elevado teor patriótico, com bolinha vermelha ao canto da alma, só aconselhável a contribuintes com sólida formação estomacal”.

O “Peixe Graúdo” contou ainda com a participação especial de dois reforços de Outono: Tiago Beat (beatbox) e Ianina Khmelik (violino).


22/01/10

poema sobre o domínio do mundo

para o adolfo luxúria canibal

as raparigas que visitavam o prisioneiro b33920 voltavam a casa grávidas de luz. depois, pariam em segredo ideias absurdas sobre um amor de aflição e afastavam-se lentamente da família. o prisioneiro, sensual, sabedor de tal feito, sorria mostrando o dente brilhante de quem ferrava rápido e sem piedade. tempos passados, tão longe as raparigas, eram procuradas pelos pais e pelas mães com saudade, vítimas de coração, que não as encontravam nem esqueciam. alguns homens desconhecidos afirmavam tê-las visto um dia. os pais e as mães acreditavam. aos homens, frequentemente, faltava uma orelha, um dedo ou até uma perna. e eles reiteravam que as tinham visto. mas, instigados com insistência, admitiam poder tê-las confundido com os dias mais claros

(poema de valter hugo mãe / livro de maldições / objecto cardíaco)

31/12/09

A PRÓXIMA "QUINTA DE LEITURA". IMPERDÍVEL.

Intitula-se "BOMBA" e realiza-se no dia 28 de Janeiro (22h00).
Trará ao palco do Auditório do TCA um mar de estrelas.
Vejam só:

valter hugo mãe (poeta convidado)

Adolfo Luxúria Canibal, Rui Spranger, Isaque Ferreira e Sandra Salomé (leituras)

Nelson D´Aires (fotografia)

Tânia Carvalho e Luís Guerra (dança)

Tigrala
(Norberto Lobo, Guilherme Canhão e Ian Carlos Mendonza)

e ainda a participação especial da violinista russa Ianina Khmelik.

Foi você que pediu uma sessão bombástica?

09/12/08

OS POETAS DAS "QUINTAS"/ ADOLFO LUXÚRIA CANIBAL

WHITE LIGHT / WHITE HEAT

como fomos belos esta noite!...

o nosso perfil grego / pássaro / artista / nirvana
atravessou incólume a Babilónia -
a cidade sob o controle da mente.
faiscantes / olhos nos olhos / maravilhados
perdemos as referências;
invulneráveis, prostramos noctívagos bêbados
apenas com a força do plasma.

no prostíbulo, a deusa negra
dançou só para nós a dança da sedução -
em tons de roxo e amarelo
o fascínio do corpo e do sexo
a plástica perfeita do absoluto.

white light / white heat.

a Amália fez-se ouvir nostálgica / lírica / terna
cantando o Fado de Peniche na jukebox do canto -
a saudade, a paixão, a bruma
num ondear suave e indolente.
marinheiros navegámos para lá do nevoeiro
libertos do corpo em integração universal.

as palavras tornadas obsoletas
o poeta não passa dum aprendiz nos mistérios do infinito.

adquirimos um barco de pôr em cima do televisor
ao primeiro Dali que encontramos
e caravelas ou veleiros percorremos os mares
a depositar a nossa bondade longe da acção do tempo.

quando sentimos uma sombra presa a nós abanamo-nos
com os Sex Pistols cáusticos / vertigem / suor / espelhos.
imagem por demais bela / ácida / metálica / ascética.

invocamos S. Manso e o manso cordeiro
em feitiços de namorados.
concentrados rompemos as nuvens
e deixamos que a lua cheia nos banhasse a fronte -
as águas revoltas / jubilantes...

ah, como fomos belos esta noite!

(Adolfo Luxúria Canibal, in "Estilhaços")

14/10/08






As Quintas de Leitura são mote criativo. Exemplo nesta notícia publicada no jornal DESTAK de hoje. Aqui a notícia foi dividida e ampliada para melhor leitura. (clicar sobre as imagens).