26/05/09

FAZES-ME FALTA.



Começamos hoje a divulgar alguns dos Poemas de Amor, escolhidos por Inês Pedrosa, que serão lidos na sessão do próximo dia 18 de Junho.


Quanto, quanto me queres? - perguntaste
Numa voz de lamento diluída;
E quando nos meus olhos demoraste
A luz dos teus senti a luz da vida.

Nas tuas mãos as minhas apertaste;
Lá fora da luz do Sol já combalida
Era um sorriso aberto num contraste
Com a sombra da posse proibida...

Beijámo-nos, então, a latejar
No infinito e pálido vaivém
Dos corpos que se entregam sem pensar...

Não perguntes, não sei - não sei dizer:
Um grande amor só se avalia bem
Depois de se perder.

António Botto (1900-1959)

Este poema será lido por Catarina Nunes de Almeida.

(fotografia retirada da revista brasileira online Bravo).

25/05/09

O Amor segundo Inês Pedrosa e Aldina Duarte





"Fazes-me falta" é o título da próxima sessão do ciclo poético "Quintas de Leitura", que se realiza a 18 de Junho, às 22h00, no Auditório do TCA, com a participação do colectivo poético Caixa Geral de Despojos.

Esta sessão é marcada pela presença de duas mulheres insubmissas e brilhantes da cultura portuguesa: a escritora Inês Pedrosa e a fadista Aldina Duarte.

Inês Pedrosa escolheu e apresentará 25 belos e surpreendentes Poemas de Amor, todos de autores portugueses: Mário Cesariny, António Botto, Álvaro de Campos, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner, Ana Hatherly, Natália Correia, Alexandre O'Neill, Fernando Assis Pacheco, Pedro Támen, Al Berto, Maria Teresa Horta, Nuno Júdice, Luís Miguel Nava, Luiza Neto Jorge, Manuel António Pina, Jorge Sousa Braga, Maria do Rosário Pedreira, Fernando Pinto do Amaral, José Tolentino Mendonça, Herberto Helder e Inês Pedrosa.

Os poemas foram escolhidos para as vozes de Catarina Nunes de Almeida, Rute Pimenta e de três elementos do colectivo poético Caixa Geral de Despojos (Filipa Leal, Isaque Ferreira e Pedro Lamares).

A imagem da sessão, produzida em tempo real, é da responsabilidade do ilustrador António Jorge Gonçalves.

O momento de performance é assegurado por Victor Hugo Pontes e Elisabete Magalhães. Apresentarão a peça "Dupla em Fotomontagem".

O espectáculo contará ainda com o regresso aos palcos das “Quintas de Leitura” do jovem, talentoso e laureado pianista Raúl Peixoto da Costa, que interpretará temas de Chopin e Liszt.

Aldina Duarte dará um concerto com cerca de 45 minutos, a fechar a sessão, onde cantará temas do seu último disco " Mulheres ao Espelho".


Refira-se, por fim, que o espectáculo é assinado pela dupla João Gesta e Mafalda Capela, também elementos do colectivo Caixa Geral de Despojos, e igualmente responsáveis por espectáculos de sucesso como "Bife Picado", “Irene! Irene! Sirva o Leite-creme!”, “Fio Mental” e “Nunca mais é sável”, todos apresentados no âmbito das “Quintas de Leitura”.

Adivinha-se uma noite intensa, arrebatadora, cheia de tensão poética, construída à medida do seu coração.


Bilhetes a pensar na crise: 9,00 Euros e 6,00 Euros (c/ desconto).

MORRER DE AMOR

Morrer de amor

ao pé da tua boca

Desfalecer

à pele

do sorriso

Sufocar

de prazer

com o teu corpo

Trocar tudo por ti

se for preciso

(MARIA TERESA HORTA)









Notícia publicada dia 23 de Maio no Jornal de Notícias.

22/05/09

AINDA MIGUEL-MANSO, O POETA DO DIA 9 DE JULHO

Madrigal

gosto quando pões a quinta porque me tocas na perna com o nó dos dedos

(Miguel-Manso, in "Contra a Manhã Burra"/ Mariposa Azual)

21/05/09

Tochas para sentir



Pedro Tochas durante uma pausa no estágio de preparação para a viagem espacial das próximas noites, nas Quintas de Leitura do TCA, é chamado à mesa de Ricardo Couto, talk-show da Porto Canal, para um tempo de balanço e mímica. A não perder , já que os bilhetes para os 3 serões interactivos com o comediante estão esgotados há mais de duas semanas. "Vai ser uma experiência. Mais do que para ver serão noites para sentir"- Pedro Tochas.

Pedro Tochas no TCA


Na revista Sábado de hoje. Para ler clicar sobre a imagem.

MIGUEL-MANSO NO TCA A 9 DE JULHO

Último Cigarro

o vinho é branco a tarde cai o dia avança no vento
na boca acorda o último cigarro o poema segue o risco
a claríssima insuficiência

é este o incêndio da tarde o fim do almoço
a violência dos pássaros as crianças dormem a sesta
reclusas na sombra azul dos quartos

mãos sem sentido
arroz na folha de videira muro caiado de branco
e roseiras

gastronomias inexplicáveis contêm a vida e os pátios
aquela noite grega que não soubemos redigir
vespas bebendo da boca das torneiras

escrevo o poema que não lerás nunca
sobre a toalha de plástico da mesa suja
de azeite

a mão esquecida na vírgula acesa do cigarro
a minha solidão vincada a cotovelos no padrão da toalha
as crianças dormindo na

nitidez esquecida da telefonia

(Miguel-Manso, in "Contra a Manhã Burra", reeditado por Mariposa Azual)

19/05/09

Pedro Tochas

Pedro Tochas em edição especial


Esta semana (Quinta, Sexta e Sábado, sempre às 22h00) Pedro Tochas desafia o público das Quintas de Leitura para uma espécie de workshop de jogos teatrais, nos quais todos irão sair da sua "zona de conforto". A exemplo do que tem vindo a acontecer com a participação deste GRANDE comediante português no ciclo Quintas de Leitura, o público terá acesso a um espectáculo diferente em versão especial. Tochas diz: "Não queremos espectadores com atitude passiva. Todos serão chamados a participar!".


Espera-se grande actividade na Sala-Estúdio do TCA. Ou esta não fosse já uma casa Tochas. Pela 11ª vez as Quintas de Letura do TCA apresentam o homem que queria ser engenheiro químico e que afinal anda a correr o mundo de mochila e a papar prémios.


(fotografia Raquel Viegas)

FAZES-ME FALTA. POEMAS DE AMOR ESCOLHIDOS POR INÊS PEDROSA.

Para a sessão do dia 18 de Junho, Inês Pedrosa escolheu, para serem lidos, 25 poemas de Amor. Revelamos hoje os seus autores:

Mário Cesariny
António Botto
Álvaro de Campos
Eugénio de Andrade
Sophia de Mello Breyner Andresen
Ana Hatherly
Natália Correia
Alexandre O'Neill
Fernando Assis Pacheco
Pedro Támen
Al Berto
Maria Teresa Horta
Nuno Júdice
Luís Miguel Nava
Luiza Neto Jorge
Manuel António Pina
Jorge Sousa Braga
Maria do Rosário Pedreira
Fernando Pinto do Amaral
José Tolentino Mendonça
Herberto Helder
Inês Pedrosa


Refira-se, ainda, que os poemas serão lidos por Catarina Nunes de Almeida, Filipa Leal, Rute Pimenta, Isaque Ferreira e Pedro Lamares.

15/05/09

ontem e hoje

























Álvaro Domingues, Lucía Aldao, Samuel Úria, Nuno Moura, Cindy e Paulo Condessa.


Imagens do espectáculo de Quintas de Leitura de ontem - A Rua da Estrada.
(Fotografias : Pat)

A RUA DA ESTRADA. 2ª CHAMADA.

O colectivo "O COPO" (Paulo Condessa + Nuno Moura) lerá (cantará?) este poema hoje na sessão das "Quintas":

SUIL

Mal entrava em casa abria
uma garrafa de leite

frio e estendia-se nua
no sofá. De vez em quando

deixava que algumas gotas
lhe escorressem dos lábios

e lhe fossem perlar os pêlos
do púbis negros como azeviche


(poema de Jorge Sousa Braga)

14/05/09



Notícias publicadas hoje no gratuito Global Notícias e no Jornal de Notícias.

A RUA DA ESTRADA. ESTA NOITE.

Um dos poemas que o colectivo " O Copo" lerá esta noite na sessão das "Quintas de Leitura":

Abro-te a porta entorno o alguidar
cais de joelhos começas a rezar
são 5 horas horas de acordar
e mal te certas levas a dobrar
falas da noite senhoras e bilhar
andas na tosse vou-te cantar
fecho-te a porta ponho-te a andar
caio de joelhos quem vou eu amar?


(poema de Nuno Moura)

13/05/09

A RUA DA ESTRADA. DIAS 14 e 15 DE MAIO.


Ficam aqui registados os nomes dos artistas que nos oferecerão 100 minutos por dia de pura magia:

ÁLVARO DOMINGUES
O COPO (NUNO MOURA e PAULO CONDESSA)
LUCÍA ALDAO
SAMUEL ÚRIA
PAT
CINDY

Serão talvez precisos vários espectáculos destes para que um dia deixe de haver pessoas razoáveis.

As boas e as más notícias: LOTAÇÃO ESGOTADA.
(fotografia - Álvaro Domingues)

Maria do Rosário Pedreira - inédito

Por serem mães, nem viram aquilo que parecia
um raio de sol interrompendo o mundo – e
levam os meninos mortos ao colo no fio dos
caminhos, confundindo sempre a lã do xaile
com o calor do sangue que lhes ensopa as mãos.

Seguem sem poder acreditar – ou então acreditam
que não seriam capazes de amar tanto uma coisa
parada no tempo, e por isso vão, imperturbáveis,
ouvindo bater dentro do próprio peito os corações
vermelhos pequeníssimos. Mais adiante, deter-se-ão

para descobrir um seio redondo e cheio à minúscula
boca prometido – não vá ela abrir-se de repente e,
milagrosamente, começar a chorar.



Maria do Rosário Pedreira

Outubro de 2008
Inédito

(Poema para Dia da Mãe - parceria Quintas de Leitura / Antena 1)

Jorge Sousa Braga

LITANIA

Estava sentado numa sala anexa ao bloco operatório
e uma enfermeira passou com o teu útero num saco de plástico transparente
Com o teu útero com a minha primeira casa e a de meus irmãos
ainda escorrendo sangue
Uma pequena construção toda em pedra
com divisões de tijolo e cal hidráulica
e janelas abrindo para o vale
Com o teu útero
Com a memória do pão depois de levedado e da tua saia comprida cheia de farinha
Com a memória de uma gema de ovo
Com o teu útero
Com a memória de uns sapatos demasiado apertados
Com a memória do giz e do ferro a carvão e dos alinhavos
Na minha alma antes de ser posta à prova
Com o teu útero
Com a memória de uma véspera de Natal das rabanadas e da aletria
E das águas que de súbito inundaram o soalho da cozinha
Com a memória agitada dessas águas
Com o teu útero
Com a memória de uma explosão de mimosas
Com a memória do cheiro a flor de laranjeira e a neroli
Com o teu útero
Que o anatomo-patologista dentro em pouco se encarregaria de retalhar
Com a lâmina do bisturi

Jorge Sousa Braga

(Poema para Dia da Mãe - parceria Antena 1/Quintas de Leitura)

12/05/09

José Luís Peixoto

PALAVRAS PARA A MINHA MÃE

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo.
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia mais bonita que tenho. gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não escrevi estas palavras. sim, mãe, hei-de fingir que não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não as leste. somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.




José Luís Peixoto ("A Casa, a Escuridão")

Texto para Dia da Mãe - Parceria Quintas de Leitura / Antena 1

11/05/09

Aldina Duarte

Tri (Maternal)


Mãe, pai e véu
Pão, mel e lar
Lua, ovo e céu
Sol, rio e mar
Teu, ser e ter
Ele, noz e voz
Meu, ver e ler
Ela ali por nós.

(Inédito - Dia da Mãe - parceria Quintas de Leitura / Antena 1)