
30/10/09
29/10/09
Pedro Tochas - Lado B - BILHETES À VENDA
27/10/09
UM POETA NO SAPATO
A. PEDRO RIBEIRO (poesia)
DANIEL JONAS (poesia)
NUNO MOURA (poesia)
JOÃO RIOS e ANÍBAL ANDRADE poesia/guitarra)
ADRIANA FARIA (apresentação)
MÁRIO VITÓRIA (imagem)
MÓNICA COTERIANO e PEDRO GONÇALVES (performance)
TÂNIA CARVALHO, BRUNA CARVALHO e ZECA IGLÉSIAS (música)
26/10/09
A. PEDRO RIBEIRO
A rua é sempre a mesma
Acima abaixo abaixo acima
Entras nas casas nos bares
Nas camas
Falas
Calas
Encontras este e aquela
Entras neste e naquela
Fornicas a solidão
Facas guerras guitarras
Ilhas descobertas
A coisa arde queima
Cais
Levantas-te
E depois sais
Como se fosse nada
É sempre a mesma rua
O mesmo copo
A mesma canção
E tu gostas.
x-x
SALOON
Todos os loucos desaguam à minha mesa.
O revisor da CP com dúvidas metafísicas
- sabe, estive a pensar como seria o mundo de pernas para o
ar-
o bisneto do escultor
- você é jornalista, faça-me uma entrevista.
As amigas acariciam-se nas bochechas
o filme recua dez anos
matilha que reconhece o totem
Bombos da corte
barbas pontiagudas
rússia imperial
Bazar do czar
Saloon
cavalos à porta
cowboys punks urinóis
chuta, chavalo
x-x
COLT 45
A pele a lata
O poema que se oferece
Em flor
A pose do assassino
Que controla
E o saloon é teu
A cidade é tua
Gingando de pistola
No coldre
Colt 45
x-x
LIKE A ROLLING STONE
Controlada
Abandonada à beira rádio
Perdes o controle e falas
Perdes o controle e calas
E o mundo vira lá fora
E o amigo é inimigo
E já não somos crianças
E meio mundo fode outro meio
E já não há pontos de apoio
Já não há palavras fáceis
E nenhuma das fórmulas gastas serve
E tu corres gemes choras
e eu observo
e amo-te
Quando tudo desaba
E o cigarro morre na boca.
(poemas de A. Pedro Ribeiro)
23/10/09
JOÃO RIOS
A LEI DA EVIDÊNCIA
Você vai a lisboa e não pensa
você vem de lisboa e não estuda
você passa a vida e não lembra
que só a morte o chumba
x - x
IMPRÓPRIOS BURGUESES
Os deste burgo às vezes impróprios burgueses
declaram inquisição ao queque embebedam o polvo
amnistiam o feijão frade
assediam em oratória de canino dourado
o romantismo subalimentado da pequena
do Serafim um seu humilde criado
puro-sague latino que sem pundonor
eleva em belicismo de bagaço
o arroto à condição de colunável
x - x
BIG BANG
Pede café e os últimos crimes bem sucedidos
um valete de viciado tamanho ergue a prata
do punhal e
e perseguem a solidão no friso nocturno da cidade
enquanto um buda de reputada faiança converte
umas suecas
e às tantas big bang um enforcado decide doar a corda
aos comissários mais capazes do paraíso
porque cândidos só os anjos e a alma não seca
por alcançar o céu
(poemas de João Rios. Fotografia de Sara Moutinho)
22/10/09
CASTING "QUINTAS DE LEITURA"
Para os candidatos não seleccionados, outros desafios se seguirão, para os quais contaremos sempre com a vossa energia e o vosso talento.
Iremos, à medida das nossas necessidades, trabalhar num futuro próximo, com os seguintes elementos apurados:
Ana Catarina Barbosa
Ana Paiva
Constança Carvalho Homem
David Costa Figueiredo
Gina Macedo
Isabel Fernandes Pinto
Luísa Kotsev
Manuel Tur
Margarida Carvalho
Olga Cardoso Dias
Patrícia Adão Marques
Rita Machado
Susana Guimarães
Susana Madeira
Valdemar Santos
Saudações Poéticas,
João Gesta
(Programador)
e
Patrícia Vaz
(Produtora)
NUNO MOURA
que aquece debaixo da saia
um cavalo
vem da cor directa da fuça
o triciclo da dor
o cavalo vai pela mão
do príncipe
x - x
Um espaço e duas laranjeiras:
porque estava louco cortei
uns meses para a frente
e matei-me ontem entre as mimosas
antes de virem regar o jardim.
andaram da terra dois braços depressa
que me espetaram na cavalita do seu rosto.
com o tronco de fora
dominei o míssel horta toda.
foi a minha melhor cava de sempre.
x - x
Um poema tenrinho pode ser
quando tu morreres vou tirar a carta
ou
o mosteiro dos pulmões ataca uma barriga sem grades
e nasce uma quantidade razoável de imagens
indo da agulha de cintilo
aos dentes de um morcego beija-mão.
mas pode ser escrever chamar otários
sabrões
zarpos
garôlos
altos comissários
nas paredes para as ruas
das garagens-oficina nova era automóvel.
mas pode ser amor drógádo
síque
não presta.
mas pode ser tão difícil.
mas pode ser
liga à tua antiga madrinha-de-guerra
vai ter com ela saca-a ao marido
mexe com esta merda
pá.
(poemas de Nuno Moura)
21/10/09
DANIEL JONAS
haveria de saber escrever haikus como Bashô.
Assim não é,
de nipónica a minha pena
nada tem;
a minha pena é portuguesa. Canta o fadô
como ninguém.
x-x
AEROFÁGICAS
Anafada
aquela fada
tem o condão
de não gostar nada
de varinhas mágicas
x-x
COMÉDIA
Vazio. Queixa-se
de vazio.
E nisto esvazia o outro
tão cheio
disto tudo.
x-x
ELEMENTÁRIO
O verdadeiro sentido das palavras
é que o poema consiste
em falar do que não pode ser dito a quem
se quer dizer
ou o verdadeiro sentido das palavras
é que o poema consiste
em não falar do que pode ser dito a quem
se quer dizer
ou o verdadeiro sentido das palavras
é que o poema consiste
em não falar do que não pode ser dito a quem
se quer dizer
ou o verdadeiro sentido das palavras
é que o poema consiste
em falar do que pode ser dito a quem
se não quer dizer
isto, claro, partindo do princípio
de que há um sentido das palavras,
verdadeiro, um poema e um
a quem se queira dizer.
(poemas de Daniel Jonas)
19/10/09
A próxima sessão é vezes quatro
Uma "Quinta de Leitura" que vale por quatro.
Quatro vozes fulgentes, irreverentes, alucipantes da poesia portuguesa contemporânea: Daniel Jonas, Nuno Moura, A. Pedro Ribeiro e João Rios.
As "Quintas de Leitura" vão pegar fogo. Quarenta minutos de poemas incendiários, eivados de amor e humor de todas as cores. Entre outros, "Declaração de amor ao primeiro-ministro", por A. Pedro Ribeiro:
"Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
Quero vê-lo num filme porno."
Daniel Jonas, Nuno Moura, A. Pedro Ribeiro e João Rios são os poetas convidados de um espectáculo único e irrepetível, a acontecer no próximo dia 29 de Outubro, às 22h00, no auditório do TCA.
Pedimos ajuda ao poeta valter hugo mãe e ele descobriu um nome para a sessão: "UM POETA NO SAPATO".
As leituras serão asseguradas pelos Poetas convidados, sendo que a guitarra de Aníbal Andrade acompanhará João Rios em dois poemas.
A bela Adriana Faria, mestre-de-cerimónias, põe água na fervura. O artista plástico Mário Vitória, responsável pela imagem da sessão, deita achas para a fogueira.
No momento dedicado à performance, Mônica Coteriano & Pedro Gonçalves (contrabaixista dos Dead Combo) contam-nos "The Story of My Life", história baseada na violoncelista Guilhermina Suggia.
Fecham a noite os "Moliquentos". Concerto de 30 minutos com Tânia Carvalho (voz e piano), Bruna Carvalho (bateria) e Zeca Iglésias (baixo eléctrico). Bate forte, fortemente...
Concepção de João Gesta, que continua com a pastilha em atraso.
Foi você que pediu uma noite verdadeiramente esquisita?
chichi
sofá
antes
uma volta pelo TCA.
Espectáculo para maiores de 16 anos. Bilhetes a 9,00 e 6,00 Euros.
A. Pedro Ribeiro
As mamas de Cláudia
Trouxeram-me o café e um copo de água
E empurraram-me ao balcão
A brasileira arrefece a coxa
Com cerveja
E olha para mim
Enquanto faço crítica literária
À esplanada do "Xaphariz"
E leio um poema
De Jorge de Sena
Os foguetes estalam no ar
E os UHF soltam os cavalos na Apúlia.
A ARDER
"O poeta embriagado
insultava o universo."
(Rimbaud)
O país a arder
e eu também
o país a chorar
e eu a enlouquecer
aos berros
pelas ruas da aldeia
a insultar Deus e o presidente
e a uivar led zeppelin
o país a arder
e eu a beber
copo sobre copo
sem parar
o país a arder
e eu a discutir
com o estalajadeiro
a exibir o cartão do partido
e a carteira profissional
a oferecer poemas às meninas
e a dar-lhes treta
o país a arder
e eu a sofrer
a cambalear
livre, embriagado
animal de palco
o país em fogo
e eu em chamas
anjo em chamas
o país a arder
e eu a delirar.
MUSA
Gigantes de pedra
majestosos
vastidões verdes
precipícios
Eis os teus cabelos
a raiz
os lugares
onde acasalas
onde és plena.
(poemas de A. Pedro Ribeiro)
15/10/09
10 Anos da Visão 7 - Poesia - Quintas de Leitura

14/10/09
NUNO MOURA
Era um divórcio impossível,
ela punha-o embora
mas e aconchegava-lhe a
roupa à mala.
SAPATOS CASTANHOS, CALÇAS, TALVEZ LENÇO
Travessa criança,
toda sinal, e sei que segues
q´nem noite, rastilho de
caramelo.
Consecutivo,
assobio bale ao fundo, tasca-me e
passas concerteza.
Lenga máquina de café.
FRANCISCO
Uma gota de
sangue
cresce verde no
campo.
Corre.
MIGUEL MACHADO, EU
Será um levante
uma enorme vontade de embebedar pelo cú
um arauto?
Será valentia de angora
uma botija de mel quente tão rota
uma patada?
Um soez, um suave português
um galo?
(poemas de NUNO MOURA)
13/10/09
JOÃO RIOS
CANÇONETA PARA O SENHOR CRISTOVÃO COLOMBO
Genovês ou moicano
a nacionalidade que se foda
puseste de pé um ovo pelo rabo
e já agora moralmente espero
que te enganes de novo
(poema de João Rios)
DANIEL JONAS
A. PEDRO RIBEIRO

A NOITE MORRE
A noite morre
Aos poucos
No café das conversas
Um aquecedor protege-me do frio
E os homens que bebem pedem rissóis
Ao som de música minimal repetitiva
A noite morre
À minha mesa
Enquanto o estalajadeiro conta os trocos
Que caem da máquina do tabaco
Que o Governo quer abolir
A noite morre
Mas ainda há gente que ri
Gente que se cruza e encontra e desencontra
E freaks a entoar cânticos futebolísticos
Ah! E depois sou eu que sou esquizofrénico
Sou eu o doido
Fechado no manicómio
No meu condomínio fechado
E a noite morre na cidade.
(poema de A. Pedro Ribeiro)
12/10/09
MIMOS PARA ELISA
elisa gosta de telefonar ao noivo. sentada no so
fá, com o joãozinho à beira, marca o número e diz:
elisa sim meu bem. entretanto o joãozinho mete o
s dedos por baixo da saia de elisa, mete as mãos,
mete os braços. elisa diz: sim meu bem. enquanto
elisa se recosta, joãozinho mete a cabeça debai
xo das saias de elisa, e faz que sim, faz vivamen
te que sim, enquanto elisa diz: sim meu bem. sim.
estes telefonemas com o noivo são tão longos! se
pararam-se há pouco tempo. o noivo suplica: não
chores elisa. não suspires. a separação não será
eterna. elisa acalma-se. joãozinho sai cá para fo
ra. elisa chega-se muito a ele. joãozinho está ag
ora de pé. o noivo fala fala fala. pergunta: elisa
já comeste os bombons todos que te mandei minha
gulosa? elisa não responde. está com a boca cheia
. mesmo na conchinha do ouvido, muito suavemente,
o noivo chama-lhe gulosa. e outros mimos. outros.
(poema de ALBERTO PIMENTA)



















