Em 2009 eles vão dizer muita poesia nas "Quintas de Leitura":
Susana Menezes
Filipa Leal
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Isaque Ferreira
Pedro Lamares
Paulo Campos dos Reis
Maria do Céu Ribeiro
Nuno Moura
Paulo Condessa
Adriana Faria
Daniela Dias
Inês Veiga de Macedo
GermanO'nunes
Miuxa Carvalhal
Eles são a voz das "Quintas".
27/01/09
A poesia de Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Repousam há horas os tordos
nos cedros.
Chego a este lugar verde
lugar de musgo se existissem muros
lugar de ténues cores ou
da luciluzente tranquilidade da erva
e das glaucas folhas dadas ao vento.
Esta ausência de ruído
ausência rútila de silêncio
forma idílica de as borboletas tocarem
o alecrim.
Vou-me embora. Levo uma menina loira
muito nova
a despedir-se de mim.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
nos cedros.
Chego a este lugar verde
lugar de musgo se existissem muros
lugar de ténues cores ou
da luciluzente tranquilidade da erva
e das glaucas folhas dadas ao vento.
Esta ausência de ruído
ausência rútila de silêncio
forma idílica de as borboletas tocarem
o alecrim.
Vou-me embora. Levo uma menina loira
muito nova
a despedir-se de mim.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
26/01/09
"O ACERVO DA QUIETUDE". DIA 19 DE FEVEREIRO NO TCA.
Daniel Maia-Pinto Rodrigues será o poeta convidado da próxima sessão das "Quintas de Leitura". Um espectáculo que contará ainda com outras presenças fulgentes:
Pedro Lamares, Daniela Dias e Adriana Faria (leituras)
Isaque Ferreira (performance líquida)
Álvaro Teixeira Lopes (piano)
Ana Free (concerto acústico)
Mafalda Capela (fotografia)
Os bilhetes serão postos à venda a partir de terça-feira, dia 27 de Janeiro.
Iniciamos hoje a publicação de todos os poemas que serão lidos na sessão. Uma selecção feita pelo próprio poeta convidado.
DEVAGAR
Devagar
setembro
entorna luz na planície.
Devagar
o vento
inventa choupos.
E choupos
devagar
tornam-se rio.
Devagar cavalos surgem galopando
erguem brancas as cabeças
respiram verdes a claridade.
E depois seguem
devagar
pelos túneis de luz.
(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, "Dióspiro"/ Quasi Edições)
22/01/09
Hoje é dia de super poeta
valter hugo mãe, nas "Quintas de Leitura":
o super homem
vesti o meu fato de
super homem por baixo da
roupa de todos os dias quando
fui ouvir o que o médico
tinha para dizer sobre a
operação da minha
mãe. eu morri mil vezes
quando a operaram, iam
partir-lhe o osso do peito e
isso é tão avesso ao que
espero dela. até digo às
crianças que não corram em seu
redor, tem quase setenta anos e
está cansada e não é bom que caia ou
sequer se aflija. partiram-lhe o
osso do peito. fizeram-no porque
é assim que se faz, dizem, e eu,
secretamente com o meu fato de
super homem, supostamente
preparado para tudo, morri mil vezes
e, mesmo depois das boas palavras do
médico, ando lento, tão atrasado
nas ressurreições
(valter hugo mãe, "folclore íntimo" / Cosmorama Edições)
o super homem
vesti o meu fato de
super homem por baixo da
roupa de todos os dias quando
fui ouvir o que o médico
tinha para dizer sobre a
operação da minha
mãe. eu morri mil vezes
quando a operaram, iam
partir-lhe o osso do peito e
isso é tão avesso ao que
espero dela. até digo às
crianças que não corram em seu
redor, tem quase setenta anos e
está cansada e não é bom que caia ou
sequer se aflija. partiram-lhe o
osso do peito. fizeram-no porque
é assim que se faz, dizem, e eu,
secretamente com o meu fato de
super homem, supostamente
preparado para tudo, morri mil vezes
e, mesmo depois das boas palavras do
médico, ando lento, tão atrasado
nas ressurreições
(valter hugo mãe, "folclore íntimo" / Cosmorama Edições)
21/01/09
o poema que abre a sessão
gordo e careca
onde vais, valter hugo mãe, tão sem ter
com quem, tão precipitado no vazio do
caminho à procura de quê
porque não ficas em casa, resignadamente só, a
ver como a vida se gasta sem culpa nem glória
és um rapaz estranho, valter hugo mãe, aí metido
num amor nenhum que te magoa e esperas ter
lugar no mundo, com tanto que o mundo tem de distraído
devias morrer no dia dezoito de março de
mil novecentos e noventa e seis, como dizes que
vai acontecer, para que se acabe essa
imprecisa sentença que é a vida
volta a fechar a porta, não há nada para ti lá fora
e está frio, tens reumatismo, dói-te a cabeça, estás
gordo e careca, não faz sentido sequer que
tentes chegar às luzes esbatidas da marginal, ainda
que seja só ao lado menos percorrido pelos banhistas
volta a fechar a porta e talvez durmas, está um
agradável silêncio no prédio, tenho a certeza de que
reparaste nisso
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
onde vais, valter hugo mãe, tão sem ter
com quem, tão precipitado no vazio do
caminho à procura de quê
porque não ficas em casa, resignadamente só, a
ver como a vida se gasta sem culpa nem glória
és um rapaz estranho, valter hugo mãe, aí metido
num amor nenhum que te magoa e esperas ter
lugar no mundo, com tanto que o mundo tem de distraído
devias morrer no dia dezoito de março de
mil novecentos e noventa e seis, como dizes que
vai acontecer, para que se acabe essa
imprecisa sentença que é a vida
volta a fechar a porta, não há nada para ti lá fora
e está frio, tens reumatismo, dói-te a cabeça, estás
gordo e careca, não faz sentido sequer que
tentes chegar às luzes esbatidas da marginal, ainda
que seja só ao lado menos percorrido pelos banhistas
volta a fechar a porta e talvez durmas, está um
agradável silêncio no prédio, tenho a certeza de que
reparaste nisso
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
A NATUREZA REVOLUCIONÁRIA DA FELICIDADE
Amanhã o céu estará estrelado para os lados do TCA.
Entregaremos a nossa felicidade nas mãos dos seguintes artistas:
valter hugo mãe - o grande responsável
Bruno Pereira - performance musical
Pedro Pereira - piano (directamente de Moscovo para as "Quintas")
Isaque Ferreira - leituras
Pedro Lamares - leituras
Maria do Céu Ribeiro - leituras
Slimmy e a sua banda - concerto acústico
Marco Oliveira - apresentação do novo genérico das "Quintas"
Prometemos: 150 minutos de pura Poesia.
Entregaremos a nossa felicidade nas mãos dos seguintes artistas:
valter hugo mãe - o grande responsável
Bruno Pereira - performance musical
Pedro Pereira - piano (directamente de Moscovo para as "Quintas")
Isaque Ferreira - leituras
Pedro Lamares - leituras
Maria do Céu Ribeiro - leituras
Slimmy e a sua banda - concerto acústico
Marco Oliveira - apresentação do novo genérico das "Quintas"
Prometemos: 150 minutos de pura Poesia.
20/01/09
Um mundo de boas pessoas
Carlos Vaz Marques entrevistou valter hugo mãe para o programa Pessoal e Transmissível da TSF ( emitido a 29 de Setembro de 2008) .
À pergunta: qual é a sua crença mais profunda? valter responde:
"Acredito que este ainda vai ser um mundo de boas pessoas!"
O som desta conversa está online aqui:
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=1019588
À pergunta: qual é a sua crença mais profunda? valter responde:
"Acredito que este ainda vai ser um mundo de boas pessoas!"
O som desta conversa está online aqui:
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=1019588
Uma notícia atrasada
a poesia de valter hugo mãe
Este é o poema que escolhemos para a folha de sala da sessão da próxima quinta-feira. Será lido por Maria do Céu Ribeiro.
esplendorosa borboleta de sangue
todos os monstros têm o teu
nome, de mais ou menos bocas, grandes ou
pequenas milhares de patas, sangue jorrando ou
líquenes desfeitos, todos os monstros têm
o teu nome e por ofício perseguem-me. entram
por mim no soalheiro mundo dos
homens, usam a minha incúria
eu sou
uma esplendorosa borboleta de sangue. um
ser que voa no coração
e cada monstro virá dizer que me ama e
saberá convencer-me a suportar os seus
tentáculos, a apreciar até os beijos nos
orifícios mucosos por onde expele a
língua e será capaz de me fazer querer o
esbracejar nocturno dos seus gestos
e eu direi o teu nome e nunca me
enganarei
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
esplendorosa borboleta de sangue
todos os monstros têm o teu
nome, de mais ou menos bocas, grandes ou
pequenas milhares de patas, sangue jorrando ou
líquenes desfeitos, todos os monstros têm
o teu nome e por ofício perseguem-me. entram
por mim no soalheiro mundo dos
homens, usam a minha incúria
eu sou
uma esplendorosa borboleta de sangue. um
ser que voa no coração
e cada monstro virá dizer que me ama e
saberá convencer-me a suportar os seus
tentáculos, a apreciar até os beijos nos
orifícios mucosos por onde expele a
língua e será capaz de me fazer querer o
esbracejar nocturno dos seus gestos
e eu direi o teu nome e nunca me
enganarei
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/ Cosmorama Edições)
19/01/09
OS POETAS CONVIDADOS DAS "QUINTAS"
22 de Janeiro
valter hugo mãe
"a natureza revolucionária da felicidade"
19 de Fevereiro
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
"O acervo da quietude"
26 de Março
Filipa Leal
"Havemos de ir a Viana"
23 de Abril
Vítor Nogueira
"Bagagem de mão"
"Quintas de Leitura" - a força da palavra.
valter hugo mãe
"a natureza revolucionária da felicidade"
19 de Fevereiro
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
"O acervo da quietude"
26 de Março
Filipa Leal
"Havemos de ir a Viana"
23 de Abril
Vítor Nogueira
"Bagagem de mão"
"Quintas de Leitura" - a força da palavra.
a poesia de valter hugo mãe
nenhum amor escapa impune
deixa-me perguntar se te
pareço tão assustado assim. não
me sinto deslocado, talvez curioso, mas
nem surpreso. algo em ti me puxa
sempre ao sentimento, mesmo antes de
te conhecer, lembras-te, uma propensão para
te tratar bem, cuidar, vulnerabilizar os meus
modos, recusar admitir que, também eu, sou
capaz de crueldades quotidianas e
impunes. queria conversar contigo
sobre o nelson, que foi ver as coisas a
arder fotografando a própria
pele. queria falar-te da isabel e de como
choramos juntos, muito maricas, quando
nos correm mal estes amores ou, pior, a
nossa amizade. esta noite sonhei contigo e
achei graça dizer-te que cheirava mal
na nossa cama. que me incomodou a luz a entrar
pela persiana por fechar. que ouvi com dor o
orgasmo da vizinha de baixo
queria que soubesses que também eu
poderia ter ardido para o nelson
fotografar. queria que soubesses que
também poderia parar de chorar pela
isabel. queria que soubesses que o faria
exclusivamente
para arruinar o meu coração se fosse a
tua vontade e com isso te deixasse em
paz. faria qualquer coisa, ainda que
quisesse morrer a seguir, faria qualquer coisa que,
por um instante, te pusesse
a pensar em mim
(valter hugo mãe, "folclore íntimo", Cosmorama Edições)
deixa-me perguntar se te
pareço tão assustado assim. não
me sinto deslocado, talvez curioso, mas
nem surpreso. algo em ti me puxa
sempre ao sentimento, mesmo antes de
te conhecer, lembras-te, uma propensão para
te tratar bem, cuidar, vulnerabilizar os meus
modos, recusar admitir que, também eu, sou
capaz de crueldades quotidianas e
impunes. queria conversar contigo
sobre o nelson, que foi ver as coisas a
arder fotografando a própria
pele. queria falar-te da isabel e de como
choramos juntos, muito maricas, quando
nos correm mal estes amores ou, pior, a
nossa amizade. esta noite sonhei contigo e
achei graça dizer-te que cheirava mal
na nossa cama. que me incomodou a luz a entrar
pela persiana por fechar. que ouvi com dor o
orgasmo da vizinha de baixo
queria que soubesses que também eu
poderia ter ardido para o nelson
fotografar. queria que soubesses que
também poderia parar de chorar pela
isabel. queria que soubesses que o faria
exclusivamente
para arruinar o meu coração se fosse a
tua vontade e com isso te deixasse em
paz. faria qualquer coisa, ainda que
quisesse morrer a seguir, faria qualquer coisa que,
por um instante, te pusesse
a pensar em mim
(valter hugo mãe, "folclore íntimo", Cosmorama Edições)
16/01/09
"QUINTAS" COM MUITA MÚSICA
Anunciamos hoje, em primeira mão, os concertos que nos esperam nos próximos meses no TCA, no âmbito do ciclo "Quintas de Leitura".
22 de Janeiro:
Slimmy
Pedro Pereira (piano)
19 de Fevereiro:
Ana Free
Álvaro Teixeira Lopes (piano)
26 de Março:
Lula Pena
23 de Abril:
Mazgani
14 e 15 de Maio:
Lucía Aldao (Galiza)
Os Garfunkels
18 de Junho:
Aldina Duarte
As "Quintas" dão-lhe boas razões para não ficar em casa. Atreva-se.
22 de Janeiro:
Slimmy
Pedro Pereira (piano)
19 de Fevereiro:
Ana Free
Álvaro Teixeira Lopes (piano)
26 de Março:
Lula Pena
23 de Abril:
Mazgani
14 e 15 de Maio:
Lucía Aldao (Galiza)
Os Garfunkels
18 de Junho:
Aldina Duarte
As "Quintas" dão-lhe boas razões para não ficar em casa. Atreva-se.
a poesia de valter hugo mãe
burocracia do fim de uma longa amizade
serve para lhe dizer, senhor
a. n., que depois do que
me fez, levei ao lixo cada objecto
que conservava a sua memória e que
eduquei a cabeça a pensar só em
excrementos sempre que por inércia
me quiser aborrecer com lembranças
do que vivi perto de si. que tolice, a
cabeça prega-nos truques, mas com o
presente estará sanado o vício e o
senhor, de vício, passará a ser um
cidadão livre da minha admiração e
cuidado. vai escrito aos dias vinte
de abril de dois mil e sete e vigora
em território nacional e comunitário
por aplicação directa e no resto do
mundo por força dos acordos tácitos
de quem tem vergonha na cara. no mais,
saiba que este poema o obriga a não
chegar à minha pessoa a menos de
vinte mil metros e a não me dirigir
palavra. com vocação para toda a
vida, este poema não é nada comparado
com a traição de que foi capaz. já penso
em excrementos quando escrevo
estes últimos versos e o meu coração
fecha-se naturalmente a toda e qualquer
ternura da sua amizade
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama Edições)
serve para lhe dizer, senhor
a. n., que depois do que
me fez, levei ao lixo cada objecto
que conservava a sua memória e que
eduquei a cabeça a pensar só em
excrementos sempre que por inércia
me quiser aborrecer com lembranças
do que vivi perto de si. que tolice, a
cabeça prega-nos truques, mas com o
presente estará sanado o vício e o
senhor, de vício, passará a ser um
cidadão livre da minha admiração e
cuidado. vai escrito aos dias vinte
de abril de dois mil e sete e vigora
em território nacional e comunitário
por aplicação directa e no resto do
mundo por força dos acordos tácitos
de quem tem vergonha na cara. no mais,
saiba que este poema o obriga a não
chegar à minha pessoa a menos de
vinte mil metros e a não me dirigir
palavra. com vocação para toda a
vida, este poema não é nada comparado
com a traição de que foi capaz. já penso
em excrementos quando escrevo
estes últimos versos e o meu coração
fecha-se naturalmente a toda e qualquer
ternura da sua amizade
(valter hugo mãe, "folclore íntimo"/Cosmorama Edições)
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