
14/06/10
07/06/10
“ISAQUETAMENTE”

O ciclo poético “Quintas de Leitura” do Teatro do Campo Alegre, organizado pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento, propõe para este mês um espectáculo diferente, baseado nas escolhas poéticas de Isaque Ferreira, um dos recitadores mais aclamados no decorrer dos 9 anos de existência deste ciclo.
“Isaquetamente”- nome dado ao recital – está agendado para 17 de Junho, às 22h00, no grande auditório do TCA, com um alinhamento fértil em momentos inusitados.
Isaque Ferreira escolheu textos de Luiz Pacheco, Herberto Helder, José Sebag, Nuno Brito, Mário Cesariny e António José Forte, entre outros, e será acompanhado nas leituras por Teresa Coutinho, Margarida Carvalho e Paulo Campos dos Reis. O recital começa com um incisivo manifesto do Poeta argentino Aldo Pellegrini onde se define a Poesia como tudo aquilo que fecha a porta aos imbecis e a abre de par em par aos inocentes. Segundo Pellegrini, a Poesia só pretende cumprir uma tarefa: que este mundo não seja habitável só para os imbecil.
Em ligação com textos e leituras poder-se-á ver ao vivo e a cores a pintura do artista plástico Mário Vitória, expressa em quatro trabalhos de grande dimensão que depois do palco transitarão para o foyer deste teatro.
Pretexto ainda para a participação especial de Rui Lima (música), de Natasha Semmynova (Drag Queen performance) e de Né Barros (dança) que convida João Martinho Moura (arte digital/engageLab, UMinho).
Fecha a noite uma das bandas mais inspiradas do panorama musical português - Sean Riley & The Slowriders, num imperdível concerto (quase) acústico.
Há noites assim: lucipotentes.
Espectáculo para maiores de 16 anos.
31/05/10
27/05/10
24/05/10
É já na próxima quinta-feira que o colectivo poético "O COPO" apresentará na sessão das "Quintas de Leitura" a sua desconcertante performance "Ó`Neill, tás bué baril?".
Recordamos hoje mais um poema do grande Alexandre O'Neill:
FALA!
Fala a sério e fala no gozo
fá-la p'la calada e fala claro
fala deveras saboroso
fala barato e fala caro
Fala ao ouvido fala ao coração
falinhas mansas ou palavrão
Fala à miúda mas fá-la bem
Fala ao teu pai mas ouve a tua mãe
Fala franciú fala béu-béu
Fala fininho e fala grosso
desentulha a garganta levanta o pescoço
Fala como se falar fosse andar
fala com elegância muita e devagar.
(Alexandre O'Neill in "Poesias Completas"/Assírio & Alvim. Fotografia: O COPO por Pat)
20/05/10
19/05/10
Notável Eça
"Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá...vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par, a Grécia e Portugal".
18/05/10
Que será?
"QUINTAS DE LEITURA": EU VOU
ALGUNS GOSTAM DE POESIA
Alguns -
quer dizer nem todos.
Nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve
e os próprios poetas,
serão talvez dois em mil.
Gostam -
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.
De poesia -
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um corrimão providencial.
(poema de Wislawa Szymborska, Prémio Nobel de Literatura 1996)
13/05/10
MÁ CONSCIÊNCIA
dá-me de comer.
Se não fora ele
o que houvera de ser?
Vivo de acrescentar às coisas
o que elas não são.
Mas é por cálculo,
não por ilusão.
(Alexandre O'Neill, in "Poesias Completas"/ Assírio & Alvim)
12/05/10
POESIA-CÃO
poesia-aflição!
Antes poesia-cão
que é melhor posição.
Já que não és capaz
dos efes e dos erres
dessa solerte mão
que é a que preferes,
meu tolo desidério,
talvez seja mais sério
não te tomares a sério:
reduz-te ao impropério.
(Alexandre O'Neill, in "Poesias Completas"/ Assírio & Alvim)
GUTA NAKI
Estreia absoluta no Porto e nas "Quintas" da banda "GUTA NAKI".
Será na noite de 27 de Maio na sessão Casas Kitadas.
Vencedores do último Restart Resound Fest, de onde saíram nomes como "Os Pontos Negros" e "Lobster" em edições anteriores, os "Guta Naki" apresentam-nos canções de corpo inteiro. Uma voz ampla capaz de abarcar o céu e o inferno num só fôlego, numa lírica cuidada. Um trio (Cátia Pereira, Dinis Lapa e Nuno Palma) aparentemente inofensivo que, depois de ligado à corrente, se transfigura, envolvendo-nos numa catártica viagem que se quer interminável.
A POESIA DE ALEXANDRE O´NEILL
Da gaiola de vidro, à prova de bala,
o suja-chaminés observava a sala.
Reforçara-se muito, nos últimos meses,
a sua fé em Deus.
Não nesse que desce pela chaminé
e entretém, candidamente, a nossa fé.
Mas num Deus mais volátil,
de iconografia mais industrial,
sempre a subir ao céu por toda a eternidade.
Na gaiola de vidro, à prova de bala,
o suja-chaminés era visto da sala.
Diz-se que, afinal,
matou menos judeus do que se julgava.
(Alexandre O´Neill, in "Poesias Completas"/ Assírio & Alvim)
10/05/10
O COPO NAS "QUINTAS" - Dia 27 de Maio
Ruas e ruas dos amantes
Sem um quarto para o amor
Amantes são sempre extravagantes
E ao frio também faz calor
Pobres amantes escorraçados
Dum tempo sem amor nenhum
Coitados tão engalfinhados
Que sendo dois parecem um
De pé imóveis transportados
Como uma estátua erguida num
Jardim votado ao abandono
De amor juncado e de outono.
(Alexandre O'Neill, in "Poesias Completas"/ Assírio & Alvim)
07/05/10
Ó'Neill, Tás Bué Baril?
Apresentarão a performance Ó'Neill, Tás Bué Baril?
Começamos a publicar hoje alguns poemas de Alexandre O´Neill, só para vos aguçar o apetite.
POESIA E PROPAGANDA
Hei-de mandar arrastar com muito orgulho,
Pelo pequeno avião da propaganda
E no céu inocente de Lisboa,
Um dos meus versos, um dos meus
Mais sonoros e compridos versos:
E será um verso de amor...
(Alexandre O'Neill, in "Poesias Completas"/ Assírio & Alvim)
04/05/10

“Casas Kitadas”
O geógrafo (e performer) Álvaro Domingues abre as hostilidades. Vai falar-nos de "Casas Kitadas". E explica:
A conferência de Álvaro Domingues será abrilhantada pela interacção da cantora lírica Mónica Lacerda Pais. Momento sublime, a não perder.
O momento de poesia será assegurado pelo colectivo poético "O Copo". Poesia de entretenimento científico. Nuno Moura e Paulo Condessa lerão textos de Alexandre O'Neill, numa actuação intitulada "Ó 'Neill, tás bué baril?". São textos do dito, assim ditos sem correctamente nem politicamente. Imprevisibilidade q.b. tal qual o próprio O`Neill, isto é, poesia quente e fria.
Por fim, um regresso muito esperado nas "Quintas": Cristina Delius, artista de sapateado contemporâneo.
João Gesta, o programador do ciclo, remata, com um conselho amigo:
30/04/10
28/04/10
27/04/10
Espaço dos Livros
22/04/10
21/04/10
NUNCA SE VIU NADA ASSIM
GONÇALO M. TAVARES - leituras
OS ESPACIALISTAS (Luís Baptista e Diogo de Castro Guimarães) - imagem
ANTONIJA LIVINGSTONE - performance
THOTH e LILA ANGELIQUE - performance musical
EDUARDO DIAS MARTINS - harpa
TIAGO GUILLUL & CONVIDADOS - música
Momentos irrepetíveis. Se não viu, nunca mais verá.
É já na próxima "Quinta".
É simples e rápido de contar: o cão de um vizinho, mais precisamente do senhor D., cegou. Uma doença e a idade.
O cão sempre vivera e passeara por ali, pelas redondezas, pelo meio dos sons, dos cheiros, daquele ar.
O senhor Calvino ofereceu-se. Ao fim do dia ia buscar o cão cego e levava-o, de coleira, a passear pela cidade.
(texto de Gonçalo M. Tavares, in " O Senhor Calvino" / Editorial Caminho)
19/04/10
Um poema de Gonçalo M. Tavares
Não há definições minuciosas, quando aproximamos
O olhar daquilo que conhecemos surge o espanto,
Por vezes assustamo-nos; é no pormenor
Daquilo que é familiar que surge o perigo, e um certo
Desencanto. Por vezes é
Melhor não olharmos tempo de mais para o que
Amamos, alguém disse.
Dá atenção ao inimigo para o conseguires
Amar, não analises o que amas para que nenhum erro
Se infiltre no encanto. Se fiz isto, se o faço?
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D' Água Editores)
16/04/10
Gonçalo M. Tavares nas "Quintas de Leitura". Dia 22 de Abril. A não perder.
Conheço pouco o mundo, os meus pais sempre
Perceberam o aborrecimento profundo que
Qualquer viagem me trazia. Fui absolutamente físico,
Lutava, era empurrado, empurrava, caía,
Na mesma tarde apanhava sol calmo e um murro forte.
Mas agora não. Por mim, a partir de hoje,
Fixava os acontecimentos
Dos dias a uma parede, com um material qualquer -
Não há cola assim tão forte, eu sei, nem os agrafos
São ferramenta com força para agarrar o que acontece,
Mas um certo recato sim, uma certa constância de hábitos,
Uma disciplina inútil, estúpida, egoísta, sim, certamente
Isso tudo, mas a disciplina, o saber qual é o nosso
Passo, quais os sítios onde preferimos perder-nos, isso sim
Permite tornar os acontecimentos paisagem
E a nossa cabeça, protagonista.
E o mundo?, dirão. Sim, é verdade, a certas perguntas
Não sei responder e certas respostas que dou
Envergonham-me.
(poema de Gonçalo M. Tavares, in "1" / Relógio D' Água Editores)
12/04/10
O Senhor Gonçalo nas "Quintas de Leitura"
Excelentíssima Anna, por aqui os campos, com os seus cereais robustos, continuam a tapar melhor os movimentos sexuais do que os uivos que daí resultam. Trata-se pois de uma discordância evidente entre som e sua origem. E sendo o prazer um excesso acima do mais táctil, é de salientar no entanto a elevação agitada do som que se torna na atmosfera o actor principal, atirando assim - por via do vento - um rubor forte à cara das aldeãs que da janela pensavam ver, mas afinal ouvem.
Devido aos campos férteis que funcionam como cortina, nesses instantes, onde casais jovens se excitam como instrumentos afinados, para um surdo, cara Anna, a janela torna-se subitamente inútil.
(texto de Gonçalo M. Tavares, in "O Senhor Calvino" / Editorial Caminho)
07/04/10
"O ESPAÇO" na obra de Gonçalo M. Tavares
Do alto de mais de trinta andares, alguém atira da janela abaixo os sapatos de Calvino e a sua gravata. Calvino não tem tempo para pensar, está atrasado, atira-se também da janela, como que em perseguição. Ainda no ar alcança os sapatos. Primeiro, o direito: calça-o; depois, o esquerdo. No ar, enquanto cai, tenta encontrar a melhor posição para apertar os atacadores.Com o sapato esquerdo falha uma vez, mas volta a repetir, e consegue. Olha para baixo, já se vê o chão. Antes, porém, a gravata; Calvino está de cabeça para baixo e com um puxão brusco a sua mão direita apanha-a no ar e, depois, com os seus dedos apressados, mas certeiros, dá as voltas necessárias para onó: a gravata está posta. Os sapatos, olha de novo para eles: os atacadores bem apertados; dá o último jeito no nó da gravata, bem a tempo, é o momento:chega ao chão, impecável.
(texto de Gonçalo M. Tavares, in "O Senhor Calvino, Editorial Caminho)
01/04/10
Gonçalo M. Tavares de regresso às “Quintas de Leitura”

A próxima sessão do ciclo poético "Quintas de Leitura"- promovido pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento - assinala a 5ª presença do escritor Gonçalo M. Tavares nesta iniciativa. O evento, intitulado "ESPAÇO DOS LIVROS", realiza-se no próximo dia 22 de Abril, às 22h00, no Auditório do Teatro do Campo Alegre.
Gonçalo M. Tavares fará leituras - em redor do espaço - de excertos dos livros "1" e "O Bairro" (onde vivem vários Senhores, entre eles, o Senhor Calvino, que dará o texto à folha de sala da sessão). "Os Espacialistas" (Luís Baptista e Diogo de Castro Guimarães) interagem com as leituras do convidado, apresentando um trabalho visual e plástico. Estreia absoluta.
Assinale-se a participação da coreógrafa e performer canadiana Antonija Livingstone. Uma participação especial nas "Quintas de Leitura", inspirada na obra de Gonçalo M. Tavares. A sua prática como coreógrafa é bastante autodidacta, tendo raízes nas intersecções da sua experiência com o Ballet Clássico, o Contact-Improvisation e as Artes Marcias chinesas e actuando como Drag King, em clubes e contextos queer em todo o Canadá, Nova York e Berlim. A convite da Obra Madastra - estrutura de produção e difusão de artes performativas - Antonija Livingstone apresentará ainda no Auditório de Serralves o solo "The part" (24 de Abril) e participará num workshop (dias 25 e 26 de Abril).
Ao espectáculo acrescente-se também a estreia neste ciclo do harpista Eduardo Dias Martins que também ajudará à festa.
A sessão fecha em beleza com o músico Tiago Guillul. Ele é um pregador baptista, homem de família, colunista, crítico literário, conferencista e, nas horas vagas, um dos mais importantes e proeminentes nomes da música portuguesa do Séc.XXI. Em 1999 Tiago Guillul funda a editora FlorCaveira que o vem consolidar enquanto músico profícuo e visionário produtor. O seu quarto álbum a solo, "Tiago Guillul IV", é o disco do reconhecimento, com os generalizados aplausos da crítica e a incessante curiosidade dos media. Faz-se acompanhar, neste concerto, pelos músicos Guel e Lipe.
Uma grande festa da poesia porque, já se sabe, ninguém pode viver sem Sonho.
Espectáculo para maiores de 16 anos.











































