23/01/09
22/01/09
Hoje é dia de super poeta
valter hugo mãe, nas "Quintas de Leitura":
o super homem
vesti o meu fato de
super homem por baixo da
roupa de todos os dias quando
fui ouvir o que o médico
tinha para dizer sobre a
operação da minha
mãe. eu morri mil vezes
quando a operaram, iam
partir-lhe o osso do peito e
isso é tão avesso ao que
espero dela. até digo às
crianças que não corram em seu
redor, tem quase setenta anos e
está cansada e não é bom que caia ou
sequer se aflija. partiram-lhe o
osso do peito. fizeram-no porque
é assim que se faz, dizem, e eu,
secretamente com o meu fato de
super homem, supostamente
preparado para tudo, morri mil vezes
e, mesmo depois das boas palavras do
médico, ando lento, tão atrasado
nas ressurreições
(valter hugo mãe, "folclore íntimo" / Cosmorama Edições)
o super homem
vesti o meu fato de
super homem por baixo da
roupa de todos os dias quando
fui ouvir o que o médico
tinha para dizer sobre a
operação da minha
mãe. eu morri mil vezes
quando a operaram, iam
partir-lhe o osso do peito e
isso é tão avesso ao que
espero dela. até digo às
crianças que não corram em seu
redor, tem quase setenta anos e
está cansada e não é bom que caia ou
sequer se aflija. partiram-lhe o
osso do peito. fizeram-no porque
é assim que se faz, dizem, e eu,
secretamente com o meu fato de
super homem, supostamente
preparado para tudo, morri mil vezes
e, mesmo depois das boas palavras do
médico, ando lento, tão atrasado
nas ressurreições
(valter hugo mãe, "folclore íntimo" / Cosmorama Edições)
21/01/09
o poema que abre a sessão
gordo e careca
onde vais, valter hugo mãe, tão sem ter
com quem, tão precipitado no vazio do
caminho à procura de quê
porque não ficas em casa, resignadamente só, a
ver como a vida se gasta sem culpa nem glória
és um rapaz estranho, valter hugo mãe, aí metido
num amor nenhum que te magoa e esperas ter
lugar no mundo, com tanto que o mundo tem de distraído
devias morrer no dia dezoito de março de
mil novecentos e noventa e seis, como dizes que
vai acontecer, para que se acabe essa
imprecisa sentença que é a vida
volta a fechar a porta, não há nada para ti lá fora
e está frio, tens reumatismo, dói-te a cabeça, estás
gordo e careca, não faz sentido sequer que
tentes chegar às luzes esbatidas da marginal, ainda
que seja só ao lado menos percorrido pelos banhistas
volta a fechar a porta e talvez durmas, está um
agradável silêncio no prédio, tenho a certeza de que
reparaste nisso
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
onde vais, valter hugo mãe, tão sem ter
com quem, tão precipitado no vazio do
caminho à procura de quê
porque não ficas em casa, resignadamente só, a
ver como a vida se gasta sem culpa nem glória
és um rapaz estranho, valter hugo mãe, aí metido
num amor nenhum que te magoa e esperas ter
lugar no mundo, com tanto que o mundo tem de distraído
devias morrer no dia dezoito de março de
mil novecentos e noventa e seis, como dizes que
vai acontecer, para que se acabe essa
imprecisa sentença que é a vida
volta a fechar a porta, não há nada para ti lá fora
e está frio, tens reumatismo, dói-te a cabeça, estás
gordo e careca, não faz sentido sequer que
tentes chegar às luzes esbatidas da marginal, ainda
que seja só ao lado menos percorrido pelos banhistas
volta a fechar a porta e talvez durmas, está um
agradável silêncio no prédio, tenho a certeza de que
reparaste nisso
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
A NATUREZA REVOLUCIONÁRIA DA FELICIDADE
Amanhã o céu estará estrelado para os lados do TCA.
Entregaremos a nossa felicidade nas mãos dos seguintes artistas:
valter hugo mãe - o grande responsável
Bruno Pereira - performance musical
Pedro Pereira - piano (directamente de Moscovo para as "Quintas")
Isaque Ferreira - leituras
Pedro Lamares - leituras
Maria do Céu Ribeiro - leituras
Slimmy e a sua banda - concerto acústico
Marco Oliveira - apresentação do novo genérico das "Quintas"
Prometemos: 150 minutos de pura Poesia.
Entregaremos a nossa felicidade nas mãos dos seguintes artistas:
valter hugo mãe - o grande responsável
Bruno Pereira - performance musical
Pedro Pereira - piano (directamente de Moscovo para as "Quintas")
Isaque Ferreira - leituras
Pedro Lamares - leituras
Maria do Céu Ribeiro - leituras
Slimmy e a sua banda - concerto acústico
Marco Oliveira - apresentação do novo genérico das "Quintas"
Prometemos: 150 minutos de pura Poesia.
20/01/09
Um mundo de boas pessoas
Carlos Vaz Marques entrevistou valter hugo mãe para o programa Pessoal e Transmissível da TSF ( emitido a 29 de Setembro de 2008) .
À pergunta: qual é a sua crença mais profunda? valter responde:
"Acredito que este ainda vai ser um mundo de boas pessoas!"
O som desta conversa está online aqui:
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=1019588
À pergunta: qual é a sua crença mais profunda? valter responde:
"Acredito que este ainda vai ser um mundo de boas pessoas!"
O som desta conversa está online aqui:
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=1019588
Uma notícia atrasada
a poesia de valter hugo mãe
Este é o poema que escolhemos para a folha de sala da sessão da próxima quinta-feira. Será lido por Maria do Céu Ribeiro.
esplendorosa borboleta de sangue
todos os monstros têm o teu
nome, de mais ou menos bocas, grandes ou
pequenas milhares de patas, sangue jorrando ou
líquenes desfeitos, todos os monstros têm
o teu nome e por ofício perseguem-me. entram
por mim no soalheiro mundo dos
homens, usam a minha incúria
eu sou
uma esplendorosa borboleta de sangue. um
ser que voa no coração
e cada monstro virá dizer que me ama e
saberá convencer-me a suportar os seus
tentáculos, a apreciar até os beijos nos
orifícios mucosos por onde expele a
língua e será capaz de me fazer querer o
esbracejar nocturno dos seus gestos
e eu direi o teu nome e nunca me
enganarei
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
esplendorosa borboleta de sangue
todos os monstros têm o teu
nome, de mais ou menos bocas, grandes ou
pequenas milhares de patas, sangue jorrando ou
líquenes desfeitos, todos os monstros têm
o teu nome e por ofício perseguem-me. entram
por mim no soalheiro mundo dos
homens, usam a minha incúria
eu sou
uma esplendorosa borboleta de sangue. um
ser que voa no coração
e cada monstro virá dizer que me ama e
saberá convencer-me a suportar os seus
tentáculos, a apreciar até os beijos nos
orifícios mucosos por onde expele a
língua e será capaz de me fazer querer o
esbracejar nocturno dos seus gestos
e eu direi o teu nome e nunca me
enganarei
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
19/01/09
OS POETAS CONVIDADOS DAS "QUINTAS"
22 de Janeiro
valter hugo mãe
"a natureza revolucionária da felicidade"
19 de Fevereiro
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
"O acervo da quietude"
26 de Março
Filipa Leal
"Havemos de ir a Viana"
23 de Abril
Vítor Nogueira
"Bagagem de mão"
"Quintas de Leitura" - a força da palavra.
valter hugo mãe
"a natureza revolucionária da felicidade"
19 de Fevereiro
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
"O acervo da quietude"
26 de Março
Filipa Leal
"Havemos de ir a Viana"
23 de Abril
Vítor Nogueira
"Bagagem de mão"
"Quintas de Leitura" - a força da palavra.
a poesia de valter hugo mãe
nenhum amor escapa impune
deixa-me perguntar se te
pareço tão assustado assim. não
me sinto deslocado, talvez curioso, mas
nem surpreso. algo em ti me puxa
sempre ao sentimento, mesmo antes de
te conhecer, lembras-te, uma propensão para
te tratar bem, cuidar, vulnerabilizar os meus
modos, recusar admitir que, também eu, sou
capaz de crueldades quotidianas e
impunes. queria conversar contigo
sobre o nelson, que foi ver as coisas a
arder fotografando a própria
pele. queria falar-te da isabel e de como
choramos juntos, muito maricas, quando
nos correm mal estes amores ou, pior, a
nossa amizade. esta noite sonhei contigo e
achei graça dizer-te que cheirava mal
na nossa cama. que me incomodou a luz a entrar
pela persiana por fechar. que ouvi com dor o
orgasmo da vizinha de baixo
queria que soubesses que também eu
poderia ter ardido para o nelson
fotografar. queria que soubesses que
também poderia parar de chorar pela
isabel. queria que soubesses que o faria
exclusivamente
para arruinar o meu coração se fosse a
tua vontade e com isso te deixasse em
paz. faria qualquer coisa, ainda que
quisesse morrer a seguir, faria qualquer coisa que,
por um instante, te pusesse
a pensar em mim
(valter hugo mãe, "folclore íntimo", Cosmorama Edições)
deixa-me perguntar se te
pareço tão assustado assim. não
me sinto deslocado, talvez curioso, mas
nem surpreso. algo em ti me puxa
sempre ao sentimento, mesmo antes de
te conhecer, lembras-te, uma propensão para
te tratar bem, cuidar, vulnerabilizar os meus
modos, recusar admitir que, também eu, sou
capaz de crueldades quotidianas e
impunes. queria conversar contigo
sobre o nelson, que foi ver as coisas a
arder fotografando a própria
pele. queria falar-te da isabel e de como
choramos juntos, muito maricas, quando
nos correm mal estes amores ou, pior, a
nossa amizade. esta noite sonhei contigo e
achei graça dizer-te que cheirava mal
na nossa cama. que me incomodou a luz a entrar
pela persiana por fechar. que ouvi com dor o
orgasmo da vizinha de baixo
queria que soubesses que também eu
poderia ter ardido para o nelson
fotografar. queria que soubesses que
também poderia parar de chorar pela
isabel. queria que soubesses que o faria
exclusivamente
para arruinar o meu coração se fosse a
tua vontade e com isso te deixasse em
paz. faria qualquer coisa, ainda que
quisesse morrer a seguir, faria qualquer coisa que,
por um instante, te pusesse
a pensar em mim
(valter hugo mãe, "folclore íntimo", Cosmorama Edições)
16/01/09
"QUINTAS" COM MUITA MÚSICA
Anunciamos hoje, em primeira mão, os concertos que nos esperam nos próximos meses no TCA, no âmbito do ciclo "Quintas de Leitura".
22 de Janeiro:
Slimmy
Pedro Pereira (piano)
19 de Fevereiro:
Ana Free
Álvaro Teixeira Lopes (piano)
26 de Março:
Lula Pena
23 de Abril:
Mazgani
14 e 15 de Maio:
Lucía Aldao (Galiza)
Os Garfunkels
18 de Junho:
Aldina Duarte
As "Quintas" dão-lhe boas razões para não ficar em casa. Atreva-se.
22 de Janeiro:
Slimmy
Pedro Pereira (piano)
19 de Fevereiro:
Ana Free
Álvaro Teixeira Lopes (piano)
26 de Março:
Lula Pena
23 de Abril:
Mazgani
14 e 15 de Maio:
Lucía Aldao (Galiza)
Os Garfunkels
18 de Junho:
Aldina Duarte
As "Quintas" dão-lhe boas razões para não ficar em casa. Atreva-se.
a poesia de valter hugo mãe
burocracia do fim de uma longa amizade
serve para lhe dizer, senhor
a. n., que depois do que
me fez, levei ao lixo cada objecto
que conservava a sua memória e que
eduquei a cabeça a pensar só em
excrementos sempre que por inércia
me quiser aborrecer com lembranças
do que vivi perto de si. que tolice, a
cabeça prega-nos truques, mas com o
presente estará sanado o vício e o
senhor, de vício, passará a ser um
cidadão livre da minha admiração e
cuidado. vai escrito aos dias vinte
de abril de dois mil e sete e vigora
em território nacional e comunitário
por aplicação directa e no resto do
mundo por força dos acordos tácitos
de quem tem vergonha na cara. no mais,
saiba que este poema o obriga a não
chegar à minha pessoa a menos de
vinte mil metros e a não me dirigir
palavra. com vocação para toda a
vida, este poema não é nada comparado
com a traição de que foi capaz. já penso
em excrementos quando escrevo
estes últimos versos e o meu coração
fecha-se naturalmente a toda e qualquer
ternura da sua amizade
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama Edições)
serve para lhe dizer, senhor
a. n., que depois do que
me fez, levei ao lixo cada objecto
que conservava a sua memória e que
eduquei a cabeça a pensar só em
excrementos sempre que por inércia
me quiser aborrecer com lembranças
do que vivi perto de si. que tolice, a
cabeça prega-nos truques, mas com o
presente estará sanado o vício e o
senhor, de vício, passará a ser um
cidadão livre da minha admiração e
cuidado. vai escrito aos dias vinte
de abril de dois mil e sete e vigora
em território nacional e comunitário
por aplicação directa e no resto do
mundo por força dos acordos tácitos
de quem tem vergonha na cara. no mais,
saiba que este poema o obriga a não
chegar à minha pessoa a menos de
vinte mil metros e a não me dirigir
palavra. com vocação para toda a
vida, este poema não é nada comparado
com a traição de que foi capaz. já penso
em excrementos quando escrevo
estes últimos versos e o meu coração
fecha-se naturalmente a toda e qualquer
ternura da sua amizade
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama Edições)
15/01/09
a poesia de valter hugo mãe
coisas por acontecer, dois
vou morrer no dia dezoito de março de
mil novecentos e noventa e seis com
apenas vinte e quatro anos. pouco me
importa chegar a velho ou cumprir os
sonhos, porque já não saberei sonhar e
estarei morto a partir desse dia
tombarei o corpo para um largo
túmulo, onde poderá afeiçoar-se à morte
lentamente, concebendo algum
movimento, mas onde encontrará um
silêncio agreste ante todas as
tentativas de expressão,
e onde quem se abeire
o faça com a ilusão mesma dos
contactos entre dimensões, fugazes,
assustadores, mórbidos
no dia dezoito de março de mil novecentos e
noventa e seis as coisas mais pequenas
da terra serão já maiores do que
eu, na importância, no tempo, e estarão
ao nível dos meus olhos e nada mais
deverá ser o meu objectivo senão
partir definitivamente
hoje, sete de junho de dois mil e sete,
tenho trinta e cinco anos e sei
exactamente quando morri. o que aqui
têm é luz refractada e a
resistência ultrajante da palavra
(valter hugo mãe, "folclore íntimo" / Cosmorama Edições)
vou morrer no dia dezoito de março de
mil novecentos e noventa e seis com
apenas vinte e quatro anos. pouco me
importa chegar a velho ou cumprir os
sonhos, porque já não saberei sonhar e
estarei morto a partir desse dia
tombarei o corpo para um largo
túmulo, onde poderá afeiçoar-se à morte
lentamente, concebendo algum
movimento, mas onde encontrará um
silêncio agreste ante todas as
tentativas de expressão,
e onde quem se abeire
o faça com a ilusão mesma dos
contactos entre dimensões, fugazes,
assustadores, mórbidos
no dia dezoito de março de mil novecentos e
noventa e seis as coisas mais pequenas
da terra serão já maiores do que
eu, na importância, no tempo, e estarão
ao nível dos meus olhos e nada mais
deverá ser o meu objectivo senão
partir definitivamente
hoje, sete de junho de dois mil e sete,
tenho trinta e cinco anos e sei
exactamente quando morri. o que aqui
têm é luz refractada e a
resistência ultrajante da palavra
(valter hugo mãe, "folclore íntimo" / Cosmorama Edições)
14/01/09
a poesia de valter hugo mãe
a morte em três dimensões
o diabo ganiu de fúria quando me viu,
baixou a cabeça cem metros e encarou-me
pequeno e insignificante. por momentos,
não fez nada. reparei nos mutilados que me
traziam instrumentos de corte quando alguém me
ateou o fogo. depois, ele disse,
podes começar por oferecer os pulmões à
fome dos outros. no inferno
não se respira
e eu usei a adaga
para furar a pele e abrir caminho entre as
costelas. com a própria mão retirei
os pulmões e estendi-os no chão, pequenos,
fatiados
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
o diabo ganiu de fúria quando me viu,
baixou a cabeça cem metros e encarou-me
pequeno e insignificante. por momentos,
não fez nada. reparei nos mutilados que me
traziam instrumentos de corte quando alguém me
ateou o fogo. depois, ele disse,
podes começar por oferecer os pulmões à
fome dos outros. no inferno
não se respira
e eu usei a adaga
para furar a pele e abrir caminho entre as
costelas. com a própria mão retirei
os pulmões e estendi-os no chão, pequenos,
fatiados
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
13/01/09
a poesia de valter hugo mãe
metamorfose
nós, os rapazes, dizíamos que as
raparigas eram burras e íamos pescar
ou saltar muros à cata de gatos vadios.
lentamente, o nosso corpo foi pedindo
explicações mais complexas sobre os
preconceitos infantis e as raparigas
começaram a chegar mais perto. eu
dizia-lhes que guardava um tronco de
árvore entre as pernas. elas queriam ver e
eu mostrava. a cabeça das raparigas
tornou-se um enorme fruto
a ser colhido
anos mais tarde, eu era o romeo castellucci e
caía em pó dos lugares como se
o movimento bastasse para definir a
felicidade. estar diante das raparigas e
amá-las era só a linha de um braço ou
de uma perna desenhando na luz a
minha tão sensível presença
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama Edições)
nós, os rapazes, dizíamos que as
raparigas eram burras e íamos pescar
ou saltar muros à cata de gatos vadios.
lentamente, o nosso corpo foi pedindo
explicações mais complexas sobre os
preconceitos infantis e as raparigas
começaram a chegar mais perto. eu
dizia-lhes que guardava um tronco de
árvore entre as pernas. elas queriam ver e
eu mostrava. a cabeça das raparigas
tornou-se um enorme fruto
a ser colhido
anos mais tarde, eu era o romeo castellucci e
caía em pó dos lugares como se
o movimento bastasse para definir a
felicidade. estar diante das raparigas e
amá-las era só a linha de um braço ou
de uma perna desenhando na luz a
minha tão sensível presença
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama Edições)
12/01/09
a poesia de valter hugo mãe
a última vez
organizei uma festa para a qual
convidei apenas os meus
amigos suicidas. fazemos tudo como
se fosse a última vez
queres vir ao meu inferno
gostava de te mostrar as pequenas
cabeças falantes guardadas nos lugares mais
escuros da minha casa. gostava que
ouvisses o que dizem
os mortos, encostados às paredes e com
problemas de equilíbrio, disciplinam-se
lentamente. vês a minha casa
vou buscar o meu coração. guardei-o aqui
algures e, por ti, tenho a certeza, vale a
pena voltar a encontrá-lo e correr todos os
riscos de novo
cuidado com o cão, não morde, mas é
pesado e pode tirar-te o fôlego com as
patas no peito e depois vou querer
beijar-te
achas que podes não morrer antes
há champanhe e bolo de chocolate
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
organizei uma festa para a qual
convidei apenas os meus
amigos suicidas. fazemos tudo como
se fosse a última vez
queres vir ao meu inferno
gostava de te mostrar as pequenas
cabeças falantes guardadas nos lugares mais
escuros da minha casa. gostava que
ouvisses o que dizem
os mortos, encostados às paredes e com
problemas de equilíbrio, disciplinam-se
lentamente. vês a minha casa
vou buscar o meu coração. guardei-o aqui
algures e, por ti, tenho a certeza, vale a
pena voltar a encontrá-lo e correr todos os
riscos de novo
cuidado com o cão, não morde, mas é
pesado e pode tirar-te o fôlego com as
patas no peito e depois vou querer
beijar-te
achas que podes não morrer antes
há champanhe e bolo de chocolate
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
a poesia de valter hugo mãe
a natureza revolucionária da felicidade
quem deixou sobre o coração
um feixe de luz
não cega nunca
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama Edições)
quem deixou sobre o coração
um feixe de luz
não cega nunca
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama Edições)
09/01/09
a poesia de valter hugo mãe
fim
tentei matar-me no dia onze de julho de
dois mil e seis. o sol era intenso mas
os meus olhos perderam de tal modo a luz,
que a própria faca brilhando se tornou
apenas um animal de dentes afiados que
me feriu os dedos mas não se deixou
apanhar. a morte fugiu-me assim. foi o
mais estranho que me aconteceu e pode
só isso ser o mais peculiar que tenho
para deixar dito, deitando por terra qualquer
obra, qualquer outro poema, que soará,
seguramente, uma redundância depois
que a vida se prolonga para lá do fracasso
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama Edições)
tentei matar-me no dia onze de julho de
dois mil e seis. o sol era intenso mas
os meus olhos perderam de tal modo a luz,
que a própria faca brilhando se tornou
apenas um animal de dentes afiados que
me feriu os dedos mas não se deixou
apanhar. a morte fugiu-me assim. foi o
mais estranho que me aconteceu e pode
só isso ser o mais peculiar que tenho
para deixar dito, deitando por terra qualquer
obra, qualquer outro poema, que soará,
seguramente, uma redundância depois
que a vida se prolonga para lá do fracasso
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama Edições)
Foi você que pediu uma noite intensa e revolucionária?
Valter hugo mãe e Slimmy como nunca os viu
a natureza revolucionária da felicidade
quem deixou sobre o coração
um feixe de luz
não cega nunca
(valter hugo mãe)
As "Quintas de Leitura" abrem o ano, na noite de 22 de Janeiro, às 22h00, com o Poeta valter hugo mãe, como habitualmente. Esta é a quinta "aparição" neste ciclo poético do escritor que em 2007 foi Prémio Literário José Saramago.
Nesta sessão, intitulada "a natureza revolucionária da felicidade", valter mostrará todas as suas ricas e variadas facetas artísticas. Contará histórias, cantará, mostrará desenhos e fotografias de sua autoria e divulgará textos inéditos escritos para as vozes e alma de Isaque Ferreira e Pedro Lamares. Registe-se ainda a estreia nas "Quintas" da actriz Maria do Céu Ribeiro que lerá cinco poemas do mais recente livro de valter hugo mãe - "folclore íntimo".
Na primeira parte da sessão actuará ainda o pianista Pedro Pereira, um dos mais promissores e laureados pianistas nacionais. Pedro Pereira frequenta actualmente o Conservatório Tchaikovsky de Moscovo. O pianista desloca-se a Portugal para actuar nas "Quintas de leitura" e, oito dias depois, no Theatro Circo de Braga.
O músico Slimmy fechará a noite em beleza. Aliando um visual irreverente com um estilo musical viciante, Slimmy é um dos grandes fenómenos actuais da música portuguesa. Prepare-se para um imperdível concerto acústico, em que Slimmy (voz e guitarra) se fará acompanhar pelos músicos Garcez (bateria), Garim (voz e baixo) e ainda Quico Serrano (piano).
Espectáculo para maiores de 16 anos.
a natureza revolucionária da felicidade
quem deixou sobre o coração
um feixe de luz
não cega nunca
(valter hugo mãe)
As "Quintas de Leitura" abrem o ano, na noite de 22 de Janeiro, às 22h00, com o Poeta valter hugo mãe, como habitualmente. Esta é a quinta "aparição" neste ciclo poético do escritor que em 2007 foi Prémio Literário José Saramago.
Nesta sessão, intitulada "a natureza revolucionária da felicidade", valter mostrará todas as suas ricas e variadas facetas artísticas. Contará histórias, cantará, mostrará desenhos e fotografias de sua autoria e divulgará textos inéditos escritos para as vozes e alma de Isaque Ferreira e Pedro Lamares. Registe-se ainda a estreia nas "Quintas" da actriz Maria do Céu Ribeiro que lerá cinco poemas do mais recente livro de valter hugo mãe - "folclore íntimo".
Na primeira parte da sessão actuará ainda o pianista Pedro Pereira, um dos mais promissores e laureados pianistas nacionais. Pedro Pereira frequenta actualmente o Conservatório Tchaikovsky de Moscovo. O pianista desloca-se a Portugal para actuar nas "Quintas de leitura" e, oito dias depois, no Theatro Circo de Braga.
O músico Slimmy fechará a noite em beleza. Aliando um visual irreverente com um estilo musical viciante, Slimmy é um dos grandes fenómenos actuais da música portuguesa. Prepare-se para um imperdível concerto acústico, em que Slimmy (voz e guitarra) se fará acompanhar pelos músicos Garcez (bateria), Garim (voz e baixo) e ainda Quico Serrano (piano).
Espectáculo para maiores de 16 anos.
08/01/09
a poesia de valter hugo mãe
mieloma, um
os bichos já devem ter
comido o corpo do meu pai.
a casa já expirou pulmões cheios
o seu odor. já todos vieram
ver, inclinaram as cabeças
para trás e cacarejaram. nós
somos outros, parecidos e
discretos, mas outros. por isso
agradecemos a visita mas
perante a morte ficamos
irremediavelmente sós
a morte do meu pai não
vos diz respeito. vão-se embora.
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama Edições)
os bichos já devem ter
comido o corpo do meu pai.
a casa já expirou pulmões cheios
o seu odor. já todos vieram
ver, inclinaram as cabeças
para trás e cacarejaram. nós
somos outros, parecidos e
discretos, mas outros. por isso
agradecemos a visita mas
perante a morte ficamos
irremediavelmente sós
a morte do meu pai não
vos diz respeito. vão-se embora.
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama Edições)
07/01/09
a poesia de valter hugo mãe
inês subtil
talvez seja o momento de te dizer
que sou da mais vil beleza, feito de
amar entre os homens apenas as coisas
mais efémeras
talvez seja o momento de te dizer
que me cresceram os teus seios mais
jovens, numa indisfarçável necessidade de
que me pertençam entre as coisas
que te cedo
talvez seja o momento de te dizer
que o teu corpo mulher é um exagero do
meu deus, generoso mais do que nunca na
liberdade da minha fome
não estou certo de que seja o momento de
pedir mais ainda, quando te roubo a alma e
aos poucos a entorno pelo caminho até ao
outrora vazio do meu coração
como não sei se será certo padecer de alguma
felicidade imprudentemente, naquele
miudinho perigoso de estar quase a
morrer de amor por ti
também eu me sinto capaz de desmaiar com
um orgasmo. mas só agora, aos trinta e
sete anos, só contigo
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama edições)
talvez seja o momento de te dizer
que sou da mais vil beleza, feito de
amar entre os homens apenas as coisas
mais efémeras
talvez seja o momento de te dizer
que me cresceram os teus seios mais
jovens, numa indisfarçável necessidade de
que me pertençam entre as coisas
que te cedo
talvez seja o momento de te dizer
que o teu corpo mulher é um exagero do
meu deus, generoso mais do que nunca na
liberdade da minha fome
não estou certo de que seja o momento de
pedir mais ainda, quando te roubo a alma e
aos poucos a entorno pelo caminho até ao
outrora vazio do meu coração
como não sei se será certo padecer de alguma
felicidade imprudentemente, naquele
miudinho perigoso de estar quase a
morrer de amor por ti
também eu me sinto capaz de desmaiar com
um orgasmo. mas só agora, aos trinta e
sete anos, só contigo
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama edições)
06/01/09
SLIMMY NAS QUINTAS

Slimmy vai actuar em concerto acústico na próxima sessão de Quintas de Leitura, dia 22 de Janeiro, num espectáculo dedicado à escrita de valter hugo mãe. Slimmy é um músico português, de nome Paulo Fernandes, que residiu em Londres alguns anos, pelo que faz parte da cena musical internacional, tendo chegado a ter um tema na série CSI Miami. Saiba mais sobre Slimmy clicando aqui.
05/01/09
O PRIMEIRO POEMA DO ANO
O Poeta Vítor Nogueira será, em Abril de 2009, um dos convidados do ciclo.
Abrimos o ano com um dos seus poemas.
À NOSSA
Três pessoas encostadas ao balcão,
tentando enviar uma mensagem de
socorro. Todos queremos estar aqui,
para quando formos salvos.
Do outro lado, há um tipo que se instala
numa mesa, espalhando amendoins,
descobrindo a sua vocação.
Um homem deve ter talento nos dedos,
saber fazer alguma coisa.
E, nisto, melhoramos a nossa visão
nocturna, mijamos na mesma latrina,
fazemos com que este lugar funcione.
Juntem-se mais, para cabermos todos
na fotografia.
(Vítor Nogueira, in "Bagagem de mão", &etc)
Abrimos o ano com um dos seus poemas.
À NOSSA
Três pessoas encostadas ao balcão,
tentando enviar uma mensagem de
socorro. Todos queremos estar aqui,
para quando formos salvos.
Do outro lado, há um tipo que se instala
numa mesa, espalhando amendoins,
descobrindo a sua vocação.
Um homem deve ter talento nos dedos,
saber fazer alguma coisa.
E, nisto, melhoramos a nossa visão
nocturna, mijamos na mesma latrina,
fazemos com que este lugar funcione.
Juntem-se mais, para cabermos todos
na fotografia.
(Vítor Nogueira, in "Bagagem de mão", &etc)
GLOBOS AO VENTO
O programador pensou, pensou, (exercício, diga-se, que já só raramente é capaz de fazer), puxou dos seus apontamentos, consultou e não consultou o Prof. Marcelo, fez alguns telefonemas e está pronto para se despir à vossa frente, isto é, está pronto para vos revelar os momentos mais marcantes das "Quintas" em 2008:
Os melhores espectáculos do ano:
um instantinho de beleza (Março de 2008)
bife picado (Junho de 2008)
sessão de apresentação da antologia "diga33" (Dezembro de 2008)
A leitura mais marcante:
Isaque Ferreira a ler "o que é o neo-abjeccionismo" de Luiz Pacheco (sessão "um instantinho de beleza")
Melhor performance do ano:
"Ícones" de Victor Hugo Pontes
Melhor flyer do ano:
"A noite abre meus olhos", com imagem de Ilda David' (sessão dedicada à poesia de José Tolentino Mendonça).
Os melhores concertos do ano:
O´questrada
Tiago Bettencourt
Carlos Bica + João Paulo Esteves da Silva
Dead Combo + Ana Deus + Alexandre Soares
Carlos Maza
As revelações do ano:
Marta Bernardes (performance)
Raúl Peixoto da Costa (música)
Pat (fotografia)
Adriana Faria (mestre de cerimónias)
A minha opinião, que tanto vos faz rir, é a minha opinião.
Avante, marche!
Os melhores espectáculos do ano:
um instantinho de beleza (Março de 2008)
bife picado (Junho de 2008)
sessão de apresentação da antologia "diga33" (Dezembro de 2008)
A leitura mais marcante:
Isaque Ferreira a ler "o que é o neo-abjeccionismo" de Luiz Pacheco (sessão "um instantinho de beleza")
Melhor performance do ano:
"Ícones" de Victor Hugo Pontes
Melhor flyer do ano:
"A noite abre meus olhos", com imagem de Ilda David' (sessão dedicada à poesia de José Tolentino Mendonça).
Os melhores concertos do ano:
O´questrada
Tiago Bettencourt
Carlos Bica + João Paulo Esteves da Silva
Dead Combo + Ana Deus + Alexandre Soares
Carlos Maza
As revelações do ano:
Marta Bernardes (performance)
Raúl Peixoto da Costa (música)
Pat (fotografia)
Adriana Faria (mestre de cerimónias)
A minha opinião, que tanto vos faz rir, é a minha opinião.
Avante, marche!
NÚMEROS SÃO NÚMEROS
As contas das "Quintas" em 2008, sem orçamentos rectificativos, sem rede, com alma:
14 espectáculos (dos quais 10 esgotados)
20 sessões (das quais 14 esgotadas)
2.558 espectadores
136 artistas convidados
95,8% (taxa de ocupação de salas)
Obrigado a todos os que vieram, obrigado aos que tencionam vir. Este ano, prometemos, faremos melhor, faremos diferente. Ouse juntar-se a nós.
14 espectáculos (dos quais 10 esgotados)
20 sessões (das quais 14 esgotadas)
2.558 espectadores
136 artistas convidados
95,8% (taxa de ocupação de salas)
Obrigado a todos os que vieram, obrigado aos que tencionam vir. Este ano, prometemos, faremos melhor, faremos diferente. Ouse juntar-se a nós.
31/12/08
O AMOR MAIOR
por ti eu fazia tudo meu amor
eu candidatava-me às autárquicas
eu via um filme do zefirelli
eu até corria a
filha da puta da meia
maratona da nazaré
a pé coxinho
(José Carlos Barros)
eu candidatava-me às autárquicas
eu via um filme do zefirelli
eu até corria a
filha da puta da meia
maratona da nazaré
a pé coxinho
(José Carlos Barros)
30/12/08
29/12/08
UM POEMA DE AMOR PARA OS 2.558 ESPECTADORES QUE EM 2008 ASSISTIRAM ÀS NOSSAS SESSÕES
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
(António Ramos Rosa)
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
(António Ramos Rosa)
24/12/08
NATAL
A caixa com os enfeites da árvore de Natal guardada no fundo do armário; os filmes bíblicos; a reportagem dos telejornais sobre um homem vestido de pai Natal a andar de trenó na Lapónia; as guerras que param durante a véspera e o dia de Natal; a reportagem sobre a ceia de Natal dos sem-abrigo; o Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras; os anúncios de brinquedos cada vez mais surpreendentes: bonecas que fazem isto, robots que fazem aquilo; o Natal dos Hospitais; os domingos passados em pijama, no sofá; a sensação de que nos pode sair o brinde do bolo rei; a comida; os circos; as compras; as ruas com luzes de Natal; velas, sinos, bolas, estrelas; os homens que passam a tarde vestidos de pai Natal no centro comercial; as palavras "especialidades de Natal" escritas em quadrados de papel na montra das pastelarias; os objectos partidos que ficam abandonados nas prateleiras quase vazias da secção de promoções; a senhora da caixa a olhar-nos nos olhos e a dizer: "verde código verde"; as pessoas que são contratadas para passarem dias a embrulharem presentes sem parar; os postais de Natal que as empresas se lembram de enviar para agradar aos clientes; as mensagens de telemóvel que as pessoas enviam, querendo desejar boas festas e tentando ser originais; os emails que as pessoas enviam, querendo desejar boas festas e tentando ser originais; os aquecedores, as lareiras e as braseiras; a lembrança da missa do galo; os amigos, os vizinhos, os tios, os primos, os irmãos, os cunhados, os sobrinhos; os avós sentados num canto da sala, a assistirem a tudo, a sorrirem, em silêncio; e os pais, e as mães, e os filhos.
JOSÉ LUÍS PEIXOTO
JOSÉ LUÍS PEIXOTO
23/12/08
DIGA 33 encheu o grande auditório
22/12/08
DIGA 33 - fotografias da Quinta de Leitura- Primeira parte
Raúl Peixoto da Costa
valter hugo mãe
Nuno Júdice
Maria do Rosário Pedreira
João Rios
Ana Deus e Tó Trips
Fotografias de Sara Moutinho.
O espectáculo de lançamento da antologia DIGA 33 - os poetas das Quintas de Leitura foi uma grande Festa de Poesia. Leituras, música, canto, performance.
Aqui estão imagens de todos os que estiveram em palco na primeira parte do espectáculo.
Na plateia, os também antologiados João Habitualmente e Adolfo Luxúria Canibal.
Lotação esgotada no grande auditório do TCA para ver e ouvir a poesia no ar.
19/12/08
30.000 PÁGINAS VISITADAS DO NOSSO BLOGUE
O mais belo poema do mundo para todos aqueles que nos continuam a dar força e a alimentar este ciclo poético.
ode doméstica
tudo no teu sorriso diz
que só te falta um pretexto
para seres feliz
uma querela talvez chegasse
ou um pequeno pastor que passasse
na estrada, com suas ovelhas
um riso, um pormenor
que no momento se pousasse
e o tornasse melhor
eu
vou pensando em coisas velhas
- sem sombra de desdém! -
na vida
naquele lampejo fugace
que o teu sorriso já não tem
e que é do passado
porque a nossa grande sabedoria
não soube tratar ente tão delicado
e declina, o dia
o pequeno pastor já não vem
(Mário Cesariny, manual de prestidigitação, Assírio & Alvim)
ode doméstica
tudo no teu sorriso diz
que só te falta um pretexto
para seres feliz
uma querela talvez chegasse
ou um pequeno pastor que passasse
na estrada, com suas ovelhas
um riso, um pormenor
que no momento se pousasse
e o tornasse melhor
eu
vou pensando em coisas velhas
- sem sombra de desdém! -
na vida
naquele lampejo fugace
que o teu sorriso já não tem
e que é do passado
porque a nossa grande sabedoria
não soube tratar ente tão delicado
e declina, o dia
o pequeno pastor já não vem
(Mário Cesariny, manual de prestidigitação, Assírio & Alvim)
17/12/08
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