As "Quintas de Leitura" receberão no dia 9 de Julho o poeta Miguel-Manso numa sessão intitulada "Quando Escreve Descalça-se".
Em estreia absoluta neste blogue, alguns poemas deste jovem e genial poeta:
MEDITAÇÃO
o amor é como o trigo
a alguns já lhes chega em pão
mas se no momento antigo
o amor é sol vento e chão
esses sabem-no pela televisão
x - x
PROVISÃO DE HÁFIZ
os nomes
os navios
as águas
estão a sentir?
x - x
FOTO DE BREVE EXPOSIÇÃO
repartimos a regueifa de Pardilhó com as formigas de Odeceixe
x - x
CADERNO DA BIBLIOTECA
ser poeta sei agora
é mais do que usar amiúde
a palavra fímbria
x - x
Tudo isto e muito mais, num livro fascinante de Miguel-Manso ("Quando Escreve Descalça-se"), editado pela editora TRAMA.
15/02/09
11/02/09
O POEMA QUE FECHA A SESSÃO
Concluimos hoje a publicação dos poemas que serão lidos na sessão do dia 19 de Fevereiro, dedicada à poesia de Daniel Maia-Pinto Rodrigues.
AZUL E VERDE
Há ondas a quebrar nas praias
nas paisagens que guardas de memória -
pequenas ondas das manhãs claras,
pequenas memórias das paisagens largas.
Haverá ainda nos remansos dos quintais
a tua corrida de criança no final das tardes,
e no verão que há por detrás das árvores
haverá a luz dourada dessas tardes longas.
Já pouco te lembras de ti nessas corridas,
da alegria que sentias nos jardins;
vagamente te vês a nadar nas ondas sossegadas -
brancura tremeluzente dos remotos areais.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/Quasi Edições)
AZUL E VERDE
Há ondas a quebrar nas praias
nas paisagens que guardas de memória -
pequenas ondas das manhãs claras,
pequenas memórias das paisagens largas.
Haverá ainda nos remansos dos quintais
a tua corrida de criança no final das tardes,
e no verão que há por detrás das árvores
haverá a luz dourada dessas tardes longas.
Já pouco te lembras de ti nessas corridas,
da alegria que sentias nos jardins;
vagamente te vês a nadar nas ondas sossegadas -
brancura tremeluzente dos remotos areais.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/Quasi Edições)
10/02/09
OS CONCERTOS NAS "QUINTAS DE LEITURA"
Tome nota na sua agenda. Sim, tem razão, alguns são imperdíveis:
Dia 19 de Fevereiro
ANA FREE
Dia 26 de Março
LULA PENA
Dia 23 de Abril
MAZGANI
Dias 14 e 15 Maio
LUCÍA ALDAO (Galiza)
Dia 18 de Junho
ALDINA DUARTE
Dia 9 de Julho
B FACHADA
Proibido ficar em casa!
Dia 19 de Fevereiro
ANA FREE
Dia 26 de Março
LULA PENA
Dia 23 de Abril
MAZGANI
Dias 14 e 15 Maio
LUCÍA ALDAO (Galiza)
Dia 18 de Junho
ALDINA DUARTE
Dia 9 de Julho
B FACHADA
Proibido ficar em casa!
Daniel Maia-Pinto Rodrigues nas "Quintas de Leitura"
Falo-te de chuva
como quem diz que as minhas mãos
não se exaltam em revisitar-te o peito.
Falo-te de sol
como excesso de brilho entre nós.
Revejo todos os verdes
no peppermint do meu cálice
enquanto a janela abro
pouco depressa
sobre a tarde.
Falo-te de cansaço
como quem se sentasse
numa poltrona de lã.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Editores)
como quem diz que as minhas mãos
não se exaltam em revisitar-te o peito.
Falo-te de sol
como excesso de brilho entre nós.
Revejo todos os verdes
no peppermint do meu cálice
enquanto a janela abro
pouco depressa
sobre a tarde.
Falo-te de cansaço
como quem se sentasse
numa poltrona de lã.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Editores)
09/02/09
De que mais argumentos precisa para se juntar a nós?
Daniel Maia- Pinto Rodrigues fotografado por PatAna Free na próxima sessão de Quintas de Leitura
Piano e performance em honra
de Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Por onde passas descoses o tempo
deixas aberto
o princípio do sonho.
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
A próxima sessão das "Quintas de Leitura" realiza-se no dia 19 de Fevereiro, no Café-Teatro do TCA, às 22h00, com um espectáculo, intitulado "O Acervo da Quietude", que marca a 3ª presença do poeta Daniel Maia-Pinto Rodrigues neste ciclo.
Daniel, justamente reconhecido como uma das vozes mais originais da poesia portuguesa dos anos 80, preparou para este espectáculo um guião com 20 poemas que incidem sobre a vertente mais lírica, mais nostálgica, mais serena, da sua obra.
As leituras estarão a cargo do próprio autor e ainda dos actores Pedro Lamares, Adriana Faria e Daniela Dias. O franco-atirador Isaque Ferreira apresentará uma performance líquida intitulada "Cortar a fogo".
Presença ainda do pianista Álvaro Teixeira Lopes que interpretará temas inspirados no obra do poeta convidado. O talento fotográfico de Mafalda Capela andará à solta nesta sessão, que se adivinha mágica.
E por falar em magia... o espectáculo fecha com um imperdível concerto acústico de Ana Free, numa das suas raras aparições no Porto.
Piano e performance em honra
de Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Por onde passas descoses o tempo
deixas aberto
o princípio do sonho.
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
A próxima sessão das "Quintas de Leitura" realiza-se no dia 19 de Fevereiro, no Café-Teatro do TCA, às 22h00, com um espectáculo, intitulado "O Acervo da Quietude", que marca a 3ª presença do poeta Daniel Maia-Pinto Rodrigues neste ciclo.
Daniel, justamente reconhecido como uma das vozes mais originais da poesia portuguesa dos anos 80, preparou para este espectáculo um guião com 20 poemas que incidem sobre a vertente mais lírica, mais nostálgica, mais serena, da sua obra.
As leituras estarão a cargo do próprio autor e ainda dos actores Pedro Lamares, Adriana Faria e Daniela Dias. O franco-atirador Isaque Ferreira apresentará uma performance líquida intitulada "Cortar a fogo".
Presença ainda do pianista Álvaro Teixeira Lopes que interpretará temas inspirados no obra do poeta convidado. O talento fotográfico de Mafalda Capela andará à solta nesta sessão, que se adivinha mágica.
E por falar em magia... o espectáculo fecha com um imperdível concerto acústico de Ana Free, numa das suas raras aparições no Porto.
Dia 19 de Fevereiro no TCA: uma noite cheia de estrelas.
Daniel Maia-Pinto Rodrigues - poeta convidado
Álvaro Teixeira Lopes - piano
Adriana Faria, Daniela Dias e Pedro Lamares - leituras
Isaque Ferreira - performance
Mafalda Capela - fotografia
Ana Free - concerto acústico
Duas horas de pura magia. Nas "Quintas", pois claro...
Álvaro Teixeira Lopes - piano
Adriana Faria, Daniela Dias e Pedro Lamares - leituras
Isaque Ferreira - performance
Mafalda Capela - fotografia
Ana Free - concerto acústico
Duas horas de pura magia. Nas "Quintas", pois claro...
UM DOS MAISW BELOS POEMAS DA OBRA DE DANIEL MAIA-PINTO RODRIGUES
Enquanto tarda o incêndio
No inverno em séculos passados
falava-se de animais.
Junto à lareira comentavam os mais velhos
paisagens de sol
e o vento como sendo a distância
entre a noite e o bosque.
Nas manhãs frias olhava-se
com calma
a neve.
À volta dos sobreiros as crianças brincavam
agasalhadas
de azul.
Hoje, enquanto o incêndio tarda
vou sendo feliz
entre os sobreiros.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues,"Dióspiro"/ Quasi Edições)
No inverno em séculos passados
falava-se de animais.
Junto à lareira comentavam os mais velhos
paisagens de sol
e o vento como sendo a distância
entre a noite e o bosque.
Nas manhãs frias olhava-se
com calma
a neve.
À volta dos sobreiros as crianças brincavam
agasalhadas
de azul.
Hoje, enquanto o incêndio tarda
vou sendo feliz
entre os sobreiros.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues,"Dióspiro"/ Quasi Edições)
06/02/09
Daniel Maia-Pinto Rodrigues nas "Quintas de Leitura"
ASSIM VOASSEM
Dizemos às vezes
devagar sobre as pedras
enquanto o musgo alastra
rápido pelos troncos.
Assim voassem aves
quando por fim março
abrisse suas portas ao vento.
Assim às nuvens
árvores erguessem o verde -
grandes ramos sorvendo o sol.
x
DESFOCADO
As madressilvas alongam-se pálidas
nas manhãs sem nuvens
e as libélulas passam
lentas de luz
sobre os cedros.
Em intercepções do movimento
no silêncio do quintal
os gatos fogem
cinzentos, verdes, rápidos
desfocados pelo vento.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/Quasi Edições)
Dizemos às vezes
devagar sobre as pedras
enquanto o musgo alastra
rápido pelos troncos.
Assim voassem aves
quando por fim março
abrisse suas portas ao vento.
Assim às nuvens
árvores erguessem o verde -
grandes ramos sorvendo o sol.
x
DESFOCADO
As madressilvas alongam-se pálidas
nas manhãs sem nuvens
e as libélulas passam
lentas de luz
sobre os cedros.
Em intercepções do movimento
no silêncio do quintal
os gatos fogem
cinzentos, verdes, rápidos
desfocados pelo vento.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/Quasi Edições)
05/02/09
Elogio
O LADO MAIS NOSTÁLGICO DA POESIA DE DANIEL
O silêncio na lezíria.
O sossego claro
das tardes de setembro.
Ouve-se
entre os álamos
o espanto dos cavalos.
Célere azul das aves.
Garços olhos de cisne
repousando na distância.
Da luz diáfana oiço o filho
"aqui, pai, neste laranjal"
oferecendo grandes gomos
à parada claridade.
x
Entendem as folhas
a rapidez
com que se desprendem dos ramos.
Entendem as asas
a debilidade dos pássaros.
Acima de tudo
o que interessa a novembro
é as crianças poderem dizer
está vento
é sentirem-no arrebatar-lhes os cabelos
engolfar-se nos gorros
misturar-se na roupa quente.
Há uma criança na escola
que através dos vidros vê novembro -
e a meia-distância
ao lado do novembro
vê o anjo da guarda
a atirar pedras
lentamente contra a luz.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
O sossego claro
das tardes de setembro.
Ouve-se
entre os álamos
o espanto dos cavalos.
Célere azul das aves.
Garços olhos de cisne
repousando na distância.
Da luz diáfana oiço o filho
"aqui, pai, neste laranjal"
oferecendo grandes gomos
à parada claridade.
x
Entendem as folhas
a rapidez
com que se desprendem dos ramos.
Entendem as asas
a debilidade dos pássaros.
Acima de tudo
o que interessa a novembro
é as crianças poderem dizer
está vento
é sentirem-no arrebatar-lhes os cabelos
engolfar-se nos gorros
misturar-se na roupa quente.
Há uma criança na escola
que através dos vidros vê novembro -
e a meia-distância
ao lado do novembro
vê o anjo da guarda
a atirar pedras
lentamente contra a luz.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
04/02/09
Dia 19 de Fevereiro. Nas "Quintas de Leitura", pois claro!
Continuamos hoje a divulgar os poemas de Daniel Maia-Pinto Rodrigues que serão lidos na sessão "O Acervo da Quietude".
Descanso ao longe próximo das lagoas.
O vento passando assim
dos eucaliptos próximo.
Escurece. Que horas serão na aldeia?
Mergulho os braços nas águas.
As aves entrecruzam-se. Afastam-se
e o silêncio poisa escuro
nas águas.
Oiço por instantes o vento. Revejo
a lua nas lagoas.
Alguém neste momento encara a noite
sente o frio
acende num gesto branco
a tocha antiga.
x
À noite
à ilharga do tempo
de mãos separadas
olhamos as estrelas.
Perdeste o isqueiro
e estás perturbada.
Tens razão:
deixaste para trás
um qualquer pertence
da realidade.
Hesitas se hás-de regressar
ao seu encontro
mas talvez te percas
exactamente aí
ao regressares.
Olha melhor as estrelas
é noite
e estamos à ilharga do tempo.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
Descanso ao longe próximo das lagoas.
O vento passando assim
dos eucaliptos próximo.
Escurece. Que horas serão na aldeia?
Mergulho os braços nas águas.
As aves entrecruzam-se. Afastam-se
e o silêncio poisa escuro
nas águas.
Oiço por instantes o vento. Revejo
a lua nas lagoas.
Alguém neste momento encara a noite
sente o frio
acende num gesto branco
a tocha antiga.
x
À noite
à ilharga do tempo
de mãos separadas
olhamos as estrelas.
Perdeste o isqueiro
e estás perturbada.
Tens razão:
deixaste para trás
um qualquer pertence
da realidade.
Hesitas se hás-de regressar
ao seu encontro
mas talvez te percas
exactamente aí
ao regressares.
Olha melhor as estrelas
é noite
e estamos à ilharga do tempo.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
03/02/09
"O ACERVO DA QUIETUDE". A TERCEIRA PRESENÇA DE DANIEL MAIA-PINTO RODRIGUES NAS "QUINTAS".
Mergulho nas profundidades do sono
e no escuro oiço as aves na claridade -
são tranças, tropéis de sonoridades a gotejar em leque
na amplitude de recônditos espelhos
da obscuridade guardiã dos aposentos,
reflectindo na minha face as cores novas do arco-íris.
E não são sonhos, cornucópias de fantasia,
nem o vento a norte da imaginação;
são sim envidraçadas portas abertas
quais projecções lilás na melodia do jardim
onde por vezes pela mão do fim da tarde,
difuso, potente berlinde, me encontro a mim.
x
Anoitece na aldeia
e numa animação de fábula
as pessoas recolhem às casas.
Das chaminés, pelos telhados
o fumo já faz parte da noite.
O amarelo das janelas
pontilha o preto.
O vento perdeu-se no bosque
e as crianças, nos cobertores
usufruem do medo.
Pelas imediações da aldeia
os lobos aproximam-se da realidade.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
e no escuro oiço as aves na claridade -
são tranças, tropéis de sonoridades a gotejar em leque
na amplitude de recônditos espelhos
da obscuridade guardiã dos aposentos,
reflectindo na minha face as cores novas do arco-íris.
E não são sonhos, cornucópias de fantasia,
nem o vento a norte da imaginação;
são sim envidraçadas portas abertas
quais projecções lilás na melodia do jardim
onde por vezes pela mão do fim da tarde,
difuso, potente berlinde, me encontro a mim.
x
Anoitece na aldeia
e numa animação de fábula
as pessoas recolhem às casas.
Das chaminés, pelos telhados
o fumo já faz parte da noite.
O amarelo das janelas
pontilha o preto.
O vento perdeu-se no bosque
e as crianças, nos cobertores
usufruem do medo.
Pelas imediações da aldeia
os lobos aproximam-se da realidade.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
02/02/09
A poesia de Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Passavas os dedos de leve
pelos espinhos dos cactos
depois pela suavidade das faces,
a blandícia descias aos braços
ao beiral da janela
aquecido pelas tardes de março.
Havia certamente borboletas azuis
esvoaçando o castanho das planícies,
ágeis animais percorrendo a luz
desdobrada dos olhos da tua janela.
Havia sobretudo tempo
para olhares as borboletas,
havia sobretudo espaço
para se estenderem as planícies.
x
Descem pelas colinas os animais que sonhas.
São grandes ruminantes fulvos
e descem cheios de sol
sobre as relvas.
Ao vento erguem e à claridade as cabeças.
Dir-se-ia serenos compreenderem muito bem
o céu pintado de azul e água.
Depois seguem. Descem mais.
Devagar chegam aos charcos
bebem
saboreiam uvas
deitam-se
certos de que os vais achar belos
e perfeitamente integrados na paisagem.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
pelos espinhos dos cactos
depois pela suavidade das faces,
a blandícia descias aos braços
ao beiral da janela
aquecido pelas tardes de março.
Havia certamente borboletas azuis
esvoaçando o castanho das planícies,
ágeis animais percorrendo a luz
desdobrada dos olhos da tua janela.
Havia sobretudo tempo
para olhares as borboletas,
havia sobretudo espaço
para se estenderem as planícies.
x
Descem pelas colinas os animais que sonhas.
São grandes ruminantes fulvos
e descem cheios de sol
sobre as relvas.
Ao vento erguem e à claridade as cabeças.
Dir-se-ia serenos compreenderem muito bem
o céu pintado de azul e água.
Depois seguem. Descem mais.
Devagar chegam aos charcos
bebem
saboreiam uvas
deitam-se
certos de que os vais achar belos
e perfeitamente integrados na paisagem.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
30/01/09
Ana Free - The Rain
www.myspace.com/anafreemusic for more info and free downloads!!
Ana Free estará no TCA na sessão O Acervo da Quietude.
O GRANDE SABOTADOR NO TCA. DIA 19 DE FEVEREIRO
DISTÂNCIA
Hoje sinto-me bem disposto
vou aguardar que o sol
ressurja por detrás das nuvens.
Cães ruivos de pêlo longo
correm
e a cada passada
aproximam-se do voo.
Plátanos esperam
e os pardais preparam bem
a luz.
Talvez sejam horas de regressar
talvez sejam horas de ficar aqui.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/Quasi edições)
Hoje sinto-me bem disposto
vou aguardar que o sol
ressurja por detrás das nuvens.
Cães ruivos de pêlo longo
correm
e a cada passada
aproximam-se do voo.
Plátanos esperam
e os pardais preparam bem
a luz.
Talvez sejam horas de regressar
talvez sejam horas de ficar aqui.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/Quasi edições)
29/01/09
"O ACERVO DA QUIETUDE". DIA 19 DE FEVEREIRO NO TCA.
Prosseguimos hoje a divulgação de poemas que serão lidos na sessão do dia 19 de Fevereiro, dedicada à obra de Daniel Maia-Pinto Rodrigues.
É do princípio das tardes
do sol das tardes
das janelas abertas
das cigarras
e é do sol a entrar pelas janelas
da sua incidência nas cristaleiras
nas maçãs e nos jarrões,
é das iluminadas peças de bronze
do segundo plano das aguarelas
das mais à sombra fotografias da família
que eu saio
durante as horas paradas
para escrever poesia.
x
Percorres a visualização entre o pomar
e o pinhal
e surges menina espalhando claridade.
Encetas planuras ao sol
num fascínio pausado
depois penetras a luz
em fantásticas corridas.
Não sei quem te poderá ver
em tão delicado movimento!
Por onde passas descoses o tempo
deixas aberto
o princípio do sonho.
x
Outubro
mês dos figos maduros
da perfeita tranquilidade
mês
em que das eiras
perdigueiros correm para os currais.
Outubro
mês dos patos nos ribeiros
mês das serras, das perdizes
dos ferreiros, das cegonhas
das paisagens, das feiras com queijo
do sr. sebastião e dos alpendres.
Outubro
mês dos meus avós vivos
levando-me a ver os moinhos de água.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
É do princípio das tardes
do sol das tardes
das janelas abertas
das cigarras
e é do sol a entrar pelas janelas
da sua incidência nas cristaleiras
nas maçãs e nos jarrões,
é das iluminadas peças de bronze
do segundo plano das aguarelas
das mais à sombra fotografias da família
que eu saio
durante as horas paradas
para escrever poesia.
x
Percorres a visualização entre o pomar
e o pinhal
e surges menina espalhando claridade.
Encetas planuras ao sol
num fascínio pausado
depois penetras a luz
em fantásticas corridas.
Não sei quem te poderá ver
em tão delicado movimento!
Por onde passas descoses o tempo
deixas aberto
o princípio do sonho.
x
Outubro
mês dos figos maduros
da perfeita tranquilidade
mês
em que das eiras
perdigueiros correm para os currais.
Outubro
mês dos patos nos ribeiros
mês das serras, das perdizes
dos ferreiros, das cegonhas
das paisagens, das feiras com queijo
do sr. sebastião e dos alpendres.
Outubro
mês dos meus avós vivos
levando-me a ver os moinhos de água.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
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