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Ana Free estará no TCA na sessão O Acervo da Quietude.
30/01/09
Ana Free - The Rain
O GRANDE SABOTADOR NO TCA. DIA 19 DE FEVEREIRO
DISTÂNCIA
Hoje sinto-me bem disposto
vou aguardar que o sol
ressurja por detrás das nuvens.
Cães ruivos de pêlo longo
correm
e a cada passada
aproximam-se do voo.
Plátanos esperam
e os pardais preparam bem
a luz.
Talvez sejam horas de regressar
talvez sejam horas de ficar aqui.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/Quasi edições)
Hoje sinto-me bem disposto
vou aguardar que o sol
ressurja por detrás das nuvens.
Cães ruivos de pêlo longo
correm
e a cada passada
aproximam-se do voo.
Plátanos esperam
e os pardais preparam bem
a luz.
Talvez sejam horas de regressar
talvez sejam horas de ficar aqui.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/Quasi edições)
29/01/09
"O ACERVO DA QUIETUDE". DIA 19 DE FEVEREIRO NO TCA.
Prosseguimos hoje a divulgação de poemas que serão lidos na sessão do dia 19 de Fevereiro, dedicada à obra de Daniel Maia-Pinto Rodrigues.
É do princípio das tardes
do sol das tardes
das janelas abertas
das cigarras
e é do sol a entrar pelas janelas
da sua incidência nas cristaleiras
nas maçãs e nos jarrões,
é das iluminadas peças de bronze
do segundo plano das aguarelas
das mais à sombra fotografias da família
que eu saio
durante as horas paradas
para escrever poesia.
x
Percorres a visualização entre o pomar
e o pinhal
e surges menina espalhando claridade.
Encetas planuras ao sol
num fascínio pausado
depois penetras a luz
em fantásticas corridas.
Não sei quem te poderá ver
em tão delicado movimento!
Por onde passas descoses o tempo
deixas aberto
o princípio do sonho.
x
Outubro
mês dos figos maduros
da perfeita tranquilidade
mês
em que das eiras
perdigueiros correm para os currais.
Outubro
mês dos patos nos ribeiros
mês das serras, das perdizes
dos ferreiros, das cegonhas
das paisagens, das feiras com queijo
do sr. sebastião e dos alpendres.
Outubro
mês dos meus avós vivos
levando-me a ver os moinhos de água.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
É do princípio das tardes
do sol das tardes
das janelas abertas
das cigarras
e é do sol a entrar pelas janelas
da sua incidência nas cristaleiras
nas maçãs e nos jarrões,
é das iluminadas peças de bronze
do segundo plano das aguarelas
das mais à sombra fotografias da família
que eu saio
durante as horas paradas
para escrever poesia.
x
Percorres a visualização entre o pomar
e o pinhal
e surges menina espalhando claridade.
Encetas planuras ao sol
num fascínio pausado
depois penetras a luz
em fantásticas corridas.
Não sei quem te poderá ver
em tão delicado movimento!
Por onde passas descoses o tempo
deixas aberto
o princípio do sonho.
x
Outubro
mês dos figos maduros
da perfeita tranquilidade
mês
em que das eiras
perdigueiros correm para os currais.
Outubro
mês dos patos nos ribeiros
mês das serras, das perdizes
dos ferreiros, das cegonhas
das paisagens, das feiras com queijo
do sr. sebastião e dos alpendres.
Outubro
mês dos meus avós vivos
levando-me a ver os moinhos de água.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
28/01/09
A poesia de Daniel Maia-Pinto Rodrigues

Trilho os bosques do vento
e dos rios colho rosas
na neblina das margens incertas.
Amor que ao longe descansas
no sol perfeito das clareiras
aguarda que já não tarda
a passagem ampla para os sonhos
o galope transbordante
a vertigem dos cavalos luminosos.
Já vejo nítida a candeia no arvoredo
e o vento chamar o dia
e a planície nascer do charco.
Como se o mar e a madrugada
estivessem submersos pelas ondas
havia água nos limites da água
na enchente dos nossos dias.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
e dos rios colho rosas
na neblina das margens incertas.
Amor que ao longe descansas
no sol perfeito das clareiras
aguarda que já não tarda
a passagem ampla para os sonhos
o galope transbordante
a vertigem dos cavalos luminosos.
Já vejo nítida a candeia no arvoredo
e o vento chamar o dia
e a planície nascer do charco.
Como se o mar e a madrugada
estivessem submersos pelas ondas
havia água nos limites da água
na enchente dos nossos dias.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
Fotografia : Daniel Maia-Pinto Rodrigues na Luz por Pat
27/01/09
OS NOSSOS RECITADORES
Em 2009 eles vão dizer muita poesia nas "Quintas de Leitura":
Susana Menezes
Filipa Leal
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Isaque Ferreira
Pedro Lamares
Paulo Campos dos Reis
Maria do Céu Ribeiro
Nuno Moura
Paulo Condessa
Adriana Faria
Daniela Dias
Inês Veiga de Macedo
GermanO'nunes
Miuxa Carvalhal
Eles são a voz das "Quintas".
Susana Menezes
Filipa Leal
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Isaque Ferreira
Pedro Lamares
Paulo Campos dos Reis
Maria do Céu Ribeiro
Nuno Moura
Paulo Condessa
Adriana Faria
Daniela Dias
Inês Veiga de Macedo
GermanO'nunes
Miuxa Carvalhal
Eles são a voz das "Quintas".
A poesia de Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Repousam há horas os tordos
nos cedros.
Chego a este lugar verde
lugar de musgo se existissem muros
lugar de ténues cores ou
da luciluzente tranquilidade da erva
e das glaucas folhas dadas ao vento.
Esta ausência de ruído
ausência rútila de silêncio
forma idílica de as borboletas tocarem
o alecrim.
Vou-me embora. Levo uma menina loira
muito nova
a despedir-se de mim.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
nos cedros.
Chego a este lugar verde
lugar de musgo se existissem muros
lugar de ténues cores ou
da luciluzente tranquilidade da erva
e das glaucas folhas dadas ao vento.
Esta ausência de ruído
ausência rútila de silêncio
forma idílica de as borboletas tocarem
o alecrim.
Vou-me embora. Levo uma menina loira
muito nova
a despedir-se de mim.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
26/01/09
"O ACERVO DA QUIETUDE". DIA 19 DE FEVEREIRO NO TCA.
Daniel Maia-Pinto Rodrigues será o poeta convidado da próxima sessão das "Quintas de Leitura". Um espectáculo que contará ainda com outras presenças fulgentes:
Pedro Lamares, Daniela Dias e Adriana Faria (leituras)
Isaque Ferreira (performance líquida)
Álvaro Teixeira Lopes (piano)
Ana Free (concerto acústico)
Mafalda Capela (fotografia)
Os bilhetes serão postos à venda a partir de terça-feira, dia 27 de Janeiro.
Iniciamos hoje a publicação de todos os poemas que serão lidos na sessão. Uma selecção feita pelo próprio poeta convidado.
DEVAGAR
Devagar
setembro
entorna luz na planície.
Devagar
o vento
inventa choupos.
E choupos
devagar
tornam-se rio.
Devagar cavalos surgem galopando
erguem brancas as cabeças
respiram verdes a claridade.
E depois seguem
devagar
pelos túneis de luz.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
22/01/09
Hoje é dia de super poeta
valter hugo mãe, nas "Quintas de Leitura":
o super homem
vesti o meu fato de
super homem por baixo da
roupa de todos os dias quando
fui ouvir o que o médico
tinha para dizer sobre a
operação da minha
mãe. eu morri mil vezes
quando a operaram, iam
partir-lhe o osso do peito e
isso é tão avesso ao que
espero dela. até digo às
crianças que não corram em seu
redor, tem quase setenta anos e
está cansada e não é bom que caia ou
sequer se aflija. partiram-lhe o
osso do peito. fizeram-no porque
é assim que se faz, dizem, e eu,
secretamente com o meu fato de
super homem, supostamente
preparado para tudo, morri mil vezes
e, mesmo depois das boas palavras do
médico, ando lento, tão atrasado
nas ressurreições
(valter hugo mãe, "folclore íntimo" / Cosmorama Edições)
o super homem
vesti o meu fato de
super homem por baixo da
roupa de todos os dias quando
fui ouvir o que o médico
tinha para dizer sobre a
operação da minha
mãe. eu morri mil vezes
quando a operaram, iam
partir-lhe o osso do peito e
isso é tão avesso ao que
espero dela. até digo às
crianças que não corram em seu
redor, tem quase setenta anos e
está cansada e não é bom que caia ou
sequer se aflija. partiram-lhe o
osso do peito. fizeram-no porque
é assim que se faz, dizem, e eu,
secretamente com o meu fato de
super homem, supostamente
preparado para tudo, morri mil vezes
e, mesmo depois das boas palavras do
médico, ando lento, tão atrasado
nas ressurreições
(valter hugo mãe, "folclore íntimo" / Cosmorama Edições)
21/01/09
o poema que abre a sessão
gordo e careca
onde vais, valter hugo mãe, tão sem ter
com quem, tão precipitado no vazio do
caminho à procura de quê
porque não ficas em casa, resignadamente só, a
ver como a vida se gasta sem culpa nem glória
és um rapaz estranho, valter hugo mãe, aí metido
num amor nenhum que te magoa e esperas ter
lugar no mundo, com tanto que o mundo tem de distraído
devias morrer no dia dezoito de março de
mil novecentos e noventa e seis, como dizes que
vai acontecer, para que se acabe essa
imprecisa sentença que é a vida
volta a fechar a porta, não há nada para ti lá fora
e está frio, tens reumatismo, dói-te a cabeça, estás
gordo e careca, não faz sentido sequer que
tentes chegar às luzes esbatidas da marginal, ainda
que seja só ao lado menos percorrido pelos banhistas
volta a fechar a porta e talvez durmas, está um
agradável silêncio no prédio, tenho a certeza de que
reparaste nisso
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
onde vais, valter hugo mãe, tão sem ter
com quem, tão precipitado no vazio do
caminho à procura de quê
porque não ficas em casa, resignadamente só, a
ver como a vida se gasta sem culpa nem glória
és um rapaz estranho, valter hugo mãe, aí metido
num amor nenhum que te magoa e esperas ter
lugar no mundo, com tanto que o mundo tem de distraído
devias morrer no dia dezoito de março de
mil novecentos e noventa e seis, como dizes que
vai acontecer, para que se acabe essa
imprecisa sentença que é a vida
volta a fechar a porta, não há nada para ti lá fora
e está frio, tens reumatismo, dói-te a cabeça, estás
gordo e careca, não faz sentido sequer que
tentes chegar às luzes esbatidas da marginal, ainda
que seja só ao lado menos percorrido pelos banhistas
volta a fechar a porta e talvez durmas, está um
agradável silêncio no prédio, tenho a certeza de que
reparaste nisso
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
A NATUREZA REVOLUCIONÁRIA DA FELICIDADE
Amanhã o céu estará estrelado para os lados do TCA.
Entregaremos a nossa felicidade nas mãos dos seguintes artistas:
valter hugo mãe - o grande responsável
Bruno Pereira - performance musical
Pedro Pereira - piano (directamente de Moscovo para as "Quintas")
Isaque Ferreira - leituras
Pedro Lamares - leituras
Maria do Céu Ribeiro - leituras
Slimmy e a sua banda - concerto acústico
Marco Oliveira - apresentação do novo genérico das "Quintas"
Prometemos: 150 minutos de pura Poesia.
Entregaremos a nossa felicidade nas mãos dos seguintes artistas:
valter hugo mãe - o grande responsável
Bruno Pereira - performance musical
Pedro Pereira - piano (directamente de Moscovo para as "Quintas")
Isaque Ferreira - leituras
Pedro Lamares - leituras
Maria do Céu Ribeiro - leituras
Slimmy e a sua banda - concerto acústico
Marco Oliveira - apresentação do novo genérico das "Quintas"
Prometemos: 150 minutos de pura Poesia.
20/01/09
Um mundo de boas pessoas
Carlos Vaz Marques entrevistou valter hugo mãe para o programa Pessoal e Transmissível da TSF ( emitido a 29 de Setembro de 2008) .
À pergunta: qual é a sua crença mais profunda? valter responde:
"Acredito que este ainda vai ser um mundo de boas pessoas!"
O som desta conversa está online aqui:
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=1019588
À pergunta: qual é a sua crença mais profunda? valter responde:
"Acredito que este ainda vai ser um mundo de boas pessoas!"
O som desta conversa está online aqui:
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=1019588
Uma notícia atrasada
a poesia de valter hugo mãe
Este é o poema que escolhemos para a folha de sala da sessão da próxima quinta-feira. Será lido por Maria do Céu Ribeiro.
esplendorosa borboleta de sangue
todos os monstros têm o teu
nome, de mais ou menos bocas, grandes ou
pequenas milhares de patas, sangue jorrando ou
líquenes desfeitos, todos os monstros têm
o teu nome e por ofício perseguem-me. entram
por mim no soalheiro mundo dos
homens, usam a minha incúria
eu sou
uma esplendorosa borboleta de sangue. um
ser que voa no coração
e cada monstro virá dizer que me ama e
saberá convencer-me a suportar os seus
tentáculos, a apreciar até os beijos nos
orifícios mucosos por onde expele a
língua e será capaz de me fazer querer o
esbracejar nocturno dos seus gestos
e eu direi o teu nome e nunca me
enganarei
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
esplendorosa borboleta de sangue
todos os monstros têm o teu
nome, de mais ou menos bocas, grandes ou
pequenas milhares de patas, sangue jorrando ou
líquenes desfeitos, todos os monstros têm
o teu nome e por ofício perseguem-me. entram
por mim no soalheiro mundo dos
homens, usam a minha incúria
eu sou
uma esplendorosa borboleta de sangue. um
ser que voa no coração
e cada monstro virá dizer que me ama e
saberá convencer-me a suportar os seus
tentáculos, a apreciar até os beijos nos
orifícios mucosos por onde expele a
língua e será capaz de me fazer querer o
esbracejar nocturno dos seus gestos
e eu direi o teu nome e nunca me
enganarei
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
19/01/09
OS POETAS CONVIDADOS DAS "QUINTAS"
22 de Janeiro
valter hugo mãe
"a natureza revolucionária da felicidade"
19 de Fevereiro
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
"O acervo da quietude"
26 de Março
Filipa Leal
"Havemos de ir a Viana"
23 de Abril
Vítor Nogueira
"Bagagem de mão"
"Quintas de Leitura" - a força da palavra.
valter hugo mãe
"a natureza revolucionária da felicidade"
19 de Fevereiro
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
"O acervo da quietude"
26 de Março
Filipa Leal
"Havemos de ir a Viana"
23 de Abril
Vítor Nogueira
"Bagagem de mão"
"Quintas de Leitura" - a força da palavra.
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