25/09/08
A QUARTA PRESENÇA DE GONÇALO NAS "QUINTAS". ESTA NOITE.
Para abrir o apetite para logo à noite, deixo-vos com mais um texto seu.
A FILHA
A filha discute com a mãe.
A mãe terá oitenta anos, a filha sessenta?
A mãe treme da cabeça e do guarda-chuva,
a filha ainda não.
A que ainda não treme discute como quem ensina.
Mas também tu irás tremer da mão e da cabeça
e também tu serás ensinada.
(in "1", Relógio D'Água Editores)
24/09/08
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA NAS "QUINTAS DE LEITURA".
Os bilhetes para esta sessão estarão à venda a partir da próxima terça-feira, dia 30 de Setembro.
Os versos
Os versos assemelham-se a um corpo
quando cai
ao tentar de escuridão a escuridão
a sua sorte
nenhum poder ordena
em papel de prata essa dança inquieta
(in "A noite abre meus olhos"/poesia reunida, Assírio & Alvim)
23/09/08
O POEMA
(José Tolentino Mendonça, in "A noite abre meus olhos - poesia reunida", Assírio & Alvim)
22/09/08
ESTE POEMA DEU NOME À SESSÃO
A NOITE ABRE MEUS OLHOS
Caminhei sempre para ti sobre o mar encrespado
na constelação onde os tremoceiros estendem
rondas de aço e charcos
no seu extremo azulado
Ferrugens cintilam no mundo,
atravessei a corrente
unicamente às escuras
construí minha casa na duração
de obscuras línguas de fogo, de lianas, de líquenes
A aurora para a qual todos se voltam
leva meu barco da porta entreaberta
o amor é uma noite a que se chega só
(José Tolentino Mendonça, in "A noite abre meus olhos - poesia reunida", Assírio & Alvim)
18/09/08
OS MORTOS
Se um daqueles que nos pertence morre sete
ou setenta vezes no coração,
de quem apenas ouvimos falar morre uma vez, na sua data,
e os que sempre viveram longe
morrem-nos metade ou um oitavo. E metade
de uma morte é quase nada, são casas
decimais no sofrimento. (Que digo? Milésimas, milésimas!)
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)
PALAVRAS, ACTOS
Como se faz a um motor de automóvel:
Se retirares uma peça a máquina não anda, se mexeres
No verbo ou numa letra do substantivo
A frase trágica torna-se divertida,
E a divertida, trágica.
Este quase instinto de rasteirar as frases protegeu-me,
Desde novo, daquilo que ainda hoje receio: transformar
A linguagem num Deus que salve, e cada frase num anjo
Portador da verdade. Tirar seriedade ao acto da escrita
Aprendi-o na infância, tirar seriedade aos actos da vida
Comecei a aprender apenas depois de sair dela, e espero
Envelhecer aperfeiçoando esta desilusão.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)
17/09/08
CONSTRUÇÃO
uma bomba.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio ´D'Água Editores)
16/09/08
PINTURA
Nas cores do quadro. O pintor
Agradece. O peixe lento
Que o pintor trouxe ao mundo tem
Cores despropositadas, porém não há nenhuma razão
Para apontar aos peixes a responsabilidade
De um erro, afinal,
Estético.
Quanto à literatura: não falha na cor,
Mas jamais acerta nas palavras.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)
JÁ RESTAM POUCOS BILHETES
Participam:
Gonçalo M. Tavares - escritor convidado
Bernardo Sassetti - piano solo
Alexandre Soares - guitarra
Susana Menezes, Isaque Ferreira, Paulo Campos dos Reis e Pedro Lamares - leituras
Rachel Caiano - imagem
No dia 25 de Setembro (22h00) todos os caminhos do Porto vão dar ao TCA. Junte-se a nós e ajude-nos a construir uma noite memorável.
15/09/08
O TREINO (OBSERVAÇÃO LIGEIRAMENTE PERVERSA)
corre mais que a mulher
a fugir do violador.
Demonstra-se assim ao mundo
a importância relativa do sofrimento e do orgulho próprio
quando comparados, claro está,
com a eficácia dos músculos
da perna.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D´Água Editores)
12/09/08
O ACIDENTE
como cai sobre todas as coisas,
caindo com o peso inteiro e agressivo
concentrado numa intenção malvada,
recuperando no acto da queda a parte animal
(inimiga do homem)
que um dia lhe terá sido roubada pelos Deuses
quando separaram funções e coisas do Mundo
e à pedra disseram: não mais te mexas sem ordem dos outros.
A pedra cai, então, sobre a cabeça do ingénuo funcionário
dos correios, reformulando, por instantes,
o desequilíbrio do mundo.
Eis que sou um animal e odeio, diz a pedra
com a sua matéria
sobre a ingénua cabeça calva
de um funcionário dos correios,
amigo dócil dos seus patrões,
ingénuo como a pedra calma e imóvel em cima da erva
num domingo de sol claro.
(Gonçalo M. Tavares in "1"/ Relógio D'Água Editores)
11/09/08
ARQUITECTO
deslocou-se para o invulgar:
fundou um poema.
(Gonçalo M. Tavares in "1"/Relógio D'Água Editores)
10/09/08
CHÃO
Suporta todo o cansaço. Traições, fadiga, falhanços.
Aconteça o que acontecer tens um corpo que pesa;
e um chão, mudo, imóvel, que não desaparece.
(Gonçalo M. Tavares in "1"/Relógio d'Água Editores)
09/09/08
A CAIXA DE FERRAMENTAS (SOBRE A POESIA)
que o resto do corpo; como a concentração
de instrumentos mortais
numa pequena cabana: nada fica de fora
a não ser o insignificante. Cinco dedos em cada mão,
e dois pés, duas pernas,
uma vertical desilusão sou eu para o Mundo,
e o meu corpo inteiro para o Mundo é ainda um traço
fácil de apagar, como um número escrito a lápis pela criança.
Porém a cabeça ainda sabe distinguir entre o animal
e a pedra, e tal habilidade é útil
como uma caixa de ferramentas.
Por vezes no entanto há isto: subitamente o homem envelhece
e começa a misturar tudo.
(Gonçalo M. Tavares, in "1" / Relógio D'Água Editores)
Performance Líquida - Margarida Mestre
Uma das grandes performers que já passaram este ano pelas Quintas de Leitura. As palavras são de Jorge Sousa Braga.
08/09/08
DESTINO
nem tanta força que seja capaz de subir à montanha plana.
Escavando, levantava a cabeça,
e quando levantava a cabeça dançava.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/Relógio D'Água Editores)
05/09/08
A próxima aventura de Gonçalo M. Tavares nas Quintas de Leitura
A sessão, intitulada "A Literatura e o Reino", realiza-se no dia 25 de Setembro, às 22h00, no Café-Teatro do TCA.
Gonçalo fará uma conferência sobre os seus quatro livro pretos (tetralogia "O Reino"): "Um Homem: Klaus Klump", "A Máquina de Joseph Walser", "Jerusalém" (Prémio Portugal Telecom "de literatura" 2007) e ""Aprender a rezar na Era da Técnica".
O pianista Bernardo Sassetti (piano solo) será o cúmplice primeiro de Gonçalo M. Tavares nesta aventura por terras do "Reino".
Serão lidos fragmentos, escolhidos pelo autor, de cada um dos livros que compõem a tetralogia. As leituras estarão a cargo de Susana Menezes, Pedro Lamares, Isaque Ferreira e Paulo Campos dos Reis.
O guitarrista Alexandre Soares (Ex-GNR) apresentará a peça "Nas mãos de Lenz", inspirada numa das personagens do livro "Aprender a rezar na Era da Técnica".
A imagem da sessão é da responsabilidade de Rachel Caiano, que prossegue assim a sua habitual colaboração com o autor convidado.
Prometemos-lhe uma noite intensa e mágica, onde poderá ouvir tudo o que nunca foi dito sobre os livros pretos de Gonçalo M. Tavares.
DOIS MUNDOS
Não é possível atirar água
à matemática.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)
04/09/08
SOBRE O AMOR
Garrafa, e assim sucessivamente
Até fazer uma garrafeira. O espaço entre duas partículas
Da Física não é tão entusiasmante como o espaço
Que existe algures no teu decote;
daí que a parte da cidade interessada no erotismo
tenha abandonado todos os estudos
Que se referem a partículas mínimas e outras
Preciosidades. Medidas discretas tem o ar,
Que não se vê, e o Nada, que não existe. Robustez, é preciso;
Em cima da semente minúscula que se construa um edifício
Alto ou pelo menos uma laranjeira.
Vejamos: o que é o amor? O amor depois de aberto ao meio
É um. E mais não sei sobre essa
Mentira.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)
03/09/08
A POESIA DE GONÇALO M. TAVARES
Conselhos inúteis
Não é um roubo retirares da paisagem
uma andorinha ou uma cadeira, mas não é simpático.
Daí a considerares o que digo um convite à imobilidade,
parece-me exagero.
Move-te, sim, mas acrescentando
coisas e assuntos à paisagem onde entras. Eis só.
(in "1" / Relógio D'Água Editores)
O REGRESSO DE GONÇALO M. TAVARES ÀS "QUINTAS DE LEITURA"
Gonçalo M. Tavares - conferência sobre os seus quatro livros pretos (O Reino)
Bernardo Sassetti - piano solo
Rachel Caiano - responsável pela imagem da sessão
Alexandre Soares - guitarra
Susana Menezes, Isaque Ferreira, Pedro Lamares e Paulo Campos dos Reis - leituras
Os bilhetes para esta sessão estarão à venda a partir de 4 de Setembro.
02/09/08
ATÉ SEMPRE, POETA!
uma boina
eu só a uso como cúpula inacabada
não dou ordens nem peço esmola
a uma arte de rua fugida à escola
que apanha traços a uma máscara
enfiaram-me o barrete à nascença
não tiro o boné a não ser na forca
fui trolha nos vitrais da renascença
e ando ainda ao leme da minha proa
(Joaquim Castro Caldas, in "Mágoa Das Pedras"/Deriva Editores)
01/09/08
SÓ CÁ VIM VER O SOL
Publicamos aqui, sem cortes, um belo e comovente depoimento do também grande Poeta António Pedro Ribeiro:
(António Pedro Ribeiro, 31/08/2008)
Morreu o Poeta, fica o seu valioso legado poético.
QUE SE FREUD
aos 20 já fodes
ainda não te fodem
aos 30 ainda fodes
mas já te fodem
aos 40 nem odes
nem ais de cima
aos 50 já não fodes
mas ainda te fodem
aos 60 dizem-te
que sabes da poda
aos 70 não te fodem
porque já se fodem
aos 80 que se Freud
porque a morte
(Joaquim Castro Caldas, in "Convém Avisar os Ingleses / Quasi Edições)
Joaquim, confesso-te, aqui, coração à altura do teclado: com a idade, fui aprendendo a gostar de ti.
16/08/08
Há uma hora há uma hora certa
Video arte sobre poema de Mario Cesariny no contexto do disco "Entre nós e as palavras" da banda "Os Poetas".
31/07/08
A POESIA TAMBÉM VAI A BANHOS
Recordamos aqui, antes das merecidas férias, o poema que dá nome à sessão.
A NOITE ABRE MEUS OLHOS
Caminhei sempre para ti sobre o mar encrespado
na constelação onde os tremoceiros estendem
rondas de aço e charcos
no seu extremo azulado
Ferrugens cintilam no mundo,
atravessei a corrente
unicamente às escuras
construí minha casa na duração
de obscuras línguas de fogo, de lianas, de líquenes
A aurora para a qual todos se voltam
leva meu barco da porta entreaberta
o amor é uma noite a que se chega só
(in "A noite abre meus olhos"- poesia reunida / Assírio & Alvim)
30/07/08
MESA
Não interfere no mundo: a mesa recebe, ampara.
Não julga, não dá instruções excessivas.
Recebe,
ampara,
não deixa cair.
Sobre ela as coisas claras permanecem claras, e não caem.
As escuras permanecem escuras, e não caem.
(Gonçalo M. Tavares in "1"/ Relógio D' Água)
29/07/08
UM DENTISTA
um dentista reformado que se pôs a pintar montanhas.
Pintou trinta e três montanhas como os pintores de parede
pintam trinta e três paredes. Depois parou, limpou o suor da testa,
pediu um copo de vinho e uma mulher, e despiu-se, embriagado,
fazendo sexo como um dentista
e não como um pintor de montanhas.
E se pensas que uma e outra forma de tocar numa mulher
são idênticas, então deves ler mais poesia.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/Relógio D' Água)
28/07/08
DEPOIS DE FÉRIAS
25 de Setembro
"A Literatura e o Reino - conferência por Gonçalo M. Tavares"
Participam:
Gonçalo M. Tavares (poeta convidado)
Bernardo Sassetti e Alexandre Soares (músicos convidados)
23 de Outubro
"A noite abre meus olhos"
Participam:
José Tolentino Mendonça (poeta convidado)
Aldina Duarte (fado)
Sónia Baptista (performance)
20 de Novembro
" -Irene! Irene!
Sirva o leite-creme"
Poesia de entretenimento científico.
O encontro histórico entre os dois únicos colectivos poéticos do mundo aprovados, vacinados e carimbados pela Asae: O COPO (Lisboa) e a CAIXA GERAL DE DESPOJOS (Porto-Nova Iorque-Arraiolos). Um momento poético com sabor a anchovas de Mirandela e endívias à Previdência, onde não faltarão textículos salteados de Adília Lopes, Alberto Pimenta e Daniel Maia-Pinto Rodrigues.
TCA: um teatro ao serviço do SONHO.
O DINHEIRO
de duas crianças estúpidas
serão transformados em papéis pequenos e inúteis,
soldados de uma qualquer batalha infantil. Daí a importância
dos Bancos e do modo exaustivo como desenvolvem
o mapa do comércio e da chantagem. O dinheiro
deve cair sempre nas mãos de quem conhece os seus segredos,
porque não se trata, lá está, de uma brincadeira de crianças.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/Relógio D' Água)
25/07/08
O VERÃO
Não apresenta qualquer talento para a chuva, diga-se.
Como o mudo que se concentra excessivamente
Para proferir um assobio magrinho
E acaba por tropeçar de maneira desastrada,
Caindo de uma altura
Desagradável,
E falecendo. O Verão, de facto,
Seria insuportável, não fosse
O futuro e a cerveja.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D' Água)
24/07/08
MAR
com invenções de última hora.
Inacreditável é a quantidade de elementos
que ainda não obedecem aos homens.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água)
23/07/08
FÓSFORO
para ver,
significa que não há janelas nem electricidade,
nem sequer sol.
Ou então significa que és louco.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água)
22/07/08
POEMA RARO
se encontrasse escrito nos lençóis da maca,
debaixo das costas do moribundo,
o intelectual, informado de tal facto,
não hesitaria um segundo.
Empurraria o moribundo, se possível ligeiramente para o lado,
se necessário para o chão,
e com uma caneta entre os dedos,
copiaria para o seu caderno preto
a preciosidade finalmente descoberta.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/Relógio D' Água)
Allegro ainda...
21/07/08
A PROVA NA POESIA
Nenhuma garantia basta.
Por exemplo: não há narrativas
que levem a prescindir
da proximidade do mar.
O mar é material: exige a tua presença.
Também assim com a poesia.
Como um peregrino:
vai rápido ver o verso.
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água)
18/07/08
A POESIA DE GONÇALO M. TAVARES
A Natureza tem uma entrada por trás
como os clubes clandestinos;
e o coração, mesmo apaixonado, não é tão estúpido
como uma galinha, por exemplo,
que é capaz de seguir durante horas
uma linha traçada a giz no chão.
(in "1", editora Relógio D'Água)
17/07/08
Bife Picado fora de horas
OS AVIÕES
Companheiros de jogo levantavam dedo e cabeça
Em direcção às bem organizadas nuvens de passageiros
E eu permanecia de rosto baixo como excluído
De uma brincadeira de que desconhecia o alfabeto.
Nunca me diverti com o excesso, ainda hoje
Tenho vergonha de certos ruídos,
Dizem-me que baixo muito a cabeça;
Como uma vaca que olha para a erva. E é verdade.
Por vezes tenho vergonha de ver, muitas vezes vergonha
De ser visto.
Gonçalo M. Tavares em "1" ( editora relógio d' água)
Gonçalo M. Tavares será o próximo convidado do ciclo "Quintas de Leitura". Nos próximos dias publicaremos neste blogue alguns dos seus poemas.
16/07/08
15/07/08
AS PRÓXIMAS SESSÕES
Dia 25 de Setembro
A Literatura e o Reino - conferência por Gonçalo M. Tavares
participam ainda:
Bernardo Sassetti (piano solo)
Susana Menezes, Pedro Lamares, Paulo Campos dos Reis e Isaque Ferreira (leituras)
Alexandre Soares (guitarra)
Rachel Caiano (imagem)
Dia 23 de Outubro
A Noite Abre Meus Olhos
participam:
José Tolentino Mendonça (poeta convidado)
Aldina Duarte (fado)
Sónia Baptista (performance)
Filipa Leal, Pedro Lamares e Paulo Campos dos Reis (leituras)
Ilda David' (imagem)
O Teatro do Campo Alegre ao serviço do SONHO.
11/07/08
Momentos da noite de ontem




10/07/08
09/07/08
AS ESTRELAS CHAMAM-SE UMAS ÀS OUTRAS PELOS NOMES PRÓPRIOS
Por ordem de entrada em órbita:
Catarina Nunes de Almeida
Marta Bernardes
Filipa Leal
Maria Bleck Soares
Susana Menezes
Pedro Lamares
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Tó Trips
Pedro Gonçalves
Ana Deus
Alexandre Soares
-Junte-se a nós e seja a estrela principal desta noite fulgente.
O "DIÁRIO" DE CATARINA
muito perto da estrada de pó.
O teu corpo por escrito em cima da mesa:
«Pégaso trocou as asas pelo peso de uma mulher».
Fomos recebendo o dia como se ele fosse
as margens e a sombra e nós
o caudal lento entre pernas da terra.
Cada gota um meio. Nem princípio nem fim.
E o dia chegou nu sem penas nem pêlos
igual aos animais alados cobertos
pelo peso de uma mulher.
(in "Prefloração", Quasi Edições, Catarina Nunes de Almeida)
08/07/08
A POESIA DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA
I
Quando as amoras estão maduras
a menstruação corre no vale
vinda do teu lado. A noite é uma ponte
deitada sobre as margens da cintura:
lugares de xisto onde repousam
sombras de animais.
II
Por vezes os seios crescem-me no teu peito.
Os dias vêm quando vêm os teus lábios
maçã que mordo entre as pernas.
Todo o nosso corpo é flor mútua
escultura que brotou do mesmo chão
imperfeita.
(in "Preflorações", Quasi Edições)
07/07/08
AS "FÁBULAS" DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA
a carne crua na boca dos centauros;
são assim as fábulas: os bandos partem
e os flamingos esperam,
as patas esmagando as penas que ficaram.
Depois são as asas que poisam no dorso de outros animais
são os campos que germinam nas entranhas das sementes
e a terra que não morre de parto
ainda que as flores nasçam siamesas.
(in "Preflorações", Quasi Edições)
04/07/08
A PROSTITUTA DA RUA DA GLÓRIA
é uma cítara com cordas de ferro
onde os insectos ferem as asas.
O teu canto arranha o azul da chama
e a cidade desperta para a dança:
um labirinto de minotauros
sorvendo o odor do primeiro tango -
um ténue resquício de feno escondido na nuca.
Ainda ontem foi lua cheia no teu ventre.
Sobrou um aquário onde os cegos vêm depenicar
a caspa dos pombos.
Hoje não saias, deixa-te ficar.
Pelos corredores as fêmeas largam o pó
das florestas quentes -
ténues resquícios de feno escondidos na nuca.
Hoje não saias, deixa-te ficar.
Deixa dormir o teu sexo cansado de morrer.
(in "Preflorações", Catarina Nunes de Almeida)
03/07/08
"PREFLORAÇÃO" de CATARINA NUNES DE ALMEIDA
HÍMEN
Desenho as palavras no lento desabraço das nossa pernas.
Esta noite compreendi que o meu corpo é leve
onde o teu estremece
que o teu nome acaba nas entranhas
onde o cheiro tem o meu nome
e queima.
CERES
Soubeste esperar por mim
embalada na carne o teu hálito
no meu hálito
alimentando os deuses
e as raízes que sustêm as almas.
Havia já um poema encravado no caule
duas notas da sinfonia
escorrendo para os beiços da terra.
Escavei-te e bebi
do teu incêndio
o meu incêndio
e nasci.
TODAS AS SERPENTES
Se me engasgar com o teu sangue
algum dia a minha língua será uma pétala?
Apenas um lago onde a terra derrama
todas as serpentes.
02/07/08
20.000 PÁGINAS VISITADAS DO NOSSO BLOGUE
ÚLTIMA SENTENÇA
Os meus cabelos morreram
abraçados às aves.
Entornei-lhes os meus seios
para que vivam de sede.
(in "Prefloração", Quasi Edições)
01/07/08
CATARINA NUNES DE ALMEIDA, A NOSSA PRÓXIMA CONVIDADA
Meio-dia na boca.
Um só toque entre mim
e o poema:
tanto porém o sangue
da primeira vez.
(in "Prefloração, Edições Quasi)
30/06/08
MAIS POESIA DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA
Escuto sem margens a melodia do rio.
Na noite existe um canto líquido
sementes que ardem nas línguas dos rouxinóis.
Sorvo essa polpa essa enxurrada de valsas
e atravesso a ponte.
Um calor primitivo roça a madrugada:
És tu o sol que me nasce entre as pernas.
(in "Prefloração", Quasi Edições)
27/06/08
A POESIA DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA
ENTARDECER
Hoje entardeci mais despida do que antigamente.
Não sei se pelos bosques tão devastados
se pelas bagas que colheste do meu dorso.
À tua sombra todos os amores são silvestres,
só as amoras são frutos impossíveis.
(in "Prefloração", Edições Quasi")
26/06/08
Alegre mas não muito
um pouco majestoso
Catarina Nunes de Almeida é a próxima convidada do ciclo poético "Quintas de Leitura". A sessão, intitulada "Allegro ma non troppo, un poco maestoso", realiza-se no dia 10 de Julho, às 22h00, no Café-Teatro do TCA.
Catarina Nunes de Almeida, actualmente a leccionar em Itália, é justamente considerada um dos nomes mais importantes da chamada "novíssima poesia portuguesa", ao lado de poetas como Filipa Leal, Daniel Jonas, Vasco Gato, Alexandre Nave, José Rui Teixeira, Vítor Nogueira e Rui Coias. Recorde-se que alguns destes autores foram já convidados das "Quintas de Leitura", tendo mesmo publicado na colecção "Cadernos do Campo Alegre", editada pelo Teatro do Campo Alegre.
A sessão construída em torno da poesia de Catarina reúne muitos convidados e momentos inesperados. Pauta-se, antes de tudo, pela juventude dos participantes.
A poeta e jornalista Filipa Leal conversará com a convidada. Um frente a frente, portanto, entre duas novíssimas vozes da poesia portuguesa.
A também jovem e talentosa escritora, cantora e performer Marta Bernardes, apresentará a peça "PhODA". Marta explica-nos que uma phoda mal realizada pode chegar a causar a morte. Ao contrário, a phoda correcta dá força e vigor, melhorando a floração e o desenvolvimento. Cá estaremos para ver...
As leituras estarão a cargo de Pedro Lamares, Susana Menezes, Daniel Maia-Pinto Rodrigues e da própria poeta convidada.
Outro jovem talento assegura a imagem da sessão - falamos da artista plástica Maria Bleck Soares.
E para fecharmos o ciclo em beleza, antes das merecidas férias de Verão, prometemos um memorável concerto pelos DEAD COMBO, banda composta pelos músicos Tó Trips (guitarra) e Pedro Gonçalves (contrabaixo). Tocarão temas do seu novíssimo disco "Lusitânia Playboys".
Refira-se, ainda, que os DEAD COMBO actuarão, numa parte do concerto, reforçados com dois "tristes tigres": Ana Deus (voz) e Alexandre Soares (guitarra). Não faltarão os temas "Descapotável", "Olho da Rua" e "Desnorte" que tanto sucesso fizeram no concerto das "40 horas de Serralves em festa".
De que mais argumentos precisa para se juntar a nós, nesta noite que se adivinha mágica?
Voltaremos em Setembro (dia 25) com uma noite dedicada aos “livros pretos” de Gonçalo M. Tavares, escritor convidado.
Até lá, viva a Língua Portuguesa e quem a apoiar!
Clube Dos Nadadores De Inverno live@ Serralves em festa 08
Um cheirinho do que pode ser o concerto de Ana Deus+ Dead Combo + Alexandre Soares nas «Quintas» de Julho.
DEAD COMBO
"Lusitânia Playboys"- Dead Combo.
Vídeo realizado por Alexandre Azinheira.
Nas Quintas em JULHO.
25/06/08
OUTRO POEMA DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA
Meio-dia na boca.
Um só toque entre mim
e o poema:
tanto porém o sangue
da primeira vez.
(in "Prefloração", Quasi Edições)
23/06/08
A Novíssima Poesia Portuguesa
Alguns destes autores já participaram nas "Quintas de Leitura" (Filipa Leal, Daniel Jonas, Vasco Gato). Anuncia-se para breve uma sessão com Rui Coias.
Em 10 de Julho participará Catarina Nunes de Almeida. A sessão intitula-se "Allegro ma non troppo, un poco maestoso".
Vamos hoje começar a divulgar alguns poemas da sua obra.
SOLO
Um dia os nossos gestos serão verdes.
Dormiremos aos pés da terra
nas nossas bocas só os pés da terra
e a folhagem em vez dos meus braços.
Basta um grão de pó na unha
a noite dedilhada no centro do poro
para que eu estenda os seios no deserto
depois da vindima. Entre a pele e as espigas
já não restam reticências - apenas uma escama
com que agasalho o mundo.
(in "Prefloração", Edições Quasi")
20/06/08
19/06/08
78 MESES DEPOIS
Houve de tudo: leituras, performance, dança, imagem, música e as fumarolas do Diogo. A "nossa" GINA honrou-nos com a sua presença, sentada na 1ª fila, ao colo do Alberto Magassela. Ufana.
Há noites assim:
Ontem levámos uma tareia de Poesia, Poesia cor de gente, Poesia virada para o lado certo da Vida.
Estamos todos de parabéns - 80 espectáculos ao serviço da nossa língua, ao serviço da nossa Pátria.
Aos que fazem, aos que deixam fazer, aos navegadores solitários, cúmplices que, mês a mês, enchem o nosso auditório, o programador do ciclo dedica o mais belo exercício espiritual do mundo. Para não ter de dizer que vos amo:
exercício espiritual
É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem
É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora
(Mário Cesariny)
é preciso dizer quinta em vez de dizer horizonte
18/06/08
BIFE PICADO - TUDO ACABADO
Os Homens Estragaram o Romantismo
Com a cabeça cheia de ideias
fui até ao centro comercial.
Vi jovens bonitas e também feias
é normal, até aqui tudo bestial.
Cheio de enlevo, a cada bonita disse:
«Vem lá a casa, serás bem aparecida.»
Já em casa, oh!, antes não a visse,
estava no meu quarto a feia adormecida.
( Daniel Maia-Pinto Rodrigues)
17/06/08
BIFE PICADO - ANJO ACOCORADO
Quando te pões a mastigar o tojo
para troçar dos ruminantes
fico realmente confuso, preocupado
(in "Dióspiro", Edições Quasi)
16/06/08
BIFE PICADO - BURRO TRANSTORNADO
SOPHIA
viveu sempre à distância
de uma milha ilha a ilha
que separa o mar da terra
escolheu por acaso a grécia
podia ter sido uma avenida
numa cidade puta ou divina
preferiu no entanto semente
os outros que a colham breve
ao que nus resta de inocência
(in "só cá vim ver o sol", Edições Quasi)
13/06/08
BIFE PICADO - ROSA DO ADRO
AFINAL, A MEMÓRIA
Afinal eram iguais os homens
as mulheres
vistos de cima
quando abanavam ligeiramente a cabeça
para a frente e para trás
ao mesmo tempo,
ou se inclinavam nas horas da infância, da minha infância,
ou quando mexiam no cabelo uns dos outros
para eu adormecer.
Afinal a memória era um lugar parecido
com a memória, e o sonho era um lugar parecido
com a memória, e nós talvez fôssemos todos, na verdade,
parecidos
uns com os outros.
(in "O problema de ser norte", Deriva Editores)
12/06/08
BIFE PICADO - SEGREDO DE ESTADO
AS PESSOAS SENSÍVEIS
As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Àquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra
"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão."
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.
Sophia de Mello Breyner Andresen
(Livro sexto)
11/06/08
BIFE PICADO - CAMIÃO PARADO
MARÉ VIVA
Os longos braços da maré
imprimem na areia
o percurso da lua cheia.
No longo espaço sobre a linha do mar
o súbito deserto
de mim perto
de mim fresca sombra
vértebra da lua
nos sulcos da areia
fundos
que os longos braços da maré
removem do meu corpo nu.
(in "Diário flagrante", Assírio & Alvim)
09/06/08
The terrible truth
Vídeo-poema apresentado no dia 15 de Maio de 2008 na sessão de s Quintas da Leitura do TCA intitulada «O Poeta Nu» dedicada a Jorge Sousa Braga.
imagem de Pedro Guimarães
sonorização de Paulo Sousa
locução de António Durães
com o poema «Portugal», de Jorge Sousa Braga.
BIFE PICADO - POETA ENGASGADO
na rua não dou a quem pede
o que pede, só dou à forma
como pede. no amor só dou
o que o amor me pede, não
dou à forma como pede.
e à vida peço me dê leve
aquilo que ninguém pede
(in "só cá vim ver o sol", Joaquim Castro Caldas, Edições Quasi)
BIFE PICADO - VIOLINO NO TELHADO
Às mulheres saiu-lhes parecido o pescoço.
(in "Dióspiro", Edições Quasi)
06/06/08
AS "QUINTAS" EM BALANÇO
7 espectáculos (dos quais 5 esgotados)
11 sessões (das quais 9 esgotadas)
1.368 espectadores
55 artistas convidados
99,7% (taxa de ocupação de salas)
Obrigado a todos os que com a sua presença alimentam este ciclo - 77 meses consecutivos ao serviço do Sonho.
BIFE PICADO - REGADOR FURADO
um dia político
num grupo de amigos
eu disse desisto
à dúvida dos inimigos
rectifiquei resisto
pelo que ao meio termo
altero o discurso
insisto
(in "Convém Avisar os Ingleses", Edições Quasi")
05/06/08
BIFE PICADO - NAVIO AFUNDADO
O PRINCÍPIO DA ORAÇÃO
Senhor, enche o meu quarto
de alto mar.
(in "O problema de ser norte", Deriva)
04/06/08
BIFE PICADO - NOIVO ENFADADO
ESTIGMA
Filhos dum deus selvagem e secreto
E cobertos de lama, caminhamos
Por cidades,
Por nuvens
E desertos.
Ao vento semeamos o que os homens não querem.
Ao vento arremessamos as verdades que doem
E as palavras que ferem.
Da noite que nos gera, e nós amamos,
Só os astros trazemos.
A treva ficou onde
Todos guardamos a certeza oculta
Do que nós não dizemos,
Mas que somos.
03/06/08
BIFE? BIFE? BIFE?
O EVENTO
Desta feita, o desatino, quase poético, intitula-se "BIFE PICADO" e está marcado para o dia 18 de Junho, às 22h00, no Auditório do TCA. Uma quarta-feira. Desde logo, a primeira novidade: trata-se da primeira quinta-feira de leitura do mundo feita a uma quarta-feira. Porquê? - perguntar-se-á.
Por razões meteorológicas e porque sim, respondemos nós, com a superioridade moral de quem tem o S. Pedro, a Soraia Chaves e o ministro das pescas do nosso lado.
A CONCEPÇÃO SEM DOR
"BIFE PICADO" é uma concepção sem mágoa de João Gesta e Mafalda Capela, com direcção de cena de Pedro Lamares. Membros impolutos do colectivo poético, até nos deixarem.
A HOMENAGEM
"BIFE PICADO" é também a oportunidade rara de homenagear Buffalo Bill, um herói da nossa infância, ao lado de Daniel Boone, Kit Carson, Sandokan e, mais recentemente, Amy Winehouse.
E o que tem a poesia a ver com Buffalo Bill? - perguntará, incrédulo, o espectador. É simples. Conta o biógrafo do aventureiro americano que ele, enquanto limpava a carabina, costumava recitar em voz alta um ou dois cantos de "Os Lusíadas". Nos intervalos, saía em êxtase da tenda, e dizimava uma ou duas manadas de búfalos que, na manhã seguinte, generosamente ofertava aos indígenas.
UM ELENCO LUXURIANTE
Conseguimos reunir à volta do bife um leque improvável e inqualificável de artistas.
Por ordem de entrada no limbo:
- os fogosos recitadores da "Caixa Geral de Despojos": Filipa Leal, Susana Menezes, Isaque Ferreira, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Pedro Lamares e Isaque Ferreira. A "Caixa" actua já com o seu reforço de Verão: a actriz Sofia Grilo.
- o coreógrafo Victor Hugo Pontes que apresenta a peça ´"Ícones", com interpretação de Victor Hugo Pontes, Joana Antunes e Ricardo Machado.
- a dupla americana Thollem MacDonas (piano) e Germaul Barnes (dança), que nos encostará à parede com a performance "Between Between".
- Luís Tobias, também membro da "Caixa Geral de Despojos", responsável pela imagem da sessão.
- performance musical "Lupas em Vénus", a primeira girls band que antes de o ser já o era. Presenças arrebatadoras de Adriana Faria, Daniela Dias, Inês V. Macedo, Maria Enes e Sofia V. Macedo. Para ver e escolher com atenção.
- remate com a música encantatória de Tiago Bettencourt (líder dos grupos Toranja e Mantha). Actuação a solo, para levar para casa.
- lamentavelmente, por razões patrióticas e orçamentais, foi cancelado um momento de strip-tease e poética quântica interpretado pela prima de Bufallo Bill. Paciência - não faltarão oportunidades.
A RIMA QUASE PERFEITA
Serviremos textos apetecíveis da moderna poesia portuguesa e arredores: Fernando Alves dos Santos, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Tiago Rodrigues, , José Carlos Ary dos Santos, Álvaro de Campos, Sophia de Mello Breyner, Natália Correia, Mário Cesariny, Gomes Leal, Filipa Leal, Dan Rhodes e Vassily Kandinsky.
Venha partilhar connosco duas horas de poesia, música, dança e o que mais se verá. Traga agasalhos: bife picado - neve no telhado.
BIFE PICADO - OVO ESCALFADO
ADIVINHO
A si, Maria Leonor
vejo um príncipe na sua vida.
À senhora, Doutora Beatriz Ponce
vejo um futuro pleno de prosperidades.
A si, Olga Maria
vejo-lhe o diabo entre as coxas.
(in "Dióspiro", Edições Quasi)
02/06/08
BIFE PICADO - GATO ESCALDADO
MATANÇA DO TEMPO
já não se mata o porco
só se parte o mealheiro
as patas são de barro
o sangue está infectado
nem o corpo é fumado
nem o amor é enchido
nem o fardo carregado
(in "Convém Avisar os Ingleses", Edições Quasi)













Tiago Bettencourt (solo)
















Jornal PÚBLICO de hoje. 



