21/06/10

Mais imagens da sessão Isaquetamente

Isaque Ferreira




Né Barros


Teresa Coutinho, Isaque Ferreira, Paulo Campos dos Reis e Margarida Carvalho

Paulo Campos dos Reis e Margarida Carvalho

Rui Lima



Isaque Ferreira e Rui Lima

Teresa Coutinho, Margarida Carvalho e Paulo Campos dos Reis



Natasha Semmynova

Notícias do Isaquetamente

Jornal Público - roteiro



Jornal Público


Jornal de Notícias

Notícias publicadas no dia da sessão, 17 de Junho de 2010.

ISAQUETAMENTE em fotografias


captadas por Sara Moutinho
na última sessão do ciclo Quintas de Leitura.


Isaque Ferreira



Dança
Né Barros - Coreografia e interpretação
João Martinho Moura (engageLab, Universidade do Minho) - Arte Digital


Paulo Campos dos Reis - Leituras

Margarida Carvalho - Leituras

Teresa Coutinho, Isaque Ferreira, Paulo Campos dos Reis e Margarida Carvalho - Leituras


Isaque Ferreira e Rui Lima


Rui Lima - Performance musical

Teresa Coutinho - Leituras


Natasha Semmynova - Drag Queen Performance

Isaque Ferreira




Sean Riley & The Slowriders - Concerto
Sean Riley - voz e guitarra
Filipe Costa - teclados, voz, harmónica
bruno simões - baixo e melódica
Filipe Rocha- Bateria e Voz

16/06/10

AS ESCOLHAS POÉTICAS DE ISAQUE FERREIRA

Meteorológica

Deus não me deu
um namorado
deu-me
o martírio branco
de não o ter

Vi namorados
possíveis
foram bois
foram porcos
e eu palácios
e pérolas

Não me queres
nunca me quiseste
(porquê, meu Deus?)

A vida
é livro
e o livro
não é livre

Choro
chove
mas isto é
Verlaine

Ou:
um dia
tão bonito
e eu
não fornico

(poema de Adília Lopes)

15/06/10

AS ESCOLHAS POÉTICAS DE ISAQUE FERREIRA

Um dos poemas que será lido na sessão:

quando eu partir apanhado de surpresa
como se tolhido por um dislate dito
vão fazer o quê com os meus livros?
com o problema inesperado do peso?
com o teu modo peculiar de olhar-me?
com a minha aptidão para o silêncio?
(a minha biblioteca é indivisível)

quando eu estiver como um retrato
acelerado ao longo de uma recta
vão desiquilibrar os meus cristais?
representar um luto muito preto?
respeitar a distância que mantinha?
quando eu partir apanhado de surpresa
para a viagem que jamais descarrila

(poema de José Sebag)

14/06/10

AS ESCOLHAS POÉTICAS DE ISAQUE FERREIRA

Apenas um cheirinho do que vai ser lido no recital do próximo dia 17 de Junho.

Herberto Helder, para começar:

Uma negra californiana, prevendo a morte próxima do seu cão, quis adquirir uma concessão perpétua num cemitério canino. O concessionário devolveu-lhe o pedido com a seguinte nota: «Os cães cujos proprietários são negros devem ser inumados em cemitérios para cães negros.»
Jornal de Notícias. 13 de Junho de 2010.

07/06/10

“ISAQUETAMENTE”



uma Quinta de Leitura

O ciclo poético “Quintas de Leitura” do Teatro do Campo Alegre, organizado pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento, propõe para este mês um espectáculo diferente, baseado nas escolhas poéticas de Isaque Ferreira, um dos recitadores mais aclamados no decorrer dos 9 anos de existência deste ciclo.

“Isaquetamente”- nome dado ao recital – está agendado para 17 de Junho, às 22h00, no grande auditório do TCA, com um alinhamento fértil em momentos inusitados.

Isaque Ferreira escolheu textos de Luiz Pacheco, Herberto Helder, José Sebag, Nuno Brito, Mário Cesariny e António José Forte, entre outros, e será acompanhado nas leituras por Teresa Coutinho, Margarida Carvalho e Paulo Campos dos Reis. O recital começa com um incisivo manifesto do Poeta argentino Aldo Pellegrini onde se define a Poesia como tudo aquilo que fecha a porta aos imbecis e a abre de par em par aos inocentes. Segundo Pellegrini, a Poesia só pretende cumprir uma tarefa: que este mundo não seja habitável só para os imbecil.

Em ligação com textos e leituras poder-se-á ver ao vivo e a cores a pintura do artista plástico Mário Vitória, expressa em quatro trabalhos de grande dimensão que depois do palco transitarão para o foyer deste teatro.

Pretexto ainda para a participação especial de Rui Lima (música), de Natasha Semmynova (Drag Queen performance) e de Né Barros (dança) que convida João Martinho Moura (arte digital/engageLab, UMinho).

Fecha a noite uma das bandas mais inspiradas do panorama musical português - Sean Riley & The Slowriders, num imperdível concerto (quase) acústico.

Há noites assim: lucipotentes.

Espectáculo para maiores de 16 anos.

31/05/10

A próxima sessão já tem bilhetes à venda


Para ler p. f. clicar sobre a imagem.

Casa Kitadas

Mónica Lacerda Pais (canto lírico)




Álvaro Domingues (performance Casas Kitadas)

Mónica Lacerda Pais e Álvaro Domingues

Cristina Delius & Tripeco (Round Midnight)
Silvia Ocougne (guitarra)
Johannes Gunkel (contrabaixo)

Cristina Delius

Beatriz Serrão (Tripeco)

Cristina Delius



O COPO (Paulo Condessa e Nuno Moura)
O'Neil, Tás Bué Baril?





Guta Naki
Cátia Pereira (voz)
Dinis Lapa (baixo e melódica)
Nuno Palma (guitarra, teclados e programações)



Fotografias de Sara Moutinho

24/05/10


É já na próxima quinta-feira que o colectivo poético "O COPO" apresentará na sessão das "Quintas de Leitura" a sua desconcertante performance "Ó`Neill, tás bué baril?".
Recordamos hoje mais um poema do grande Alexandre O'Neill:

FALA!

Fala a sério e fala no gozo
fá-la p'la calada e fala claro
fala deveras saboroso
fala barato e fala caro

Fala ao ouvido fala ao coração
falinhas mansas ou palavrão

Fala à miúda mas fá-la bem
Fala ao teu pai mas ouve a tua mãe

Fala franciú fala béu-béu

Fala fininho e fala grosso
desentulha a garganta levanta o pescoço

Fala como se falar fosse andar
fala com elegância muita e devagar.

(Alexandre O'Neill in "Poesias Completas"/Assírio & Alvim. Fotografia: O COPO por Pat)

19/05/10

O Primeiro de Janeiro

Edição de hoje.

Notável Eça

Escrito, em 1872, por Eça de Queirós, n´AS FARPAS:

"Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá...vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par, a Grécia e Portugal".

18/05/10

Que será?


Casas Kitadas - conferência performance por Álvaro Domingues.
27 de Maio de 2010.
Ainda há bilhetes!

"QUINTAS DE LEITURA": EU VOU

ALGUNS GOSTAM DE POESIA

Alguns -

quer dizer nem todos.

Nem a maioria de todos, mas a minoria.

Excluindo escolas, onde se deve

e os próprios poetas,

serão talvez dois em mil.

Gostam -

mas também se gosta de canja de massa,

gosta-se da lisonja e da cor azul,

gosta-se de um velho cachecol,

gosta-se de levar a sua avante,

gosta-se de fazer festas a um cão.

De poesia -

mas o que é a poesia?

Algumas respostas vagas

já foram dadas,

mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro

como a um corrimão providencial.

(poema de Wislawa Szymborska, Prémio Nobel de Literatura 1996)

13/05/10

MÁ CONSCIÊNCIA

O adjectivo
dá-me de comer.
Se não fora ele
o que houvera de ser?

Vivo de acrescentar às coisas
o que elas não são.
Mas é por cálculo,
não por ilusão.

(Alexandre O'Neill, in "Poesias Completas"/ Assírio & Alvim)

12/05/10

POESIA-CÃO

Com que então, coração,
poesia-aflição!
Antes poesia-cão
que é melhor posição.

Já que não és capaz
dos efes e dos erres
dessa solerte mão
que é a que preferes,

meu tolo desidério,
talvez seja mais sério
não te tomares a sério:
reduz-te ao impropério.

(Alexandre O'Neill, in "Poesias Completas"/ Assírio & Alvim)

GUTA NAKI


Estreia absoluta no Porto e nas "Quintas" da banda "GUTA NAKI".

Será na noite de 27 de Maio na sessão Casas Kitadas.

Vencedores do último Restart Resound Fest, de onde saíram nomes como "Os Pontos Negros" e "Lobster" em edições anteriores, os "Guta Naki" apresentam-nos canções de corpo inteiro. Uma voz ampla capaz de abarcar o céu e o inferno num só fôlego, numa lírica cuidada. Um trio (Cátia Pereira, Dinis Lapa e Nuno Palma) aparentemente inofensivo que, depois de ligado à corrente, se transfigura, envolvendo-nos numa catártica viagem que se quer interminável.

A POESIA DE ALEXANDRE O´NEILL

O SUJA-CHAMINÉS

Da gaiola de vidro, à prova de bala,
o suja-chaminés observava a sala.

Reforçara-se muito, nos últimos meses,
a sua fé em Deus.

Não nesse que desce pela chaminé
e entretém, candidamente, a nossa fé.
Mas num Deus mais volátil,
de iconografia mais industrial,
sempre a subir ao céu por toda a eternidade.

Na gaiola de vidro, à prova de bala,
o suja-chaminés era visto da sala.

Diz-se que, afinal,
matou menos judeus do que se julgava.

(Alexandre O´Neill, in "Poesias Completas"/ Assírio & Alvim)

10/05/10

O COPO NAS "QUINTAS" - Dia 27 de Maio

OS AMANTES DE NOVEMBRO

Ruas e ruas dos amantes
Sem um quarto para o amor
Amantes são sempre extravagantes
E ao frio também faz calor

Pobres amantes escorraçados
Dum tempo sem amor nenhum
Coitados tão engalfinhados
Que sendo dois parecem um

De pé imóveis transportados
Como uma estátua erguida num
Jardim votado ao abandono
De amor juncado e de outono.

(Alexandre O'Neill, in "Poesias Completas"/ Assírio & Alvim)

07/05/10

Ó'Neill, Tás Bué Baril?

Um dos momentos da próxima "Quinta de Leitura" será assegurado pelo colectivo poético "O Copo". Poesia de entretenimento científico, como eles gostam de dizer.
Apresentarão a performance Ó'Neill, Tás Bué Baril?
Começamos a publicar hoje alguns poemas de Alexandre O´Neill, só para vos aguçar o apetite.


POESIA E PROPAGANDA

Hei-de mandar arrastar com muito orgulho,
Pelo pequeno avião da propaganda
E no céu inocente de Lisboa,
Um dos meus versos, um dos meus
Mais sonoros e compridos versos:

E será um verso de amor...

(Alexandre O'Neill, in "Poesias Completas"/ Assírio & Alvim)

04/05/10


“Casas Kitadas”

As "Quintas de Leitura", ciclo poético organizado pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento, prossegue o seu curso imparável com uma sessão verdadeiramente esquisita intitulada "Casas Kitadas". Uma noite estranha, rara, requintada e invulgar ao serviço da Palavra.

O evento realiza-se no dia 27 de Maio, às 22h00, no Auditório do Teatro do Campo Alegre.

Anunciam-se duas horas de intenso espectáculo, divididas por quatro momentos distintos. Não faltará a poesia, a música, o canto lírico, a performance e até o sapateado.

O geógrafo (e performer) Álvaro Domingues abre as hostilidades. Vai falar-nos de "Casas Kitadas". E explica:

"Enganam-se os que pensam que uma casa serve só para habitação, ou que é o domínio do privado e da vida familiar. Uma Casa Kitada na Rua da Estrada é muito mais do que um lar; é um desassossego, uma arquitectura instável buscando uma solução para adequar um edifício a outra função para a qual não foi pensado - um café no rés-do-chão ou uma esplanada no jardim, o que seja. Só se estranha o que não se consegue explicar."

A conferência de Álvaro Domingues será abrilhantada pela interacção da cantora lírica Mónica Lacerda Pais. Momento sublime, a não perder.

O momento de poesia será assegurado pelo colectivo poético "O Copo". Poesia de entretenimento científico. Nuno Moura e Paulo Condessa lerão textos de Alexandre O'Neill, numa actuação intitulada "Ó 'Neill, tás bué baril?". São textos do dito, assim ditos sem correctamente nem politicamente. Imprevisibilidade q.b. tal qual o próprio O`Neill, isto é, poesia quente e fria.

Falando de música, estreia absoluta no Porto e nas "Quintas" da banda "GUTA NAKI". Vencedores do último Restart Resound Fest, de onde saíram nomes como "Os Pontos Negros" e "Lobster" em edições anteriores, os "Guta Naki" apresentam-nos canções de corpo inteiro. Uma voz ampla capaz de abarcar o céu e o inferno num só fôlego, numa lírica cuidada. Um trio (Cátia Pereira, Dinis Lapa e Nuno Palma) aparentemente inofensivo que, depois de ligado à corrente, se transfigura, envolvendo-nos numa catártica viagem que se quer interminável.

Por fim, um regresso muito esperado nas "Quintas": Cristina Delius, artista de sapateado contemporâneo.

Cristina, um dos nomes mais importantes do sapateado europeu, a residir há muitos anos em Berlim, faz-se acompanhar, desta feita, pela sua banda "Tripeco", constituída por Silvia Ocougne (guitarra), Johannes Gunkel (contrabaixo) e Beatriz Serrão (percussão). Promete-se ao espectador uma viagem percussiva através da música dos mundos. Emoção, improvisação, virtuosismo. Uma aventura acústica e visual, com a marca das "Quintas de Leitura".

João Gesta, o programador do ciclo, remata, com um conselho amigo:

“Seja um dos 250 espectadores privilegiados que poderão, no dia seguinte, contar esta noite esquisita aos seus amigos. Noite única, irrepetível. Salte para o nosso lado da barricada”.