19/06/09

A noite mais longa


















FAZES-ME FALTA - POEMAS DE AMOR ESCOLHIDOS POR INÊS PEDROSA
Fotografias de Sara Moutinho numa noite mágica de Quintas de Leitura, apresentadas pela Caixa Geral de Despojos, sob o lema do Amor.

Por ordem:
VICTOR HUGO PONTES
ELISABETE MAGALHÃES

RAÚL PEIXOTO DA COSTA
INÊS PEDROSA

PEDRO LAMARES
FILIPA LEAL

RUTE PIMENTA
ISAQUE FERREIRA

CATARINA NUNES DE ALMEIDA

ANTÓNIO JORGE GONÇALVES

ALDINA DUARTE


DN Artes

DN artes online explica:


valter hugo mãe: o escritor também canta no Governo
Diário de Notícias
No ano passado, a convite do
Teatro do Campo Alegre, fizeram uma primeira apresentação do projecto e, agora, prepararam o lançamento do primeiro EP, ...

Pois é ... foi assim...

(leiam no link)

18/06/09

JN de hoje

Notícia do Jornal de Notícias de hoje.

Destak e Jornal de Notícias


Notícias publicadas ontem, dia 17, no Jornal de Notícias e no Destak.
Para ler clicar sobre as imagens.

HOJE HÁ SESSÃO DAS "QUINTAS" NO TCA. CASA CHEIA.

Os heróis da noite:

INÊS PEDROSA
ALDINA DUARTE
FILIPA LEAL
ISAQUE FERREIRA
PEDRO LAMARES
CATARINA NUNES DE ALMEIDA
RUTE PIMENTA
VICTOR HUGO PONTES
ELISABETE MAGALHÃES
ANTÓNIO JORGE GONÇALVES
RAÚL PEIXOTO DA COSTA
MAFALDA CAPELA

VENHA VÊ-LOS BRILHAR NA RUA DAS ESTRELAS...

16/06/09

valter hugo mãe - a voz do novo governo

Mesmo aqui no post abaixo: estreia em jeito de video-clip do poeta, artista plástico e agora cantor valter hugo mãe. valter já mostrou este seu lado, ao vivo, nos palcos das Quintas de Leitura.
Saiba mais deste governo clicando aqui.

GOVERNO - Meio Bicho e Fogo from 8 e Meio on Vimeo.

POEMA DE AMOR

Lembrava-se dele e, por amor, ainda que pensasse
em serpente, diria apenas arabesco; e esconderia
na saia a mordedura quente, a ferida, a marca
de todos os enganos, faria quase tudo

por amor: daria o sono e o sangue, a casa e a alegria,
e guardaria calados os fantasmas do medo, que são
os donos das maiores verdades. Já de outra vez mentira

e por amor haveria de sentar-se à mesa dele
e negar que o amava, porque amá-lo era um engano
ainda maior do que mentir-lhe. E, por amor, punha-se

a desenhar o tempo como uma linha tonta, sempre
a cair da folha, a prolongar o desencontro.
E fazia estrelas, ainda que pensasse em cruzes;
arabescos, ainda que só se lembrasse de serpentes.

MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA

Poema escolhido por Inês Pedrosa para a voz de Filipa Leal.

15/06/09

Pedro Lamares


O Pedro (CGDespojos) estará a ler no nosso palco na próxima Quinta-feira.
Notícia publicada a 14 de Junho, no Jornal de Notícias.
Para ler clicar sobre a imagem.

SEXO ORAL

Primeiro a tua língua molha o meu
coração, num vagar de fera. Estendo
aurículas e ventrículos sobre a mesa, entre
os copos, que desaparecem. Não há mais
ninguém no bar cheio de gente. Abres-me agora os
pulmões, um para cada lado, e sopras. Respiras-
-me. O laser das tuas palavras rasga-me o lobo
frontal do cérebro. A tua boca abre-se e fecha-se,
fecha-se e abre-se, avançando
por dentro da minha cabeça. As minhas cidades
ruem como rios, correndo para o fundo dos teus olhos.
O tempo estilhaça-se no fogo
preso das nossas retinas. O empregado do bar
retira da mesa o nosso passado e arruma-o na vitrine,
ao lado dos exércitos de chumbo.
Entramos um no outro,
abrindo e fechando as pernas
das palavras, estremecendo no suor dos
olhos abraçados, fazendo sexo
com a lava incandescente dessa revolução
imprevista a que damos o nome de amor.

INÊS PEDROSA

(Este poema será lido por Filipa Leal na próxima sessão do dia 18 de Junho)

12/06/09

AS ESCOLHAS DE INÊS PEDROSA

POEMA DE AMOR

Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno
e quase ia morrendo com o receio de que ele não
te coubesse no dedo

JORGE SOUSA BRAGA

09/06/09

Ler Dia do Escritor Natália Correira

Ler Dia do Escritor Mário Cesariny

Ler Dia do Escritor Maria do Rosário Pedreira

AS ESCOLHAS DE INÊS PEDROSA

Na sessão do dia 18 de Junho serão lidos 24 POEMAS DE AMOR dos seguintes Poetas:

MÁRIO CESARINY
ANTÓNIO BOTTO
ÁLVARO DE CAMPOS
EUGÉNIO DE ANDRADE
ARMANDO SILVA CARVALHO
ANA HATHERLY
NATÁLIA CORREIA
ALEXANDRE O'NEILL (2 poemas)
FERNANDO ASSIS PACHECO
PEDRO TÁMEN
AL BERTO
MARIA TERESA HORTA (2 poemas)
NUNO JÚDICE
LUÍS MIGUEL NAVA
LUIZA NETO JORGE
MANUEL ANTÓNIO PINA
JORGE SOUSA BRAGA
MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA
FERNANDO PINTO DO AMARAL
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA
HERBERTO HELDER
INÊS PEDROSA

As leituras estarão a cargo de Catarina Nunes de Almeida, Filipa Leal, Isaque Ferreira, Pedro Lamares e Rute Pimenta.

O LENTO E INCENDIÁRIO CAMINHO DO AMOR: DIA 18, NAS "QUINTAS".

Inês Pedrosa escolheu:

DA VERDADE DO AMOR

Da verdade do amor se meditam
relatos de viagens confissões
e sempre excede a vida
esse segredo que tanto desdém
guarda de ser dito

pouco importa em quantas derrotas
te lançou
as dores os naufrágios escondidos
com eles aprendeste a navegação
dos oceanos gelados

não se deve explicar demasiado cedo
atrás das coisas
o seu brilho cresce
sem rumor

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

Este poema será lido por Rute Pimenta.

08/06/09

POEMAS DE AMOR. DIA 18 de JUNHO, NAS "QUINTAS DE LEITURA".

Outra magnífica escolha de Inês Pedrosa:

A BELA DO BAIRRO

Ela era muito bonita e benza-a Deus
muito puta que era sempre à espera
dos pagantes à janela do rés-do-chão
mas eu teso e pior que isso néscio desses amores
tenho o quê? Quinze anos
tenho o quê uns olhos com que a vejo
que se debruçava mostrando os peitos
que a amei como se ama unicamente
uma vez um colo branco e até as jóias
que ela punha eram luzentes semelhando estrelas
eu bato o passeio à hora certa e amo-a
de cabelo solto e tudo não parece
senão o céu afinal um pechisbeque

ainda agora as minhas narinas fremem
turva-se o coração desmantelado
amando-a amei-a tanto e sem vergonha
oh pecar assim de jaquetão sport e um cigarro
nos queixos a admiração que eu fazia
entre a malta não é para esquecer nem lá ao fundo
como então puxo as abas da farpela
lentamente caminho para ela
a chuva cai miúda
e benza-a Deus que bonita e que puta
e que desvelos a gente
gastava em frente do amor

FERNANDO ASSIS PACHECO

Este poema será lido por Isaque Ferreira.

05/06/09

"FAZES-ME FALTA". DIA 18, INÊS PEDROSA NAS "QUINTAS DE LEITURA".

Mais uma escolha de Inês Pedrosa:

UM FADO: PALAVRAS MINHAS

Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.

Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.

Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido...

Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
- que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.

PEDRO TÁMEN

Este poema será lido por Rute Pimenta.

04/06/09

50.000 PÁGINA VISITADAS


Obrigado a todos os que continuam a passar os olhos e a alma pelo blogue das "Quintas".
Para comemorar condignamente as 50.000 páginas visitadas, convidamos a Ana Malhoa a posar e a pousar nua para o nosso blogue. Com um livro de Éluard tapando-lhe timidamente o seio maior. Ela não aceitou. Trocou-nos miseravelmente pela PLAYBOY...
Já refeito do desgosto, o programador do ciclo, homem prático e de fortes convicções, compensa-vos, agora, com um pensamento, (que afinal são dois), único e inédito:

versão I

Sócrates está sempre a dizer aos seus discípulos: - uma mão lava a ostra.

versão II

Sócrates está sempre a dizer aos seus discípulos: - uma mão lava a ota.

(fotografia do site oficial da cantora Ana Malhoa)

MAIS POEMAS DE AMOR

Outras escolhas de Inês Pedrosa para o dia 18 de Junho:

A MEU FAVOR

A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

ALEXANDRE O'NEILL

*

SEGREDO

Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar

MARIA TERESA HORTA

03/06/09

O fado de Aldina Duarte

No EXPRESSO TV

ESTE POEMA VAI SER LIDO PELA FILIPA LEAL NO RECITAL DO DIA 18.

Mais um POEMA DE AMOR escolhido por Inês Pedrosa:

POEMA DE AMOR PARA USO TÓPICO

Quero-te, como se fosses
a presa indiferente, a mais obscura
das amantes. Quero o teu rosto
de brancos cansaços, as tuas mãos
que hesitam, cada uma das palavras
que sem querer me deste. Quero
que me lembres e esqueças como eu
te lembro e esqueço: num fundo
a preto e branco, despida como
a neve matinal se despe da noite,
fria, luminosa,
voz incerta de rosa.

NUNO JÚDICE

princesa prometida - aldina duarte

Para ver e ouvir ao vivo no dia 18 no recital Fazes-me falta.

02/06/09

Vitor Baía com antologia dos poetas das Quintas

Notícia publicada hoje no jornal A BOLA (para ler clicar sobre a imagem)
Passamos a explicar:
João Gesta, programador das Quintas de Leitura e organizador da antologia de poemas e retratos dos Poetas das Quintas de Leitura - Diga 33, é, desde Março, Embaixador do Pavilhão da Água.
Ontem, dia 1 de Junho, também o ex-futebolista Vítor Baía se juntou à causa da defesa de um bem essencial à vida e cada vez mais escasso, a ÁGUA.
Todos os Embaixadores do Pavilhão da Água (seis no total) receberam uma antologia, sendo que o ex-futebolista foi fotografado a exibir garbosamente o livro das Quintas de Leitura.
A Poesia de mãos dadas com a Água.

AS ESCOLHAS DE INÊS. POEMAS DE AMOR. DIA 18, NUM TEATRO PERTO DO SEU CORAÇÃO.

DESINFERNO II

Caísse a montanha e do oiro o brilho
O meigo jardim abolisse a flor
A mãe desmoesse as carnes do filho
Por botão de vídeo se fizesse amor

O livro morresse, a obra parasse
Soasse a granizo o que era alegria
A porta do ar se calafetasse
Que eu de amor apenas ressuscitaria

LUIZA NETO JORGE

Este poema será lido por Catarina Nunes de Almeida.

01/06/09

AS ESCOLHAS DE INÊS PEDROSA. DIA 18 DE JUNHO. POEMAS DE AMOR

AMOR COMO EM CASA

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor; e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

MANUEL ANTÓNIO PINA

29/05/09

MAIS UM POEMA DE AMOR ESCOLHIDO POR INÊS PEDROSA

PAIXÃO

Ficávamos no quarto até anoitecer, ao conseguirmos
situar num mesmo poema o coração e a pele quase podíamos
erguer entre eles uma parede e abrir
depois caminho à água.

Quem pelo seu sorriso então se aventurasse achar-se-ia
de súbito em profundas minas, a memória
das suas mais longuínquas galerias
extrai aquilo de que é feito o coração.

Ficávamos no quarto, onde por vezes
o mar vinha irromper. É sem dúvida em dias de maior
paixão que pelo coração se chega à pele.
Não há então entre eles nenhum desnível.

Luís Miguel Nava

Este poema será lido por Isaque Ferreira.

28/05/09

Samuel Úria falado na Galiza



Lucía Aldao, a cantora galega que actuou em duas sessões do ciclo no mês de Maio, integrada no recital A RUA DA ESTRADA, publicou ontem no site galego A NOSA TERRA um texto muito interessante sobre a actuação do também cantante Samuel Úria, referindo-se à sua participação no mesmo recital.
Para ler aqui clicando nas imagens ou bebendo o texto na fonte usando esta ligação.
As Quintas de Leitura ao serviço da união entre vizinhos.
As Quintas de Leitura com os melhores roqueiros do mundo!

POEMAS DE AMOR ESCOLHIDOS POR INÊS PEDROSA

O ESPÍRITO


Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;

E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.

Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:

Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.

Natália Correia

Este poema será dito por Rute Pimenta.

27/05/09

DIA 18 DE JUNHO. POEMAS DE AMOR ESCOLHIDOS POR INÊS PEDROSA

poema

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

Este poema será lido por Isaque Ferreira.

26/05/09

FAZES-ME FALTA.



Começamos hoje a divulgar alguns dos Poemas de Amor, escolhidos por Inês Pedrosa, que serão lidos na sessão do próximo dia 18 de Junho.


Quanto, quanto me queres? - perguntaste
Numa voz de lamento diluída;
E quando nos meus olhos demoraste
A luz dos teus senti a luz da vida.

Nas tuas mãos as minhas apertaste;
Lá fora da luz do Sol já combalida
Era um sorriso aberto num contraste
Com a sombra da posse proibida...

Beijámo-nos, então, a latejar
No infinito e pálido vaivém
Dos corpos que se entregam sem pensar...

Não perguntes, não sei - não sei dizer:
Um grande amor só se avalia bem
Depois de se perder.

António Botto (1900-1959)

Este poema será lido por Catarina Nunes de Almeida.

(fotografia retirada da revista brasileira online Bravo).

25/05/09

O Amor segundo Inês Pedrosa e Aldina Duarte





"Fazes-me falta" é o título da próxima sessão do ciclo poético "Quintas de Leitura", que se realiza a 18 de Junho, às 22h00, no Auditório do TCA, com a participação do colectivo poético Caixa Geral de Despojos.

Esta sessão é marcada pela presença de duas mulheres insubmissas e brilhantes da cultura portuguesa: a escritora Inês Pedrosa e a fadista Aldina Duarte.

Inês Pedrosa escolheu e apresentará 25 belos e surpreendentes Poemas de Amor, todos de autores portugueses: Mário Cesariny, António Botto, Álvaro de Campos, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner, Ana Hatherly, Natália Correia, Alexandre O'Neill, Fernando Assis Pacheco, Pedro Támen, Al Berto, Maria Teresa Horta, Nuno Júdice, Luís Miguel Nava, Luiza Neto Jorge, Manuel António Pina, Jorge Sousa Braga, Maria do Rosário Pedreira, Fernando Pinto do Amaral, José Tolentino Mendonça, Herberto Helder e Inês Pedrosa.

Os poemas foram escolhidos para as vozes de Catarina Nunes de Almeida, Rute Pimenta e de três elementos do colectivo poético Caixa Geral de Despojos (Filipa Leal, Isaque Ferreira e Pedro Lamares).

A imagem da sessão, produzida em tempo real, é da responsabilidade do ilustrador António Jorge Gonçalves.

O momento de performance é assegurado por Victor Hugo Pontes e Elisabete Magalhães. Apresentarão a peça "Dupla em Fotomontagem".

O espectáculo contará ainda com o regresso aos palcos das “Quintas de Leitura” do jovem, talentoso e laureado pianista Raúl Peixoto da Costa, que interpretará temas de Chopin e Liszt.

Aldina Duarte dará um concerto com cerca de 45 minutos, a fechar a sessão, onde cantará temas do seu último disco " Mulheres ao Espelho".


Refira-se, por fim, que o espectáculo é assinado pela dupla João Gesta e Mafalda Capela, também elementos do colectivo Caixa Geral de Despojos, e igualmente responsáveis por espectáculos de sucesso como "Bife Picado", “Irene! Irene! Sirva o Leite-creme!”, “Fio Mental” e “Nunca mais é sável”, todos apresentados no âmbito das “Quintas de Leitura”.

Adivinha-se uma noite intensa, arrebatadora, cheia de tensão poética, construída à medida do seu coração.


Bilhetes a pensar na crise: 9,00 Euros e 6,00 Euros (c/ desconto).

MORRER DE AMOR

Morrer de amor

ao pé da tua boca

Desfalecer

à pele

do sorriso

Sufocar

de prazer

com o teu corpo

Trocar tudo por ti

se for preciso

(MARIA TERESA HORTA)









Notícia publicada dia 23 de Maio no Jornal de Notícias.

22/05/09

AINDA MIGUEL-MANSO, O POETA DO DIA 9 DE JULHO

Madrigal

gosto quando pões a quinta porque me tocas na perna com o nó dos dedos

(Miguel-Manso, in "Contra a Manhã Burra"/ Mariposa Azual)

21/05/09

Tochas para sentir



Pedro Tochas durante uma pausa no estágio de preparação para a viagem espacial das próximas noites, nas Quintas de Leitura do TCA, é chamado à mesa de Ricardo Couto, talk-show da Porto Canal, para um tempo de balanço e mímica. A não perder , já que os bilhetes para os 3 serões interactivos com o comediante estão esgotados há mais de duas semanas. "Vai ser uma experiência. Mais do que para ver serão noites para sentir"- Pedro Tochas.

Pedro Tochas no TCA


Na revista Sábado de hoje. Para ler clicar sobre a imagem.

MIGUEL-MANSO NO TCA A 9 DE JULHO

Último Cigarro

o vinho é branco a tarde cai o dia avança no vento
na boca acorda o último cigarro o poema segue o risco
a claríssima insuficiência

é este o incêndio da tarde o fim do almoço
a violência dos pássaros as crianças dormem a sesta
reclusas na sombra azul dos quartos

mãos sem sentido
arroz na folha de videira muro caiado de branco
e roseiras

gastronomias inexplicáveis contêm a vida e os pátios
aquela noite grega que não soubemos redigir
vespas bebendo da boca das torneiras

escrevo o poema que não lerás nunca
sobre a toalha de plástico da mesa suja
de azeite

a mão esquecida na vírgula acesa do cigarro
a minha solidão vincada a cotovelos no padrão da toalha
as crianças dormindo na

nitidez esquecida da telefonia

(Miguel-Manso, in "Contra a Manhã Burra", reeditado por Mariposa Azual)

19/05/09

Pedro Tochas

Pedro Tochas em edição especial


Esta semana (Quinta, Sexta e Sábado, sempre às 22h00) Pedro Tochas desafia o público das Quintas de Leitura para uma espécie de workshop de jogos teatrais, nos quais todos irão sair da sua "zona de conforto". A exemplo do que tem vindo a acontecer com a participação deste GRANDE comediante português no ciclo Quintas de Leitura, o público terá acesso a um espectáculo diferente em versão especial. Tochas diz: "Não queremos espectadores com atitude passiva. Todos serão chamados a participar!".


Espera-se grande actividade na Sala-Estúdio do TCA. Ou esta não fosse já uma casa Tochas. Pela 11ª vez as Quintas de Letura do TCA apresentam o homem que queria ser engenheiro químico e que afinal anda a correr o mundo de mochila e a papar prémios.


(fotografia Raquel Viegas)

FAZES-ME FALTA. POEMAS DE AMOR ESCOLHIDOS POR INÊS PEDROSA.

Para a sessão do dia 18 de Junho, Inês Pedrosa escolheu, para serem lidos, 25 poemas de Amor. Revelamos hoje os seus autores:

Mário Cesariny
António Botto
Álvaro de Campos
Eugénio de Andrade
Sophia de Mello Breyner Andresen
Ana Hatherly
Natália Correia
Alexandre O'Neill
Fernando Assis Pacheco
Pedro Támen
Al Berto
Maria Teresa Horta
Nuno Júdice
Luís Miguel Nava
Luiza Neto Jorge
Manuel António Pina
Jorge Sousa Braga
Maria do Rosário Pedreira
Fernando Pinto do Amaral
José Tolentino Mendonça
Herberto Helder
Inês Pedrosa


Refira-se, ainda, que os poemas serão lidos por Catarina Nunes de Almeida, Filipa Leal, Rute Pimenta, Isaque Ferreira e Pedro Lamares.

15/05/09

ontem e hoje

























Álvaro Domingues, Lucía Aldao, Samuel Úria, Nuno Moura, Cindy e Paulo Condessa.


Imagens do espectáculo de Quintas de Leitura de ontem - A Rua da Estrada.
(Fotografias : Pat)

A RUA DA ESTRADA. 2ª CHAMADA.

O colectivo "O COPO" (Paulo Condessa + Nuno Moura) lerá (cantará?) este poema hoje na sessão das "Quintas":

SUIL

Mal entrava em casa abria
uma garrafa de leite

frio e estendia-se nua
no sofá. De vez em quando

deixava que algumas gotas
lhe escorressem dos lábios

e lhe fossem perlar os pêlos
do púbis negros como azeviche


(poema de Jorge Sousa Braga)

14/05/09



Notícias publicadas hoje no gratuito Global Notícias e no Jornal de Notícias.

A RUA DA ESTRADA. ESTA NOITE.

Um dos poemas que o colectivo " O Copo" lerá esta noite na sessão das "Quintas de Leitura":

Abro-te a porta entorno o alguidar
cais de joelhos começas a rezar
são 5 horas horas de acordar
e mal te certas levas a dobrar
falas da noite senhoras e bilhar
andas na tosse vou-te cantar
fecho-te a porta ponho-te a andar
caio de joelhos quem vou eu amar?


(poema de Nuno Moura)

13/05/09

A RUA DA ESTRADA. DIAS 14 e 15 DE MAIO.


Ficam aqui registados os nomes dos artistas que nos oferecerão 100 minutos por dia de pura magia:

ÁLVARO DOMINGUES
O COPO (NUNO MOURA e PAULO CONDESSA)
LUCÍA ALDAO
SAMUEL ÚRIA
PAT
CINDY

Serão talvez precisos vários espectáculos destes para que um dia deixe de haver pessoas razoáveis.

As boas e as más notícias: LOTAÇÃO ESGOTADA.
(fotografia - Álvaro Domingues)

Maria do Rosário Pedreira - inédito

Por serem mães, nem viram aquilo que parecia
um raio de sol interrompendo o mundo – e
levam os meninos mortos ao colo no fio dos
caminhos, confundindo sempre a lã do xaile
com o calor do sangue que lhes ensopa as mãos.

Seguem sem poder acreditar – ou então acreditam
que não seriam capazes de amar tanto uma coisa
parada no tempo, e por isso vão, imperturbáveis,
ouvindo bater dentro do próprio peito os corações
vermelhos pequeníssimos. Mais adiante, deter-se-ão

para descobrir um seio redondo e cheio à minúscula
boca prometido – não vá ela abrir-se de repente e,
milagrosamente, começar a chorar.



Maria do Rosário Pedreira

Outubro de 2008
Inédito

(Poema para Dia da Mãe - parceria Quintas de Leitura / Antena 1)

Jorge Sousa Braga

LITANIA

Estava sentado numa sala anexa ao bloco operatório
e uma enfermeira passou com o teu útero num saco de plástico transparente
Com o teu útero com a minha primeira casa e a de meus irmãos
ainda escorrendo sangue
Uma pequena construção toda em pedra
com divisões de tijolo e cal hidráulica
e janelas abrindo para o vale
Com o teu útero
Com a memória do pão depois de levedado e da tua saia comprida cheia de farinha
Com a memória de uma gema de ovo
Com o teu útero
Com a memória de uns sapatos demasiado apertados
Com a memória do giz e do ferro a carvão e dos alinhavos
Na minha alma antes de ser posta à prova
Com o teu útero
Com a memória de uma véspera de Natal das rabanadas e da aletria
E das águas que de súbito inundaram o soalho da cozinha
Com a memória agitada dessas águas
Com o teu útero
Com a memória de uma explosão de mimosas
Com a memória do cheiro a flor de laranjeira e a neroli
Com o teu útero
Que o anatomo-patologista dentro em pouco se encarregaria de retalhar
Com a lâmina do bisturi

Jorge Sousa Braga

(Poema para Dia da Mãe - parceria Antena 1/Quintas de Leitura)

12/05/09

José Luís Peixoto

PALAVRAS PARA A MINHA MÃE

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo.
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia mais bonita que tenho. gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não escrevi estas palavras. sim, mãe, hei-de fingir que não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não as leste. somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.




José Luís Peixoto ("A Casa, a Escuridão")

Texto para Dia da Mãe - Parceria Quintas de Leitura / Antena 1

11/05/09

Aldina Duarte

Tri (Maternal)


Mãe, pai e véu
Pão, mel e lar
Lua, ovo e céu
Sol, rio e mar
Teu, ser e ter
Ele, noz e voz
Meu, ver e ler
Ela ali por nós.

(Inédito - Dia da Mãe - parceria Quintas de Leitura / Antena 1)

Os músicos desta semana !!!



Lucia Aldao clicar aqui.
Samuel Úria experimentar aqui.

Me and Bobby McGee - Lucía Aldao ao vivo

Macedonia Pequena por Lucía Aldao
esta semana nas Quintas de Leitura,
14 e 15 de Maio de 2009 com o seguinte programa:
-me and bobby mcgee de Janis Joplin
-fade in to you de Mazzy Star
-heroin de Lou Reed
-some say i got devil de Melanie Safka
-te echaré de menos de Los Piratas
-você passa, eu acho graça de Cássia Eller

Samuel Úria - Não arrastes o meu caixão

Nas Quintas de Leitura a 14 e 15 de Maio de 2009, apresentando: Nova vaga de velhas vagas.

UM SERÃO INTERACTIVO com Pedro Tochas



Quintas de Leitura com esforço físico

Mistura de espectáculo com workshop em exclusivo para as Quintas de Leitura.
As Quintas de Leitura do TCA apresentam, nas noites de 21, 22 e 23 de Maio o espectáculo “Um serão interactivo com Pedro Tochas”, sempre às 22h00.

Uma performance interactiva em formato de workshop que tem como objectivo experimentar alguns conceitos novos que o comediante utilizará em apresentações futuras. Um espectáculo que convida o público a participar em jogos teatrais para explorar esses mesmos conceitos.

“A não perder para quem quer sair da sua zona de conforto e experimentar coisas novas!”, esclarece Tochas.

Sobre estas sessões de Quintas de Leitura é necessário ainda acrescentar:

ATENÇÃO!As pessoas devem trazer roupa confortável (fato de treino recomendável) e estarem fisicamente aptas, uma vez que alguns dos jogos vão exigir actividade física.Não se pretendem espectadores com atitude meramente passiva.
Todos serão chamados a participar!

Fotografia de Raquel Viegas

08/05/09

ANA LUÍSA AMARAL

TESTAMENTO


Vou partir de avião
e o medo das alturas misturado comigo
faz-me tomar calmantes
e ter sonhos confusos
Se eu morrer
quero que a minha filha não se esqueça de mim
que alguém lhe cante mesmo com voz desafinada
e que lhe ofereçam fantasia
mais que um horário certo
ou uma cama bem feita

Dêem-lhe amor e ver
dentro das coisas
sonhar com sóis azuis e céus brilhantes
em vez de lhe ensinarem contas de somar
e a descascar batatas

Preparem a minha filha
para a vida
se eu morrer de avião
e ficar despegada do meu corpo
e for átomo livre lá no céu

Que se lembre de mim
a minha filha
e mais tarde que diga à sua filha
que eu voei lá no céu
e fui contentamento deslumbrado
ao ver na sua casa as contas de somar erradas
e as batatas no saco esquecidas
e íntegras




Ana Luísa Amaral, Minha Senhora de Quê, Fora do Texto, Coimbra, 1990, reed. Lisboa, Quetzal, 1999

(Poema para o Dia da Mãe - Quintas de Leitura / Antena 1)
Porto, 07 Mai (Lusa) - O programador das Quintas de Leitura, João Gesta, prometeu hoje um "shot performático" para a próxima sessão desta iniciativa, que é dupla e se realiza nos próximos dias 14 e 15, na Sala-Estúdio do Teatro Campo Alegre.
João Gesta qualificou esta dupla sessão como "um shot performático, em duas partes, englobando convidados de várias áreas de expressão: poetas, diseurs, músicos, fotógrafa, bailarina e mesmo um geógrafo".
"É uma caldeirada explosiva, de contornos imprevisíveis, frisou.
O programador promete "100 minutos de espectáculo intenso, frenético, desconcertante e muito variado".
"Trabalharemos sem rede, à mercê dos impulsos dos nossos convidados. Experimentaremos o conceito de 'recital portátil', ou seja, uma sessão com menos requisitos técnicos e de fácil montagem, capaz de se 'instalar' eficazmente em qualquer outro palco do país, 24 horas após a sua apresentação no TCA", acrescentou.
Neste espectáculo João Gesta conta com a fotógrafa PAT, artista destacada para introduzir "pequenas revoluções" no decorrer do espectáculo.
As performances anunciadas incluem o geógrafo Álvaro Domingues que apresentará, "com ciência e humor", a conferência-esquisita "A Rua da Estrada", que dá nome à sessão.
Estará também presente a cantora galega Lucía Aldao, (um regresso às "Quintas") para apresentar "Macedonia pequena", um concerto com temas de Janis Joplin, Melanie Safka, Lou Reed, Mazzy Star e Los Piratas.
O programa prevê a estreia nas "Quintas" do músico Samuel Úria (da editora Flor Caveira), que "tocará temas de sua autoria, dos Beatles e, talvez, a 9ª Sinfonia de Paco Bandeira", numa apresentação descrita como a verdadeira "Nova vaga de velhas vogas".
O colectivo "O Copo", constituído pelos poetas Nuno Moura e Paulo Condessa, apresentam "Os Garfunkels", descrito como "pura performance poética, supra-pseudo-musical", que promete "espasmos musicais capazes de honrar a nação".
"Finalmente, da Roménia chega-nos a bailarina Cindy, para dar mais sensualidade e magia ao acto", salienta João Gesta.

PF.
Lusa/Fim


Notícias da Manhã de hoje.

07/05/09

NUNO JÚDICE - INÉDITO

SINA HEREDITÁRIA

As mães lêem nas mãos dos antepassados
o destino que nunca tiveram. Sentam-se
às portas das casas onde enlouquecem
à vista das filhas; e as filhas seguram-lhes
as mãos para que não atirem aos cães
o destino que nelas está escrito.

Mas se as mães empurram as filhas
para dentro de casa, e ficam a falar
umas com as outras, a loucura toma
conta das suas mãos, e sobe até aos
braços que agarram as filhas que
fugiram para dentro da casa, gritando.

E as mães loucas gritam por cima
do grito das filhas, enquanto a tarde
chega a todas as casas, libertando as
mães e as filhas do destino que os cães
apanharam do chão, e arrastam pelas ruas
para que todos o leiam nas mãos caídas.

Nuno Júdice

(POEMA DO DIA DA MÃE)

MIGUEL-MANSO

Ele será o poeta convidado das "Quintas de Leitura" no próximo dia 9 de Julho. A sessão intitula-se "Quando escreve descalça-se".
Publicamos hoje mais um poema de sua autoria:

CADERNO DO PORTO VELHO

escrevo o espaço que vai das
tuas mãos ao renque das alfazemas
sombra aprendida em aromáticos versos

desconheço ainda esta cidade
depois de tantos anos
mas aprecio

pela tarde o lento rir das áleas
avenidas de timbre meridional
casas onde ainda se pode descascar a fruta

atirar a casca para um alguidar partido
e onde na trégua do calor maior as crianças costeiras
tomam o alcatrão das ruas a areia das praias

rompem este silêncio de vagar portuário
de palavras como ruína que envolvem
o sentido do que escrevo

as tuas mãos ou o espaço que vai das
tuas mãos ao renque das alfazemas

(Miguel-Manso, in "Quando escreve descalça-se"/Trama Livraria)

06/05/09

Especial Dia da Mãe - Quintas de Leitura / Antena 1


Uma parceria Antena 1 / Quintas de Leitura do Teatro do Campo Alegre a partir de uma ideia de Tiago Alves, com sonorização de Paulo Martins e Jorge Martins, e realização e produção de Paula Magalhães.
Poemas inéditos de Maria do Rosário Pedreira, Nuno Júdice e Aldina Duarte. A partir de hoje, um por dia, publicarei neste blogue os poemas que nos falam da Mãe e das Mães do Mundo.
Para ler, ver e ouvir o programa especial da Antena 1 clicando aqui.

OqueStrada "Oxalá Te Veja" (apoio Antena 3)

O 1º álbum dos OqueStrada "TascaBeat o sonho português" já está está por aí.

BoaStradas a todos vós!!!

Esta banda estreou-se no ciclo Quintas de Leitura, em Outubro de 2006, numa sessão dedicada a Nuno Júdice. Regressou aos palcos do TCA em Dezembro do ano passado para a grande festa de lançamento da antologia DIGA 33 - os retratos e os textos dos poetas das Quintas de Leitura. Para quem não conhece ou para quem, como nós, é fã dos OqueStrada há muito.



05/05/09

ANTÓNIO MARIA LISBOA:

"Politicamente a Metaciência ao pronunciar-se dirá que a verdadeira democracia só será possível quando todos os homens forem poetas. Mas a isso não chama ela democracia - mas ANARQUIA."

ANTÓNIO MARIA LISBOA:

"A anarquia e a poesia são uma obra de séculos e irrompe espontaneamente ou não irrompe."

04/05/09

Quatro performances e pequenas revoluções


Uma “Quinta de Leitura” com duas noites



A próxima aventura das "Quintas de Leitura" intitula-se "A Rua da Estrada" e realiza-se nos dias 14 e 15 de Maio, sempre às 22h00, no Sala-Estúdio do TCA, a sala mais intimista deste Teatro.

Trata-se de um shot performático, em duas partes, englobando convidados de várias áreas de expressão: poetas, diseurs, músicos, uma fotógrafa, uma bailarina e mesmo um geógrafo. Uma caldeirada explosiva, de contornos imprevisíveis.

João Gesta, programador do ciclo “Quintas de Leitura” e criador deste espectáculo, explica:

“Prometemos 100 minutos de espectáculo intenso, frenético, desconcertante e muito variado. Trabalharemos sem rede, à mercê dos impulsos dos nossos convidados. Experimentaremos o conceito de ‘recital portátil’, ou seja, uma sessão com menos requisitos técnicos e de fácil montagem, capaz de se ‘instalar’ eficazmente em qualquer outro palco do país, 24 horas após a sua apresentação no TCA”.

O espectáculo foi concebido pelo programador João Gesta, que conta com a acção e cumplicidade directas da fotógrafa PAT, artista destacada para introduzir "pequenas revoluções" no decorrer do espectáculo.

São várias as performances que se anunciam:

- O geógrafo Álvaro Domingues apresentará com ciência e humor a conferência-esquisita "A Rua da Estrada", que dá nome à sessão.

- Lucía Aldao, cantora galega, volta às "Quintas" para apresentar "Macedonia pequena", temas de Janis Joplin, Melanie Safka, Lou Reed, Mazzy Star e Los Piratas.

- Estreia nas "Quintas" de Samuel Úria, destacado músico da editora Flor Caveira. Tocará músicas de sua autoria, dos Beatles e, talvez, a "5ª Sinfonia" de Paco Bandeira. A verdadeira "Nova vaga de velhas vogas".

- O colectivo "O Copo", constituído pelos poetas Nuno Moura e Paulo Condessa, apresentam "Os Garfunkels", pura performance poética, supra-pseudo-musical. Prometem-se espasmos musicais capazes de honrar a nação.

- Da Roménia chega-nos a bailarina Cindy, para dar mais sensualidade e magia ao acto.

Um espectáculo para maiores de 18 anos. Nunca se sabe...

"Serão talvez precisas várias sessões destas para que um dia deixe de haver pessoas razoáveis", remata João Gesta, confiante no êxito deste modelo.

JOÃO ALMEIDA

Foi o Vítor Nogueira que me deu a conhecer este brilhante Poeta. Ofereceu-me um livrinho intitulado "Glória e Eternidade", publicado recentemente pelo Teatro de Vila Real.
Fiquem a conhecer o poema

A QUANTAS ANDO

as minhas botas
cães de fila, um mastim branco
e um dono insano

neste ofício
é preciso perder

Highgate, vinte e sete de Maio
ouvem-se os sinais objectivos de um corvo
as ervas também e os arbustos
alimentados a nitrato

à entrada pagamos qualquer coisa
em moedas pequenas
moedas em todo o caso
a Preciosa Maria said to the lady
that Karl Marx devia estar às voltas na tumba

nesse mesmo dia ao que dizes
os new order tocaram atmosphere no super bock
super rock e parece que houve choro e spleen

encostei-me não me lembro onde
e fiquei a olhar a cabeça de marx
o cemiterio é amigo e explica muitas coisas

(João Almeida, in "Glória e Eternidade"/Teatro de Vila Real)