21/09/09
JOSÉ LUÍS PEIXOTO NAS "QUINTAS DE LEITURA"
Estes serão os heróis da próxima quinta-feira:
JOSÉ LUÍS PEIXOTO
AUGUSTO BRÁZIO
CATARINA NUNES DE ALMEIDA
MARGARIDA CARDEAL
SANDRA SALOMÉ
PEDRO LAMARES
PEDRO NUNES
ISABEL ARIEL
CINDY
RAÚL PEIXOTO DA COSTA
MÁRCIA
CRISTINA BACELAR
FÁTIMA SANTOS
SARA BARBOSA
ZAGALO
MAIS OS 300 ESPECTADORES QUE JÁ COMPRARAM BILHETE PARA A SESSÃO...
OBRIGADO A TODOS! - NESTA NOITE, A POESIA TOMARÁ CONTA DAS NOSSAS VIDAS.
18/09/09
POSTAIS
que rejeitavas, que te seguiam - o silêncio deixou
de ser solene.
Atirámos frases inteiras às paredes, somos crianças,
e rimo-nos. A história escreveu-se escreveu-se longe
das nossas mãos.
Não sabemos mais verdades do que a nossa.
Existiu um dia, perdido, em que nos encontrámos.
Podíamos celebrá-lo com discursos estruturados e
insignificâncias. Preferimos comê-lo - é um bolo
de creme.
X-X
E o amor transformou-se noutra coisa com o mesmo nome.
Era disto que falavam as mães quando davam conselhos
às filhas e diziam: o amor vem depois. Era isto o depois.
Uma ternura simples, quase dolorosa, muitos silêncios,
todas as horas do dia e um poema que se dissolve dentro
de mim e que, devagar, sem rosto, desaparece.
X-X
Sozinho, chego a uma cidade saqueada
e caminho com vagar, os braços quase
parados, olho para as portas abertas,
o que sobrou está espalhado nas ruas,
o ar é limpo porque ninguém o respira,
esta cidade, este silêncio, esta cidade,
tenho na pele do rosto o contrário
do choro de uma criança, esse tempo
já passou, tenho tranquilidade séria
e erosão porque esta é a nossa cidade
e porque sei que não te vou encontrar
quando chegar a casa, minha mãe.
(JOSÉ LUÍS PEIXOTO, in "Gaveta de Papéis"/ Edições Quasi)
17/09/09
Literatura Portuguesa no seu melhor
Quatro autores portugueses entre os 10 finalistas do Prémio PT
José Luís Peixoto é um deles.
São Paulo, 16 Set (Lusa) -- Quatro escritores portugueses e seis brasileiros estão entre os dez finalistas do Prémio Portugal Telecom em Língua Portuguesa 2009, informaram hoje os organizadores.
Entre os finalistas portugueses estão "A eternidade e o desejo", de Inês Pedrosa, "Aprender a rezar na era da técnica", de Gonçalo M. Tavares, "Cemitério de pianos", de José Luís Peixoto, e "Ontem não te vi em Babilónia", de António Lobo Antunes.
As obras "A viagem do elefante", de José Saramago, e "Rio das Flores", de Miguel Sousa Tavares, estavam entre os 50 finalistas mas não foram indicados para a disputa final, cujo resultado será conhecido a 10 de Novembro, em São Paulo.
RECORTES DE JORNAL
A situação é esta: os campos eram puros e limpos,
eu ateei muitos fogos, tinha fósforos e gasolina,
agora estou no exacto centro de todos eles,
cercam-me por todos os lados que não existem
para fugir, e espero pelo incêndio, apenas espero.
QUARTO
Os posters, colados com fita-cola,
arderam nas paredes. Os ursos de
peluche fecharam os braços e, por
quase nada, arderam sobre a cama.
Os cartões de estudante antigos, os
postais de férias e os três poemas
passados a limpo arderam dentro
da gaveta da mesinha-de-cabeceira.
Fiz dezasseis anos, chegou o verão e
os bombeiros não tiveram meios
técnicos e humanos suficientes.
(JOSÉ LUÍS PEIXOTO, in "Gaveta de Papéis" / Edições Quasi)
16/09/09
SIC Notícias | 20.02.2009 | Cartaz - As 3 Marias
Estarão na sessão de Quintas de Leitura de tributo a José Luís Peixoto, na noite de 24 de Setembro.
POSTAL DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO
terrenos de árvores húmidas, outono.
Os pais tentam sempre proteger os filhos,
essa é a natureza que corre nas árvores,
essa é a lei e esse é o sentido. É outono
e não poderia ser outra estação, começou
o frio e a fome, olho a força dos campos
pela janela submersa deste último outono
e compreendo por fim a minha idade:
chovem pais e filhos de mãos dadas.
Lá longe, sou pai. Lá longe, sou filho.
(JOSÉ LUÍS PEIXOTO, in "Gaveta de Papéis"/ Edições Quasi)
15/09/09
60.000
DUAS IRMÃS SOLTEIRONAS
VIVEM JUNTAS
COM UMA GATA
QUE NUNCA DEIXAM SAIR
UMA DAS IRMÃS CASA
A OUTRA PEDE-LHE
UMA CARTA
A RELATAR PORMENORIZADAMENTE
A NOITE DE NÚPCIAS
A OUTRA MANDA-LHE
UM TELEGRAMA
"MANA, SOLTA A GATA"
AS CIDADES DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO
O Porto é uma menina a falar-me de outra idade.
Quando olho para o Porto sinto que já não sou capaz
de entender a sua voz delicada e, só por ouvir, sou
um monstro que destrói. Mas os meus dedos são capazes
de tocar-lhe nos ombros, de afastar-lhe os cabelos.
Entre mim e o Porto, existem milímetros que são
muito maiores do que quilómetros, mesmo quando
os nossos lábios se tocam, sobretudo quando os nossos
lábios se tocam. De que poderíamos falar, eu e o Porto,
deitados na cama, a respirar, transpirados e nus?
Eis uma pergunta que nunca terá resposta.
(JOSÉ LUÍS PEIXOTO, in "Gaveta de Papéis" / Edições Quasi)
14/09/09
AS CIDADES DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO
O tempo diz-me que Helsínquia é um sonho
que nunca conseguirei concretizar.
Helsínquia é um fósforo a arder-me na ponta dos dedos.
Porque não sabia, desperdicei Helsínquia,
disse-lhe frases sem nexo e disfarcei-me de incêndio.
Há noites em que vejo a imagem desfocada de Helsínquia.
Comandado por ela, atravesso avenidas geladas
e queimo todos os objectos em que toco.
FOTOGRAFIA DO RIO DE JANEIRO
Não esperes por mim, Rio de Janeiro. Tu nunca exististe
e eu nunca existi enquanto escutávamos relatos de futebol
nas nossas próprias vozes. Contigo, ficaram suspensas
todas as avaliações que fizemos da vida, todas as decisões.
Contigo, é a fome ou a sede. As tuas mãos seguram-me
os braços, Rio de Janeiro, porque querem ter a certeza
de que estou aqui. As tuas mãos deveriam saber mais,
Rio de Janeiro. Eu sou o fantasma único da tua luz.
Eu sou o invisível invisível. E é desde esse lugar nenhum
que te peço: não esperes por mim, Rio de Janeiro,
não esperes por mim.
FOTOGRAFIA DE BUDAPESTE
Os monumentos de Budapeste e as suas ruas
são o mal que fiz a uma rapariga de olhos grandes.
Às vezes, lembro-me de Budapeste a propósito de
pormenores: ganchos de cabelo, caretas ao espelho.
Quando eu e Budapeste passeávamos de mão dada,
havia uma espécie de justiça na copa das árvores.
Nesse tempo, não existia memória, éramos apenas
as nossas pegadas na neve. Budapeste não tem solução.
Passarão décadas e morreremos cheios de segredos.
(JOSÉ LUÍS PEIXOTO, in "Gaveta de Papéis"/Edições Quasi)
11/09/09
Sugestão Diabólica - Prokofiev
Raúl Peixoto da Costa de regresso às Quintas de Leitura. De cortar a respiração.
Márcia - A Pele Que Há Em Mim @ Fnac Coimbra 2009
Para ouvir no recital Livre, em 24 de Setembro de 2009.
AS "FOTOGRAFIAS DE CIDADES" DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO

São Francisco és tu e são as tardes que passávamos
no sofá, sentados ou deitados de todas as formas,
em todas as direcções. Não guardo ressentimentos
de São Francisco e chegará um tempo em que,
de novo, seremos capazes de passar um fim-de-semana
entre chapéus de sol e sol. A Califórnia não é eterna,
mas há um certo tipo de silêncio que se procura
sempre e que se encontra apenas muito raramente.
Esse é o teu brilho, São Francisco. Vais ver, teremos
camisas de flores coloridas e saberemos rir-nos
de tudo. E, contra todas as expectativas, quando
um de nós estiver a morrer, o outro estará lá.
FOTOGRAFIA DE ABIDJAN
Abidjan tem cicatrizes nas ancas.
Cuidadoso, pouso as mãos noutro lado,
seguro Abidjan pela cintura.
Não porque as cicatrizes sejam dolorosas,
há muito que Abidjan se habituou a elas,
mas porque me fazem impressão a mim.
As cicatrizes de Abijan foram-lhe feitas pela avó
com um ferro em brasa, quando era criança.
Eu e Abijan bebemos garrafas de coca-cola.
Seguramo-las como algo valioso,
somos senhores por um momento.
Abidjan diz: mostra-me o teu quarto,
e eu, não sou capaz de resistir.
FOTOGRAFIA DE MADRID
Madrid regressará sempre. São precisos anos
para aprender aquilo que apenas acontece com
a distância de anos. É por isso que posso afirmar
que Madrid regressará sempre. Não sei que tipo
de entendimento encontrámos. Eu e Madrid não
nos conhecemos bem. Sabemos o essencial e
inventamos tudo o resto. Tanto a minha vida,
como a vida de Madrid, já tiveram muitas formas.
No entanto, quando nos encontramos, somos
sempre o mesmo nome. Avaliamo-nos por
cicatrizes e pequenas marcas de idade.
Não estabelecemos metas, estamos cansados.
Eu e Madrid só queremos uma cama, mas,
se não houver, contentamo-nos com o chão e,
se não houver, contentamo-nos com um abraço.
(JOSÉ LUÍS PEIXOTO, in "Gaveta de Papéis"/ Edições Quasi)
10/09/09
Música, tango e striptease em tributo a José Luís Peixoto

O escritor regressa às Quintas de Leitura
O dia 24 de Setembro marcará a 7ª presença do poeta José Luís Peixoto nas "Quintas de Leitura". A sessão, intitulada "LIVRE", realiza-se às 22h00 no Auditório do TCA.
José Luís Peixoto irá revelar-nos, em primeiríssima mão, alguns fragmentos do seu novo romance, a publicar ainda este ano pela Editora Quetzal.
Esta sessão deverá também ser entendida como um tributo das "Quintas de Leitura" ao Poeta. Reconhecemos a fidelidade e a atenção que José Luís Peixoto tem dedicado a este ciclo e queremos agradecer-lhe esse afecto.
Para tal, foi montada uma grande festa da Poesia que incluirá leituras, dança, imagem e muita música. Um espectáculo com a duração de cerca de 150 minutos, cheio de momentos inusitados e muitas surpresas.
Participam nas leituras os actores Pedro Lamares, Sandra Salomé e Margarida Cardeal e também a poeta Catarina Nunes de Almeida. Pedro Nunes será o mestre-de-cerimónias da festa.
Na dança, presença da bailarina Isabel Ariel. Assinale-se ainda um momento de striptease assegurado pela dançarina romena Cindy.
A imagem da sessão será assinada por Augusto Brázio, cúmplice de José Luís Peixoto em muitas aventuras fotográficas.
Por fim, momentos sempre esperados nas "Quintas de Leitura": a música.
O jovem e laureado pianista Raúl Peixoto da Costa vai, como habitualmente, deixar-nos sem respiração. A presença encantatória de Márcia (voz e guitarra), novo talento da música portuguesa. Por fim, o som do novo projecto do Porto "As 3 Marias", grupo constituído por Cristina Bacelar (guitarra e voz), Fátima Santos (acordeão), Sara Barbosa (Contrabaixo) e Zagalo (percussão) - tango clássico misturado com flamenco, bolero, bossa, jazz e tango canção.
Mimos para Peixoto, antes da sua partida para a Roménia e para a Argentina, entre muitos outros países. Um espectáculo total, imperdível, para pessoas que gostam de emoções fortes.
Espectáculo para maiores de 18 anos, não vá o diabo tecê-las.
Nota: bilhetes entre 6 e 9 euros.
Fotografia: Augusto Brázio.
MONÓLOGO
Entrego-te o meu nome e permaneço imune
ao mundo, à mentira e à passagem dos anos.
Romeu adolescente, perdido e camuflado
nas minhas ilusões. Lírico Romeu, que volto
a baptizar, agora com sangue em vez de água.
Coincidimos à frente e atrás de uma pistola
carregada. Romeu, o teu nome chama-me
pela voz com que a morte chama o amor.
Somos derrotados por um outono defeituoso,
como por um poema errado ou pelo mar. Ali,
pouco longe, um túmulo precisa do nosso calor.
(José Luís Peixoto, in "Gavetas de Papéis"/ Edições Quasi)
09/09/09
CASTING DAS "QUINTAS DE LEITURA"
AS CONTAS DAS "QUINTAS"
José Luís Peixoto - 6 presenças
valter hugo mãe - 5
Gonçalo M. Tavares - 4
Jorge Sousa Braga - 3
Nuno Júdice - 3
Daniel Maia-Pinto Rodrigues - 3
Filipa Leal - 3

