13/02/10
SEM ESPINHAS: SESSÃO CEM
Sondar
a linguagem das trevas
dormir
na neve dos limites
atravessar
flores distraídas
Decifrar
numa pedra fria
letras a arder
entrar
em comboios remotos
no olho gigante
das estações do fim do mundo
Ser
um sinal
lançado ao acaso na noite
deixar
noutra boca
o gosto de uma ausência
Temos tão pouco tempo
tão pouco sonho
tão pouco
(poema de ERNESTO SAMPAIO. Será lido na sessão 100 por Ana Catarina)
09/02/10
SESSÃO CEM NO PRÓXIMO DIA 25 DE FEVEREIRO
RECADO
ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte
vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer - vai por esse campo
de crateras extintas - vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite
deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo - deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração - ouve-me
que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna - o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite
não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira - não esqueças o ouro
o marfim - os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço
Poema de AL BERTO
(será lido na sessão cem por Manuel Tur)
08/02/10
100 QUINTAS DE LEITURA
Sessão cem do ciclo poético
QUINTAS DE LEITURA
Festa da Poesia em 3 actos
A festa comemorativa da centésima sessão do ciclo poético Quintas de Leitura do Teatro do Campo Alegre, promovido pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento, acontece no próximo dia 25 de Fevereiro, às 22h00, no Auditório do TCA, no Porto.
O espectáculo, uma festa em 3 actos, intitulada "LEICA VIRGEM" foi concebido, sem mácula, por João Gesta, "o programador", que resume desta forma o ciclo e esta data marcante:
“Eis-nos finalmente chegados à centésima sessão do ciclo poético Quintas de Leitura. Oito anos ao serviço da Palavra dos nossos Poetas. Oito anos ao serviço da divulgação da Língua Portuguesa, o nosso maior património.
Ao fim de oito anos, a certeza de sempre: é impossível viver sem Poesia. Ou, como diria o Poeta, Sonhar é preciso”.
Espera-nos uma noite de beleza convulsiva. Três horas de espectáculo, onde não faltarão momentos de dança, música, imagem e, claro, muita Poesia.
A festa será apresentada por Adriana Faria e Teresa Coutinho. Uma é morena, a outra sabe-se lá. Serão as porteiras da noite.
Na imagem, muita fotografia, para mais tarde recordar, pela Leica quase virgem de Pat - fotógrafa reincidente nas Quintas de Leitura – e depoimentos vídeo sabiamente recolhidos por Pedro Nunes.
Na dança, estreia absoluta nas "Quintas" da Vortice Dance Company. A apresentar: um excerto da peça "Soliloquy about Wonderland", coreografia de Cláudia Martins e Rafael Carriço.
Presença também reincidente neste ciclo poético do pianista Raúl Peixoto da Costa. Com apenas 16 anos de idade, já venceu os Concursos Internacionais de Piano de San Sebastian e Alexander Scriabin em Paris. Recentemente encheu a Sala Suggia (Casa da Música/Porto), num concerto memorável. Representou Portugal no Concurso da União Europeia, na República Checa, sendo o mais jovem concorrente a alcançar a final. Tocará Chopin, para comemorar o 100º aniversário deste compositor.
A centésima sessão marca ainda a 48ª presença do actor Pedro Lamares em sessões das Quintas de Leitura. Apresentará "O Fraseador", uma leitura de poemas, na qual vai conversando sobre o seu percurso com a poesia, partilhando experiências e contextualizando alguns dos textos com momentos de vida ou histórias relativas aos poetas.
Como é sabido, as Quintas de Leitura realizaram em Setembro e Outubro de 2009 um casting para leitores de poesia, que envolveu mais de 200 candidatos. Chegou agora o momento de mostrar os resultados desse casting. Vêm a palco alguns dos elementos seleccionados: Ana Catarina Barbosa, Ana Celeste Ferreira, Ana Paiva, Rita Machado, Manuel Tur, Susana Guimarães e Valdemar Santos. Lerão poemas de Al Berto, Fernando Pessoa, José Gomes Ferreira, António José Forte, Herberto Helder, Adília Lopes, Eugénio de Andrade, Mário Cesariny, José Carlos Ary dos Santos, Gonçalo M. Tavares, Manuel António Pina e Alberto Pimenta, entre outros. Um momento especial, virado para o futuro.
Fecha a noite o músico B FACHADA. Concerto de trinta minutos com todos os seus êxitos. Palavras para quê? - ele foi unanimemente considerado pela crítica da especialidade como uma das grandes revelações da pop lusa em 2009. O regresso de um grande músico ao ambiente das "Quintas".
o poema é antes de tudo
um palco para gestos simples
eu rego as flores de Junho
(Miguel-Manso)
As notícias de Quinta-feira
04/02/10
Ponto Interrogativo arranca hoje

Pedro Tochas em Edimburgo por Raquel Viegas
Esta é a 13ª presença do comediante nas "Quintas de Leitura", promovidas pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento. Desta feita com uma fórmula simples: Pedro Tochas e mais dez pessoas, em círculo, instalados no palco do TCA, durante trinta minutos.
O mote: uma pergunta e depois se verá onde as coisas vão parar...
O comediante, na sua busca de encontrar novas formas de comunicar e estar em contacto com o público, criou "Ponto Interrogativo", uma mistura entre espectáculo, tertúlia, sessão de terapia em grupo e conversa de café, onde não faltarão os salgadinhos, bolachinhas e refrigerantes.
Esta performance/espectáculo/acontecimento vai ser completamente improvisada. Dez pessoas de cada vez, trinta minutos de partilha total com o artista. Tudo sem rede.
Cada sessão vai ser única e íntima. O resultado final será uma incógnita até para o próprio artista. As sessões já estão todas esgotadas.
01/02/10
29/01/10
a virgindade da maria luísa
maria, agora que já viste como
estamos longe de tudo, achas que
podemos passar ao nosso quarto
é certo que não virá quem nos
incomode. não creio que isso
possa horrivelmente acontecer
deixei sobre a cama uma
fina camisa de seda para ti,
e para mim reservo a própria luz
sim, ficarei sob uma determinada
luz, estive a pensar nisso e
é bem verdade o que concluí
melhor te pareço no moreno das
lâmpadas mais fracas, um pouco
ao jeito da cor das árvores
o que me torna num homem
mais forte, muito masculino
e sobretudo de aparência estável
(poema de valter hugo mãe / pornografia erudita / Cosmorama edições)
As imagens da BOMBA de ontem à noite
Ponto Interrogativo - Pedro Tochas
28/01/10
As notícias de hoje
26/01/10
valter hugo mãe nas "Quintas" na próxima quinta-feira
para o alberto pimenta
teve a coragem de amar uma mulher com fino cabelo de cristal. à noite, na escuridão da cama, não lhe tocava por amor, e por amor a mulher cuidou do seu cabelo, cada vez mais frondoso e delicado. por isso, passeava o casal orgulhoso de tanta beleza pelas ruas. entravam em casa só mais tarde, quando ninguém sobrava para ver. era também quando se amavam sem se poderem suportar. cada um para seu lugar sem dizer mais nada, com a tensa proximidade da violência. sem filhos, desligavam as luzes e emudeciam. era quando alguns animais irrompiam pelos poros das paredes e fungavam-lhes nos pescoços. o cabelo da mulher ondulava em cintilações no escuro, pela moléstia das pequenas cócegas e mordidas
(poema de valter hugo mãe / livro de maldições / objecto cardíaco)
25/01/10
"BOMBA" ESGOTADA

Já só faltam 3 dias para recebermos de novo nas "Quintas" o poeta valter hugo mãe.
Adivinha-se uma festa cheia de fulgor e momentos imprevistos.
Recordamos, de novo, o nome das estrelas mais brilhantes deste evento único e irrepetível:
poeta convidado
valter hugo mãe
leituras
Adolfo Luxúria Canibal
Isaque Ferreira
Rui Spranger
Sandra Salomé
violino
Ianina Khmelik
fotografia
Nelson D' Aires
dança
Tânia Carvalho
Luís Guerra
música
Tigrala
(Norberto Lobo, Guilherme Canhão e Ian Carlo Mendonza)
Quintas de Leitura: não é possível viver sem poesia.
22/01/10
poema sobre o domínio do mundo
as raparigas que visitavam o prisioneiro b33920 voltavam a casa grávidas de luz. depois, pariam em segredo ideias absurdas sobre um amor de aflição e afastavam-se lentamente da família. o prisioneiro, sensual, sabedor de tal feito, sorria mostrando o dente brilhante de quem ferrava rápido e sem piedade. tempos passados, tão longe as raparigas, eram procuradas pelos pais e pelas mães com saudade, vítimas de coração, que não as encontravam nem esqueciam. alguns homens desconhecidos afirmavam tê-las visto um dia. os pais e as mães acreditavam. aos homens, frequentemente, faltava uma orelha, um dedo ou até uma perna. e eles reiteravam que as tinham visto. mas, instigados com insistência, admitiam poder tê-las confundido com os dias mais claros
(poema de valter hugo mãe / livro de maldições / objecto cardíaco)





























