28/01/09

A poesia de Daniel Maia-Pinto Rodrigues


Trilho os bosques do vento
e dos rios colho rosas
na neblina das margens incertas.

Amor que ao longe descansas
no sol perfeito das clareiras
aguarda que já não tarda
a passagem ampla para os sonhos
o galope transbordante
a vertigem dos cavalos luminosos.

Já vejo nítida a candeia no arvoredo
e o vento chamar o dia
e a planície nascer do charco.

Como se o mar e a madrugada
estivessem submersos pelas ondas
havia água nos limites da água
na enchente dos nossos dias.

(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
Fotografia : Daniel Maia-Pinto Rodrigues na Luz por Pat

27/01/09

OS NOSSOS RECITADORES

Em 2009 eles vão dizer muita poesia nas "Quintas de Leitura":

Susana Menezes
Filipa Leal
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Isaque Ferreira
Pedro Lamares
Paulo Campos dos Reis
Maria do Céu Ribeiro
Nuno Moura
Paulo Condessa
Adriana Faria
Daniela Dias
Inês Veiga de Macedo
GermanO'nunes
Miuxa Carvalhal

Eles são a voz das "Quintas".

A poesia de Daniel Maia-Pinto Rodrigues

Repousam há horas os tordos
nos cedros.

Chego a este lugar verde
lugar de musgo se existissem muros
lugar de ténues cores ou
da luciluzente tranquilidade da erva
e das glaucas folhas dadas ao vento.

Esta ausência de ruído
ausência rútila de silêncio
forma idílica de as borboletas tocarem
o alecrim.

Vou-me embora. Levo uma menina loira
muito nova
a despedir-se de mim.

(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)

26/01/09

SLIMMY - fotografias de Sara Moutinho














"O ACERVO DA QUIETUDE". DIA 19 DE FEVEREIRO NO TCA.

Fotografia de Mafalda Capela


Daniel Maia-Pinto Rodrigues será o poeta convidado da próxima sessão das "Quintas de Leitura". Um espectáculo que contará ainda com outras presenças fulgentes:

Pedro Lamares, Daniela Dias e Adriana Faria (leituras)
Isaque Ferreira (performance líquida)
Álvaro Teixeira Lopes (piano)
Ana Free (concerto acústico)
Mafalda Capela (fotografia)

Os bilhetes serão postos à venda a partir de terça-feira, dia 27 de Janeiro.

Iniciamos hoje a publicação de todos os poemas que serão lidos na sessão. Uma selecção feita pelo próprio poeta convidado.

DEVAGAR

Devagar
setembro
entorna luz na planície.

Devagar
o vento
inventa choupos.

E choupos
devagar
tornam-se rio.

Devagar cavalos surgem galopando
erguem brancas as cabeças
respiram verdes a claridade.
E depois seguem
devagar
pelos túneis de luz.

(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)

22/01/09

Notícia publicada hoje no jornal gratuito Meia-Hora.
(para ler clicar sobre a imagem)

Hoje é dia de super poeta

valter hugo mãe, nas "Quintas de Leitura":

o super homem

vesti o meu fato de
super homem por baixo da
roupa de todos os dias quando
fui ouvir o que o médico
tinha para dizer sobre a
operação da minha
mãe. eu morri mil vezes
quando a operaram, iam
partir-lhe o osso do peito e
isso é tão avesso ao que
espero dela. até digo às
crianças que não corram em seu
redor, tem quase setenta anos e
está cansada e não é bom que caia ou
sequer se aflija. partiram-lhe o
osso do peito. fizeram-no porque
é assim que se faz, dizem, e eu,
secretamente com o meu fato de
super homem, supostamente
preparado para tudo, morri mil vezes
e, mesmo depois das boas palavras do
médico, ando lento, tão atrasado
nas ressurreições

(valter hugo mãe, "folclore íntimo" / Cosmorama Edições)

21/01/09

SLIMMY




Notícias: revista FOCUS e Jornal de Notícias, edições de hoje.

o poema que abre a sessão

gordo e careca

onde vais, valter hugo mãe, tão sem ter
com quem, tão precipitado no vazio do
caminho à procura de quê

porque não ficas em casa, resignadamente só, a
ver como a vida se gasta sem culpa nem glória

és um rapaz estranho, valter hugo mãe, aí metido
num amor nenhum que te magoa e esperas ter
lugar no mundo, com tanto que o mundo tem de distraído

devias morrer no dia dezoito de março de
mil novecentos e noventa e seis, como dizes que
vai acontecer, para que se acabe essa
imprecisa sentença que é a vida

volta a fechar a porta, não há nada para ti lá fora
e está frio, tens reumatismo, dói-te a cabeça, estás
gordo e careca, não faz sentido sequer que
tentes chegar às luzes esbatidas da marginal, ainda
que seja só ao lado menos percorrido pelos banhistas

volta a fechar a porta e talvez durmas, está um
agradável silêncio no prédio, tenho a certeza de que
reparaste nisso

(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)

A NATUREZA REVOLUCIONÁRIA DA FELICIDADE

Amanhã o céu estará estrelado para os lados do TCA.
Entregaremos a nossa felicidade nas mãos dos seguintes artistas:

valter hugo mãe - o grande responsável

Bruno Pereira - performance musical

Pedro Pereira - piano (directamente de Moscovo para as "Quintas")

Isaque Ferreira - leituras

Pedro Lamares - leituras

Maria do Céu Ribeiro - leituras

Slimmy e a sua banda - concerto acústico

Marco Oliveira - apresentação do novo genérico das "Quintas"

Prometemos: 150 minutos de pura Poesia.

20/01/09

Um mundo de boas pessoas

Carlos Vaz Marques entrevistou valter hugo mãe para o programa Pessoal e Transmissível da TSF ( emitido a 29 de Setembro de 2008) .

À pergunta: qual é a sua crença mais profunda? valter responde:

"Acredito que este ainda vai ser um mundo de boas pessoas!"

O som desta conversa está online aqui:

http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=1019588

Uma notícia atrasada


Foi publicada como sugestão na revista Visão de 18 de Dezembro de 2008. Chega aqui atrasada mas nunca é demais falar em «famosas sessões do Teatro do Campo Alegre no Porto.».

a poesia de valter hugo mãe

Este é o poema que escolhemos para a folha de sala da sessão da próxima quinta-feira. Será lido por Maria do Céu Ribeiro.

esplendorosa borboleta de sangue

todos os monstros têm o teu
nome, de mais ou menos bocas, grandes ou
pequenas milhares de patas, sangue jorrando ou
líquenes desfeitos, todos os monstros têm
o teu nome e por ofício perseguem-me. entram
por mim no soalheiro mundo dos
homens, usam a minha incúria

eu sou
uma esplendorosa borboleta de sangue. um
ser que voa no coração

e cada monstro virá dizer que me ama e
saberá convencer-me a suportar os seus
tentáculos, a apreciar até os beijos nos
orifícios mucosos por onde expele a
língua e será capaz de me fazer querer o
esbracejar nocturno dos seus gestos

e eu direi o teu nome e nunca me
enganarei

(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)

19/01/09

Revista Pública - jornal Público edição de ontem, Domingo.

NOTA: nesta sugestão da revista Pública refere-se entrada gratuita o que não é verdade, desconhecendo nós o porquê de tal afirmação.

OS POETAS CONVIDADOS DAS "QUINTAS"

22 de Janeiro

valter hugo mãe
"a natureza revolucionária da felicidade"

19 de Fevereiro
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
"O acervo da quietude"

26 de Março
Filipa Leal
"Havemos de ir a Viana"

23 de Abril
Vítor Nogueira
"Bagagem de mão"

"Quintas de Leitura" - a força da palavra.

a poesia de valter hugo mãe

nenhum amor escapa impune

deixa-me perguntar se te
pareço tão assustado assim. não
me sinto deslocado, talvez curioso, mas
nem surpreso. algo em ti me puxa
sempre ao sentimento, mesmo antes de
te conhecer, lembras-te, uma propensão para
te tratar bem, cuidar, vulnerabilizar os meus
modos, recusar admitir que, também eu, sou
capaz de crueldades quotidianas e
impunes. queria conversar contigo
sobre o nelson, que foi ver as coisas a
arder fotografando a própria
pele. queria falar-te da isabel e de como
choramos juntos, muito maricas, quando
nos correm mal estes amores ou, pior, a
nossa amizade. esta noite sonhei contigo e
achei graça dizer-te que cheirava mal
na nossa cama. que me incomodou a luz a entrar
pela persiana por fechar. que ouvi com dor o
orgasmo da vizinha de baixo

queria que soubesses que também eu
poderia ter ardido para o nelson
fotografar. queria que soubesses que
também poderia parar de chorar pela
isabel. queria que soubesses que o faria
exclusivamente
para arruinar o meu coração se fosse a
tua vontade e com isso te deixasse em
paz. faria qualquer coisa, ainda que
quisesse morrer a seguir, faria qualquer coisa que,
por um instante, te pusesse
a pensar em mim

(valter hugo mãe, "folclore íntimo", Cosmorama Edições)

16/01/09

ÍPSILON

Hoje no ÍPSILON do jornal Público. Para ler clicar sobre a imagem.
A fotografia de valter hugo mãe é de Pat.

"QUINTAS" COM MUITA MÚSICA

Anunciamos hoje, em primeira mão, os concertos que nos esperam nos próximos meses no TCA, no âmbito do ciclo "Quintas de Leitura".

22 de Janeiro:

Slimmy
Pedro Pereira (piano)

19 de Fevereiro:

Ana Free
Álvaro Teixeira Lopes (piano)

26 de Março:

Lula Pena

23 de Abril:

Mazgani

14 e 15 de Maio:

Lucía Aldao (Galiza)
Os Garfunkels


18 de Junho:

Aldina Duarte

As "Quintas" dão-lhe boas razões para não ficar em casa. Atreva-se.