20/11/08

HOJE É DIA DE "QUINTAS"

Mais um poema de Joaquim Castro Caldas:

AO LADO

havia tantas coisas
que eu te queria dizer
se não fosse o abismo

de te perder num afago
de te ter do outro lado
do medo à minha beira

havia tantas coisas
que eu te queria dizer
se não fosse o amor

que há noites ao teu lado
em que me dói não sei
onde é que a distância ai

havia tantas coisas
se não fosse este fuçar
de nem fugir nem amar

19/11/08

HOJE NA TV


Hoje, entre as 16:00h e as 18:00h, no programa ZONA INTERDITA da Porto Canal, a Caixa Geral de Despojos estará em estúdio, em directo na TV, convidada a propósito da sessão de Quintas de Leitura de amanhã.

Tudo por culpa do RECITAL COM JANTES ALARGADAS: "Irene!Irene! Sirva o leite-creme!"

Participem também através do blogue do programa. Basta clicar aqui.

(fotografia: pat)

18/11/08

SÓ CÁ VIM VER O SOL

Publicamos hoje mais um poema de Joaquim Castro Caldas.

PRECE

um dia hei-de
ser um escritor
se tu meu amor
estupor de mundo
quando perder
a falsa linha
que une e separa
o homem do poeta
o rosto da máscara
o sémen da seiva
farei da palavra
profecia e alma
promessa e arma
o tiro será teu
mas a bala minha

(in "Só cá vim ver o sol", Quasi Edições)

17/11/08




Aproximem-se de José Luís Peixoto através do blogue que o escritor mantém no site da revista brasileira BRAVO.

Para acompanhar AQUI ou através da barra de blogues de poetas aqui ao lado esquerdo.



A Poesia de Joaquim Castro Caldas

O actor Pedro Lamares lerá no recital da próxima quinta-feira alguns poemas de Joaquim Castro Caldas. É a nossa forma singela e sentida de lembrar o Poeta, recentemente falecido.

DEVOLUÇÃO DOS CRAVOS

um menino uma vez
o tal que há em nós
sujo de liberdade
todo na ponta dos pés
tentou enfiar um cravo
no cano de uma G-3

hoje um homem talvez
menino velho sem voz
democrata que se farta
mete o cravo na culatra
e puxa-a de pé atrás
com medo que o seu país


PARÁBOLA DA PEQUENEZ

uma vez um portuguez à vez
tinha medo de ser alegre
e um portuguez de vez
vergonha de ser diferente

ambos tinham inveja
de um terceiro portuguez
que era burguez

ora o facto levou o primeiro
portuguez à loucura
e o segundo à estupidez

ao saber disto um quarto
portuguez que ia a passar
mandou dizer que se sentia
imensamente feliz


MATANÇA DO TEMPO

já não se mata o porco
só se parte o mealheiro
as patas são de barro
o sangue está infectado
nem o corpo é fumado
nem o amor é enchido
nem o fardo carregado

(in "Convém Avisar os Ingleses", Quasi Edições)

14/11/08

E os vossos comentários???
Não há nada a dizer???

HOMEM


Velho
à porta de sua casa
o pescador.
À sua frente grande
o mar.

A vida. A mulher. Os sonhos.
Subitamente a consciência toda
daquele momento carregado de frio
e de distância.
Mas o vinho ganha no copo
assim como o complicado sabor do cigarro
nos seus dedos.

A tranquilidade desce ao velho.
A imensa companhia da mulher.
Oceanos à viola outonos de lã.

(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, in "Dióspiro", Quasi Edições)

13/11/08

O programador em acção



João Gesta, o programador das QUINTAS DE LEITURA e alguns dos elementos assíduos nos nossos recitais vão participar num conjunto de performances que têm a particularidade de acontecerem às escuras. Programa na imagem - clicar para ler.

O Daniel


O Daniel Maia-Pinto Rodrigues tem um blogue criado e alimentado por alguém que tem um apreço especial pela sua escrita. A ligação do blogue O DANIEL - http://odanielmaia.blogspot.com/ - ao blogue das Quintas de Leitura é permanente. Vão lá dar uma espreitadela. Para um ser tão afastado das realidades "cibernáuticas" como o Daniel, o blogue em sua honra foi uma grande surpresa.

O LAGARTO DE GILA

Adquiri numa loja o sui generis lagarto de Gila.
Em casa observava amiúde o bicho.
Um dia lembrei-me de convidar amigos impressionáveis
para se boquiabrirem e assustarem o lagarto.
Já com os convidados a chegar
pareceu-me sentir nos olhos do animal
o querer dizer-me que não pretendia ver ninguém.
Correspondendo, escondi-o à pressa
no quarto de banho de serviço.
Os convidados, que suspeitavam ir haver uma surpresa
surpreenderam-se por não ter havido surpresa nenhuma.
Creio, porém, que consideraram o serão animado.
Eu, apesar de não o deixar transparecer
achei o convívio aborrecido.

(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, in "Dióspiro", Quasi Edições)

12/11/08

DANIEL, O GRANDE DESAFIADOR

Alguns momentos mais com a poesia de Daniel Maia-Pinto Rodrigues.

MARRECO

Ainda hoje me recordo
olha que foi mesmo engraçado
quando tu, Lagardère, naquela festa de arromba
de rompante me mostras a lomba.

x

De certo modo também eu, em tempos
fui infiel ao príncipe Charles.

x

Papagaia loira
de bico doirado
leva-me este corno
ao teu namorado.

x

VISITA DA CASA

"Afinal, o que é que vem cá fazer a Gabriela?!"
"Ó querida, não te virá mostrar as mamas dela?"

x

Houve uma coisa que veio do céu e disse:
- Sou a Celeste. Não te lembras!? A Celeste!
- Ah, sim! Olá, Celeste. Assim de repente
não estava a contar contigo.

x

LA NATURE AU PIMBA

Foram vistas duas palomas in the sky.
Uma era a filha, a outra era o pai.

(in "Dióspiro", Quasi Edições)

11/11/08

Daniel Maia-Pinto Rodrigues nas "Quintas de Leitura"

Fotografia : Daniel Maia-Pinto Rodrigues por Pat


A sessão "Irene! Irene! Sirva o leite-creme!" servirá também para marcar o regresso do poeta Daniel Maia-Pinto Rodrigues às "Quintas de Leitura". Lerá, na companhia de Isaque Ferreira, alguns poemas de sua autoria e também de Alberto Pimenta.
Publicamos hoje um dos poemas que será lido na sessão:

ENQUADRADINHOS MÉTODOS DE TRABALHO

Ultimamente têm-me maçado
com enjoativos trechos de lamúrias.

Ele são cinco mil mulheres mal tratadas
não sei quantas raparigas mal amanhadas
sete mil e quinhentas gaivotas assassinadas
um sem número de situações assaz desesperadas.

Eu tenho os meus próprios problemas:
ir à missa das doze, adiantar os estudos,
levar o cão à rua, assim não dá, não dá.

Desisto deste vilancete. É uma pena
eu não ter método de trabalho na escrita.

(Daniel Maia-Pinto Rodrigues, in "Dióspiro/poesia reunida 1977-2007", Quasi Edições)

10/11/08

Miami Vice

A mansão foi encontrada
junto à piscina da mansão
a piscina não se encontrou
a si própria

(Adília Lopes in "Obra", Mariposa Azual)

07/11/08


Notícia publicada hoje no site da revista VIVA - o Porto em revista on-line - sobre a próxima Quinta de Leitura. Para ler clicar aqui.

SETE RIOS ENTRE CAMPOS de ADÍLIA LOPES

O Chão optimista

Cair do cavalo
cair da escada
cair em mim
o rés-do-chão é tão bonito
o chão é tão bom
as violetas são macias
e não têm picos
ao contrário das rosas
o chão está cheio de ouro
por dentro
por fora um besouro
Dale Carnegie tem razão
o meu cavalo lambe-me a cara
não parti nada
não é o alcatrão
ou o passeio
do defenestrado
nem o útero da mãe
agora morta
é a libertação da queda
de Adão e Eva
é Adão que me estende a mão

x

O chão pessimista

Escuro
como breu
o chão
me comeu

(in "Obra", Mariposa Azual)

06/11/08

Quem vem tocar?



Carlos Mazza vai apresentar na próxima Quinta de Leitura o seu projecto
TROTAMUNDO. Para saber mais deste músico chileno a viver em Cuba, clicar aqui.

Mais poesia de Adília Lopes

A mala da senhora cai ao chão.
O cavalheiro apanha-a.

- Merci beaucoup.
- Pas de quoi.

Mete-a no cu.
Não cabe cá.

(anedota contada pela tia Paulina)

x

O grilo come
a gaiola de plástico
e volta
para o campo
onde está
o pirilampo

x

Na estufa
a planta carnívora
abocanha as chaves
da minha mãe
uma barreira de água
impede as formigas
de entrar

(in "Obra", Mariposa Azual)

05/11/08

Sirva-se o leite-creme !!!

Copo e Caixa Geral de Despojos no mesmo prato.

JÁ RESTAM POUCOS BILHETES PARA A PRÓXIMA SESSÃO DAS "QUINTAS".

A sessão "Irene!Irene!Sirva o leite-creme!" está quase a esgotar. Anuncia-se um recital de poesia cheio de emoção, com as presenças imaculadas dos colectivos "Caixa Geral de Despojos" e
"O Copo".

Hoje continuamos a divulgar poemas da grande Adília Lopes, que serão e não serão lidos na sessão por Nuno Moura e Paulo Condessa.

HARDCORE

Dez para as duas
Sapatos a mais para Cinderela
Não há orquídeas para Miss Blandish

x

Ela era boa rapariga - Sãozinha
ela era uma rapariga boa - Samantha
ela não era uma rapariga - Lassie

x

Saiu das suas tamanquinhas
para calçar escarpins de verniz
mas ficou descalça
depois tiveram de lhe cortar os pés
podres de ricos

(in "Obra", Mariposa Azual)

04/11/08

AUTOBIOGRAFIA SUMÁRIA DE ADÍLIA LOPES 2


Não deixo a gata do rés-do-chão brincar com as minhas baratas porque acho que as minhas baratas não gostam de brincar com ela.

(in "Obra", Mariposa Azual)
Fotografia: Europa Sugar por Pat