30/04/09

DIA DA MÃE - POESIA NA ANTENA 1

No próximo Domingo, 3 de Maio, é o Dia dedicado à Mãe.

A exemplo do que aconteceu no DIA MUNDIAL DA POESIA,
as Quintas de Leitura em parceria com a Antena 1,
celebram as mães do mundo com poesia.

Assim, até às 14h00, de hora a hora, a Antena 1 vai emitir poemas e depoimentos dos nossos poetas que, gentilmente, acederam participar nesta iniciativa.

Aqui fica a lista dos autores, cujos poemas foram lidos por Adriana Faria (na foto, no estúdio da Antena 1, no Porto, com Ana Paula Magalhães) e por Paulo Campos dos Reis:

Aldina Duarte - poema inédito

Ana Luisa Amaral

Daniel Maia - Pinto Rodrigues


Jorge Sousa Braga

João Rios

José Luís Peixoto

Manuel António Pina

Maria do Rosário Pedreira - poema inédito

Nuno Júdice - poema inédito

Paulo Campos dos Reis

Paulo Condessa

JÁ HÁ POUCOS BILHETES

"A Rua da Estrada". É o primeiro recital portátil da história das "Quintas". Venha conferir. Com poesia, performance e muita música.
O elenco é de luxo:

Álvaro Domingues (Porto)
Colectivo Poético "O Copo" (Lisboa)
Samuel Úria (Porto)
Lucía Aldao (Galiza)
Pat

e ainda a participação especial de Cindy (Roménia)

Dias 14 (quinta) e 15 (sexta) de Maio - todos os Caminhos vão dar ao TCA.
Compre já o seu bilhete. Depois não se queixe que esgotaram.

MAIS DE 45.000 PÁGINAS VISITADAS DO NOSSO BLOGUE

Obrigado por continuarem a mostrar interesse pelos nossos devaneios poéticos.
Este poema é para todos aqueles que se continuam a emocionar com as "Quintas de Leitura":

cabelos amarrados quentes que se desamarram,
oh quero-te em volta de luz batida,
em língua máxima,
a floração devora as varas,
o ar que se empolga devora-te a obra mulheril,
uns palmos de sangue até à boca sôfrega,
e depois desmanchas-te

*

sou eu que te abro pela boca,
boca com boca,
metido em ti o sôpro até raiar-te a cara,
até que o meu soluço obscuro te cruze toda,
amo-te como se aprendesse desde não sei que morte,
ainda que doa o mundo,
a alegria

(Herberto Helder, in "A Faca Não Corta o Fogo"/ Assírio & Alvim)

29/04/09

25 DE ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!

Um texto fascinante de Mário Cesariny sobre a Liberdade (livre).

Liberdade.
A liberdade conhece-se pelo seu fulgor.
Quatro homens livres não são mais liberdade do que um só. Mas são mais reverbero no mesmo fulgor.
Trocar a liberdade em liberdades é a moda corrente do libertino.
Pode prender-se um homem e pô-lo a pão e água. Pode tirar-se-lhe o pão e não se lhe dar a água. Pode-se pô-lo a morrer, pendurado no ar, ou à dentada, com cães. Mas é impossível tirar-lhe seja que parte for da liberdade que ele é.
Ser-se livre é possuir-se a capacidade de lutar contra o que nos oprime. Quanto mais perseguido mais perigoso. Quanto mais livre mais capaz.
Do cadáver dum homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro - nunca sairá um escravo.

27/04/09

25 de ABRIL



O programador do ciclo Quintas de Leitura, João Gesta, comemora os 35 anos
do 25 de Abril, no Largo do Carmo, em Lisboa, com Salgueiro Maia.
Fotografia: Pat

25 de Abril de 2009 - RTP Online - para ler clicar aqui.




25 de Abril de 2009 - site SIC Online - para ler clicar aqui.



No jornal Portugal Post com data de Maio 2009. (para ler clicar sobre a imagem).
E nos sites do jornal Diário de Notícias e semanário Expresso, com data 25 de Abril de 2009.
Notícias LUSA.


Para ler seguir as ligações das edições online clicando aqui e aqui.

24/04/09

Bagagem de mão - na sessão dedicada à escrita de Vítor Nogueira...









PERFORMANCE: Cristina Delius (sapateado) - Michel Roubaix (acordeão) -
Beatriz Serrão ( percussão)



José Mário Silva apresentou e conversou com o poeta Vítor Nogueira.
Pedro Lamares leu poemas do mais recente livro do autor - "Comércio Tradicional" (2008).


Maria do Céu Ribeiro leu poemas do livro "Senhor Gouveia" (2006).






Paulo Campos dos Reis e Susana Menezes leram poemas do livro "Bagagem de Mão" (2007).














Concerto acústico de MAZGANI.

Fotografias de Sara Moutinho.

23/04/09

O que diz a agência LUSA

Porto, 22 Abr (Lusa) - Mais de 13 mil pessoas assistiram, nos últimos oito anos, às Quintas de Leitura, sessões mensais de poesia que se realizam no Teatro do Campo Alegre (TCA), no Porto, disse hoje à agência Lusa o seu programador, João Gesta.
"É de sublinhar que se trata de sessões pagas e que o custo não é tão pouco como isso, o bilhete sem desconto está agora nos nove euros", disse aquele responsável.
As sessões começaram no espaço Café-Concerto do TCA em Janeiro de 2002, na sequência do encerramento do Pinguim Café, onde Joaquim Castro Caldas, falecido em Agosto de 2008, aos 52 anos, organizou durante muitos anos sessões de poesia, sempre muito concorridas.
"Muito do que sou como programador devo-o ao Joaquim Castro Caldas e o êxito que as Quintas de Leitura são não seria possível sem o trabalho que ele fez durante anos no Pinguim Café, que consolidou a tradição portuense nesta área", disse João Gesta.
O programador já organizou, desde Janeiro de 2002, 88 sessões, seguindo um figurino inovador que se mantém.
As Quintas de Leitura são organizadas em torno de um poeta convidado, cuja poesia é lida por três ou quatro declamadores de um grupo de 15 ligados a esta iniciativa.
O programa inclui sempre um concerto, uma performance (que pode ser dança) e uma imagem própria para cada sessão a cargo de um artista plástico, que pode envolver fotografia e/ou vídeo.
"Escolho o convidado de acordo com o meu gosto pessoal", admitiu João Gesta, 56 anos, leitor "apaixonado e compulsivo" de poesia, que selecciona também os declamadores para cada sessão.
Quanto à parte musical, a selecção é feita após uma conversa com o poeta convidado.
"Procuro respeitar o gosto do poeta. Se gosta de jazz, opto por músicos de jazz, se prefere pop ou outro tipo de música, escolho nessas áreas", disse.
No que toca à imagem, o programador escolhe o artista, podendo o convidado intervir na opção.
"Quanto à performance, a escolha é exclusivamente minha e procuro que o poeta seja o último a saber, é uma surpresa", referiu
Desta forma, João Gesta consegue atrair 150, 200 ou 300 pessoas para cada uma das Quintas de Leitura, desde há oito anos.
O Café-Concerto do TCA já se tornou pequeno, pelo que as sessões se realizam agora no grande auditório, muitas vezes cheio.
"Este êxito surpreende sobretudo os convidados de Lisboa, que muitas vezes me dizem que na capital não seria possível encher uma sessão de poesia com bilhetes pagos", disse João Gesta.
Na sessão desta quinta-feira, às 22:00, o Auditório do TCA recebe Vítor Nogueira, nome da novíssima poesia portuguesa que apresentará o seu livro "Bagagem de mão", em conversa com o jornalista, crítico literário e (também) poeta José Mário Silva.
As leituras, a cargo de Maria do Céu Ribeiro, Paulo Campos dos Reis, Pedro Lamares e Susana Menezes, incidem sobre os três mais recentes livros de poemas de Vítor Nogueira: "Senhor Gouveia" (2006), "Bagagem de Mão" (2007) e "Comércio Tradicional" (2008).
A imagem da sessão é do artista digital Paulo Araújo (uma estreia nas Quintas de Leitura) e a performance é da bailarina de sapateado Cristina Delius, que vem propositadamente de Berlim.
"Foi a Cristina Delius, que é portuguesa, casada com um alemão e vive há muito em Berlim, que tomou a iniciativa e me enviou um DVD com o seu trabalho. Eu não a conhecia. Achei fantástico e vai ser ela a surpresa do Vítor Nogueira", disse João Gesta.
A sessão completa-se com o regresso às "Quintas" de Mazgani, num concerto a solo que percorrerá todos os temas do CD "Song of the new heart".
Shahryar Mazgani é um luso-iraniano radicado desde os 5 anos em Portugal, cujo CD de estreia, "Song of the New Heart", o levou a ser considerado pela prestigiada revista francesa "Les Inrockuptibles" como um dos 20 músicos mais promissores da Europa.

PF.
Lusa/Fim

Notícia publicada hoje no jornal O Primeiro de Janeiro e no jornal Notícias da Manhã.
Fonte: Lusa
Para ler clicar sobre a imagem.




No jornal Público de hoje - P2.
(para ler clicar sobre as imagens)


Na secção de cultura do Jornal de Notícias de hoje.

HOJE É DIA DE "QUINTAS"

Eles vão BRILHAR:

VÍTOR NOGUEIRA
JOSÉ MÁRIO SILVA
MARIA DO CÉU RIBEIRO
PAULO CAMPOS DOS REIS
PEDRO LAMARES
SUSANA MENEZES
CRISTINA DELIUS
MICHEL ROUBAIX
BEATRIZ SERRÃO
PAULO ARAÚJO
MAZGANI

Duas horas de espectáculo. As "Quintas de Leitura" no seu melhor. Depois de nós, o abismo.

22/04/09

NENHUMA RAZÃO

Nenhuma razão é suficientemente simples.
As viagens que fazemos são apenas
as viagens que fazemos, não nos levam
a sítios metafóricos.

Entretanto, as árvores crescem, como sempre
devagar, e a cidade até parece bem pensada,
de repente com a luz no ângulo certo. Nem tudo
está perdido. Deixo a moeda do costume
ao arrumador de serviço, cada vez mais velho
e educado. «Para tomar um cafezinho.»

Só é pena continuarmos, como ele, tão fiéis
ao automóvel, máquina de vir inspeccionar
o estado em que se encontra esta parede,
no limite sul da nossa estreita liberdade.

Em todo o caso, é para isso que aqui estamos,
para nos castigarmos: o mundo só é assim
porque o escolhemos desta forma, pequenino
como qualquer sala de estar. Há outras hipóteses,
obviamente, outros modos, corajosos, de partir.

Por exemplo, o rapaz do restaurante, nesta rua
de Lisboa. Que ambição cala por detrás do sotaque
brasileiro? O que viu ele neste lugar
tão do outro lado de tudo?

(Vítor Nogueira, in "Bagagem de Mão"/&etc)

AINDA HÁ BILHETES

TUDO AMANHÃ:

- ESTREIA DO POETA VÍTOR NOGUEIRA NAS "QUINTAS DE LEITURA"
- CONCERTO DE MAZGANI
- ESTREIA NAS "QUINTAS" DA ESTRELA EUROPEIA DE SAPATEADO CRISTINA DELIUS, ACOMPANHADA POR MICHEL (ACORDEÃO) E BEATRIZ SERRÃO (PERCUSSÃO)


PROMETA-NOS QUE NÃO FICA EM CASA!

21/04/09

AJUDE-NOS A ENCONTRAR UM TÍTULO PARA ESTA SESSÃO

No dia 29 de Outubro teremos uma explosiva sessão das "Quintas", cheia de poesia, de música e do que mais se verá.

Vejam este elenco fabuloso:

Poetas convidados
Nuno Moura, Daniel Jonas, A. Pedro Ribeiro e João Rios

Responsável pela imagem
Mário Vitória

Música
concerto dos "Moliquentos" com Tânia Carvalho (voz e piano), Bruna Carvalho (bateria) e Zeca Iglésias (guitarra)

Performance
Mônica Coteriano & Pedro Gonçalves (Dead Combo) apresentam "The Story of My Life".

Uma sessão do outro mundo. Impossível ficar em casa.

FAZES-ME FALTA

Fotografia captada no espectáculo dedicado a Filipa Leal
«Cidade Líquida» , no TCA, em Setembro de 2007.



A Suzana Menezes, a nossa querida Naná, está grávida. Muito grávida, digo eu. Fará na próxima quinta-feira o seu último recital, antes de ter a Matilde. Lá para meados de Junho.
Dedicamos à Naná, teclado à altura do coração, um poema de Amor. Belo, como ela:

POEMA

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

(Mário Cesariny, in "Pena Capital"/ Assírio & Alvim)

20/04/09

OS HERÓIS DA PRÓXIMA "QUINTA"

Todos ao serviço da Poesia, do Sonho, da Magia:

VÍTOR NOGUEIRA
MAZGANI
JOSÉ MÁRIO SILVA
PAULO ARAÚJO
MARIA DO CÉU RIBEIRO
PAULO CAMPOS DOS REIS
PEDRO LAMARES
SUSANA MENEZES
CRISTINA DELIUS
MICHEL ROUBAIX
BEATRIZ SERRÃO


Junte-se a nós. Noites com sangue na guelra.

ESTE POEMA DE VÍTOR NOGUEIRA ENCERRA A SESSÃO DA PRÓXIMA "QUINTA DE LEITURA"

ESPLANADA

Por vezes os danos apanham-nos de surpresa.
Por vezes pensamos que podemos reparar
os danos. Se soubéssemos cantar, era uma ajuda.
Há pessoas a espreitar pela janela, no seu modo
de tornar as casas um pouco mais habitáveis.

Que importantes nos tornámos, de repente.
Discutimos o mundo com base em
pequenas coisas, pequenas queixas
do glorioso mecanismo do corpo humano.
(O corpo, claro, tem as suas exigências.)

Aquiles, por exemplo, tem passado melhor
do calcanhar. Haverá sempre um lugar para ele
à mesa do Olimpo. Bem-vindo à unidade
de cuidados intensivos, onde as cervejas se querem
frescas e a dividir por todos.

(Vítor Nogueira, in "Comércio tradicional")

18/04/09

MUSAS

Apolo, chamemos-lhe assim,
é caixeiro-viajante «por acaso», mas
quer tirar enfermagem. Diz que escreve poesia
- está visto, pode acontecer a qualquer um.
Em cima do escadote, o farol do comércio tradicional
organiza a prateleira das águas-de-colónia.
Tudo lhe parece um pouco excessivo.

Apolo insiste numa espécie de sermão
de Santo António aos desodorizantes:
alexandrinos e decassílabos,
arquitecturas de grande entusiasmo,
a nossa relação com a História,
seres iluminados que alcançam o Nirvana.

Mas, de novo, as leis do «acaso»
desempenham um papel importante:
pede-se ao dono do Fiat branco que o afaste,
ou será rebocado. Aí vai ele, o viajante.
De algum modo, a poesia é difícil para todos.
Basicamente, não fazemos a menor ideia
do que se passa no mundo.

(Vítor Nogueira, in "Comércio Tradicional"/Averno)