15/05/09

ontem e hoje

























Álvaro Domingues, Lucía Aldao, Samuel Úria, Nuno Moura, Cindy e Paulo Condessa.


Imagens do espectáculo de Quintas de Leitura de ontem - A Rua da Estrada.
(Fotografias : Pat)

A RUA DA ESTRADA. 2ª CHAMADA.

O colectivo "O COPO" (Paulo Condessa + Nuno Moura) lerá (cantará?) este poema hoje na sessão das "Quintas":

SUIL

Mal entrava em casa abria
uma garrafa de leite

frio e estendia-se nua
no sofá. De vez em quando

deixava que algumas gotas
lhe escorressem dos lábios

e lhe fossem perlar os pêlos
do púbis negros como azeviche


(poema de Jorge Sousa Braga)

14/05/09



Notícias publicadas hoje no gratuito Global Notícias e no Jornal de Notícias.

A RUA DA ESTRADA. ESTA NOITE.

Um dos poemas que o colectivo " O Copo" lerá esta noite na sessão das "Quintas de Leitura":

Abro-te a porta entorno o alguidar
cais de joelhos começas a rezar
são 5 horas horas de acordar
e mal te certas levas a dobrar
falas da noite senhoras e bilhar
andas na tosse vou-te cantar
fecho-te a porta ponho-te a andar
caio de joelhos quem vou eu amar?


(poema de Nuno Moura)

13/05/09

A RUA DA ESTRADA. DIAS 14 e 15 DE MAIO.


Ficam aqui registados os nomes dos artistas que nos oferecerão 100 minutos por dia de pura magia:

ÁLVARO DOMINGUES
O COPO (NUNO MOURA e PAULO CONDESSA)
LUCÍA ALDAO
SAMUEL ÚRIA
PAT
CINDY

Serão talvez precisos vários espectáculos destes para que um dia deixe de haver pessoas razoáveis.

As boas e as más notícias: LOTAÇÃO ESGOTADA.
(fotografia - Álvaro Domingues)

Maria do Rosário Pedreira - inédito

Por serem mães, nem viram aquilo que parecia
um raio de sol interrompendo o mundo – e
levam os meninos mortos ao colo no fio dos
caminhos, confundindo sempre a lã do xaile
com o calor do sangue que lhes ensopa as mãos.

Seguem sem poder acreditar – ou então acreditam
que não seriam capazes de amar tanto uma coisa
parada no tempo, e por isso vão, imperturbáveis,
ouvindo bater dentro do próprio peito os corações
vermelhos pequeníssimos. Mais adiante, deter-se-ão

para descobrir um seio redondo e cheio à minúscula
boca prometido – não vá ela abrir-se de repente e,
milagrosamente, começar a chorar.



Maria do Rosário Pedreira

Outubro de 2008
Inédito

(Poema para Dia da Mãe - parceria Quintas de Leitura / Antena 1)

Jorge Sousa Braga

LITANIA

Estava sentado numa sala anexa ao bloco operatório
e uma enfermeira passou com o teu útero num saco de plástico transparente
Com o teu útero com a minha primeira casa e a de meus irmãos
ainda escorrendo sangue
Uma pequena construção toda em pedra
com divisões de tijolo e cal hidráulica
e janelas abrindo para o vale
Com o teu útero
Com a memória do pão depois de levedado e da tua saia comprida cheia de farinha
Com a memória de uma gema de ovo
Com o teu útero
Com a memória de uns sapatos demasiado apertados
Com a memória do giz e do ferro a carvão e dos alinhavos
Na minha alma antes de ser posta à prova
Com o teu útero
Com a memória de uma véspera de Natal das rabanadas e da aletria
E das águas que de súbito inundaram o soalho da cozinha
Com a memória agitada dessas águas
Com o teu útero
Com a memória de uma explosão de mimosas
Com a memória do cheiro a flor de laranjeira e a neroli
Com o teu útero
Que o anatomo-patologista dentro em pouco se encarregaria de retalhar
Com a lâmina do bisturi

Jorge Sousa Braga

(Poema para Dia da Mãe - parceria Antena 1/Quintas de Leitura)

12/05/09

José Luís Peixoto

PALAVRAS PARA A MINHA MÃE

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo.
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia mais bonita que tenho. gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não escrevi estas palavras. sim, mãe, hei-de fingir que não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não as leste. somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.




José Luís Peixoto ("A Casa, a Escuridão")

Texto para Dia da Mãe - Parceria Quintas de Leitura / Antena 1

11/05/09

Aldina Duarte

Tri (Maternal)


Mãe, pai e véu
Pão, mel e lar
Lua, ovo e céu
Sol, rio e mar
Teu, ser e ter
Ele, noz e voz
Meu, ver e ler
Ela ali por nós.

(Inédito - Dia da Mãe - parceria Quintas de Leitura / Antena 1)

Os músicos desta semana !!!



Lucia Aldao clicar aqui.
Samuel Úria experimentar aqui.

Me and Bobby McGee - Lucía Aldao ao vivo

Macedonia Pequena por Lucía Aldao
esta semana nas Quintas de Leitura,
14 e 15 de Maio de 2009 com o seguinte programa:
-me and bobby mcgee de Janis Joplin
-fade in to you de Mazzy Star
-heroin de Lou Reed
-some say i got devil de Melanie Safka
-te echaré de menos de Los Piratas
-você passa, eu acho graça de Cássia Eller

Samuel Úria - Não arrastes o meu caixão

Nas Quintas de Leitura a 14 e 15 de Maio de 2009, apresentando: Nova vaga de velhas vagas.

UM SERÃO INTERACTIVO com Pedro Tochas



Quintas de Leitura com esforço físico

Mistura de espectáculo com workshop em exclusivo para as Quintas de Leitura.
As Quintas de Leitura do TCA apresentam, nas noites de 21, 22 e 23 de Maio o espectáculo “Um serão interactivo com Pedro Tochas”, sempre às 22h00.

Uma performance interactiva em formato de workshop que tem como objectivo experimentar alguns conceitos novos que o comediante utilizará em apresentações futuras. Um espectáculo que convida o público a participar em jogos teatrais para explorar esses mesmos conceitos.

“A não perder para quem quer sair da sua zona de conforto e experimentar coisas novas!”, esclarece Tochas.

Sobre estas sessões de Quintas de Leitura é necessário ainda acrescentar:

ATENÇÃO!As pessoas devem trazer roupa confortável (fato de treino recomendável) e estarem fisicamente aptas, uma vez que alguns dos jogos vão exigir actividade física.Não se pretendem espectadores com atitude meramente passiva.
Todos serão chamados a participar!

Fotografia de Raquel Viegas

08/05/09

ANA LUÍSA AMARAL

TESTAMENTO


Vou partir de avião
e o medo das alturas misturado comigo
faz-me tomar calmantes
e ter sonhos confusos
Se eu morrer
quero que a minha filha não se esqueça de mim
que alguém lhe cante mesmo com voz desafinada
e que lhe ofereçam fantasia
mais que um horário certo
ou uma cama bem feita

Dêem-lhe amor e ver
dentro das coisas
sonhar com sóis azuis e céus brilhantes
em vez de lhe ensinarem contas de somar
e a descascar batatas

Preparem a minha filha
para a vida
se eu morrer de avião
e ficar despegada do meu corpo
e for átomo livre lá no céu

Que se lembre de mim
a minha filha
e mais tarde que diga à sua filha
que eu voei lá no céu
e fui contentamento deslumbrado
ao ver na sua casa as contas de somar erradas
e as batatas no saco esquecidas
e íntegras




Ana Luísa Amaral, Minha Senhora de Quê, Fora do Texto, Coimbra, 1990, reed. Lisboa, Quetzal, 1999

(Poema para o Dia da Mãe - Quintas de Leitura / Antena 1)
Porto, 07 Mai (Lusa) - O programador das Quintas de Leitura, João Gesta, prometeu hoje um "shot performático" para a próxima sessão desta iniciativa, que é dupla e se realiza nos próximos dias 14 e 15, na Sala-Estúdio do Teatro Campo Alegre.
João Gesta qualificou esta dupla sessão como "um shot performático, em duas partes, englobando convidados de várias áreas de expressão: poetas, diseurs, músicos, fotógrafa, bailarina e mesmo um geógrafo".
"É uma caldeirada explosiva, de contornos imprevisíveis, frisou.
O programador promete "100 minutos de espectáculo intenso, frenético, desconcertante e muito variado".
"Trabalharemos sem rede, à mercê dos impulsos dos nossos convidados. Experimentaremos o conceito de 'recital portátil', ou seja, uma sessão com menos requisitos técnicos e de fácil montagem, capaz de se 'instalar' eficazmente em qualquer outro palco do país, 24 horas após a sua apresentação no TCA", acrescentou.
Neste espectáculo João Gesta conta com a fotógrafa PAT, artista destacada para introduzir "pequenas revoluções" no decorrer do espectáculo.
As performances anunciadas incluem o geógrafo Álvaro Domingues que apresentará, "com ciência e humor", a conferência-esquisita "A Rua da Estrada", que dá nome à sessão.
Estará também presente a cantora galega Lucía Aldao, (um regresso às "Quintas") para apresentar "Macedonia pequena", um concerto com temas de Janis Joplin, Melanie Safka, Lou Reed, Mazzy Star e Los Piratas.
O programa prevê a estreia nas "Quintas" do músico Samuel Úria (da editora Flor Caveira), que "tocará temas de sua autoria, dos Beatles e, talvez, a 9ª Sinfonia de Paco Bandeira", numa apresentação descrita como a verdadeira "Nova vaga de velhas vogas".
O colectivo "O Copo", constituído pelos poetas Nuno Moura e Paulo Condessa, apresentam "Os Garfunkels", descrito como "pura performance poética, supra-pseudo-musical", que promete "espasmos musicais capazes de honrar a nação".
"Finalmente, da Roménia chega-nos a bailarina Cindy, para dar mais sensualidade e magia ao acto", salienta João Gesta.

PF.
Lusa/Fim


Notícias da Manhã de hoje.

07/05/09

NUNO JÚDICE - INÉDITO

SINA HEREDITÁRIA

As mães lêem nas mãos dos antepassados
o destino que nunca tiveram. Sentam-se
às portas das casas onde enlouquecem
à vista das filhas; e as filhas seguram-lhes
as mãos para que não atirem aos cães
o destino que nelas está escrito.

Mas se as mães empurram as filhas
para dentro de casa, e ficam a falar
umas com as outras, a loucura toma
conta das suas mãos, e sobe até aos
braços que agarram as filhas que
fugiram para dentro da casa, gritando.

E as mães loucas gritam por cima
do grito das filhas, enquanto a tarde
chega a todas as casas, libertando as
mães e as filhas do destino que os cães
apanharam do chão, e arrastam pelas ruas
para que todos o leiam nas mãos caídas.

Nuno Júdice

(POEMA DO DIA DA MÃE)

MIGUEL-MANSO

Ele será o poeta convidado das "Quintas de Leitura" no próximo dia 9 de Julho. A sessão intitula-se "Quando escreve descalça-se".
Publicamos hoje mais um poema de sua autoria:

CADERNO DO PORTO VELHO

escrevo o espaço que vai das
tuas mãos ao renque das alfazemas
sombra aprendida em aromáticos versos

desconheço ainda esta cidade
depois de tantos anos
mas aprecio

pela tarde o lento rir das áleas
avenidas de timbre meridional
casas onde ainda se pode descascar a fruta

atirar a casca para um alguidar partido
e onde na trégua do calor maior as crianças costeiras
tomam o alcatrão das ruas a areia das praias

rompem este silêncio de vagar portuário
de palavras como ruína que envolvem
o sentido do que escrevo

as tuas mãos ou o espaço que vai das
tuas mãos ao renque das alfazemas

(Miguel-Manso, in "Quando escreve descalça-se"/Trama Livraria)

06/05/09

Especial Dia da Mãe - Quintas de Leitura / Antena 1


Uma parceria Antena 1 / Quintas de Leitura do Teatro do Campo Alegre a partir de uma ideia de Tiago Alves, com sonorização de Paulo Martins e Jorge Martins, e realização e produção de Paula Magalhães.
Poemas inéditos de Maria do Rosário Pedreira, Nuno Júdice e Aldina Duarte. A partir de hoje, um por dia, publicarei neste blogue os poemas que nos falam da Mãe e das Mães do Mundo.
Para ler, ver e ouvir o programa especial da Antena 1 clicando aqui.

OqueStrada "Oxalá Te Veja" (apoio Antena 3)

O 1º álbum dos OqueStrada "TascaBeat o sonho português" já está está por aí.

BoaStradas a todos vós!!!

Esta banda estreou-se no ciclo Quintas de Leitura, em Outubro de 2006, numa sessão dedicada a Nuno Júdice. Regressou aos palcos do TCA em Dezembro do ano passado para a grande festa de lançamento da antologia DIGA 33 - os retratos e os textos dos poetas das Quintas de Leitura. Para quem não conhece ou para quem, como nós, é fã dos OqueStrada há muito.



05/05/09

ANTÓNIO MARIA LISBOA:

"Politicamente a Metaciência ao pronunciar-se dirá que a verdadeira democracia só será possível quando todos os homens forem poetas. Mas a isso não chama ela democracia - mas ANARQUIA."

ANTÓNIO MARIA LISBOA:

"A anarquia e a poesia são uma obra de séculos e irrompe espontaneamente ou não irrompe."

04/05/09

Quatro performances e pequenas revoluções


Uma “Quinta de Leitura” com duas noites



A próxima aventura das "Quintas de Leitura" intitula-se "A Rua da Estrada" e realiza-se nos dias 14 e 15 de Maio, sempre às 22h00, no Sala-Estúdio do TCA, a sala mais intimista deste Teatro.

Trata-se de um shot performático, em duas partes, englobando convidados de várias áreas de expressão: poetas, diseurs, músicos, uma fotógrafa, uma bailarina e mesmo um geógrafo. Uma caldeirada explosiva, de contornos imprevisíveis.

João Gesta, programador do ciclo “Quintas de Leitura” e criador deste espectáculo, explica:

“Prometemos 100 minutos de espectáculo intenso, frenético, desconcertante e muito variado. Trabalharemos sem rede, à mercê dos impulsos dos nossos convidados. Experimentaremos o conceito de ‘recital portátil’, ou seja, uma sessão com menos requisitos técnicos e de fácil montagem, capaz de se ‘instalar’ eficazmente em qualquer outro palco do país, 24 horas após a sua apresentação no TCA”.

O espectáculo foi concebido pelo programador João Gesta, que conta com a acção e cumplicidade directas da fotógrafa PAT, artista destacada para introduzir "pequenas revoluções" no decorrer do espectáculo.

São várias as performances que se anunciam:

- O geógrafo Álvaro Domingues apresentará com ciência e humor a conferência-esquisita "A Rua da Estrada", que dá nome à sessão.

- Lucía Aldao, cantora galega, volta às "Quintas" para apresentar "Macedonia pequena", temas de Janis Joplin, Melanie Safka, Lou Reed, Mazzy Star e Los Piratas.

- Estreia nas "Quintas" de Samuel Úria, destacado músico da editora Flor Caveira. Tocará músicas de sua autoria, dos Beatles e, talvez, a "5ª Sinfonia" de Paco Bandeira. A verdadeira "Nova vaga de velhas vogas".

- O colectivo "O Copo", constituído pelos poetas Nuno Moura e Paulo Condessa, apresentam "Os Garfunkels", pura performance poética, supra-pseudo-musical. Prometem-se espasmos musicais capazes de honrar a nação.

- Da Roménia chega-nos a bailarina Cindy, para dar mais sensualidade e magia ao acto.

Um espectáculo para maiores de 18 anos. Nunca se sabe...

"Serão talvez precisas várias sessões destas para que um dia deixe de haver pessoas razoáveis", remata João Gesta, confiante no êxito deste modelo.

JOÃO ALMEIDA

Foi o Vítor Nogueira que me deu a conhecer este brilhante Poeta. Ofereceu-me um livrinho intitulado "Glória e Eternidade", publicado recentemente pelo Teatro de Vila Real.
Fiquem a conhecer o poema

A QUANTAS ANDO

as minhas botas
cães de fila, um mastim branco
e um dono insano

neste ofício
é preciso perder

Highgate, vinte e sete de Maio
ouvem-se os sinais objectivos de um corvo
as ervas também e os arbustos
alimentados a nitrato

à entrada pagamos qualquer coisa
em moedas pequenas
moedas em todo o caso
a Preciosa Maria said to the lady
that Karl Marx devia estar às voltas na tumba

nesse mesmo dia ao que dizes
os new order tocaram atmosphere no super bock
super rock e parece que houve choro e spleen

encostei-me não me lembro onde
e fiquei a olhar a cabeça de marx
o cemiterio é amigo e explica muitas coisas

(João Almeida, in "Glória e Eternidade"/Teatro de Vila Real)

30/04/09

DIA DA MÃE - POESIA NA ANTENA 1

No próximo Domingo, 3 de Maio, é o Dia dedicado à Mãe.

A exemplo do que aconteceu no DIA MUNDIAL DA POESIA,
as Quintas de Leitura em parceria com a Antena 1,
celebram as mães do mundo com poesia.

Assim, até às 14h00, de hora a hora, a Antena 1 vai emitir poemas e depoimentos dos nossos poetas que, gentilmente, acederam participar nesta iniciativa.

Aqui fica a lista dos autores, cujos poemas foram lidos por Adriana Faria (na foto, no estúdio da Antena 1, no Porto, com Ana Paula Magalhães) e por Paulo Campos dos Reis:

Aldina Duarte - poema inédito

Ana Luisa Amaral

Daniel Maia - Pinto Rodrigues


Jorge Sousa Braga

João Rios

José Luís Peixoto

Manuel António Pina

Maria do Rosário Pedreira - poema inédito

Nuno Júdice - poema inédito

Paulo Campos dos Reis

Paulo Condessa

JÁ HÁ POUCOS BILHETES

"A Rua da Estrada". É o primeiro recital portátil da história das "Quintas". Venha conferir. Com poesia, performance e muita música.
O elenco é de luxo:

Álvaro Domingues (Porto)
Colectivo Poético "O Copo" (Lisboa)
Samuel Úria (Porto)
Lucía Aldao (Galiza)
Pat

e ainda a participação especial de Cindy (Roménia)

Dias 14 (quinta) e 15 (sexta) de Maio - todos os Caminhos vão dar ao TCA.
Compre já o seu bilhete. Depois não se queixe que esgotaram.

MAIS DE 45.000 PÁGINAS VISITADAS DO NOSSO BLOGUE

Obrigado por continuarem a mostrar interesse pelos nossos devaneios poéticos.
Este poema é para todos aqueles que se continuam a emocionar com as "Quintas de Leitura":

cabelos amarrados quentes que se desamarram,
oh quero-te em volta de luz batida,
em língua máxima,
a floração devora as varas,
o ar que se empolga devora-te a obra mulheril,
uns palmos de sangue até à boca sôfrega,
e depois desmanchas-te

*

sou eu que te abro pela boca,
boca com boca,
metido em ti o sôpro até raiar-te a cara,
até que o meu soluço obscuro te cruze toda,
amo-te como se aprendesse desde não sei que morte,
ainda que doa o mundo,
a alegria

(Herberto Helder, in "A Faca Não Corta o Fogo"/ Assírio & Alvim)

29/04/09

25 DE ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!

Um texto fascinante de Mário Cesariny sobre a Liberdade (livre).

Liberdade.
A liberdade conhece-se pelo seu fulgor.
Quatro homens livres não são mais liberdade do que um só. Mas são mais reverbero no mesmo fulgor.
Trocar a liberdade em liberdades é a moda corrente do libertino.
Pode prender-se um homem e pô-lo a pão e água. Pode tirar-se-lhe o pão e não se lhe dar a água. Pode-se pô-lo a morrer, pendurado no ar, ou à dentada, com cães. Mas é impossível tirar-lhe seja que parte for da liberdade que ele é.
Ser-se livre é possuir-se a capacidade de lutar contra o que nos oprime. Quanto mais perseguido mais perigoso. Quanto mais livre mais capaz.
Do cadáver dum homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro - nunca sairá um escravo.

27/04/09

25 de ABRIL



O programador do ciclo Quintas de Leitura, João Gesta, comemora os 35 anos
do 25 de Abril, no Largo do Carmo, em Lisboa, com Salgueiro Maia.
Fotografia: Pat

25 de Abril de 2009 - RTP Online - para ler clicar aqui.




25 de Abril de 2009 - site SIC Online - para ler clicar aqui.



No jornal Portugal Post com data de Maio 2009. (para ler clicar sobre a imagem).
E nos sites do jornal Diário de Notícias e semanário Expresso, com data 25 de Abril de 2009.
Notícias LUSA.


Para ler seguir as ligações das edições online clicando aqui e aqui.

24/04/09

Bagagem de mão - na sessão dedicada à escrita de Vítor Nogueira...









PERFORMANCE: Cristina Delius (sapateado) - Michel Roubaix (acordeão) -
Beatriz Serrão ( percussão)



José Mário Silva apresentou e conversou com o poeta Vítor Nogueira.
Pedro Lamares leu poemas do mais recente livro do autor - "Comércio Tradicional" (2008).


Maria do Céu Ribeiro leu poemas do livro "Senhor Gouveia" (2006).






Paulo Campos dos Reis e Susana Menezes leram poemas do livro "Bagagem de Mão" (2007).














Concerto acústico de MAZGANI.

Fotografias de Sara Moutinho.

23/04/09

O que diz a agência LUSA

Porto, 22 Abr (Lusa) - Mais de 13 mil pessoas assistiram, nos últimos oito anos, às Quintas de Leitura, sessões mensais de poesia que se realizam no Teatro do Campo Alegre (TCA), no Porto, disse hoje à agência Lusa o seu programador, João Gesta.
"É de sublinhar que se trata de sessões pagas e que o custo não é tão pouco como isso, o bilhete sem desconto está agora nos nove euros", disse aquele responsável.
As sessões começaram no espaço Café-Concerto do TCA em Janeiro de 2002, na sequência do encerramento do Pinguim Café, onde Joaquim Castro Caldas, falecido em Agosto de 2008, aos 52 anos, organizou durante muitos anos sessões de poesia, sempre muito concorridas.
"Muito do que sou como programador devo-o ao Joaquim Castro Caldas e o êxito que as Quintas de Leitura são não seria possível sem o trabalho que ele fez durante anos no Pinguim Café, que consolidou a tradição portuense nesta área", disse João Gesta.
O programador já organizou, desde Janeiro de 2002, 88 sessões, seguindo um figurino inovador que se mantém.
As Quintas de Leitura são organizadas em torno de um poeta convidado, cuja poesia é lida por três ou quatro declamadores de um grupo de 15 ligados a esta iniciativa.
O programa inclui sempre um concerto, uma performance (que pode ser dança) e uma imagem própria para cada sessão a cargo de um artista plástico, que pode envolver fotografia e/ou vídeo.
"Escolho o convidado de acordo com o meu gosto pessoal", admitiu João Gesta, 56 anos, leitor "apaixonado e compulsivo" de poesia, que selecciona também os declamadores para cada sessão.
Quanto à parte musical, a selecção é feita após uma conversa com o poeta convidado.
"Procuro respeitar o gosto do poeta. Se gosta de jazz, opto por músicos de jazz, se prefere pop ou outro tipo de música, escolho nessas áreas", disse.
No que toca à imagem, o programador escolhe o artista, podendo o convidado intervir na opção.
"Quanto à performance, a escolha é exclusivamente minha e procuro que o poeta seja o último a saber, é uma surpresa", referiu
Desta forma, João Gesta consegue atrair 150, 200 ou 300 pessoas para cada uma das Quintas de Leitura, desde há oito anos.
O Café-Concerto do TCA já se tornou pequeno, pelo que as sessões se realizam agora no grande auditório, muitas vezes cheio.
"Este êxito surpreende sobretudo os convidados de Lisboa, que muitas vezes me dizem que na capital não seria possível encher uma sessão de poesia com bilhetes pagos", disse João Gesta.
Na sessão desta quinta-feira, às 22:00, o Auditório do TCA recebe Vítor Nogueira, nome da novíssima poesia portuguesa que apresentará o seu livro "Bagagem de mão", em conversa com o jornalista, crítico literário e (também) poeta José Mário Silva.
As leituras, a cargo de Maria do Céu Ribeiro, Paulo Campos dos Reis, Pedro Lamares e Susana Menezes, incidem sobre os três mais recentes livros de poemas de Vítor Nogueira: "Senhor Gouveia" (2006), "Bagagem de Mão" (2007) e "Comércio Tradicional" (2008).
A imagem da sessão é do artista digital Paulo Araújo (uma estreia nas Quintas de Leitura) e a performance é da bailarina de sapateado Cristina Delius, que vem propositadamente de Berlim.
"Foi a Cristina Delius, que é portuguesa, casada com um alemão e vive há muito em Berlim, que tomou a iniciativa e me enviou um DVD com o seu trabalho. Eu não a conhecia. Achei fantástico e vai ser ela a surpresa do Vítor Nogueira", disse João Gesta.
A sessão completa-se com o regresso às "Quintas" de Mazgani, num concerto a solo que percorrerá todos os temas do CD "Song of the new heart".
Shahryar Mazgani é um luso-iraniano radicado desde os 5 anos em Portugal, cujo CD de estreia, "Song of the New Heart", o levou a ser considerado pela prestigiada revista francesa "Les Inrockuptibles" como um dos 20 músicos mais promissores da Europa.

PF.
Lusa/Fim

Notícia publicada hoje no jornal O Primeiro de Janeiro e no jornal Notícias da Manhã.
Fonte: Lusa
Para ler clicar sobre a imagem.




No jornal Público de hoje - P2.
(para ler clicar sobre as imagens)


Na secção de cultura do Jornal de Notícias de hoje.

HOJE É DIA DE "QUINTAS"

Eles vão BRILHAR:

VÍTOR NOGUEIRA
JOSÉ MÁRIO SILVA
MARIA DO CÉU RIBEIRO
PAULO CAMPOS DOS REIS
PEDRO LAMARES
SUSANA MENEZES
CRISTINA DELIUS
MICHEL ROUBAIX
BEATRIZ SERRÃO
PAULO ARAÚJO
MAZGANI

Duas horas de espectáculo. As "Quintas de Leitura" no seu melhor. Depois de nós, o abismo.

22/04/09

NENHUMA RAZÃO

Nenhuma razão é suficientemente simples.
As viagens que fazemos são apenas
as viagens que fazemos, não nos levam
a sítios metafóricos.

Entretanto, as árvores crescem, como sempre
devagar, e a cidade até parece bem pensada,
de repente com a luz no ângulo certo. Nem tudo
está perdido. Deixo a moeda do costume
ao arrumador de serviço, cada vez mais velho
e educado. «Para tomar um cafezinho.»

Só é pena continuarmos, como ele, tão fiéis
ao automóvel, máquina de vir inspeccionar
o estado em que se encontra esta parede,
no limite sul da nossa estreita liberdade.

Em todo o caso, é para isso que aqui estamos,
para nos castigarmos: o mundo só é assim
porque o escolhemos desta forma, pequenino
como qualquer sala de estar. Há outras hipóteses,
obviamente, outros modos, corajosos, de partir.

Por exemplo, o rapaz do restaurante, nesta rua
de Lisboa. Que ambição cala por detrás do sotaque
brasileiro? O que viu ele neste lugar
tão do outro lado de tudo?

(Vítor Nogueira, in "Bagagem de Mão"/&etc)

AINDA HÁ BILHETES

TUDO AMANHÃ:

- ESTREIA DO POETA VÍTOR NOGUEIRA NAS "QUINTAS DE LEITURA"
- CONCERTO DE MAZGANI
- ESTREIA NAS "QUINTAS" DA ESTRELA EUROPEIA DE SAPATEADO CRISTINA DELIUS, ACOMPANHADA POR MICHEL (ACORDEÃO) E BEATRIZ SERRÃO (PERCUSSÃO)


PROMETA-NOS QUE NÃO FICA EM CASA!

21/04/09

AJUDE-NOS A ENCONTRAR UM TÍTULO PARA ESTA SESSÃO

No dia 29 de Outubro teremos uma explosiva sessão das "Quintas", cheia de poesia, de música e do que mais se verá.

Vejam este elenco fabuloso:

Poetas convidados
Nuno Moura, Daniel Jonas, A. Pedro Ribeiro e João Rios

Responsável pela imagem
Mário Vitória

Música
concerto dos "Moliquentos" com Tânia Carvalho (voz e piano), Bruna Carvalho (bateria) e Zeca Iglésias (guitarra)

Performance
Mônica Coteriano & Pedro Gonçalves (Dead Combo) apresentam "The Story of My Life".

Uma sessão do outro mundo. Impossível ficar em casa.

FAZES-ME FALTA

Fotografia captada no espectáculo dedicado a Filipa Leal
«Cidade Líquida» , no TCA, em Setembro de 2007.



A Suzana Menezes, a nossa querida Naná, está grávida. Muito grávida, digo eu. Fará na próxima quinta-feira o seu último recital, antes de ter a Matilde. Lá para meados de Junho.
Dedicamos à Naná, teclado à altura do coração, um poema de Amor. Belo, como ela:

POEMA

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

(Mário Cesariny, in "Pena Capital"/ Assírio & Alvim)

20/04/09

OS HERÓIS DA PRÓXIMA "QUINTA"

Todos ao serviço da Poesia, do Sonho, da Magia:

VÍTOR NOGUEIRA
MAZGANI
JOSÉ MÁRIO SILVA
PAULO ARAÚJO
MARIA DO CÉU RIBEIRO
PAULO CAMPOS DOS REIS
PEDRO LAMARES
SUSANA MENEZES
CRISTINA DELIUS
MICHEL ROUBAIX
BEATRIZ SERRÃO


Junte-se a nós. Noites com sangue na guelra.

ESTE POEMA DE VÍTOR NOGUEIRA ENCERRA A SESSÃO DA PRÓXIMA "QUINTA DE LEITURA"

ESPLANADA

Por vezes os danos apanham-nos de surpresa.
Por vezes pensamos que podemos reparar
os danos. Se soubéssemos cantar, era uma ajuda.
Há pessoas a espreitar pela janela, no seu modo
de tornar as casas um pouco mais habitáveis.

Que importantes nos tornámos, de repente.
Discutimos o mundo com base em
pequenas coisas, pequenas queixas
do glorioso mecanismo do corpo humano.
(O corpo, claro, tem as suas exigências.)

Aquiles, por exemplo, tem passado melhor
do calcanhar. Haverá sempre um lugar para ele
à mesa do Olimpo. Bem-vindo à unidade
de cuidados intensivos, onde as cervejas se querem
frescas e a dividir por todos.

(Vítor Nogueira, in "Comércio tradicional")

18/04/09

MUSAS

Apolo, chamemos-lhe assim,
é caixeiro-viajante «por acaso», mas
quer tirar enfermagem. Diz que escreve poesia
- está visto, pode acontecer a qualquer um.
Em cima do escadote, o farol do comércio tradicional
organiza a prateleira das águas-de-colónia.
Tudo lhe parece um pouco excessivo.

Apolo insiste numa espécie de sermão
de Santo António aos desodorizantes:
alexandrinos e decassílabos,
arquitecturas de grande entusiasmo,
a nossa relação com a História,
seres iluminados que alcançam o Nirvana.

Mas, de novo, as leis do «acaso»
desempenham um papel importante:
pede-se ao dono do Fiat branco que o afaste,
ou será rebocado. Aí vai ele, o viajante.
De algum modo, a poesia é difícil para todos.
Basicamente, não fazemos a menor ideia
do que se passa no mundo.

(Vítor Nogueira, in "Comércio Tradicional"/Averno)

RODA

«Naquele tempo só havia a quarta classe.»
Trabalha desde os doze e está com sessenta
e sete. Já foi trolha, motorista, sapateiro.
Na verdade, só tem medo das alturas.

Certo dia preparou a cabeça para poder
andar à roda. E partiu para o Luxemburgo.
«Há terras que a gente nem imagina que existem.»
Regressava quase sempre pela festa de S. Lázaro,

o presente e o passado a uma estrada de distância.
Com os anos percebeu uma coisa curiosa:
«os rapazes que ficaram queriam ter a minha vida
e eu queria ter a vida dos rapazes que ficaram».

(Vítor Nogueira, in "Comércio Tradicional"/Averno)

17/04/09

Para os OCS



Fotografia de Mazgani : Rita Carmo

Vítor Nogueira e Mazgani
“Bagagem de mão”



Depois de Filipa Leal, as “Quintas de Leitura” recebem outro nome incontornável da chamada “novíssima poesia portuguesa”. Referimo-nos ao poeta Vítor Nogueira que encabeça a sessão intitulada “Bagagem de mão” e que se realiza no próximo dia 23 de Abril, às 22h00, no Auditório do TCA, no Porto.

O poeta convidado conversará com o jornalista, crítico literário e (também) poeta José Mário Silva.

As leituras, a cargo de Maria do Céu Ribeiro, Paulo Campos dos Reis, Pedro Lamares e Susana Menezes, incidirão sobre os três mais recentes livros de poemas de Vítor Nogueira: “Senhor Gouveia” (2006), “Bagagem de Mão” (2007) e “Comércio Tradicional” (2008). A imagem da sessão foi concebida pelo artista digital Paulo Araújo que, assim, se estreia nas “Quintas de Leitura”.

De Berlim, chega a bailarina de sapateado Cristina Delius que nos surpreenderá e encantará com a sua performance. Será acompanhada pelos músicos Michel (acordeão) e Beatriz Serrão (percussão). Momento que não mais esquecerá.

Por fim, trinta minutos de pura magia: regresso às “Quintas” da voz inconfundível de Mazgani, num concerto a solo, onde percorrerá todos os êxitos do álbum “Song of the new heart”. Lembremos que Shahryar Mazgani foi considerado pela prestigiada revista francesa “Les Inrockuptibles” como um dos artistas mais promissores da Europa.

“Quintas de Leitura”: noites com sangue na guelra. Junte-se a nós.
Espectáculo para maiores de 12 anos. Bilhetes a 9 euros (normal) e 6 euros (com desconto).


“Poucas vezes, na mais recente poesia portuguesa, se conseguiu tão sabiamente aliar ironia, contenção e um sóbrio desencanto”. (Manuel de Freitas sobre Bagagem de Mão de Vítor Nogueira, in jornal Expresso)

“Podemos admirar nesta poesia o modo como penetra o mundo dos objectos e acede ao que mais resistência oferece à palavra poética: o quotidiano, o mistério que o habita”. (António Guerreiro sobre Comércio Tradicional de Vítor Nogueira, in jornal Expresso)