21/12/09

NATAL

A caixa com os enfeites da árvore de Natal guardada no fundo do armário; os filmes bíblicos; a reportagem dos telejornais sobre um homem vestido de pai Natal a andar de trenó na Lapónia; as guerras que param durante a véspera e o dia de Natal; a reportagem sobre a ceia de Natal dos sem-abrigo; o Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras; os anúncios de brinquedos cada vez mais surpreendentes: bonecas que fazem isto, robots que fazem aquilo; o Natal dos Hospitais; os domingos passados em pijama, no sofá; a sensação de que nos pode sair o brinde do bolo rei; a comida; os circos; as compras; as ruas com luzes de Natal; velas, sinos, bolas, estrelas; os homens que passam a tarde vestidos de pai Natal no centro comercial; as palavras "especialidades de Natal" escritas em quadrados de papel na montra das pastelarias; os objectos partidos que ficam abandonados nas prateleiras quase vazias da secção de promoções; a senhora da caixa a olhar-nos nos olhos e a dizer: "verde código verde"; as pessoas que são contratadas para passarem dias a embrulharem presentes sem parar; os postais de Natal que as empresas se lembram de enviar para agradar aos clientes; as mensagens de telemóvel que as pessoas enviam, querendo desejar boas festas e tentando ser originais; os emails que as pessoas enviam, querendo desejar boas festas e tentando ser originais; os aquecedores, as lareiras e as braseiras; a lembrança da missa do galo; os amigos, os vizinhos, os tios, os primos, os irmãos, os cunhados, os sobrinhos; os avós sentados num canto da sala, a assistirem a tudo, a sorrirem, em silêncio; e os pais, e as mães, e os filhos.

(texto de José Luís Peixoto)

TV Porto no site da CMP


Veja reportagens sobre as Quintas de Leitura clicando aqui.

18/12/09

Ontem à noite - CERCO VOLUNTÁRIO


Sónia Baptista - "Rouge"

Vasco Gato, Catarina Nunes de Almeida e Pedro Lamares.


Vasco Gato

Catarina Nunes de Almeida e Pedro Lamares

Pedro Lamares



Marta Bernardes canta na performance "Mofo", com Henrique Fernandes e os Balla Prop.

Durante a performance de Marta Bernardes





Tó Trips deu a conhecer temas do seu novo disco "Guitarra 66".

Fotografias de Sara Moutinho

15/12/09

AQUI HÁ GATO

É já na próxima quinta-feira que o Café-Teatro do TCA receberá um mar de estrelas.
Só para recordar:

VASCO GATO
CATARINA NUNES DE ALMEIDA
PEDRO LAMARES
SANDRA FILIPE
SÓNIA BAPTISTA
MARTA BERNARDES
HENRIQUE FERNANDES
AS BALLA PROP
TÓ TRIPS


Junte-se a nós. Nós gostamos de o surpreender.

09/12/09

AS "QUINTAS DE LEITURA" RECEBEM VASCO GATO

lua cheia


nas palavras lavo os panos tristes
que ao fim de uma estação retêm agora
a sensação dos dias, o lume dos passos.


sinto que é um outro tempo,
um outro jeito de dobrar esquinas,
um outro modo de pisar a terra
- é tudo isto comprimido num pulso,
cingido dentro de veias como pequenas vozes
mudadas em canções ao acordar do ano.


vem, vem comigo, neste magnífico nascimento,
ouvir bater a espuma no cinzento das rochas,
e deixar passar as horas como quem flutua
à tona do tempo, inteiramente mergulhado no mundo
- vem dormir sob o luminoso manto da lua cheia.


hei-de dizer-te um dia
como se escolheu a cor do mar.

x-x

suspiro tardio


se ao menos eu sentisse totalmente
o movimento da terra em volta do sol.
se eu pudesse conhecer o segredo
da germinação sem roubar da terra
a vida enorme, o rebentar largamente.


se me fosse permitida a amplitude,
a alegria, o agora das planícies
em fim de tarde, e eu não mais
precisasse de trabalhar a atenção,
assim descalço sobre a realidade.


promete-me que amanhã virá a lua
e que, na imensidão da noite iluminada,
cantaremos o mar um para o outro.


promete-me que no fim terei existido.

(poemas de VASCO GATO, in "Um Mover de Mão"/ Assírio & Alvim)

07/12/09

VASCO GATO

Foste tu desintegrar o espelho da tua própria carne.
Saberes que te conjuga uma estrela de mão
esquerda, essa inesperada
sombra
que se infiltra no teu suor, trémula,
como os recém-nascidos,


e rutila.


Foste tu atrair sobre ti
a sorte das vagas desirmanadas, o esqueleto
de um incêndio, os amuletos que
os gatos transportam no
escuro.


Foste tu contornar os venenos,
com o verão à espera de te ver cair.


Foste tu a esperança de um copo, na cena
derradeira da minha boca, o espaço e a esquina
que me denuncia,


quando o segredo cai ao chão,


e a estrela corre da mão esquerda para o fulcro do peito.

x-x


No peito, a manivela ferrugenta
que faz abrir a respiração
começou a emperrar
e o corpo aprendeu rapidamente:
o suor como se a roupa
fosse um antídoto.


O belo cavalo branco de cascos
impretéritos avançou
então
pelas vértebras
mas não impediu que a imagem
fosse real.


Cordas de piano
por onde trepam os assassinos
e onde por vezes
se enforcam
antes de alcançarem a janela,


o repto impune dos que dormem:


vela-me.


x-x


O homem é um raio desabitado. E a terra dissipa-o.


(Poemas de VASCO GATO, in "Omertà"/Edições Quasi)

04/12/09

AS CONTAS DAS QUINTAS

(fotografia da Pat)

NÚMEROS SÃO NÚMEROS. SEM COSMÉTICAS, NEM TRATAMENTOS RECTIFICATIVOS.

UNS ACHARÃO BEM, OUTROS NEM POR ISSO. NÓS ACHAMOS QUE HÁ AINDA UM LONGO CAMINHO A PERCORRER.

EM FRENTE, MARCHE!

ANO - Nº ESPECTADORES - TAXA DE OCUPAÇÃO DE SALAS

2003 - 1.576 - 99,1%

2004 - 2.205 - 95,5%

2005 - 1.690 - 93, 1%

2006 - 2.129 - 99, 3%

2007 - 2.840 -98,1%

2008 - 2.558 -95,8 %

2009 (previsão) -2.370 - 97%

João Gesta, programador.

MAIS UM POEMA DE VASCO GATO

Vi árvores de cera arder num peito descoberto.
A luz precipitada na paisagem, devorada
pelos olhos até celularmente
o corpo
se acender.


Então, a sombra. Que é um desenho.
Que é um prestígio do movimento.


Quero explicar a FOME. Quando a chama
se extingue e sobram flores de cera,
frias,
para dedos cegos - então a carne
é essa paisagem que evolui.


Roupa estendida em noites de navios.
Uma bússola a morder
a boca que tudo perde.
Vento, vento quase mero espaço,
a intriga de duas paredes.


15 mil cães numa cidade.

(poema de VASCO GATO, in "Omertà"/ Edições Quasi)

02/12/09

“Cerco Voluntário”de Vasco Gato com entrada livre



Uma festa sublime de Poesia

A 98ª sessão do ciclo poético "Quintas de Leitura" ficará marcada pela presença de Vasco Gato, justamente considerado como uma das vozes mais importantes da chamada "novíssima poesia portuguesa".

A sessão, intitulada "Cerco Voluntário", realiza-se no dia 17 de Dezembro, às 22h00, no Café-Teatro do TCA, e assinalará o lançamento do 13º livro da colecção "Cadernos do Campo Alegre". O livro, também intitulado "Cerco Voluntário", é da autoria de Vasco Gato, o poeta convidado desta sessão.

Refira-se que por esta colecção, sob a direcção editorial de João Gesta, programador das "Quintas de Leitura", têm passado nomes importantes da poesia portuguesa como Marta Bernardes, Filipa Leal, Daniel Jonas, valter hugo mãe, Gonçalo M. Tavares, Daniel Maia-Pinto Rodrigues e Regina Guimarães.

A sessão de lançamento de "Cerco Voluntário" será uma longa e sublime festa da Poesia, cheia de convidados e momentos especiais.

A poeta Catarina Nunes de Almeida falará sobre o novo livro de Vasco Gato e será ajudada pelo actor Pedro Lamares na leitura de alguns poemas da obra. Vasco Gato também fará algumas leituras.

A imagem da sessão é assinada pela artista plástica Sandra Filipe, também responsável pela capa do livro, que assim se estreia nas "Quintas de Leitura".

No habitual e sempre esperado momento dedicado à performance, Sónia Baptista regressa com a irreverência de sempre, para nos mostrar a sua peça inédita "Rouge".

Como sempre, nas noites das "Quintas", muita música nos espera:

Marta Bernardes, cantora, artista plástica, poeta, filósofa, performer, videasta, e o que mais não se sabe, surpreender-nos-á com "Mofo". Actuará com os músicos Henrique Fernandes e as Balla Prop.

A noite fechará em beleza com um concerto de trinta minutos protagonizado por Tó Trips, membro da banda Dead Combo, que nos dará a conhecer temas do seu novo disco "Guitarra 66".

A boa notícia:

A entrada é LIVRE, sujeita a levantamento de bilhete até ao limite da lotação da sala. Depois não diga que as "Quintas de Leitura" não estão atentas à crise...

Junte-se a nós, na noite de 17 de Dezembro. Nós gostamos de o surpreender.


Uma enchente para assistir ao espectáculo de Pedro Tochas





Fotografias de Raquel Viegas
captadas na sessão de Quintas de Leitura do TCA - Lado B de Pedro Tochas,
a 26 de Novembro de 2009.

VASCO GATO NAS "QUINTAS DE LEITURA". DIA 17 DE DEZEMBRO. SESSÃO IMPERDÍVEL.

SONATA


O violoncelo encosta a cabeça ao teu ombro
e é um lamento ainda vegetal que lhe sai do sangue
quando o arco rasga o ar, o silêncio, a mão.


Fechas e abres os olhos, há gente a escutar,
as paredes curvam-se e estalam, tudo é frágil,
e a partitura é sempre um pouco além do olhar.
Os dedos levitam sua dureza sobre as cordas,
estremeces amarrada à vertigem da tua
própria queda - nisto se ergue a música.


Também tu não possuis trastos, tacteias
interiormente em busca das notas particulares
e do movimento inspirado.


Há uma demorada e subtil alquimia nesta sala.


E o violoncelo é o imóvel instrumento
da tua trágica, suave aparição.

x-x

DO CAIS


Todos os barcos partiram já
deste cais improvisado no abandono
das memórias queimadas, partiram sem velas,
e ninguém reconheceu o rasto incerto
do definitivo longe.


Só agora dou pelo peso do esquecimento.
A espuma embrulha-me com limos, espanto e sal.
E uma inviolável concha flutua na minha existência.


Apago as estrelas com a manga da absoluta solidão,
percebo que nenhuma luz me habita os olhos
- e fico cego diante do espelho.


Ninguém reconheceu que se morria.

(poemas de Vasco Gato, in "IMO"/Edições Quasi)

30/11/09

70.000 PÁGINAS VISITADAS


Festejamos com um belo poema de Vasco Gato, as (quase) 70.000 páginas visitadas ao blogue das "Quintas de Leitura".


DA PAIXÃO

É pelas horas amarrotadas do dia
que fulgura o centro vivo da paixão.

E o coração é como um astro privado.

Ao fundo, posso ver: lutas por raspar
toda a matéria espelhada
do teu corpo. Desejas existir.
Mas a pele, agora o sabes, é
uma dura conquista.

A demorada beleza dos lírios
foi sempre o demorado lugar
da trégua. Apresentas o rosto
marcado pelo rodar das sombras,
e nas pálpebras o lucilar
tranquilo da idade.

Desapertas a luz, enches os olhos
das imagens impossíveis: todas
as muralhas se afundam na terra,
e o trapézio da noite balança
entre a boca segredada
e o espelho.

Atiras-te por fim para a tua própria
existência. O coração estanca,
transborda de sangue,
e o teu corpo dando nós,
vértebra por vértebra,
em torno do centro vivo da paixão.

(poema de Vasco Gato, in "IMO"/ Edições Quasi)

Poema de A. Pedro Ribeiro


ESPERO POR TI, GORETI

Espero por ti, Goreti
às quatro da manhã no "Big Ben"
espero por ti, Goreti
apesar de saber que estás na Madeira
a mares de mim
a mares das àguas
que bebo aqui
espero por ti, Goreti
no meio da fala da puta
da puta que fala
e dos chulos que se amontoam
em redor
espero por ti, Goreti
apesar de ter gasto o cacau todo
nos bares das redondezas
depois da entrevista na Rádio Casa Viva
depois da Idade Média
no "Armazém do Chá"
e dos outros sítios da moda
onde um gajo se sente como o Lou Reed
Take a walk on the wild side
espero por ti, Goreti
porque hoje até vi o Santo Graal
no "Piolho"
e dei dois euros ao mendigo
espero por ti, Goreti
no meio dos rufias da noite
após uma hora de conversa
com o Zé Pacheco
o escultor
que me passou três euros para a mão
sem eu lhe pedir nada
e a puta que fala
e não se cala
já as conheces há 2000 anos
e continuas a andar
a entrar nas casas
como entravas
e a puta que beija
e a puta que vai
e o empregado
que fala nos quintos do inferno
e até já me sinto nas minhas quintas
e até já volto a pedir cerveja
sou a estrela
e a barriga enche
e o Adriano goza
e o marquês de Sade
já ninguém se escandaliza
mal sabem elas
as palavras do divino
espero por ti, Goreti
e ando a estoirar o dinheiro
do Campo Alegre
assim
como se fosse nada
e a puta fala
e a outra puta não vem
não há aqui
estrelas do rock n' roll
só o gajo
a escrever à mesa
e o pessoal que fala
como a puta
de boina
brasileira
que bebe
e já não saca
mas dá lições de moral
à clientela
e que se vai
e nos deixa sós
com umas estranjas insossas
espero por ti, Goreti
e inauguro o caderno
e sinto-me como Allen Ginsberg
sabes, tens razão
há pessoas que não valem mesmo nada
e o Socrates hoje até foi derrotado
na Assembleia da República
e os gajos só falam
da pen e das gigas
e já não há putas
nem travestis
para animar esta merda

resta-me esperar pelo metro
e aturar estes matrecos
que não dizem
a ponta de um corno
espero por ti, Goreti
e o "Big Ben" já não é
o que era
por todo o lado
me tratam
como ao príncipe da Baviera
já não sou o que era
quando armava confusões
e não tinha um tostão
amanhã não vou sair da aldeia
~vou dar dinheiro aos de lá
sempre é a terra do meu pai
não me fica mal
o pessoal junta-se todo nos sítios
e os outros ficam ás moscas
é tudo uma questão de moda
top-model
como tu poderias ser
e entram os freaks
e pedem sanduíches
e o rock n' roll rola
e telefonei a horas á minha mãe
agora durmo com máscara
por causa da apneia
vai-te deitar, mãe
não fiques á minha espera
que eu hoje estou no rock
andei a fazer observação participante
como se dizia na Faculdade
e já só tenho vontade
de continuar a escrever
espero por ti, Goreti
e já não há putas
no "Big Ben"
anda tudo bem comportadinho
a falar de cabos
e playstations
como o Rocha
que apareceu no "Orfeuzinho"
e me pagou o cafézinho
não suporta o Red e o Dick
mas eu não tenho preconceitos
aprendi com o Nietzsche
já o disse na entevista
espero por ti, Goreti
e a mulher e a namorada
está entretida com o computador
enquanto o gajo olha para a TVI
até parece que os gajos
me querem filmar
sou uma estrela
há gajos que me reconhecem
mas as gajas não me dão
beijos na boca
deve ser por causa da barriga
é por causa dos fritos
e do pão
a cerveja já não conta
até a deito fora
a partir de certa hora
é veneno
mas juro que no "Piolho"
bebi o Graal
estava a micar uma gaja
que estava a escrever
eu conheço-a
não sei de onde
até ensaiei em Vila do Conde
na praia
onde há gajos a pescar
não sei o quê
vá-se lá perceber o homem

Espero por ti, Goreti
e ainda há gajos que dão
as boas noites
a toda a gente
que se armam
em presidente
e o Sócrates
e o Vara
e o Godinho
são todos um docinho
deviam ir todos presos
apesar do Reinaldo
e dos indefesos
ide todos dar uma volta
o homem controla
e ordena
e isto está uma bruta seca
espero por ti, Goreti
e vou ter de pedir mais cerveja
é mais forte do que eu
estes gajos fazem-me a cama
e só me pedem cartão
e eu vou até
ao fim do filão
este pessoal dos bares
desconhece o "Big Ben"
fica mesmo junto à estação
não há que enganar
está tudo fodido
mas é o que está a dar
espero por ti, Goreti
e aparecem gajas
para um gajo olhar
não são grande coisa
até vou mijar
espero por ti, Goreti
e até dou espectáculo
faço piruetas
equilibrismo
e até nem fui dançar
as putas falam comigo
mas eu já gastei o cacau
sou o maior
sou um carapau
espero por ti, Goreti
e nunca escrevi como hoje
se me tivesses ligado
era outra dose
espero por ti, Goreti,
não sou o Pablo Neruda
sou mais como o Ginsberg
levo tudo à bruta
espero por ti, Goreti
e esta merda não muda
um gajo bem diz umas coisas
mas a gaja é surda
espero por ti, Goreti
e não se passa nada
o cabrão fala, fala
e nunca mais é
de madrugada
o gerente inteligente
mas põe-me doente
e anda tudo com
um sorriso "pepsodent"
espero por ti, Goreti
e isto nunca mais acaba
o relógio não avança
e não se passa nada
ninguém fala do Sócrates
nem do Vara
anda tudo de tola avariada
espero por ti, Goreti
e sabes que te espero
e sabes que te quero
até ao fim.


Porto, "Big Ben", Novembro de 2009.

(Fotografia de Pat captada na sessão de Quintas de Leitura do TCA - Um Poeta no Sapato - Outubro de 2009. A ler: António Pedro Ribeiro)

27/11/09

MAIS POESIA DE VASCO GATO

MÍMICA

Pode a noite doer
se as mãos tocarem a sua própria pureza
e houver um ponto negro ao centro

Quando no pulso
parece crescer uma pequena solidão
como se o espaço se afastasse e de repente
um véu cobrisse
todas as memórias futuras

Pode a noite tremer assim
para que os muros se abram ao meio

Para que a transparência dos gestos
publique essa mímica oculta
antiga intimidade

x-x

REGRAS DO ESQUECIMENTO


Não esqueças sobretudo a armadura
da noite,
a aspereza das estrelas
quando os olhos são recentes
e a gravitação é como um poder
sucinto nas mãos.

Não esqueças sobretudo como os cereais
lavram os campos estafados, destilam
prodígio pelos sulcos da memória,
oferecem-te uma vida maior
em troca do sal
das pálpebras.

Não esqueças sobretudo de olhar devagar.

x-x

ETERNO OUTONO

Estou com a idade pousada nas mãos.
Explico-me com dedicação aos berços fundos
onde cada coisa dorme o seu medo de morrer.

Há na tristeza um perigo de terminar:
o eterno outono parece belo
a quem perdeu todas as sementes.

Pergunta-se um nome e ninguém responde.
Onde fica essa ilha a que só chegamos por naufrágio?

(poemas de VASCO GATO, in "IMO"/ Edições Quasi)

25/11/09

CASTING QUINTAS DE LEITURA


- A AVENTURA CHEGOU AO FIM -

Concluímos ontem o processo de selecção dos candidatos ao Casting das “Quintas de Leitura”, que envolveu quase duzentos participantes e oito dias de apresentações, ao longo de três meses de trabalho.

Queremos, antes de tudo, agradecer e salientar o empenho e o profissionalismo demonstrado por todos os candidatos que connosco se cruzaram nesta maratona poética.

As “Quintas de Leitura” saíram fortalecidas ao fim deste Caminho trilhado entre versos, emoções e descobertas.

Resta-nos referir os nomes dos candidatos seleccionados nesta derradeira fase, que nos acompanharão nas acções poéticas a realizar em 2010 e 2011:

Ana Celeste Ferreira
Brisa Marques
Carla Marques
Mariana Reis
Miguel Ramos
Pedro J. Ribeiro
Renato Cardoso
Rita Reis
Teresa Arcanjo
Teresa Coutinho
Vera Cruz

Saudações Poéticas

João Gesta

E

Patrícia Vaz

(Fotografia de Pat em 24 de Novembro de 2009)