28/10/08

Ainda







Performance "Da Anatomia do Caracol": Sónia Baptista



As imagens de Ilda David'



José Tolentino Mendonça e Pedro Lamares (Leituras)


Leituras: Paulo Campos dos Reis



Leituras: Sofia Grillo

Leituras: Filipa Leal





José Tolentino Mendonça





OLD JERUSALEM (Francisco Silva)


Sessão de Quintas de Leitura A NOITE ABRE MEUS OLHOS
dedicada à poesia de José Tolentino Mendonça
(23 de Outubro de 2008 - Fotografias: Patrícia Campos)

- IRENE! IRENE! SIRVA O LEITE-CREME!

Estes versos de Alexandre O´Neill dão nome à próxima sessão das "Quintas de Leitura".
Realiza-se no dia 20 de Novembro, às 22h00, no Café-Teatro do TCA. Os bilhetes para este espectáculo serão postos à venda a partir das 13h00 de hoje.
Participam nesta mega-festa da poesia os seguintes artistas:

Leituras
O COPO (Nuno Moura e Paulo Condessa)
CAIXA GERAL DE DESPOJOS (Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Isaque Ferreira e Pedro Lamares)
Textos
Adília Lopes, Alberto Pimenta, Daniel Maia-Pinto Rodrigues e Joaquim Castro Caldas
Imagem
Manuela Pimentel
Performance
Mariana Rocha (apresenta a peça "Curta-mixagem)
Música
Carlos Maza (pianista e compositor) / projecto "Trotamundo"
Concepção e coordenação
João Gesta e Mafalda Capela

Um recital que apetece levar para casa...

23/10/08

Podemos encontrar referência ao recital de hoje - A noite abre meus olhos -na internet, entre outros, nestes sítios (clicar):

PnetLiteratura

SNPC

Educare






Notícias publicadas no Jornal Público de hoje.

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA HOJE NAS "QUINTAS DE LEITURA"

Em jeito de despedida, publicamos hoje o poema que fecha o recital. Será lido pela actriz Sofia Grillo.

Endzeit

Atrás de ti o caminho luminoso
como se o abismo tivesse uma cabeleira branca

José Tolentino Mendonça
(in "A noite abre meus olhos/poesia reunida", Assírio & Alvim)

22/10/08

A NOITE ABRE MEUS OLHOS

Filipa Leal lerá na sessão de amanhã "A rapariga de Providence", um poema de José Tolentino Mendonça:

A rapariga de Providence

Um nome arde tanto
de repente todos os caminhos parecem de regresso
a vida por si mesma não se pode escutar demasiado
a vida é uma questão de tempo
um sopro ainda mais frágil

a rapariga desce à pequena praça,
compra uma flor para ter na mão
uma forma intemporal de conservar
a perfeição ou a incerteza

(in "A noite abre meus olhos/poesia reunida", Assírio & Alvim)

OLD JERUSALEM


O songwriter Francisco Silva regressa às Quintas de Leitura amanhã à noite, na sessão dedicada à poesia de José Tolentino Mendonça.
Tudo sobre o projecto OLD JERUSALEM de Francisco Silva clicando aqui.

Fotografia de Leonel Sousa

21/10/08

Atenção ! Alteração ao espectáculo


Por motivos de saúde a fadista Aldina Duarte não poderá participar na sessão dedicada à poesia de José Tolentino Mendonça, na próxima Quinta-feira, dia 23 Outubro, às 22h00. Em seu lugar actuará o songwriter Francisco Silva (Old Jerusalem).

José Tolentino Mendonça
nas Quintas de Leitura

"Não avances tão depressa, minha noite" (José Tolentino Mendonça)

A noite de 23 de Outubro marca a estreia do Poeta e teólogo José Tolentino Mendonça nas "Quintas de Leitura" do TCA.

Intitulada "A noite abre meus olhos", a sessão dedicada a Tolentino contará com a presença do songwriter Francisco Silva – OLD JERUSALEM – música alternativa, pop e folk. Francisco Silva interpretará alguns dos seus maiores êxitos dos seus três álbuns já editados por uma das actuais editoras de referência Borland.

As leituras perpassam toda a obra poética de Tolentino e estarão, desta feita, a cargo dos actores Sofia Grillo, Pedro Lamares e Paulo Campos dos Reis e da poeta Filipa Leal.

A performer Sónia Baptista, presença habitual nas "Quintas de Leitura", apresentará, em estreia absoluta, a peça "Da Anatomia do Caracol", inspirada nos versos de Tolentino Mendonça.

Refira-se, por fim, a estreia da conhecida artista plástica Ilda David' neste ciclo poético. Ficaremos a dever-lhe as inolvidáveis imagens da sessão.

Uma noite de estreias e de estrelas fulgentes que darão Luz à sua existência.

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA NAS "QUINTAS DE LEITURA".

O actor Pedro Lamares lerá na sessão da próxima quinta-feira este poema de José Tolentino Mendonça:

Sobre um improviso de John Coltrane

Ainda espero o amor
como no ringue o lutador caído
espera a sala vazia

primeiro vive-se e não se pensa em nada
não me digam a mim
com o tempo apenas se consegue
chegar aos degraus da frente:
é difícil
é cada vez mais difícil entrar em casa

não discuto o que fizeram de nós estes anos
a verdade é de outra importância
mas hoje anuncio que me despeço
à procura de um país de árvores

e ainda se me deixo ficar
um pouco além do razoável
não ouvem? O amor é um cordeiro
que grita abraçado à minha canção

(in "A noite abre meus olhos/poesia reunida", Assírio & Alvim)

20/10/08

MAIS UM POEMA DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

Uma coisa a menos para adorar

Já vi matar um homem
é terrível a desolação que um corpo deixa
sobre a terra
uma coisa a menos para adorar
quando tudo se apaga
as paisagens descobrem-se perdidas
irreconciliáveis

entendes por isso o meu pânico
nessas noites em que volto sem razão nenhuma
a correr pelo pontão de madeira
onde um homem foi morto

arranco como os atletas ao som de um disparo seco
mas sou apenas alguém que de noite
grita pela casa

há quem diga
a vida é um pau de fósforo
escasso demais
para o milagre do fogo

hoje estive tão triste
que ardi centenas de fósforos
pela tarde fora
enquanto pensava no homem que vi matar
e de quem não soube nunca nada
nem o nome

( in "A noite abre meus olhos/poesia reunida", Assírio & Alvim)

17/10/08

É JÁ NA PRÓXIMA QUINTA-FEIRA A SESSÃO COM O POETA JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

Um dos poemas que será lido na sessão:

Plumas

Através da terra o amor
torna-nos estranhos à terra
liga-nos a uma divina linhagem
com seu tormento inapagável
suas velocidades enormes

O amor vive na ponta dos cabelos

O amor, ditam os frios de coração, é ruinoso
qualquer momento em chamas
denunciará a imprecisa inquietação que nos toma

Os inocentes que se amam dizem
teu corpo está a nevar
tua alma é uma flor
um prado tranquilo sua noite

Os inocentes que se amam
por seu tormento elevam-se
como plumas
num chapéu de passeio

José Tolentino Mendonça

16/10/08

A POESIA DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

Um poema de José Tolentino Mendonça, que será lido por Filipa Leal na sessão do próximo dia 23 de Outubro:

Diálogo para um personagem
de Andrei Tarkovskii

dizer-te é inclinar-me
sobre o
silêncio

faz que eu seja
o choupo
todo dobrado
na face pressentida
das águas

(in "A noite abre meus olhos/poesia reunida", Assírio & Alvim)

15/10/08

HERBERTO HELDER, OUTRA VEZ


cabelos amarrados quentes que se desamarram,
oh quero-te em volta de luz batida,
em língua máxima,
a floração devora as varas,
o ar que se empolga devora-te a obra mulheril,
uns palmos de sangue até à boca sôfrega,
e depois desmanchas-te

(Herberto Helder in "A faca não corta o fogo", Assírio & Alvim)

14/10/08






As Quintas de Leitura são mote criativo. Exemplo nesta notícia publicada no jornal DESTAK de hoje. Aqui a notícia foi dividida e ampliada para melhor leitura. (clicar sobre as imagens).

UMA PAUSA NA CRISE


O mais recente livro de Herberto Helder - "A faca não conta o fogo", 3.000 exemplares, Assírio & Alvim"- esgotou em poucas horas.
Para quem não teve a felicidade de o conseguir adquirir, aqui vos deixo um dos poemas que mais me fascinou:

(na morte de Mário Cesariny)

corpos visíveis,
nobilíssimos,
inseparável luz que move as coisas,
ter um inferno à mão seja qual for a língua,
toda a água é inocente e escoa-se entre as unhas,
à porta do forno crematório alguém lhe toca,
vai lá, vai que te acolham, brilha, brilha muito, brilha tanto quanto não
possas, brilha acima,
faz brilhar a mão que melhor redemoinha,
a mão mais inundada,
e ele entra sem esperança nenhuma,
só na última linha quando o coração rebenta,
reconhece quem o olha

Herberto Helder

13/10/08

AINDA A POESIA DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

Começar a semana a publicar um poema de José Tolentino Mendonça dá saúde e faz crescer.
Assim sendo, não hesitei:

Avisos

Explosões ouviam-se cada vez mais perto na baía
mas dizia-se são pescadores furtivos
amanhã veremos centenas de pequenos peixes
mortos pela praia.

um vento ríspido trazia do deserto
nuvens de areia
depositava às portas e nos telhados
uma muda ameaça

(in "A noite abre meus olhos/ poesia reunida", Assírio & Alvim)

10/10/08

Mudamos de cara!

Um belo dia para mudar.

Após 25 mil páginas visitadas neste blogue resolvemos

mudar de cara, ou pelo menos de cabeçalho.



Fica aqui o mote que encabeçou este blogue desde a sua nascença até hoje.





NOVALIS, por nós:



A poesia é o autêntico real absoluto. Isto é o cerne da minha filosofia.

Quanto mais poético, mais verdadeiro.

AINDA A POESIA DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

Publicamos hoje o poema que abre a sessão de 23 de Outubro. Será lido pelo actor Pedro Lamares.

A infância de Herberto Helder

No princípio era a ilha
embora se diga
o Espírito de Deus
abraçava as águas

Nesse tempo
estendia-me na terra
para olhar as estrelas
e não pensava
que esses corpos de fogo
pudessem ser perigosos

Nesse tempo
marcava a latitude das estrelas
ordenando berlindes
sobre a erva

Não sabia que todo o poema
é um tumulto
que pode abalar
a ordem do universo agora
acredito

Eu era quase um anjo
e escrevia relatórios
precisos
acerca do silêncio

Nesse tempo
ainda era possível
encontrar Deus
pelos baldios

Isto foi antes
de aprender a álgebra

(in "A noite abre meus olhos/poesia reunida", Assírio & Alvim)

09/10/08

princesa prometida - aldina duarte

A MULHER DESCONHECIDA


Mais um poema de José Tolentino Mendonça. Será lido, na sessão de 23 de Outubro, pelo actor Pedro Lamares.

A mulher desconhecida

É muito bela esta mulher desconhecida
que me olha longamente
e repetidas vezes se interessa
pelo meu nome

eu não sei
mas nos curtos instantes de uma manhã
ela percorreu ásperas florestas
estações mais longas que as nossas
a imposição temível do que
desaparece

e se pergunta tantas vezes o meu nome
é porque no corpo que pensa
aquela luta arcaica, desmedida se cravou:
um esquecimento magnífico
repara a ferida irreparável
do doce amor

(in "A noite abre meus olhos/poesia reunida, Assírio & Alvim)


Fotografia de Pat

08/10/08

"Os dias contados" de José Tolentino Mendonça


A actriz Sofia Grillo lerá, na sessão de 23 de Outubro, este belo poema de José Tolentino Mendonça:

Travessa da infância

Quietos fazemos as grandes viagens
só a alma convive com as paragens
estranhas

lembro-me de uma janela
na Travessa da Infância
onde seguindo o rumor dos autocarros
olhei pela primeira vez
o mundo

não sei se poderás adivinhar
a secreta glória que senti
por esses dias

só mais tarde descobri que
o último apeadeiro de todos
os autocarros
era ainda antes
do mundo

mas isso foi
muito depois
repito

(in "A noite abre meus olhos/poesia reunida", Assírio & Alvim)


Fotografia de Mafalda Capela

07/10/08

A POESIA DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

Publicamos hoje mais um dos poemas que será lido na sessão do dia 23 de Outubro.

Revelação

Meu o ofício incerto das palavras
a evocação do tempo
o recurso ao fogo

Meu o provisório olhar
sobre este rio
o fascínio consentido das margens
sitiando a distância

Meus são os dedos que em tumulto
modelam capitéis
de sombra e arestas

Mas oculto na brisa
és Tu quem percorre o poema
despertando as aves
e dando nome aos peixes

(in "A noite abre meus olhos/poesia reunida", Assírio & Alvim)

06/10/08

A NOITE ABRE MEUS OLHOS

23 de Outubro no TCA: uma noite cheia de estrelas fulgentes.

Poesia
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

Música
ALDINA DUARTE
acompanhada por José Manuel Neto (guitarra portuguesa) e Carlos Manuel Proença (viola de fado)

Leituras
FILIPA LEAL, SOFIA GRILLO, PAULO CAMPOS DOS REIS e PEDRO LAMARES

Performance
SÓNIA BAPTISTA

Imagem
ILDA DAVID'

"Não avances tão depressa, minha noite" (José Tolentino Mendonça)

25.000 PÁGINAS VISITADAS DO NOSSO BLOGUE

Obrigado a todos os que, dia a dia, nos ajudam a crescer. Juntos, virados para o Futuro e de mãos dadas com o Sonho, construiremos um mundo com mais Amor e mais Liberdade.

Este poema é para si, que ainda acredita que a Poesia pode ajudar a transformar o mundo.

SOCORROS MÚTUOS

Códigos indecifráveis, demasiados
segredos. A mente precisa de ajuda
para se libertar de certas coisas.

Voam os pássaros, sem nada
que os prenda. Andamos por aí
até acabar a gasolina.
Sim, Lisboa, tenho medo.
E não me envergonho disso.

De resto, há momentos em que
esse factor pouco importa.
Como quando erguemos
as mãos acima da cabeça
e avançamos para a luz.

Virá talvez o dia em que fraqueje.
Quem sabe, podemos fazer isso juntos.
Assim ninguém sai a perder.

(poema de Vítor Nogueira, in "Bagagem de Mão", &etc)

03/10/08

O ESTERCO DO MUNDO

Tenho amigos que rezam a Simone Weil
Há muitos anos reparo em Flannery O'Connor

Rezar deve ser como essas coisas
que dizemos a alguém que dorme
temos e não temos esperança alguma
só a beleza pode descer para salvar-nos
quando as barreiras levantadas
permitirem
às imagens, aos ruídos, aos espúrios sedimentos
integrar o magnífico
cortejo sobre os escombros

Os orantes são mendigos da última hora
remexem profundamente através do vazio
até que neles
o vazio deflagre

São Paulo explica-o na Primeira Carta aos Coríntios,
«até agora somos o esterco do mundo»,
citação que Flannery trazia à cabeceira

José Tolentino Mendonça
(in "A noite abre meus olhos/poesia reunida", Assírio & Alvim)

02/10/08

A POESIA DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

A tua mão

Reconheço a tua mão nesse abandono
visível não sei se pela escuridão
ou pela luz
quase sinto a natureza da tua vida
uma linha de fogo em enormes proporções
nesta mão
elegante, íntima, delicada
os dedos em inclinação muito leve
nem chega a ser um gesto

tanto se parece a uma despedida

(in "A noite abre meus olhos/poesia reunida", Assírio & Alvim)

01/10/08

ALDINA DUARTE NAS "QUINTAS DE LEITURA"

(Fotografia de Pat)


É a terceira presença da fadista Aldina Duarte nas "Quintas de Leitura".
Aldina actuará, durante trinta minutos, na segunda parte da sessão "A noite abre meus olhos", dedicada à poesia de José Tolentino Mendonça.

A fadista, acompanhada por José Manuel Neto (guitarra portuguesa) e Carlos Manuel Proença (viola de fado), cantará alguns temas do seu novo disco "Mulheres ao espelho".

No dia 23 de Outubro todos os caminhos vão dar ao TCA.

30/09/08

A QUE DISTÂNCIA DEIXASTE O CORAÇÃO

Este poema de José Tolentino Mendonça também será lido na próxima sessão das "Quintas":


A casa onde às vezes regresso

A casa onde às vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos anos

Durmo no mar, durmo ao lado de meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo

Tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração

(in "A noite abre meus olhos/poesia reunida", Assírio & Alvim)

29/09/08

A ESTREIA DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA NAS "QUINTAS"

É já no próximo dia 23 de Outubro que o Poeta José Tolentino Mendonça se estreará nas "Quintas de Leitura" do TCA.
Os bilhetes para esta sessão estarão à venda a partir de amanhã (13h00).
Publicamos hoje um dos poemas que será lido na sessão.

Do amor

À luz trazemos este paciente limite
não está em nós guiá-lo
ficará o amor
na sua grande maioria desconhecido
ensurdece a terra esta verdade

Assim se entende a inércia do mundo
pântanos torres e os recentes desertos
Assim se compreende por exemplo
que guardadores zelosos por nós pagos
cerrem a entrada nos jardins
ao princípio da noite

mas Lídia pede o poeta
«vem sentar-te comigo
à beira-rio»

à beira, à beira de quê?

(in "A noite abre meus olhos/poesia reunida", Assírio & Alvim)

26/09/08

Uma noite para sempre















De cima para baixo: o genérico das Quintas de Leitura, o cenário, Paulo Campos dos Reis, Isaque Ferreira, Susana Menezes, Alexandre Soares, Pedro Lamares, Bernardo Sassetti e Gonçalo M. Tavares.

(Fotografias de Pat)





25/09/08

Hoje nos jornais









De cima para baixo: Jornal de Letras (24 de Setembro) e revista Sábado e jornais Público, Jornal de Notícias, Destak e Meia- Hora ( hoje). Para ler clicar sobre as imagens.


A QUARTA PRESENÇA DE GONÇALO NAS "QUINTAS". ESTA NOITE.

Hoje é dia de Gonçalo M. Tavares nas "Quintas".
Para abrir o apetite para logo à noite, deixo-vos com mais um texto seu.

A FILHA

A filha discute com a mãe.
A mãe terá oitenta anos, a filha sessenta?
A mãe treme da cabeça e do guarda-chuva,
a filha ainda não.
A que ainda não treme discute como quem ensina.
Mas também tu irás tremer da mão e da cabeça
e também tu serás ensinada.

(in "1", Relógio D'Água Editores)

24/09/08

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA NAS "QUINTAS DE LEITURA".

Publicamos hoje mais um poema de José Tolentino Mendonça, o poeta convidado das "Quintas de Leitura" em 23 de Outubro.
Os bilhetes para esta sessão estarão à venda a partir da próxima terça-feira, dia 30 de Setembro.

Os versos

Os versos assemelham-se a um corpo
quando cai
ao tentar de escuridão a escuridão
a sua sorte

nenhum poder ordena
em papel de prata essa dança inquieta

(in "A noite abre meus olhos"/poesia reunida, Assírio & Alvim)

23/09/08

O POEMA

O poema é um exercício de dissidência, uma profissão de incredulidade na omnipotência do visível, do estável, do apreendido. O poema é uma forma de apostasia. Não há poema verdadeiro que não torne o sujeito um foragido. O poema obriga a pernoitar na solidão dos bosques, em campos nevados, por orlas intactas. Que outra verdade existe no mundo para lá daquela que não pertence a este mundo? O poema não busca o inexprimível: não há piedoso que, na agitação da sua piedade, não o procure. O poema devolve o inexprimível. O poema não alcança aquela pureza que fascina o mundo. O poema abraça precisamente aquela impureza que o mundo repudia.

(José Tolentino Mendonça, in "A noite abre meus olhos - poesia reunida", Assírio & Alvim)

22/09/08

Assim diz o semanário SOL na sua edição de 20 de Setembro.

ESTE POEMA DEU NOME À SESSÃO

José Tolentino Mendonça estreia-se nas "Quintas de Leitura" no dia 23 de Outubro. Publicamos hoje o poema que deu nome à sessão.

A NOITE ABRE MEUS OLHOS

Caminhei sempre para ti sobre o mar encrespado
na constelação onde os tremoceiros estendem
rondas de aço e charcos
no seu extremo azulado

Ferrugens cintilam no mundo,
atravessei a corrente
unicamente às escuras
construí minha casa na duração
de obscuras línguas de fogo, de lianas, de líquenes

A aurora para a qual todos se voltam
leva meu barco da porta entreaberta

o amor é uma noite a que se chega só

(José Tolentino Mendonça, in "A noite abre meus olhos - poesia reunida", Assírio & Alvim)

18/09/08

OS MORTOS

Não há mortos que morram tanto como os nossos.
Se um daqueles que nos pertence morre sete
ou setenta vezes no coração,
de quem apenas ouvimos falar morre uma vez, na sua data,
e os que sempre viveram longe
morrem-nos metade ou um oitavo. E metade
de uma morte é quase nada, são casas
decimais no sofrimento. (Que digo? Milésimas, milésimas!)

(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)

PALAVRAS, ACTOS

A ironia ensina a sabotar uma frase
Como se faz a um motor de automóvel:
Se retirares uma peça a máquina não anda, se mexeres
No verbo ou numa letra do substantivo
A frase trágica torna-se divertida,
E a divertida, trágica.
Este quase instinto de rasteirar as frases protegeu-me,
Desde novo, daquilo que ainda hoje receio: transformar
A linguagem num Deus que salve, e cada frase num anjo
Portador da verdade. Tirar seriedade ao acto da escrita
Aprendi-o na infância, tirar seriedade aos actos da vida
Comecei a aprender apenas depois de sair dela, e espero
Envelhecer aperfeiçoando esta desilusão.

(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)

17/09/08

CONSTRUÇÃO

A construção metódica de ruínas:
uma bomba.

(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio ´D'Água Editores)

16/09/08

PINTURA

O arco-íris cai não interferindo
Nas cores do quadro. O pintor
Agradece. O peixe lento
Que o pintor trouxe ao mundo tem
Cores despropositadas, porém não há nenhuma razão
Para apontar aos peixes a responsabilidade
De um erro, afinal,
Estético.
Quanto à literatura: não falha na cor,
Mas jamais acerta nas palavras.

(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)

JÁ RESTAM POUCOS BILHETES


Aguarda-se com expectativa o regresso de Gonçalo M. Tavares às "Quintas de Leitura". Uma sessão que se adivinha cheia de momentos mágicos.

Participam:

Gonçalo M. Tavares - escritor convidado
Bernardo Sassetti - piano solo
Alexandre Soares - guitarra
Susana Menezes, Isaque Ferreira, Paulo Campos dos Reis e Pedro Lamares - leituras
Rachel Caiano - imagem

No dia 25 de Setembro (22h00) todos os caminhos do Porto vão dar ao TCA. Junte-se a nós e ajude-nos a construir uma noite memorável.

15/09/08

O TREINO (OBSERVAÇÃO LIGEIRAMENTE PERVERSA)

Claro que o atleta treinado
corre mais que a mulher
a fugir do violador.
Demonstra-se assim ao mundo
a importância relativa do sofrimento e do orgulho próprio
quando comparados, claro está,
com a eficácia dos músculos
da perna.

(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D´Água Editores)

12/09/08

O ACIDENTE

A pedra cai sobre a cabeça
como cai sobre todas as coisas,
caindo com o peso inteiro e agressivo
concentrado numa intenção malvada,
recuperando no acto da queda a parte animal
(inimiga do homem)
que um dia lhe terá sido roubada pelos Deuses
quando separaram funções e coisas do Mundo
e à pedra disseram: não mais te mexas sem ordem dos outros.
A pedra cai, então, sobre a cabeça do ingénuo funcionário
dos correios, reformulando, por instantes,
o desequilíbrio do mundo.
Eis que sou um animal e odeio, diz a pedra
com a sua matéria
sobre a ingénua cabeça calva
de um funcionário dos correios,
amigo dócil dos seus patrões,
ingénuo como a pedra calma e imóvel em cima da erva
num domingo de sol claro.

(Gonçalo M. Tavares in "1"/ Relógio D'Água Editores)

11/09/08

ARQUITECTO

Depois da arquitectura
deslocou-se para o invulgar:
fundou um poema.

(Gonçalo M. Tavares in "1"/Relógio D'Água Editores)

10/09/08

CHÃO

Não há limite que não seja por ele suportado.
Suporta todo o cansaço. Traições, fadiga, falhanços.
Aconteça o que acontecer tens um corpo que pesa;
e um chão, mudo, imóvel, que não desaparece.

(Gonçalo M. Tavares in "1"/Relógio d'Água Editores)

09/09/08

A CAIXA DE FERRAMENTAS (SOBRE A POESIA)

Uma cabeça mais inteligente
que o resto do corpo; como a concentração
de instrumentos mortais
numa pequena cabana: nada fica de fora
a não ser o insignificante. Cinco dedos em cada mão,
e dois pés, duas pernas,
uma vertical desilusão sou eu para o Mundo,
e o meu corpo inteiro para o Mundo é ainda um traço
fácil de apagar, como um número escrito a lápis pela criança.
Porém a cabeça ainda sabe distinguir entre o animal
e a pedra, e tal habilidade é útil
como uma caixa de ferramentas.
Por vezes no entanto há isto: subitamente o homem envelhece
e começa a misturar tudo.

(Gonçalo M. Tavares, in "1" / Relógio D'Água Editores)

Performance Líquida - Margarida Mestre

Uma das grandes performers que já passaram este ano pelas Quintas de Leitura. As palavras são de Jorge Sousa Braga.

08/09/08

DESTINO

Ninguém tem tanto azar que caia num buraco inexistente
nem tanta força que seja capaz de subir à montanha plana.
Escavando, levantava a cabeça,
e quando levantava a cabeça dançava.

(Gonçalo M. Tavares, in "1"/Relógio D'Água Editores)

05/09/08

A próxima aventura de Gonçalo M. Tavares nas Quintas de Leitura


Setembro marca o regresso de Gonçalo M. Tavares às "Quintas de Leitura". Será a sua 4ª presença neste ciclo poético.

A sessão, intitulada "A Literatura e o Reino", realiza-se no dia 25 de Setembro, às 22h00, no Café-Teatro do TCA.

Gonçalo fará uma conferência sobre os seus quatro livro pretos (tetralogia "O Reino"): "Um Homem: Klaus Klump", "A Máquina de Joseph Walser", "Jerusalém" (Prémio Portugal Telecom "de literatura" 2007) e ""Aprender a rezar na Era da Técnica".

O pianista Bernardo Sassetti (piano solo) será o cúmplice primeiro de Gonçalo M. Tavares nesta aventura por terras do "Reino".

Serão lidos fragmentos, escolhidos pelo autor, de cada um dos livros que compõem a tetralogia. As leituras estarão a cargo de Susana Menezes, Pedro Lamares, Isaque Ferreira e Paulo Campos dos Reis.

O guitarrista Alexandre Soares (Ex-GNR) apresentará a peça "Nas mãos de Lenz", inspirada numa das personagens do livro "Aprender a rezar na Era da Técnica".

A imagem da sessão é da responsabilidade de Rachel Caiano, que prossegue assim a sua habitual colaboração com o autor convidado.

Prometemos-lhe uma noite intensa e mágica, onde poderá ouvir tudo o que nunca foi dito sobre os livros pretos de Gonçalo M. Tavares.
Uma noite que se prolongará pelos dias seguintes. Absolutamente a não perder.
(fotografia: Pat)

DOIS MUNDOS

Repara, são dois mundos.
Não é possível atirar água
à matemática.

(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)

04/09/08

SOBRE O AMOR

No intervalo entre duas garrafas, ele colocou uma terceira
Garrafa, e assim sucessivamente
Até fazer uma garrafeira. O espaço entre duas partículas
Da Física não é tão entusiasmante como o espaço
Que existe algures no teu decote;
daí que a parte da cidade interessada no erotismo
tenha abandonado todos os estudos
Que se referem a partículas mínimas e outras
Preciosidades. Medidas discretas tem o ar,
Que não se vê, e o Nada, que não existe. Robustez, é preciso;
Em cima da semente minúscula que se construa um edifício
Alto ou pelo menos uma laranjeira.
Vejamos: o que é o amor? O amor depois de aberto ao meio
É um. E mais não sei sobre essa
Mentira.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)

03/09/08

A POESIA DE GONÇALO M. TAVARES

Retomamos hoje a publicação de mais alguns poemas do próximo convidado das "Quintas de leitura".

Conselhos inúteis

Não é um roubo retirares da paisagem
uma andorinha ou uma cadeira, mas não é simpático.
Daí a considerares o que digo um convite à imobilidade,
parece-me exagero.
Move-te, sim, mas acrescentando
coisas e assuntos à paisagem onde entras. Eis só.

(in "1" / Relógio D'Água Editores)

O REGRESSO DE GONÇALO M. TAVARES ÀS "QUINTAS DE LEITURA"

25 de Setembro marca o regresso de Gonçalo M. Tavares a este ciclo poético. Um evento que contará com a presença dos seguintes artistas:

Gonçalo M. Tavares - conferência sobre os seus quatro livros pretos (O Reino)
Bernardo Sassetti - piano solo
Rachel Caiano - responsável pela imagem da sessão
Alexandre Soares - guitarra
Susana Menezes, Isaque Ferreira, Pedro Lamares e Paulo Campos dos Reis - leituras

Os bilhetes para esta sessão estarão à venda a partir de 4 de Setembro.

02/09/08

ATÉ SEMPRE, POETA!



uma boina

eu só a uso como cúpula inacabada
não dou ordens nem peço esmola
a uma arte de rua fugida à escola
que apanha traços a uma máscara

enfiaram-me o barrete à nascença
não tiro o boné a não ser na forca
fui trolha nos vitrais da renascença
e ando ainda ao leme da minha proa

(Joaquim Castro Caldas, in "Mágoa Das Pedras"/Deriva Editores)

01/09/08

SÓ CÁ VIM VER O SOL

Morreu ontem Joaquim Castro Caldas. Morreu um grande Poeta e um Homem de uma enorme integridade intelectual.

Publicamos aqui, sem cortes, um belo e comovente depoimento do também grande Poeta António Pedro Ribeiro:

"Foi o Joaquim Castro Caldas que me ensinou a dizer poesia. Foi o Joaquim Castro Caldas que me mostrou aquele jeito rebelde e sarcástico de lidar com as palavras. O Joaquim foi o mentor das noites de poesia no Pinguim quando uma multidão acorria àquele bar no Porto para, simplesmente, ouvir e dizer poesia. O Joaquim foi um dos maiores divulgadores da poesia neste país. E era, também, um excelente poeta. Quando escrevo estas linhas o Joaquim se não está morto deverá estar às portas da morte. Agora é fácil culpar o álcool, as úlceras, a vida que o Joaquim levava. Agora toda a gente vai procurar os escritos que o Joaquim deixou por aí espalhados. O Joaquim Castro Caldas tinha um feitio difícil. Por vezes, parecia arrogante. Mas por detrás dessa aparente arrogância havia uma grande generosidade. A generosidade de quem viu o inferno mas também o céu. A obra do Joaquim não teve o reconhecimento que merecia. Porque o Joaquim era um verdadeiro poeta. Levou uma vida de poeta. Andou pelos bares, procurou a loucura. Não foi um desses versejadores da corte, bem comportadinhos, sempre à cata do prémio. Olha, Joaquim, espero que te safes desta. Senão vai para o céu. Vai para o céu, porque o mereces. "

(António Pedro Ribeiro, 31/08/2008)


Morreu o Poeta, fica o seu valioso legado poético.

QUE SE FREUD

aos 20 já fodes
ainda não te fodem

aos 30 ainda fodes
mas já te fodem

aos 40 nem odes
nem ais de cima

aos 50 já não fodes
mas ainda te fodem

aos 60 dizem-te
que sabes da poda

aos 70 não te fodem
porque já se fodem

aos 80 que se Freud
porque a morte

(Joaquim Castro Caldas, in "Convém Avisar os Ingleses / Quasi Edições)

Joaquim, confesso-te, aqui, coração à altura do teclado: com a idade, fui aprendendo a gostar de ti.

01/08/08

Este blogue estará de férias todo o mês de Agosto.
Vamos ter saudades. Boas férias!