01/04/09
"SENHOR GOUVEIA" de Vítor Nogueira
John Parker, nacionalidade americana
e pronúncia a condizer, alugou quarto
na casa do Senhor Gouveia, apresentando-se
como secretário do arcebispo de Washington.
A pedido, assinou o livro de honra.
Pela mão do poeta, visitou estabelecimentos
na Rua Alexandre Herculano, onde pediu
socorros para certas obras pias, prosseguindo
depois noutras artérias da cidade. E assim
conseguiu reunir soma elevada.
Na livraria dos herdeiros do Senhor António Silva,
Sua Excelência proferiu uma palestra, atraindo
considerável número de pessoas, que fizeram
a fineza de o escutar no meio do maior silêncio.
Foi aí que o secretário do arcebispo de Washington
contou como evangelizara nas Montanhas
Rochosas e como, nessa árida região, alcançara
converter ao cristianismo numerosos esquimós.
Eis como um bom cristão se perde
por não saber geografia.
(Vítor Nogueira, in "Senhor Gouveia"/Averno)
31/03/09
A POESIA DE VÍTOR NOGUEIRA
Se tudo acontecer como previsto,
o Senhor Gouveia acordará
um pouco antes do almoço, mesmo a tempo
de descer as escadas e esperar pelo carteiro.
Se acaso receber correspondência,
há-de tirar o chapéu a uma senhora.
Se não lhe chegar nenhuma carta,
fará exactamente a mesma coisa.
Na vida como na escrita, o Senhor Gouveia
utiliza sempre a mesma rima. Os seus gestos
são alexandrinos medidos ao milímetro,
coisas dificilmente publicáveis
já em meados da década de cinquenta,
quando pela primeira vez tirou o chapéu
a uma senhora
(e nunca mais lho devolveu).
*
VARANDAS
A procissão dividiu a rua a meio,
como é costume fazer-se a uma noz.
Na varanda de Dona Joaquina, a colcha
mais bonita da cidade, peça antiga
de família, que em tempos lhe foi dada
para juntar ao enxoval.
Em meados da década de cinquenta,
o Senhor Gouveia e a Dona Joaquina
estiveram, vai-não-vai, para se entender.
Depois, enfim, aquele jeito de poeta,
aquele modo de tirar o chapéu
a uma senhora...E nunca mais se falaram
desde então, razões certamente ponderosas
que ninguém conhece ao certo.
Mas, no dia em que passa a procissão,
o Senhor Gouveia pode olhar, demorado,
a sua musa. Esperará por si, ainda hoje,
a solteira Joaquina? E até que ponto
era capaz de lhe dizer do seu desejo
(da maneira como o diz em sonetos
desde sempre guardados no armário)?
Entretanto, examina o velho busto
recortado pela colcha que jamais o acolheu.
(Vítor Nogueira, in "Senhor Gouveia"/Averno)
30/03/09
O PRÓXIMO CONVIDADO DAS "QUINTAS"
Ele é unanimemente reconhecido como uma das vozes mais importantes da chamada "novíssima poesia portuguesa".
Publicou cinco livros de poemas. A saber:
A VOLTA AO MUNDO EM 50 POEMAS (Editorial Minerva, 1999)
SENHOR GOUVEIA (Averno, 2006)
BAGAGEM DE MÃO (&etc, 2007)
NOVAS MEMÓRIAS DE ANSIÃES (com A. M. Pires Cabaral, Manuel de Freitas e Rui Pires Cabral. Averno, 2007)
COMÉRCIO TRADICIONAL (Averno, 2008)
O guião poético da sessão do próximo dia 23 de Abril incluirá poemas de três destes livros.
As leituras ficarão a cargo dos actores Maria do Céu Ribeiro, Paulo Campos dos Reis, Pedro Lamares e ainda de Susana Menezes.
Iniciamos hoje a divulgação de alguns dos poemas que serão lidos na referida sessão.
A RAZÃO PELA QUAL O SOL AQUECE
O Sol aquece devagar. Sempre assim foi
na Rua Alexandre Herculano, a rua onde
o Senhor Gouveia um dia desejou ser poeta,
ao tirar pela primeira vez o chapéu a uma senhora,
talvez em meados da década de cinquenta.
De resto, o Senhor Gouveia nunca procurou
a razão pela qual o Sol aquece devagar a Rua
Alexandre Herculano. Nunca soube porquê,
mas acha bem.
*
ÀS VEZES OS PÁSSAROS
Às vezes os pássaros encaixam voos exóticos
no céu recortado pelos prédios. Deixam-se cair,
sem que alguém os possa acusar de suicídio.
A Rua Alexandre Herculano tem destas coisas,
verdadeiramente indecifráveis. Coisas fundas
a que me venho habituando desde que aluguei quarto
na casa do Senhor Gouveia, que um dia desejou
ser poeta e entretanto simplesmente
aluga quartos.
*
JÁ DEPOIS DA MEIA-NOITE, TRÊS RAPAZES
Já depois da meia-noite, três rapazes
acendem cigarros com palavras,
esquecidos dos vizinhos e do sono
que os retém no interior dos edifícios.
É um sono fácil o que, justos,
os vizinhos cultivam desde sempre.
Em toda a rua, só o Senhor Gouveia
sabe o que é contar carneiros. Lá fora
três rapazes continuam, cigarros acesos
com palavras. A rua dorme, não se importa.
O Senhor Gouveia chega a ponderar
um telefonema para a polícia. Ao invés, escreve
um soneto. Enfim, saiu-lhe
mal (nada que nunca tenha acontecido).
(Vítor Nogueira, in "Senhor Gouveia"/Averno)
27/03/09
CASA CHEIA PARA OUVIR FILIPA LEAL E LULA PENA
FIQUEM, PARA MATAR SAUDADES DESSA NOITE MÁGICA, COM UM DERRADEIRO POEMA DE FILIPA LEAL:
NO FUNDO DOS RELÓGIOS
Demoro-me neste país indeciso
que ainda procura o amor
no fundo dos relógios,
que se abre
como se abrisse os poros solitários
para que neles caiam ossos, vidros, pão.
Demoro-me
no ventre desta cidade
que nenhum navio abandonou
porque lhe faltou a água para a partida,
como por vezes desaparece a estrada
que nos conduz aos lugares
e ali temos que ficar.
(Filipa Leal, in "A Cidade Líquida e outras Texturas"/ Deriva Editores)
26/03/09
HAVEMOS DE IR A VIANA
As próximas duas horas ficam por conta da nossa tripulação espacial:
FILIPA LEAL
LULA PENA
CARLA MIRANDA
GERMANO'NUNES
PAULO CAMPOS DOS REIS
JOSÉ PEREIRA DE SOUSA
JOANA RÊGO
BRUNA CARVALHO
RICARDO VIDAL
Não saia do seu lugar. Chegaremos ou não chegaremos a Viana por volta da meia-noite.
MAISACTUAL.PT - O Seu Site de Informação - 26-Mar-2009
25/03/09
MAIS UM POEMA DE FILIPA LEAL
Na fágil timidez de aves de papel,
balouçando, morrendo a cada queda,
porque houve asas enrugadas,
e um desespero de salitre e ervas aromáticas.
E rasgámos as palavras,
arquivámos o voo como se crescêssemos,
ou tivesse amanhecido devagar.
(Filipa Leal, in "Talvez os Lírios Compreendam"/ Cadernos do Campo Alegre)
24/03/09
FALTAM 2 DIAS. A NÃO PERDER.
Registamos um dos mais belos poemas da sua obra:
NOS DIAS TRISTES NÃO SE FALA DE AVES
Nos dias tristes não se fala de aves.
Liga-se aos amigos e eles não estão
e depois pede-se lume na rua
como quem pede um coração
novinho em folha.
Nos dias tristes é Inverno
e anda-se ao frio de cigarro na mão
a queimar o vento e diz-se
- bom dia!
às pessoas que passam
depois de já terem passado
e de não termos reparado nisso.
Nos dias tristes fala-se sozinho
e há sempre uma ave que pousa
no cimo das coisas
em vez de nos pousar no coração
e não fala connosco.
(Filipa Leal, in "A Cidade Líquida e Outras Texturas"/ Deriva Editores)
23/03/09
É JÁ NA PRÓXIMA QUINTA-FEIRA A SESSÃO COM A POETA FILIPA LEAL
Rendi-me
quando a falta de tempo
lambeu o meu suor
numa insónia eterna
Desisti da linguagem
quando mergulhei
no amplo sufoco das palavras
com os minutos contados
Cortei ambos os braços
quando não pude esticá-los
para vos abraçar
*
Quero coleccionar os teus passos,
os teus gestos, os teus traços...
Guardá-los em páginas de seda...
Suaves, como tu...
E oferecer-te uma larga medalha,
espelhar o profundo clarão
que rodeia a tua face...
Adorar-te como quem adora um deus,
com a placidez crente dos fiéis...
Acreditar como quem é eterno
e crê e vive a eternidade...
Reconheço a flauta muda
enterrada nas salas que pisaste...
Herdei os cânticos sagrados
e hoje sonho com as tuas mãos
levantadas para agarrar o divino.
(Filipa Leal, in "Talvez os Lírios Compreendam"/Cadernos do Campo Alegre)
21/03/09
DIA MUNDIAL DA POESIA ESTAMOS AQUI

20/03/09
As Quintas de Leitura no DIA MUNDIAL DA POESIA
PORTO – 96.7
LISBOA – 95.7
Neste dia, pode também adquirir, no Teatro do Campo Alegre, entre as 15h00 e as 22h30, a antologia poética “DIGA TRINTA E TRÊS”, a um preço especial.
Recordamos ainda que pode visitar a exposição “OS RETRATOS DOS POETAS DAS QUINTAS DE LEITURA” que se encontra em exibição no foyer do Teatro do Campo Alegre.
Saudações Poéticas
TCA
ALGUNS POEMAS DE AMOR ESCOLHIDOS POR INÊS PEDROSA

Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.
A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.
A inundar-te de facas,
de saliva esperma lume.
Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável.
A marcar sobre os teus flancos
itinerários da espuma.
Assim é o amor: mortal e navegável.
(Eugénio de Andrade)
*
A MEU FAVOR
A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer
A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.
(Alexandre O'Neill)
*
POEMA DE AMOR
Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno
e quase ia morrendo com o receio de que ele não
te coubesse no dedo
(Jorge Sousa Braga)
*
POEMA DE AMOR PARA USO TÓPICO
Quero-te, como se fosses
a presa indiferente, a mais obscura
das amantes. Quero o teu rosto
de brancos cansaços, as tuas mãos
que hesitam, cada uma das palavras
que sem querer me deste. Quero
que me lembres e esqueças como eu
te lembro e esqueço: num fundo
a preto e branco, despida como
a neve matinal se despe da noite,
fria, luminosa,
voz incerta de rosa.
(Nuno Júdice)
*
MORRER DE AMOR
Morrer de amor
ao pé da tua boca
Desfalecer
à pele
do sorriso
Sufocar
de prazer
com o teu corpo
Trocar tudo por ti
se for preciso
(Maria Teresa Horta)
*
ASSIM O AMOR
Assim o amor
Espantado meu olhar com teus cabelos
Espantado meu olhar com teus cavalos
E grandes praias fluidas avenidas
Tardes que oscilam demoradas
E um confuso rumor de obscuras vidas
E o tempo sentado no limiar dos campos
Com seu fuso sua faca e seus novelos
Em vão busquei eterna luz precisa
(Sophia de Mello Breyner)
*
DESINFERNO II
Caísse a montanha e do oiro o brilho
O meigo jardim abolisse a flor
A mãe desmoesse as carnes do filho
Por botão de vídeo se fizesse amor
O livro morresse, a obra parasse
Soasse a granizo o que era alegria
A porta do ar se calafetasse4
Que eu de amor apenas ressuscitaria
(Luiza Neto Jorge)
*
Cuidado. O amor
é um pequeno animal
desprevenido, uma teia
que se desfia
pouco a pouco. Guardo
silêncio
para que possam ouvi-lo
desfazer-se.
(Casimiro de Brito)
OS POETAS CONVIDADOS DE 2009
FILIPA LEAL
VÍTOR NOGUEIRA
NUNO MOURA E PAULO CONDESSA (colectivo "O COPO")
INÊS PEDROSA
MIGUEL-MANSO
JOSÉ LUÍS PEIXOTO
NUNO JÚDICE
GONÇALO M. TAVARES
VASCO GATO
JÁ POR CÁ PASSARAM ESTE ANO:
valter hugo mãe
DANIEL MAIA-PINTO RODRIGUES
"QUINTAS DE LEITURA": poesia ao canto da noite
19/03/09
AS "QUINTAS" DÃO-NOS (BOA) MÚSICA
Tome nota:
26 de Março
JOSÉ PEREIRA DE SOUSA
LULA PENA
23 de Abril
MAZGANI
14 e 15 de Maio
SAMUEL ÚRIA
LUCÍA ALDAO (Galiza)
18 de Junho
RAÚL PEIXOTO DA COSTA
ALDINA DUARTE
9 de Julho
B FACHADA
Uma programação a pensar em si. Junte-se a nós.
HERBERTO HELDER
língua-mãe, puta de língua, que fazer dela?
escorchá-la viva, a cabra!
transá-la?
nenhum autor, nunca mais, nada,
se a mão térmica, se a técnica dessa mão,
que violência, que mansuetude!
que é que se apura da língua múltipla:
paixão verbal do mundo, ritmo, sentido?
que se foda a língua, esta ou outra,
porque o errado é sempre o certo disso
*
espaço que o corpo soma quando se move,
não apenas o espaço mexido pelos dedos, mas
o superlativo,
a dança,
arte dos números,
e o que se inventa e entesoura,
punhados de ouro grosso enquanto se atravessa o sono,
e a matéria sombriamente escrita,
o espaço interno do teu nome, ah o teu
amargo, árduo, agudo,
quente
nome lavra a minha língua louca, digo:
o fósforo e a lixa do teu nome riscam
e calcinam
a língua portuguesa
(Herberto Helder, in "A faca não corta o fogo"/ Assírio & Alvim)
18/03/09
AOS NOSSOS QUERIDOS VISITANTES
A todos os que alimentam com fulgor e sabedoria este blogue, dedicamos este poema de
Miguel-Manso, um dos nossos próximos convidados:
PROVISÃO DE HÁFIZ
os nomes
os navios
as águas
estão a sentir?
(Miguel-Manso, in "Quando Escreve Descalça-se"/Trama Livraria)
AINDA A POESIA DE FILIPA LEAL
HÁ UM GIRASSOL
QUE SÓ SE VIRA DE FRENTE
SE DISSERMOS O SEU NOME.
(Filipa Leal, in "Talvez os Lírios Compreendam"/ Cadernos do Campo Alegre)
17/03/09
DOURO
ou o seu reflexo nas janelas espelhadas.
De um lado
os barcos ancorados,
do outro lado:
barcos - na imediata memória das âncoras.
Deste lado, o porto, ou o cais,
contracenando com a sua própria inexistência
daquele lado.
Existirá aquele rio nos espelhos?
Poderá este subsistir sem as janelas?
Sou dourada como os peixes que te
desabitaram. E, do outro lado, sou
desabitada.
(Filipa Leal, in "Talvez os Lírios Compreendam"/ Cadernos do Campo Alegre)
16/03/09
OS MÚSICOS DAS "QUINTAS"
Lembramos hoje muitos dos músicos que participaram nas nossas sessões e deixaram a sua marca de talento:
Ana Deus
Fernando Rodrigues
Quico Serrano
Miguel Azguime
António Olaio & João Taborda
Ricardo Serrano
Jorge Salgado
João Pedro Coimbra
Khora Emsemble
Margarida Reis
Rogério Pinto
Melissa Fontoura
Pedro Tudela
O Projecto é Grave!
Caetano Veloso
Pedro Abrunhosa
@c
Fátima Santos
Mesa
Pedro Moura, Paulo das Cavernas e João Ricardo
X-Wife
Mário Laginha
Adolfo Luxúria Canibal & António Rafael
Bernardo Sassetti
Luísa Cruz e Jeff Cohen
Alexandre Soares
J.P. Simões
Sílvia Mateus
Álvaro Teixeira Lopes
Plaza
Rui Reininho e Armando Teixeira
Vera Mantero, Vítor Rua e Nuno Rebelo
Old Jerusalem
Henrique Fernandes
João Lima
Mário Teixeira
Aldina Duarte
Lula Pena
Mécanosphère
Paulo Vaz de Carvalho
Domingos António
Dead Combo
Mônica Coteriano & The Take-Away Boys
Tânia Carvalho
The Legendary Tiger Man
Jorge Palma
O'questrada
Bulllet
Paulo Praça e Os Bons Rapazes
Thollem McDonas
Agnes Heginger e Georg Breinschmid
Meme
Eldbjorg Raknes
Amanalupa
Projecto "João Peludo"
Marta Bernardes
Chat
valter hugo mãe
Bruno Pereira
Pedro Pereira
Carlos Bica
João Esteves da Silva
Lucía Aldao
Couple Coffee
Ela não é francesa ele não é espanhol
Mazgani
Tiago Bettencourt
Carlos Maza
Raúl Peixoto da Costa
Slimmy
Ana Free
FALTAM 10 DIAS PARA A SESSÃO COM FILIPA LEAL
No Princípio Era
Não dormia sem o escuro absoluto.
Doíam-lhe os olhos de ter visto cidades,
de ter esquecido gente, do frio
do vidro nas palavras. Demorava tanto
a entender o mundo que agora não dormia
de muita luz que as coisas tinham
antes sequer de serem suas. Trabalhava-se tanto
nesse lugar onde vivia com outros como ela
que às vezes pensava: tão estranho nascer
(quer dizer, nascer mesmo, estar aqui)
para o dia passado com estranhos.
E por isso, no princípio, não dormia
sem procurar o amor, sem beijar na testa
a noite que acabava serena e exausta como a noite.
No princípio era.
Depois esvaziou-se com cuidado.
(Filipa Leal, Janeiro de 2007)
13/03/09
HAVEMOS DE IR A VIANA
Com sorte, seremos projectados muito para lá de Viana.
Participações, sem peias, sem rede:
FILIPA LEAL (poeta convidada)
CARLA MIRANDA, GERMANO'NUNES e PAULO CAMPOS DOS REIS (leituras)
BRUNA CARVALHO e RICARDO VIDAL (dança)
JOSÉ PEREIRA DE SOUSA (violoncelista)
LULA PENA (concerto acústico)
JOANA RÊGO (pintura)
Cento e vinte minutos de pura magia...
OS NOSSOS ENTREVISTADORES
valter hugo mãe
António M. Feijó
Manuel António Pina
Rui Reininho
Anabela Mota Ribeiro
Jorge Reis-Sá
Eucanaã Ferraz
Pedro Abrunhosa
Pedro Eiras
Fernando Alvim
António Mega ferreira
Manuela Veloso
Rosa Maria Martelo
Fernando Pinto do Amaral
Filipa Leal
Fátima Pombo
Alberto Serra
Gabriela Moita
Luís Miguel Queirós
Adolfo Luxúria Canibal
Fernando Galrito
Isabel Lopes Gomes
Miguel Cadilhe
João Pereira Coutinho
Rui Moreira
Ana Salomé
Maria João Seixas
Inês Pedrosa
Dinis Cayolla
Mariana Rocha
Nuno Artur Silva
12/03/09
ESTE POEMA NÃO VAI SER LIDO NA SESSÃO DE FILIPA LEAL
Nesta brisa quase suave
de plantas já anoitecidas
quase te toco entre as regas,
e entristeço.
A tua ausência é tão real
como os vastos campos de girassóis
secos, envelhecidos, quase mortos.
Alugo a voz e a expressão
a par de todos os espaços
deste lugar que se inicia.
Tudo isto é simples:
tenho o coração desarrumado.
Vem.
(Filipa Leal, in "Talvez os Lírios Compreendam"/ Cadernos do Campo Alegre)
11/03/09
O POETA CONVIDADO DE ABRIL
A sessão intitula-se "Bagagem de Mão".
Revelamos hoje o poema que encerrará a sessão:
ESPLANADA
Por vezes os danos apanham-nos de surpresa.
Por vezes pensamos que podemos reparar
os danos. Se soubéssemos cantar, era uma ajuda.
Há pessoas a espreitar pela janela, no seu modo
de tornar as casas um pouco mais habitáveis.
Que importantes nos tornámos, de repente.
Discutimos o mundo com base em
pequenas coisas, pequenas queixas
do glorioso mecanismo do corpo humano.
(O corpo, claro, tem as suas exigências.)
Aquiles, por exemplo, tem passado melhor
do calcanhar. Haverá sempre um lugar para ele
à mesa do Olimpo. Bem-vindo à unidade
de cuidados intensivos, onde as cervejas se querem
frescas e a dividir por todos.
(Vítor Nogueira, in "Comércio Tradicional"/Averno)
10/03/09
OS LIVROS DE FILIPA LEAL
2003
«Lua-Polaroid», Corpos Editora
2004
«Talvez os Lírios Compreendam», Cadernos do Campo Alegre
2006
«A Cidade Líquida e Outras Texturas», Deriva Editores
2008
«O problema de Ser Norte», Deriva Editores
2009
«A Inexistência de Eva», Deriva Editores
FAZ BEM À ALMA LER HERBERTO HELDER PELA MANHÃ.
quem é que sobe do deserto com a sua alumiação,
com abundância,
desequilíbrio,
e mete dentro de mim a água tirada às minas,
e me faz nascer numa língua
que não é contemporânea,
que é arcaica, anacrónica,
epiphânica,
e com essa água crua me ilumina testa,
pálpebras,
espáduas,
o sulco entre as nádegas, as vergonhas tão altas,
tão sombrias,
e me sussurra, entre colmeias, no ar:
sou obscuro, adivinha-me,
e rasga com as duas mãos as madeiras que o cercam,
ou abre as labaredas para que a escuridão se veja,
quem me pergunta por si próprio,
se sei dele,
ou outro assunto excelso, rebarbativo,
peremptório,
ou me arrebata de entre os dentes o pão canino,
ou o nó de ar na boca que eu aprontava para o acto
arrevesado, arrítmico,
do meu texto,
quem faz tremer solos e soalhos e me procura,
e não toca em nada do meu corpo,
nem nas têmporas, nem na veia jugular, nem na ponta de um cabelo,
e a mão apenas se move entre lápis e caderno,
e em chegando ao caderno compõe um abuso de luz,
oh que radiação no corpo e nas suas partes pobres,
que pobres são todas as partes
do corpo, do amor, do louvor, do idioma,
quem sobe ou desce ou irrompe,
quem sem magnificência nenhuma
aparece,
e indaga das práticas autárquicas de água e fogo,
rosto a rosto,
esse mesmo é quem me encontra e quem me sopra na boca
o vulgo, o pouco, o inesperado
(HERBERTO HELDER, in "A faca não corta o fogo"/ Assírio & Alvim)
09/03/09
UM POEMA INÉDITO DE FILIPA LEAL
APOCALYPSE NOW
Minutos antes do fim do mundo, os poetas
retiraram as vírgulas aos textos e os títulos aos textos
e a roupa ao corpo e os anéis aos dedos
porque não havia tempo
para tanta ostentação.
Porém os amantes que, à mesma hora, entretidos
liam um ao outro poemas de amor
no barroco banco do jardim
não imaginavam
o trabalho que aquilo lhes dava.
(Filipa Leal)

UMA CURIOSIDADE
(fotografia de Guilhermina Suggia - George Eastman House Still Photograph - Archive. Aqui.)Na próxima sessão das "Quintas de Leitura" (dia 26 de Março), o violoncelista José Pereira de Sousa vai tocar com o Montagnana que pertenceu a Guilhermina Suggia (1885-1950).
O Montagnana (que tem inscrita uma data que pode ser lida como 1700 ou 1710) é um violoncelo construído pelo italiano Domenico Montagnana (1686-1750).
O instrumento foi avaliado em três milhões de euros e é propriedade da Câmara Municipal do Porto. José Pereira de Sousa, primeiro-violoncelo da ONP, é o actual depositário do instrumento, na sequência de um acordo estabelecido com a Câmara do Porto. Desde há dois anos, o Montagnana é utilizado com regularidade por Pereira de Sousa,
que cuida da sua manutenção e o mantém em actividade.
"Tocar nele é não só dá-lo a ouvir mas também mostrá-lo às pessoas, que assim usufruem deste património único", revelou o músico ao jornal "Público".
Na sessão, José Pereira de Sousa interpretará a Suite nº 1 de Bach.
06/03/09
ALGUÉM ME REPETIA
Na mesa ao lado, chora uma criança que não conhece a memória.
Há uma voz quente que um dia me falou ao ouvido.
Dizia-me.
Tentava explicar-me os ventos, as marés,
o terno refúgio dos dias que estão longe.
Eu julgo que dormia aninhada, com os olhos brilhantes e o coração atento.
Talvez tenha sentido uma mão leve a percorrer-me as costas. Talvez devagar.
Fazia movimentos circulares. Talvez tentasse mostrar-me o caminho.
Dizia-me.
Eu não compreendi porque vivia como se recordasse já.
Não há tempo para o presente quando se está fechado na memória.
Disse.
Não vivia do passado. Não era isso que tentava dizer: Havia em mim a certeza
da recordação futura - como a espiral de onde não se sai.
A voz começou a delirar em círculos. Ofendidos talvez, os círculos.
Eu estava no centro desse som que baixava como se a qualquer momento
pudesse abater-se sobre mim. Sem me sufocar talvez.
Dizia. Dizia.
A linguagem tornava-se cada vez mais estranha e imprópria.
Como nos sonhos em que se procura gritar
talvez agitasse os braços levemente.
Mas nenhuma voz nos cabe nas mãos, nem nas palavras.
Eu habito a quente loucura do poema sólido que em mim se concretiza.
Eu habito a quente loucura do poema sólido que em mim se concretiza.
Alguém repetia.
Mas a voz era cada vez mais líquida e talvez não coubesse no poema.
As mãos arrastavam o corpo para o lugar onde a minha solidão
talvez recordasse a voz. Dizia-me. Para que mais rápido se interrompesse
o dia, para que mais rápido se recordasse
a vida. Eu ia rolando sobre a cama como uma criança em direcção ao abismo.
As mãos voltavam a trazer-me para o centro do círculo.
No silêncio, perderia a consciência. São sempre as vozes que nos trazem
de volta. Talvez.
Era o dia em que me encostei à parede para olhar o círculo, a voz, as mãos.
Como se observasse aquela solidão.
E não houve nada que me pudesse dizer: Talvez.
(Filipa Leal, in "A Cidade Líquida e Outras Texturas"/ Deriva Editores)
05/03/09
SE AO MENOS A CHUVA
no topo de si mesmo
e do monte.
Trepara a encosta
como em pequeno
trepava às árvores:
para ver melhor.
Vivia tão longe da água
que tinha a boca seca.
Agora andava às voltas
cheio de sede
a esgotar-se, a suar:
Porque não paras?,
perguntar-lhe-ia, se pudesse
entrar neste poema.
Não havia nada no cimo de si
nem do monte
- apenas o azul e algumas aves
que respiram mais alto.
A cidade ficava a meio caminho
entre o céu e a terra
(o céu lá para cima, ainda depois do monte,
a terra cá para baixo, um pouco antes da sede).
Ele andava às voltas com a vida:
atirava-lhe pedras, gritava
(se ao menos a chuva! se ao menos a chuva!)
como quem não encontra.
Só mais tarde entendi o que procurava:
um mar.
( Filipa Leal, in "A Cidade Líquida e Outras Texturas"/ Deriva Editores)
04/03/09
"Havemos de ir a Viana"

Filipa Leal e Lula Pena
de regresso às Quintas de Leitura
"Preferia que o ego baixasse como as taxas de juro." (Filipa Leal)
A próxima sessão do ciclo “Quintas de Leitura”, a realizar no Auditório do Teatro Campo Alegre, às 22h00 do próximo dia 26 de Março, marca o regresso a este ciclo poético de duas vozes importantes da cultura portuguesa.
Filipa Leal, a poeta convidada, regressa dezoito meses depois de um espectáculo dedicado ao seu livro “A Cidade Líquida e Outras Texturas”. Lula Pena estreou-se nas “Quintas de Leitura” em Novembro de 2005, num espectáculo dedicado à obra de António Mega Ferreira.
Desta feita, a sessão que junta não apenas Filipa Leal e Lula Pena, mas uma série de outros convidados, intitula-se "Havemos de ir a Viana" e será momento para Filipa nos revelar alguns textos inéditos, juntamente com outros retirados dos seus livros de poemas "O Problema de Ser Norte" (2008) e “A Cidade Líquida e Outras Texturas" (2006).
Palavra, dança, pintura e música são os ingredientes mágicos desta sessão inesquecível.
Nas leituras, a Poeta será acompanhada por germanO' nunes e pelos actores Paulo Campos dos Reis e Carla Miranda. Presença ainda do violoncelista José Pereira de Sousa que interpretará obras de Bach.
No que toca à imagem do espectáculo, a artista plástica Joana Rêgo mostrará dezoito pinturas inéditas, produzidas de raiz para este evento e inspiradas no universo poético de Filipa Leal.
Lula Pena apresentará um concerto de cerca de trinta minutos. Uma das raras oportunidades de ver esta artista a actuar no Porto.
Por fim, refira-se ainda a actuação de Bruna Carvalho e Ricardo Vidal em "Movimentos diferentes, para pessoas diferentes", pequenos solos de dança coreografados por Tânia Carvalho.
As "Quintas de Leitura" darão este ano uma atenção especial às "novíssimas" vozes da poesia portuguesa. Estão já agendadas sessões com os poetas Filipa Leal, Vítor Nogueira, Miguel-Manso e Vasco Gato, alguns dos nomes mais importantes da nova geração de poetas.
Uma noite plena de Poesia, que o obriga a juntar-se a nós.
OS QUE NÃO VIAM
perguntavam: "Estás aí?"
mesmo quando não falavam
ao telefone.
E tudo era pausa
sem a nítida respiração
das coisas.
Tudo era ainda
à espera da voz, do som
natural ou improvável.
Tudo era antes de ser.
Havia também os que viam.
Mas esses, tragicamente,
perguntavam menos.
(Filipa Leal, in "A Cidade Líquida e Outras Texturas"/ Deriva Editores)
03/03/09
REPARTIÇÃO
às vezes no branco
às vezes no traço imperfeito.
Algumas cortavam-se na margem,
rasgavam os dias;
outras queimavam arquivos
com saudades de casa,
cheiravam a mofo.
Garanto-lhe: havia centros
da cidade só para recolher
esses restos de caule.
(Filipa Leal, in "A Cidade Líquida e Outras Texturas"/ Deriva Editores)
NO FUNDO DOS RELÓGIOS
que ainda procura o amor
no fundo dos relógios,
que se abre
como se abrisse os poros solitários
para que neles caiam ossos, vidros, pão.
Demoro-me
no ventre desta cidade
que nenhum navio abandonou
porque lhe faltou a água para a partida,
como por vezes desaparece a estrada
que nos conduz aos lugares
e ali temos que ficar.
(Filipa Leal, in "A Cidade Líquida e Outras Texturas"/ Deriva Editores)
02/03/09
Raul volta e vence

A NOSSA ALDEIA
directa. Uma aldeia de paredes
amarelas cujos habitantes reagiam
à sombra das palavras e as mediam
(de que tamanho o verbo?),
lavavam, preparavam para os outros.
Era uma aldeia onde se decidia a palavra
do dia seguinte, a ideia do dia seguinte,
a vida e a morte do dia seguinte.
Era uma aldeia com um plano:
o plano era simples: o plano era concreto:
o plano era difícil como a luz.
Era uma aldeia interdita na possibilidade
do sol mas tão plena de esforço na linguagem.
Era uma aldeia cujos habitantes só poderiam
comprar uma aldeia com janelas, uma aldeia
cor de mundo, se os outros habitantes,
os que estavam lá fora, lessem realmente
as palavras que eles para eles preparavam.
Era, apesar de tudo, uma velha aldeia
sem ressentimentos.
Porque a nossa aldeia era única.
Era a única aldeia no centro
da cidade.
(Filipa Leal, in "O problema de ser norte" / Deriva Editores)
27/02/09
Já por cá passaram os melhores pianistas do planeta. Faltava o GATO BENEVIDES. Assunto resolvido: ele estará nas "Quintas" em Agosto, abrilhantando a sessão dedicada à obra de Joaquim Carapau, uma das vozes mais líquidas da poesia portuguesa contemporânea.
Bilhetes à venda no bar da praia dos Alteirinhos, Zambujeira do Mar.
João Gesta.
HÁ UM LAGO NA INFÂNCIA
lá para cima
um passo de desarmonia
um vestígio de escadas retiradas
na primeira oportunidade
um lago, há também um lago
na infância sem barco que o possa
atravessar e uma pedreira branca
ambos sem utilidade
e algumas crianças
que pintam a vaga pocilga de pedra
e riem e apanham rãs em vez de fruta
e apanham uvas, também apanham uvas
de outra nacionalidade
e antes de se escrever durante a noite
contra o sono
havia um caminho de terra
incerto apenas nas suas pedras
na útil ambiguidade do solo
(Filipa Leal, in "O problema de ser norte"/ Deriva Editores)
26/02/09
MAIS POESIA DE FILIPA LEAL
Era uma linha fonética no vidro.
Linha como árvore obsessiva deste livro,
como linha verdadeira, como página
que se organiza por causa dela.
Linha que não era de comboio, linha sem agulhas
penduradas, sem linha da mão, sem linha
de gente do outro lado da linha, de gente
que quer manter a linha. Linha fria de transparência,
fria de vidro, de janela deitada, de tentativa de poema.
Linha sem o branco da noite nos outros, sem o pó
da noite nos outros. Assim era a minha linha:
linha realmente fonética, absolutamente inalterável.
AFINAL, A MEMÓRIA
Afinal eram iguais os homens
as mulheres
vistos de cima
quando abanavam ligeiramente a cabeça
para a frente e para trás
ao mesmo tempo,
ou se inclinavam nas horas da infância, da minha infância,
ou quando mexiam no cabelo uns dos outros
para eu adormecer.
Afinal a memória era um lugar parecido
com a memória, e o sonho era um lugar parecido
com a memória, e nós talvez fôssemos todos, na verdade,
parecidos
uns com os outros.
(Filipa Leal, in "O problema de ser norte"/ Deriva Editores)
25/02/09
A POESIA DE FILIPA LEAL
Teve nessa tarde uma criança
desconhecida a segurar-lhe na mão.
Uma criança agarrada com força, uma criança
que apanhou em flagrante a sua mão vazia
e a ocupou como território de criança.
O dia começara assim: primeiro o rio, depois o verde
no terreno da família, agora o mar.
Foi na terceira tentativa que encontrou a criança,
criança a encontrá-la de repente, quando ia caindo
o sol. Criança possessiva agarrada à apatia desse dia
rimado: criança rima com esperança, criança rima.
E ela tão sem linguagem, tão sem versos possíveis,
tão sem a criança anterior. Foi na terceira caminhada,
quando a incerteza parecia cada vez maior, quando
o pensamento não acompanhava o passo decidido
junto à marginal, quando o pai da criança lhe falou
no perigo de dar a mão a estranhos, sem entender que
o verdadeiro perigo
era a mão outra vez vazia de criança.
(Filipa Leal, in "O problema de ser norte"/ Deriva Editores)
Comentário
Caro Senhor:
Venho por este e-mail dar-lhe os parabéns, extensíveis a toda a equipa, por mais uma sessão das "Quintas de Leitura".
Tendo assistido já a várias sessões, continuo a achar que a mais valia destas duas horas, em que nos desligamos do que se passa lá fora e entramos numa realidade pararela levitando sobre os poemas e notas de música, é o cruzamento entre a literatura, a música, as artes plásticas e as próprias performances.
Como leitor, escrevinhador e apreciador de poesia apenas posso desejar continuação de bom trabalho.
Com os melhores cumprimentos,
Tiago Montenegro
23/02/09
FILIPA LEAL NAS "QUINTAS DE LEITURA"
O PESO DOS LIVROS
Pensava que os livros não têm peso. Quero dizer, flutuam no entendimento.
Na memória. Ou melhor: equilibram-se porque não são gente.
Não têm noites, não têm insónias. Não têm sono lá dentro.
Pensava que os livros são menos complexos do que nós. Mesmo quando
não temos linha, quando não temos palavra. Mesmo quando
não conseguimos respirar. Quando pensei nisso,
tive uma vaga noção de título.
E um hálito branco a querer ser página.
(Filipa Leal, in "O problema de ser norte"/ Deriva Editores)
20/02/09
A nossa cidade


19/02/09
PARABÉNS Raúl Peixoto da Costa
Raúl Peixoto da Costa, o jovem pianista que participou na sessão de Quintas de Leitura de Dezembro passado ( sessão de lançamento da antologia Diga 33 - os poetas das Quintas de Leitura), acaba de vencer o primeiro prémio do concurso Alexander Scriabin, no conservatório russo em Paris.
Entre candidatos de todo o mundo, Raúl foi classificado em primeiro lugar e é o único entre os premiados que não é de nacionalidade russa.
Os prémios ainda não foram anunciados porque este concurso (9th INTERNATIONAL PIANO COMPETITION - February 16-19, 2009, Paris) termina hoje.
Na nossa sessão, em 18 de Dezembro, o jovem talento Raúl Peixoto da Costa interpretou ao piano temas de Bach, Chopin e Prokofiev, no grande auditório do TCA, deixando mais de 300 pessoas encantadas com a sua actuação.
Parabéns Raúl.
Fotografia de Sara Moutinho captada durante a actuação de Raúl nas Quintas de Leitura.Conheça o conservatório clicando aqui.











