30/07/09

CASTING PARA LEITORES

(para ler clicar sobre a imagem)

Gostas de poesia?

Queres ler poesia nas sessões das “Quintas de Leitura” do Teatro do Campo Alegre?

Então, inscreve-te no CASTING que iremos realizar nos dias 1 e 2 de Outubro no TCA (Porto).

Os candidatos seleccionados serão convidados a participar em algumas das sessões regulares da programação das “Quintas de Leitura” em 2010.

INSCRIÇÕES

Há uma inscrição prévia OBRIGATÓRIA através do e-mail pvaz@tca-porto.pt . Só serão aceites as inscrições realizadas no período de 7 a 29 de Setembro. Todos os candidatos admitidos serão contactados, via e-mail, para confirmação e marcação da hora do respectivo casting.

Da inscrição têm de constar obrigatoriamente os seguintes elementos: nome completo, data de nascimento, naturalidade e contacto telefónico.

Tens de trazer um poema à tua escolha. Irás ler ainda um poema seleccionado por nós.

Para esclarecimento de qualquer dúvida, contactar, a partir de dia 7 de Setembro, Patrícia Vaz através do

22 606 30 17.

Boas Leituras!

A PROGRAMAÇÃO DAS "QUINTAS DE LEITURA" de Outubro a Dezembro de 2009

29 de Outubro de 2009

Café-Teatro

22h00

“UM POETA NO SAPATO”

Espectáculo para maiores de 16 anos

As "Quintas de leitura" vão pegar fogo. Eles são quatro vozes fulgentes, irreverentes, alucipantes, da poesia portuguesa contemporânea: António Pedro Ribeiro, Daniel Jonas, João Rios e Nuno Moura. Durante quarenta minutos, ler-nos-ão os seus poemas

incendiários, eivados de amor e humores de todas as cores.

A actriz Adriana Faria ajuda à festa e o artista plástico Mário Vitória dá imagem à sessão.

Mônica Coteriano & Pedro Gonçalves (Dead Combo) contam-nos "The Story of My Life". Uma imperdível performance baseada na história da violoncelista Guilhermina Suggia.

Fecham a noite os "Moliquentos". Concerto com Tânia Carvalho (voz e piano), Bruna Carvalho (bateria) e Zeca Iglésias (baixo eléctrico).

Foi você que pediu uma noite esquisita?

(Imagem de Mário Vitória)



26 de Novembro de 2009

Auditório

22h00

“LADO B”

Espectáculo para maiores de 16 anos

O comediante Pedro Tochas apresenta-se nas “Quintas de Leitura” pela 12.ª vez.

Desta feita, a pedido de muitas famílias, traz-nos um dos seus espectáculos mais emblemáticos e aclamados: “Lado B”. Oportunidade única para rever o mais pessoal e autobiográfico espectáculo de Pedro Tochas.

O amor, o sexo, a dicotomia homem/mulher são temas que estão de

volta nesta bem disposta e irreverente visão do mundo.

Mas, desta vez, a sua vida académica, as suas vivências como artista de rua e as experiências em vários anos de digressão, vão também estar na mira da análise desconcertante de Pedro Tochas.

(Fotografia de Susana Paiva)


17 de Dezembro de 2009

Café-Teatro

22h00

“CERCO VOLUNTÁRIO”

Espectáculo para maiores de 12 anos

Sessão de lançamento do 13.º livro da colecção “Cadernos do Campo Alegre”. O autor da obra é Vasco Gato, uma das vozes mais importantes da “novíssima” poesia portuguesa. O livro intitula-se “Cerco Voluntário”, tem gravuras de Sandra Filipe e será apresentado por Catarina Nunes de Almeida.

A sessão contará ainda com leituras de Vasco Gato, Catarina Nunes de Almeida e Pedro Lamares e com imagem de Sandra Filipe.

Uma performance por Sónia Baptista e um concerto por Tó Trips (“Guitarra 66”, o novo projecto a solo) completam o espectáculo.

Uma noite mágica de poesia, música e o que mais se verá.

(Imagem: Sandra Filipe)

29/07/09

O PRÓXIMO CONVIDADO DAS "QUINTAS"

MÚSICA

como um raio a rasgar a vida, como uma flor
a florir desmedida, como uma cidade secreta
a levantar-se do chão, como água, como pão,

como um instante único da vida, como uma flor
a florir desmedida, como uma pétala dessa flor
a levantar-se do chão, como água, como pão,

assim nasceste no meu olhar, assim te vi,
flor a florir desmedida, instante único
a levantar-se do chão, a rasgar a vida,

assim nasceste no meu olhar, assim te amei,
vida, água, pão, raio a rasgar uma cidade secreta
a levantar-se do chão, flor a florir desmedida.

(JOSÉ LUÍS PEIXOTO, in "A Casa, a Escuridão"/Temas e Debates)

28/07/09

A POESIA DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO

OS LIVROS

em cada página, o teu olhar. em cada montanha,
a tua voz. deixa-me falar contigo. lembro-me
tão bem de tudo o que me disseste.

as palavras existem. eu quero encontrar-te
sempre, em cada noite, sobre a mesa de papéis
desarrumados onde desarrumo a nossa vida.

em cada página, os campos. em cada montanha,
tu a chamares-me. as páginas são, outra vez,
o dia em que nasci. lembro-me tão bem de tudo.

passam anos sobre as palavras. os dias existem.
seguro os livros como se segurasse a tua voz
e, quando alguém diz o teu nome, eu continuo a responder.

(JOSÉ LUÍS PEIXOTO, in "A Casa, a Escuridão"/ Temas e Debates)

27/07/09

JOSÉ LUÍS PEIXOTO NAS "QUINTAS" EM SETEMBRO

Voltamos hoje à poesia de José Luís Peixoto, o convidado da próxima sessão das "Quintas de Leitura". A sessão intitula-se "LIVRE" e realizar-se-á no dia 24 de Setembro.

PRÍNCIPE

amigo, não tenho perguntas para fazer-te. quantas
pessoas entendem aquilo que não entendo? quem
descobriu o segredo mais inútil?

amigo, não tenho perguntas para fazer-te. basta-me
olhar. passaram anos, poderiam ter passado mais
anos ainda. poderiam passar séculos.

entendo o teu rosto. isso basta-me quando te vejo.
para mim, serás sempre o príncipe, a criança que
me mostrou as árvores.

o tempo não passou, amigo. agora, ao chegares,
olho para ti. o teu rosto é igual. agora, ao chegares,
sei que nunca partiste.

(JOSÉ LUÍS PEIXOTO, in "A Casa, a Escuridão"/ Temas e Debates)

24/07/09

MAIS DOIS POEMAS DE HAL SIROWITZ

Publicamos hoje os últimos poemas de Hal Sirowitz, traduzidos por José Luís Peixoto.

MIGALHAS

Não leves comida para o quarto,
disse a mãe. Vais ter mais bichos.
Eles dependem de pessoas como tu.
De outra forma, morreriam à fome.
Mas quem é que queres fazer feliz,
a tua mãe ou um monte de formigas?
O que é que elas fizeram por ti?
Nada. Elas não têm sentimentos.
Elas vão comer os teus doces. Mesmo assim
tráta-las melhor do que me tratas a mim.
Estás sempre a alimentá-las.
Mas nunca me ofereces nada a mim.

DECLARAÇÃO

Se o John F. Kennedy consegue levar a sua mãe
à inauguração, disse a mãe, & não se sente
envergonhado quando ela põe o braço à sua volta,
então porque é que tu não queres ser visto
comigo na rua? Ele é o Chefe Máximo
de todo o país, & tu nem sequer mandas
no teu quarto. Tenho de ser eu a limpá-lo por ti.
Nunca ouvi ninguém a chamar-lhe maricas
por andar com a mãe, & mesmo se
alguém chamasse, isso não o incomodava, porque
ele sabe que não é verdade. Nunca me mandaste
embora quando eu te estava a mudar as fraldas.
As mães são o grupo mais injustiçado do país.
Assim que os filhos se tornam suficientemente crescidos,
fingem que já não nos conhecem.

(poemas de Hal Sirowitz)

23/07/09

POEMAS DE HAL SIROWITZ

TIMING

Depois de fazermos amor, saímos
para jantar. Tentei não comer
o meu linguado mais depressa do que ela.
Uma vez que não conseguimos ter
um orgasmo simultâneo, poderíamos
pelo menos acabar de comer ao mesmo tempo.

PERDA DE TEMPO

Se eu soubesse que não estavas interessada em mim,
não teria desperdiçado todas aquelas noites a
masturbar-me sobre ti. Teria fantasiado
sobre alguém muito menos acessível,
como a Madonna. Uma semana depois, ao ver-me ainda sozinho
na cama, não teria ficado tão decepcionado.

ESTA NOITE NÃO

Ela disse que eu não podia ir com ela
para o seu apartamento, porque
tinha de estudar para um teste. E
que eu não conseguia ajudá-la,
porque eu não era bom a matemática.
A única coisa que eu era bom era
a tirar-lhe as roupas, mas
isso ela já sabia fazer.

(Poemas de Hal Sirowitz, traduzidos por José Luís Peixoto)

22/07/09

MAIS POESIA DE HAL SIROWITZ

ANIVERSÁRIOS

Não agites o guarda-chuva na loja,
disse a mãe. Estão muitos frascos de
molho de tomate sobre a tua cabeça
que podem cair-te em cima, & podes morrer.
Depois, não poderás ir à festa de hoje à noite,
ou ir ao salão de bowling amanhã.
E, em vez de celebrar o teu aniversário
com gasosa & bolo, teremos
aniversários da tua morte com chá
& bolachas. E o teu pai & eu não
poderemos voltar a comer esparguete, porque
o molho marinara irá lembrar-nos de ti.

O CÉREBRO DE UMA CADELA

Apenas porque a minha cadela salta para beijar-te,
disse ela, de cada vez que entras em casa,
não significa que ela saiba o que está a fazer.
Provavelmente, ela aprendeu isso comigo, viu-me
a beijar-te, & pensa que essa é a coisa certa
para fazer, mas ela viu-me a fazê-lo antes de eu saber
que eras um idiota, & ela não consegue distinguir.

O MEU PEIXE MORTO

Eu queria um jacaré para animal de estimação,
mas os meus pais deram-me um peixe dourado.
Quando morreu, a minha mãe atirou-o na sanita
e escorreu o autoclismo. Ela disse que se o enterrássemos
no pátio, um gato poderia desenterrá-lo e comê-lo.
Fiquei zangado com o meu pai por ter usado a casa-de-banho
dez minutos depois do enterro.
Ele não tem respeito pelos mortos.

(Poemas de Hal Sirowitz, traduzidos por José Luís Peixoto)

21/07/09

HAL SIROWITZ, TRADUZIDO POR JOSÉ LUÍS PEIXOTO


CORPO ESTROPIADO

Não nades no mar quando estiver a chover,
disse a mãe. Um relâmpago pode cair na água,
& tu ficarás paralisado. Tu não gostas
de comer vegetais. Imagina teres de
passar o resto da vida a ser um deles.
Alguém irá ter de dar-te banho, levar-te
à casa-de-banho, & alimentar-te.
As crianças vão meter-se contigo. Mas
podes ter sorte, & ser atingido apenas
por uma baixa voltagem. Então serás
um vegetal esperto, como um espargo.
Conseguirás fazer a cama sozinho -
o que não fazes agora - mas as pessoas
vão sentir pena de ti e conversarão contigo.
Podes pensar que é divertido ficar
todo o dia a vegetar em casa. Mas,
de cada vez que pensares em ti próprio,
como a vontade de comer um gelado de chocolate,
o pensamento tornar-se-à vago, & desaparecerá.


A SEPARAÇÃO É DIFÍCIL

"Não temos nada em comum",
disse eu. "Somos duas pessoas completamente diferentes.
Não faz sentido nenhum que fiquemos juntos."
Mas ela começou a esfregar-me o pénis
através das calças, & lembrei-me de repente
que ambos gostamos de comida indiana.

(poemas de HAL SIROWITZ)

20/07/09

JOSÉ LUÍS PEIXOTO TRADUZ HAL SIROWITZ

Em 2005, José Luís Peixoto deu-me a conhecer um extraordinário poeta. Trata-se de HAL SIROWITZ, poeta judeu americano. Publicaremos nos próximos dias algumas refinadas traduções de José Luís Peixoto dos desconcertantes poemas de Sirowitz. Regalem-se.

BRAÇO DECEPADO

Não ponhas o braço fora da janela,
disse a mãe. Outro carro pode aparecer
por detrás, & cortá-lo. Então o teu pai
terá de parar, pôr o braço decepado
no porta-bagagens, & levar-te para o hospital.
Não é como as peças do teu telescópio
que voltas a arranjar. Um médico vai ter de cosê-lo.
Não poderás voltar a usar mangas curtas.
Não quererás que ninguém veja os pontos.

CAUSAR BOA IMPRESSÃO

Masturbei-me duas vezes
antes de sairmos juntos,
para que não parecesse demasiado esfomesdo.

O CAMINHO

A distância mais curta entre
os ombros dela & a sua cintura
era pelos seios, por isso
fiquei lá parado no caminho de
descobrir se passava a noite
na casa dela ou se era mandado para casa.

17/07/09

JOSÉ LUÍS PEIXOTO NAS "QUINTAS" EM SETEMBRO

AMOR

quando os instantes de amanhã se acumulam nas
paredes da casa, eu rasgo as páginas onde te escrevo,
porque sei que tudo será desnecessário, tudo será
frágil. quando imagino o sol que não sei se poderei ver,
esqueço as paredes e,

com tanta força,

quero que sejas feliz.

(José Luís Peixoto, in " A Casa, a Escuridão"/Temas e Debates)

16/07/09

A POESIA DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO

Fotografia : Augusto Brázio


Ele será o próximo poeta convidado das "Quintas de Leitura". Publicamos hoje um poema seu do livro "A Casa, a Escuridão".

O ESCRITOR

ele disse não sei porque escrevo o teu nome.
eu olhei para ele. eu disse o meu nome não
é tudo o que podes escrever.

ele escrevia o meu nome num papel. ele sentava-se
numa cadeira e o luar era a luz de um candeeeiro
sobre as palavras escritas.

ele disse amo-te.

ele disse tenho medo que um dia deixe de poder
escrever o teu nome. eu disse o meu nome não
é tudo o que podes escrever.

ele escreveu o meu nome durante muitos anos.
e eu perguntei porque continuas a escrever
o meu nome? ele olhou para mim. e perguntou
quem és tu?

(José Luís Peixoto in "A Casa, a Escuridão" / Temas e Debates)

15/07/09

PRIMEIRO BALANÇO DE 2009

Fazemos hoje, aqui, aquilo que ninguém faz. Apresentar números, sem cosméticas contabilísticas.
Registe-se:

8 espectáculos
11 sessões (das quais 9 esgotadas)
1.188 espectadores
67 artistas convidados
98% taxa de ocupação de salas

Quintas de Leitura: 91 meses ao serviço da Palavra.

14/07/09

A PROGRAMAÇÃO DAS "QUINTAS DE LEITURA" NOS PRÓXIMOS MESES

24 DE SETEMBRO
Auditório
"LIVRE"
A 7ª presença do poeta José Luís Peixoto nas "Quintas de Leitura". Revelará fragmentos do seu novo romance, a publicar ainda este ano.

29 DE OUTUBRO
Café-Teatro
"UM POETA NO SAPATO"
Presença de 4 vozes irreverentes e alucipantes da poesia portuguesa contemporânea: António Pedro Ribeiro, Daniel Jonas, João Rios e Nuno Moura.

26 DE NOVEMBRO
Auditório
"LADO B"
O regresso do comediante Pedro Tochas às "Quintas de Leitura" para apresentar o seu mais emblemático espectáculo. Sessão única.

17 DE DEZEMBRO
Café-Teatro
"CERCO VOLUNTÁRIO"
Sessão de lançamento do 13º livro da colecção "Cadernos do Campo Alegre". Um livro da autoria do poeta Vasco Gato, com gravuras de Sandra Filipe.

E, claro, dezenas de outros artistas convidados...

13/07/09

Uma espreitadela à última Quinta de Leitura antes de férias


Dança: Elisabete Magalhães (Living Dead Girl)


Helena Vieira à conversa com Miguel-Manso.

As leituras com Pedro Lamares.

Nuno Moura e Isaque Ferreira.



Pormenor de cena.


A música de B-Fachada.


Video DJ com Tiago Pereira

No palco.




Performance NU MEIO de Filipa Francisco e Bruno Cochat.

Fotografias de Sara Moutinho.
Foi na passada Quinta-feira, no palco do grande Auditório do TCA.

09/07/09

Sábado

Revista Sábado de hoje.

Jornal de Notícias

Notícia de hoje no Jornal de Notícias.

Público


Notícia de hoje no jornal Público. Para ler clicar sobre as imagens.

120 MINUTOS DE PURO GOZO

Serão 120 minutos de espectáculo. Com momentos inolvidáveis, posso garantir-vos. Palavra de programador.
Aqui ficam os nomes dos heróis desta noite:

MIGUEL-MANSO
HELENA VIEIRA
ISAQUE FERREIRA
NUNO MOURA
PEDRO LAMARES
TIAGO PEREIRA
FILIPA FRANCISCO
BRUNO COCHAT
ELISABETE MAGALHÃES
B FACHADA


A tripulação está preparada para o fazer feliz esta noite. Junte-se a nós. À boleia das "Quintas" nunca mais será o mesmo.

08/07/09

O POETA MIGUEL-MANSO NAS "QUINTAS DE LEITURA". É JÁ AMANHÃ.

PASSAGEM DE ABDULLAH IBRAHIM

pela concha da orelha
pela membrana do tímpano
a melodia negra invade
o meu coração ímpio

não sei o nome da flor
que orna o cabelo dela
um distinto perfume flutua
no estio que o seu corpo exala

mas sejamos honestos isto não é
uma loa de al-Mu´tamid no séc. XI
em Silves num palácio de varandas
são talvez demasiadas cervejas

em copo de plástico
na Travessa da Espera

(poema de Miguel-Manso, que será lido na sessão de amanhã pelo actor Pedro Lamares)

07/07/09

CASAMENTO DE BANGKOK

disse-me

aprendi o essencial de tailandês
para não me perder na rua
saber o que vou comer nos restaurantes
dizer-lhe que a amo

mas não o suficiente para
lhe explicar o porquê

por isso
aponto com o olhar as árvores do pomar
são o nosso pequeno resguardo
de beleza

seguimos o perfume
ela sabe

x - x

Mais um poema de Miguel-Manso. Será lido na sessão do dia 9 de Julho pelo actor Pedro Lamares.

O JN e as Quintas de Leitura

Notícia na secção CULTURA, hoje no Jornal de Notícias.
Para ler clicar sobre a imagem.
Ainda há bilhetes.

06/07/09

Zé! - b Fachada from Vasco Monteiro on Vimeo.

2 POEMAS DE MIGUEL-MANSO

PROSCÉNIO

o poema é antes de tudo
um palco para gestos simples
eu rego as flores de Junho

x - x

POEMETO

o paradoxo de fermi
a hipótese da terra rara
o poeta trabalha com o que tem

um muro com hortênsias
ao fim da tarde um punhado de
estrelas sobre a baía

ainda assim
a poesia é aquilo que neste
desalinho todo se apresenta

tão exacto como a morte

(Estes poemas serão lidos por Miguel-Manso na sessão do dia 9 de Julho)

03/07/09

AINDA HÁ BILHETES

Faltam seis dias para a sessão das "Quintas de leitura" com o poeta MIGUEL-MANSO.
Divulgamos hoje mais um dos poemas que será lido na sessão.

O TEMPO CIRCULAR

há uma fotografia de ruy belo
e há também aquela praia muito ténue de "não há morte
nem princípio"

ou há uma fotografia do meu pai numa
beira-mar de moçambique

sentado com um outro que nunca soube
quem era, óculos escuros - a mocidade

- esse outro

o meu pai olhando o mar para lá do
fotógrafo como se o fotógrafo

e
agora
quem vê a fotografia segurando-a
com a mão vindoura

como se não existissem
não existíssemos mas que fosse minha
também

aquela praia onde ruy belo
ainda não usava barba e cabelos à ruy belo
à

allen ginsberg (gente que já morreu
gente vindoura)

tudo gente que habitou longamente
em algum momento uma praia

uma praia
que eu sei que há e que aconteceu
também quando eu morri

quando eu também fui jovem
e poeta numa fotografia ou num reflexo

de garrafa

a minha imagem
à beira de um verão segurando
desde o peito a vida

(poema de Miguel-Manso)

02/07/09

Anamnesis 2008 b-fachada live Algoso1

B FACHADA estará cá para a semana. Imperdível

MIGUEL-MANSO. DIA 9 DE JULHO NAS "QUINTAS DE LEITURA"

BRAÇO DE PRATA

a barba cresceu entre Lisboa
Bruxelas e a sala Visconti imagino
que a não tenha cortado durante todo o tempo
de vida de uma filha que perfazia então
a diminuta idade de três meses

o poeta já não quer escrever tem os pés
dentro de um rio interior recostado na inclinação
arenosa da margem olha o outro flanco
onde um motor de rega arruína
o silêncio dos salgueiros
o inesperado salto das percas
a tarde inteira

o poeta já não quer escrever usa o microfone
olha a plateia faz filhas

depois encostou-se ao balcão da sala Deleuze
pediu a cerveja vítrea fria orvalhada da sala Deleuze
foi quando dentro dele

dentro do intrincado rizoma de dentro dele
se elegeu em silêncio a mulher daquela noite

procurou-a com o olhar entre as mesas
viu-a sentada na mais chegada ao piano
falando de uma fotografia nocturna que tirou no
cemitério de uma cidade inglesa cujo nome

se me lembrasse ficaria bem neste verso

fechou os olhos viu a prateada superfície do mar
entrou no seu elemento primário - a água - deu mais um gole
na cerveja fez as contas

ao difícil enigma do amor

(poema de Miguel-Manso)

01/07/09

A POESIA DE MIGUEL-MANSO. DIA 9 DE JULHO NO TCA.

NO NÚMERO DE OUTUBRO DA REVISTA WIRE

frente ao fotógrafo e ao leitor
o homem envelhecido parece que já não olha
Mitra o deus sol dos psicadélicos

noutra foto
no interior da revista o poeta está sentado
a uma pequena mesa de frente para a janela
onde as cortinas brancas filtram
a luz e o ruído da rua

sentado na cadeira de rodas
ele espera dentro da claridade
delicada da manhã

e depois durante a noite

assiste ao que resta do mundo
junto à máquina (a soft machine) de escrever
pousada no tampo (eu ia escrever
no tempo) da mesa

não sei se caem pétalas dentro
do olhar de Robert Wyatt não sei o que escreve
agora na tábua das constelações

essa realidade desabitada dos versos
e dos jardins

(poema de Miguel-Manso)

30/06/09

MAIS POESIA DE MIGUEL-MANSO

Botânica

Backster decidiu utilizar um detector
de mentiras para medir a velocidade com que
a água sobe da raiz de um filodendro
até às folhas

apercebeu-se então que
o desenho era em tudo semelhante
ao que acontece quando se submete o mesmo
aparelho a uma pessoa

e
mais espantoso ainda
verificou serem as plantas capazes de
adivinhar o pensamento humano
pois só assim se explica a dramática
subida do nível gráfico

apenas por ter passado pela cabeça
de Backster a hipótese de queimar
uma das folhas

entende-se melhor agora a insistência
de alguns botânicos na necessidade de se dar
mais atenção aos letreiros

«É favor não pisar a relva»

(MIGUEL-MANSO)

29/06/09

ANTES DE FÉRIAS


MADRIGAL

gosto quando pões a quinta porque me tocas na perna com o nó dos dedos


Poeta Miguel-Manso e músico B Fachada

As "Quintas de Leitura" estão quase de férias, não sem antes apresentar Miguel-Manso, o Poeta que veio agitar as águas mornas da poesia portuguesa.

A sessão, intitulada "Quando escreve descalça-se", realiza-se no auditório do TCA, no próximo dia 9 de Julho, às 22h00.

Sobre o poeta convidado o crítico literário José Mário Silva escreveu que Miguel-Manso faz dos versos "delicados actos de guerrilha" e da poesia "uma causa revolucionária".

Resta acrescentar que Miguel-Manso publicou em poucos meses dois livros muito aclamados pela crítica - "Contra a manhã burra" e "Quando escreve descalça-se"-, que lhe deram o estatuto de grande revelação da poesia portuguesa.

Na sessão, o Poeta conversará com Helena Vieira, responsável pela editora "Mariposa Azual".

As leituras, nas quais Miguel-Manso também participará, estarão a cargo de Pedro Lamares, Isaque Ferreira e do também poeta Nuno Moura. Serão lidos 20 poemas, escolhidos por Miguel-Manso para o espectáculo.

A imagem, manipulada em tempo real, será da responsabilidade do realizador Tiago Pereira.

Mas não se ficam por aqui os convidados da sessão. Elisabete Magalhães (dança) e Filipa Francisco e Bruno Cochat (performance "Nu Meio", que ironiza a relação de um casal tipicamente português)) assinarão momentos mágicos da sessão.

Refira-se, por fim, B Fachada, o músico convidado que se estreia nas "Quintas de Leitura".

Sobre este músico, escreve Samuel Úria:

"Princesa pop, palhaço pirómano, petrarquista pirata, perfeccionista patibe, porfiado e prolixo poeta - tudo adjectivos começados por "b". Literato até quando cospe, o cascalense Fachada faz canções para todos os desgostos, humor ponta-e-mola para todos os buchos".

B Fachada apresentará ao piano, à guitarra e à viola braguesa, canções do seu último disco "Um Fim-de-semana no Pónei Dourado". Nós cá estaremos para ouvir e incendiar o auditório.

Bilhetes sempre a pensar na crise: 9,00 Euros e 6,00 Euros.

(Fotografia em cima: B Fachada por Vera Marmelo)

AS ALDEIAS DE MIGUEL-MANSO


ALDEIA DO CADAFAZ

de ano para ano o primo Albertino tem menos dentes
e neste Agosto não haverá baile nem matraquilhos
sentei-me no coreto da Junta olhei as casas da aldeia
enquanto que atrás de mim o Ivo e os outros miúdos
alheios e ainda bem a contemplações menores
me atiram sábias merecidas pedras que só por
azar e algum desprazer me não acertam

X-X

ALDEIA DE CASTELO RODRIGO

queria recuperar o leão gravado por cima da porta
onde ninguém via mais que uma imperfeição na pedra
vender a casa estava fora de questão o amor pode ruir
mais depressa que algumas honradas edificações
para mim bastaria uma cadeira uma prancha apoiada
em dois cavaletes e tempo para anotar a aproximação dos
insectos a custosa mas precisa promoção do Inverno

X-X

ALDEIA DE CASTELO MENDO

flores de papel azuis cor-de-rosa esfiapadas contra a pedra
um vestígio de festa a que se chega sempre tarde o largo
do pelourinho austero a ponta acesa de um cigarro na ladeira
viemos dar a um belver ervado onde lembro um túmulo e
talvez uma capela num conjunto de gaélica aparência

X-X

ALDEIA DE DRAVE

excluamos a praga sazonal de escuteiros o mau vinho
maggaio comprado num lugar vizinho e temos o dom
da noite sentados na erva seca no alqueive dos socalcos
num silêncio medieval duro ingente que nos cai no vale
dos olhos abertos à progressiva combustão dos astros

(poemas de Miguel-Manso)

Fotografia de Miguel-Manso por Filipe Bonito.

26/06/09

Michael Jackson Beat It

sem palavras

AS ALDEIAS DE MIGUEL-MANSO

ALDEIA REFLECTIDA

são joão da ribeira
- queria pôr aqui este nome -
mãos que trazem a fruta ao fim da tarde
clero adro cal entusiasmo distrital

escolhe tu o país a mesa de café
contra este absurdo cósmico
eu pago um copo

lembrar-me-ei hoje de um verso pequeno?

x - x

ALDEIA DA AZINHAGA

adro campanário desolação librina
no paul da manhã dormem gatos líquen
nenhum dos velhos se alevanta da entrada da
taberna em direcção à sua Lanzarote

x - x

ALDEIA DA PALHOTA

o nomadismo é uma sucessão de sedentarismos
até se chegar ao cão voltando à margem à mulher
que dorme negra na luz de uma árvore de abismos
vê o que vai sobrando das artes dos barcos da noite
"Avieiros" 1942 e o mais grave é que nem com a escrita
ou o cinema se pode voltar ao que já está perdido

x - x

ALDEIA DO PATACÃO

podia falar dos tomatais do areal e do rio largos do renque
decrépito das casas em palafitas mas o que me ocorre mostrar
é a fotografia amarelada de dois amantes junto à morte


(Poemas de Miguel-Manso)

25/06/09

A POESIA DE MIGUEL-MANSO. DIA 9 DE JULHO NO TCA.

POEMA

à memória de Jean Nicot que trouxe
tabaco para França no século dezasseis

só para eu amenizar a espera
no Le Carillon à esquina da Rue Bichat
com a Alibert

onde Véronique não entrará este século

X-X

QUATRO CIGARROS NO CAFÉ DES ANGES

de resto
cai cedo a noite na
Rue de la Roquette
a um domingo

o leitor afastará o fumo
destes versos e atentará
apenas na morena
de gorro vermelho

junto à janela


(poemas de Miguel-Manso)

23/06/09

QUANDO ESCREVE DESCALÇA-SE

Miguel-Manso é o poeta convidado da próxima sessão das "Quintas de Leitura". Iniciamos hoje a divulgação de alguns poemas que serão lidos no espectáculo de 9 de Julho.

CAFÉ CASTRO

com cigarros dando para altos janelões
com garrafas soturnas canções vazias
medito em esquemas falhos de viabilidade
financeira - são um descanso estas imaginações
diletantes e portuguesas na recuada
cidade de Budapeste

permitem chegar apenas a este lugar isolado
ao plano B: texto que o autor não
burila no interior do café

mas proponho-lhe:
esqueça tudo isto os cartazes cubanos a empregada
curiosa e loira e avance para o poema seguinte
sem grandes remorsos

evitará demorar-se num desenho de nuvens
no tecto de um quarto (qual?)
festejar o fim de nenhuma vindima
aperceber-se do erro juvenil que é fechar um poema
com a palavra morte
sobretudo não lhe falarei de Walt Whitman
ou David Beckham

mas depois, peço-lhe
atrase-se outra vez suspenda por um momento a leitura
num desses gestos vazios: coçar a cabeça
coçar o queixo

espere que este autor recupere de novo terreno
e partamos os dois para baixo - haverá outro sítio? -
para o poema seguinte

Miguel-Manso

20/06/09

Quando escreve descalça-se

A próxima sessão de Quintas de Leitura - a 9 de Julho - apresenta em estreia a palavra poética de Miguel-Manso. Para saber tudo clicando na imagem. Bilhetes já à venda. Depois não digam que não avisamos.

19/06/09

A noite mais longa


















FAZES-ME FALTA - POEMAS DE AMOR ESCOLHIDOS POR INÊS PEDROSA
Fotografias de Sara Moutinho numa noite mágica de Quintas de Leitura, apresentadas pela Caixa Geral de Despojos, sob o lema do Amor.

Por ordem:
VICTOR HUGO PONTES
ELISABETE MAGALHÃES

RAÚL PEIXOTO DA COSTA
INÊS PEDROSA

PEDRO LAMARES
FILIPA LEAL

RUTE PIMENTA
ISAQUE FERREIRA

CATARINA NUNES DE ALMEIDA

ANTÓNIO JORGE GONÇALVES

ALDINA DUARTE


DN Artes

DN artes online explica:


valter hugo mãe: o escritor também canta no Governo
Diário de Notícias
No ano passado, a convite do
Teatro do Campo Alegre, fizeram uma primeira apresentação do projecto e, agora, prepararam o lançamento do primeiro EP, ...

Pois é ... foi assim...

(leiam no link)

18/06/09

JN de hoje

Notícia do Jornal de Notícias de hoje.

Destak e Jornal de Notícias


Notícias publicadas ontem, dia 17, no Jornal de Notícias e no Destak.
Para ler clicar sobre as imagens.

HOJE HÁ SESSÃO DAS "QUINTAS" NO TCA. CASA CHEIA.

Os heróis da noite:

INÊS PEDROSA
ALDINA DUARTE
FILIPA LEAL
ISAQUE FERREIRA
PEDRO LAMARES
CATARINA NUNES DE ALMEIDA
RUTE PIMENTA
VICTOR HUGO PONTES
ELISABETE MAGALHÃES
ANTÓNIO JORGE GONÇALVES
RAÚL PEIXOTO DA COSTA
MAFALDA CAPELA

VENHA VÊ-LOS BRILHAR NA RUA DAS ESTRELAS...

16/06/09

valter hugo mãe - a voz do novo governo

Mesmo aqui no post abaixo: estreia em jeito de video-clip do poeta, artista plástico e agora cantor valter hugo mãe. valter já mostrou este seu lado, ao vivo, nos palcos das Quintas de Leitura.
Saiba mais deste governo clicando aqui.

GOVERNO - Meio Bicho e Fogo from 8 e Meio on Vimeo.

POEMA DE AMOR

Lembrava-se dele e, por amor, ainda que pensasse
em serpente, diria apenas arabesco; e esconderia
na saia a mordedura quente, a ferida, a marca
de todos os enganos, faria quase tudo

por amor: daria o sono e o sangue, a casa e a alegria,
e guardaria calados os fantasmas do medo, que são
os donos das maiores verdades. Já de outra vez mentira

e por amor haveria de sentar-se à mesa dele
e negar que o amava, porque amá-lo era um engano
ainda maior do que mentir-lhe. E, por amor, punha-se

a desenhar o tempo como uma linha tonta, sempre
a cair da folha, a prolongar o desencontro.
E fazia estrelas, ainda que pensasse em cruzes;
arabescos, ainda que só se lembrasse de serpentes.

MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA

Poema escolhido por Inês Pedrosa para a voz de Filipa Leal.

15/06/09

Pedro Lamares


O Pedro (CGDespojos) estará a ler no nosso palco na próxima Quinta-feira.
Notícia publicada a 14 de Junho, no Jornal de Notícias.
Para ler clicar sobre a imagem.

SEXO ORAL

Primeiro a tua língua molha o meu
coração, num vagar de fera. Estendo
aurículas e ventrículos sobre a mesa, entre
os copos, que desaparecem. Não há mais
ninguém no bar cheio de gente. Abres-me agora os
pulmões, um para cada lado, e sopras. Respiras-
-me. O laser das tuas palavras rasga-me o lobo
frontal do cérebro. A tua boca abre-se e fecha-se,
fecha-se e abre-se, avançando
por dentro da minha cabeça. As minhas cidades
ruem como rios, correndo para o fundo dos teus olhos.
O tempo estilhaça-se no fogo
preso das nossas retinas. O empregado do bar
retira da mesa o nosso passado e arruma-o na vitrine,
ao lado dos exércitos de chumbo.
Entramos um no outro,
abrindo e fechando as pernas
das palavras, estremecendo no suor dos
olhos abraçados, fazendo sexo
com a lava incandescente dessa revolução
imprevista a que damos o nome de amor.

INÊS PEDROSA

(Este poema será lido por Filipa Leal na próxima sessão do dia 18 de Junho)

12/06/09

AS ESCOLHAS DE INÊS PEDROSA

POEMA DE AMOR

Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno
e quase ia morrendo com o receio de que ele não
te coubesse no dedo

JORGE SOUSA BRAGA

09/06/09

Ler Dia do Escritor Natália Correira

Ler Dia do Escritor Mário Cesariny

Ler Dia do Escritor Maria do Rosário Pedreira

AS ESCOLHAS DE INÊS PEDROSA

Na sessão do dia 18 de Junho serão lidos 24 POEMAS DE AMOR dos seguintes Poetas:

MÁRIO CESARINY
ANTÓNIO BOTTO
ÁLVARO DE CAMPOS
EUGÉNIO DE ANDRADE
ARMANDO SILVA CARVALHO
ANA HATHERLY
NATÁLIA CORREIA
ALEXANDRE O'NEILL (2 poemas)
FERNANDO ASSIS PACHECO
PEDRO TÁMEN
AL BERTO
MARIA TERESA HORTA (2 poemas)
NUNO JÚDICE
LUÍS MIGUEL NAVA
LUIZA NETO JORGE
MANUEL ANTÓNIO PINA
JORGE SOUSA BRAGA
MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA
FERNANDO PINTO DO AMARAL
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA
HERBERTO HELDER
INÊS PEDROSA

As leituras estarão a cargo de Catarina Nunes de Almeida, Filipa Leal, Isaque Ferreira, Pedro Lamares e Rute Pimenta.

O LENTO E INCENDIÁRIO CAMINHO DO AMOR: DIA 18, NAS "QUINTAS".

Inês Pedrosa escolheu:

DA VERDADE DO AMOR

Da verdade do amor se meditam
relatos de viagens confissões
e sempre excede a vida
esse segredo que tanto desdém
guarda de ser dito

pouco importa em quantas derrotas
te lançou
as dores os naufrágios escondidos
com eles aprendeste a navegação
dos oceanos gelados

não se deve explicar demasiado cedo
atrás das coisas
o seu brilho cresce
sem rumor

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

Este poema será lido por Rute Pimenta.

08/06/09

POEMAS DE AMOR. DIA 18 de JUNHO, NAS "QUINTAS DE LEITURA".

Outra magnífica escolha de Inês Pedrosa:

A BELA DO BAIRRO

Ela era muito bonita e benza-a Deus
muito puta que era sempre à espera
dos pagantes à janela do rés-do-chão
mas eu teso e pior que isso néscio desses amores
tenho o quê? Quinze anos
tenho o quê uns olhos com que a vejo
que se debruçava mostrando os peitos
que a amei como se ama unicamente
uma vez um colo branco e até as jóias
que ela punha eram luzentes semelhando estrelas
eu bato o passeio à hora certa e amo-a
de cabelo solto e tudo não parece
senão o céu afinal um pechisbeque

ainda agora as minhas narinas fremem
turva-se o coração desmantelado
amando-a amei-a tanto e sem vergonha
oh pecar assim de jaquetão sport e um cigarro
nos queixos a admiração que eu fazia
entre a malta não é para esquecer nem lá ao fundo
como então puxo as abas da farpela
lentamente caminho para ela
a chuva cai miúda
e benza-a Deus que bonita e que puta
e que desvelos a gente
gastava em frente do amor

FERNANDO ASSIS PACHECO

Este poema será lido por Isaque Ferreira.

05/06/09

"FAZES-ME FALTA". DIA 18, INÊS PEDROSA NAS "QUINTAS DE LEITURA".

Mais uma escolha de Inês Pedrosa:

UM FADO: PALAVRAS MINHAS

Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.

Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.

Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido...

Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
- que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.

PEDRO TÁMEN

Este poema será lido por Rute Pimenta.

04/06/09

50.000 PÁGINA VISITADAS


Obrigado a todos os que continuam a passar os olhos e a alma pelo blogue das "Quintas".
Para comemorar condignamente as 50.000 páginas visitadas, convidamos a Ana Malhoa a posar e a pousar nua para o nosso blogue. Com um livro de Éluard tapando-lhe timidamente o seio maior. Ela não aceitou. Trocou-nos miseravelmente pela PLAYBOY...
Já refeito do desgosto, o programador do ciclo, homem prático e de fortes convicções, compensa-vos, agora, com um pensamento, (que afinal são dois), único e inédito:

versão I

Sócrates está sempre a dizer aos seus discípulos: - uma mão lava a ostra.

versão II

Sócrates está sempre a dizer aos seus discípulos: - uma mão lava a ota.

(fotografia do site oficial da cantora Ana Malhoa)

MAIS POEMAS DE AMOR

Outras escolhas de Inês Pedrosa para o dia 18 de Junho:

A MEU FAVOR

A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

ALEXANDRE O'NEILL

*

SEGREDO

Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar

MARIA TERESA HORTA

03/06/09

O fado de Aldina Duarte

No EXPRESSO TV

ESTE POEMA VAI SER LIDO PELA FILIPA LEAL NO RECITAL DO DIA 18.

Mais um POEMA DE AMOR escolhido por Inês Pedrosa:

POEMA DE AMOR PARA USO TÓPICO

Quero-te, como se fosses
a presa indiferente, a mais obscura
das amantes. Quero o teu rosto
de brancos cansaços, as tuas mãos
que hesitam, cada uma das palavras
que sem querer me deste. Quero
que me lembres e esqueças como eu
te lembro e esqueço: num fundo
a preto e branco, despida como
a neve matinal se despe da noite,
fria, luminosa,
voz incerta de rosa.

NUNO JÚDICE

princesa prometida - aldina duarte

Para ver e ouvir ao vivo no dia 18 no recital Fazes-me falta.

02/06/09

Vitor Baía com antologia dos poetas das Quintas

Notícia publicada hoje no jornal A BOLA (para ler clicar sobre a imagem)
Passamos a explicar:
João Gesta, programador das Quintas de Leitura e organizador da antologia de poemas e retratos dos Poetas das Quintas de Leitura - Diga 33, é, desde Março, Embaixador do Pavilhão da Água.
Ontem, dia 1 de Junho, também o ex-futebolista Vítor Baía se juntou à causa da defesa de um bem essencial à vida e cada vez mais escasso, a ÁGUA.
Todos os Embaixadores do Pavilhão da Água (seis no total) receberam uma antologia, sendo que o ex-futebolista foi fotografado a exibir garbosamente o livro das Quintas de Leitura.
A Poesia de mãos dadas com a Água.

AS ESCOLHAS DE INÊS. POEMAS DE AMOR. DIA 18, NUM TEATRO PERTO DO SEU CORAÇÃO.

DESINFERNO II

Caísse a montanha e do oiro o brilho
O meigo jardim abolisse a flor
A mãe desmoesse as carnes do filho
Por botão de vídeo se fizesse amor

O livro morresse, a obra parasse
Soasse a granizo o que era alegria
A porta do ar se calafetasse
Que eu de amor apenas ressuscitaria

LUIZA NETO JORGE

Este poema será lido por Catarina Nunes de Almeida.

01/06/09

AS ESCOLHAS DE INÊS PEDROSA. DIA 18 DE JUNHO. POEMAS DE AMOR

AMOR COMO EM CASA

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor; e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

MANUEL ANTÓNIO PINA