19/06/08

78 MESES DEPOIS




Foram 3 horas de frenético espectáculo - um bife verdadeiramente bem passado.
Houve de tudo: leituras, performance, dança, imagem, música e as fumarolas do Diogo. A "nossa" GINA honrou-nos com a sua presença, sentada na 1ª fila, ao colo do Alberto Magassela. Ufana.
Há noites assim:
Ontem levámos uma tareia de Poesia, Poesia cor de gente, Poesia virada para o lado certo da Vida.
Estamos todos de parabéns - 80 espectáculos ao serviço da nossa língua, ao serviço da nossa Pátria.
Aos que fazem, aos que deixam fazer, aos navegadores solitários, cúmplices que, mês a mês, enchem o nosso auditório, o programador do ciclo dedica o mais belo exercício espiritual do mundo. Para não ter de dizer que vos amo:

exercício espiritual

É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem


É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora

(Mário Cesariny)

é preciso dizer quinta em vez de dizer horizonte



18/06/08


Jornal PÚBLICO de hoje.
JORNAL DE NOTÍCIAS de ontem.

BIFE PICADO - TUDO ACABADO

Um dos poemas que Daniel Maia-Pinto Rodrigues lerá esta noite no recital "Bife Picado":

Os Homens Estragaram o Romantismo

Com a cabeça cheia de ideias
fui até ao centro comercial.
Vi jovens bonitas e também feias
é normal, até aqui tudo bestial.

Cheio de enlevo, a cada bonita disse:
«Vem lá a casa, serás bem aparecida.»
Já em casa, oh!, antes não a visse,
estava no meu quarto a feia adormecida.

( Daniel Maia-Pinto Rodrigues)

17/06/08

BIFE PICADO - ANJO ACOCORADO

Um poema de Daniel Maia-Pinto Rodrigues:

Quando te pões a mastigar o tojo
para troçar dos ruminantes
fico realmente confuso, preocupado

(in "Dióspiro", Edições Quasi)


No jornal O PRIMEIRO DE JANEIRO de 17 de Junho.

(para ler clicar sobre a imagem)

16/06/08

Quintas de Leitura no Museu Soares dos Reis


Notícia publicada ontem no jornal O PRIMEIRO DE JANEIRO.
(para ler clicar sobre a imagem)

BIFE PICADO - BURRO TRANSTORNADO

Mais um poema de Joaquim Castro Caldas.

SOPHIA

viveu sempre à distância
de uma milha ilha a ilha
que separa o mar da terra
escolheu por acaso a grécia
podia ter sido uma avenida
numa cidade puta ou divina
preferiu no entanto semente
os outros que a colham breve
ao que nus resta de inocência

(in "só cá vim ver o sol", Edições Quasi)

Na revista Os Meus Livros

(para ler clicar sobre a imagem)

13/06/08

BIFE PICADO - ROSA DO ADRO

Mais um poema de Filipa Leal. Uma das poetas que estará presente no recital "Bife Picado".

AFINAL, A MEMÓRIA

Afinal eram iguais os homens
as mulheres
vistos de cima
quando abanavam ligeiramente a cabeça
para a frente e para trás
ao mesmo tempo,
ou se inclinavam nas horas da infância, da minha infância,
ou quando mexiam no cabelo uns dos outros
para eu adormecer.
Afinal a memória era um lugar parecido
com a memória, e o sonho era um lugar parecido
com a memória, e nós talvez fôssemos todos, na verdade,
parecidos
uns com os outros.

(in "O problema de ser norte", Deriva Editores)

12/06/08

BIFE PICADO - SEGREDO DE ESTADO

Um poema de Sophia, que será lido no recital "Bife Picado" pelo actor Pedro Lamares.

AS PESSOAS SENSÍVEIS

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Àquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão."

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

Sophia de Mello Breyner Andresen
(Livro sexto)

11/06/08


Revista Visão e revista Sábado, publicadas hoje mas correspondentes à edição de amanhã, quinta-feira, dia 12. ( para ler clicar sobre as imagens)

BIFE PICADO - CAMIÃO PARADO

Um poema de Fernando Alves dos Santos:

MARÉ VIVA

Os longos braços da maré
imprimem na areia
o percurso da lua cheia.
No longo espaço sobre a linha do mar
o súbito deserto
de mim perto
de mim fresca sombra
vértebra da lua
nos sulcos da areia
fundos
que os longos braços da maré
removem do meu corpo nu.

(in "Diário flagrante", Assírio & Alvim)

09/06/08

The terrible truth

Vídeo-poema apresentado no dia 15 de Maio de 2008 na sessão de s Quintas da Leitura do TCA intitulada «O Poeta Nu» dedicada a Jorge Sousa Braga.

imagem de Pedro Guimarães
sonorização de Paulo Sousa
locução de António Durães

com o poema «Portugal», de Jorge Sousa Braga.

BIFE PICADO - POETA ENGASGADO

MENDIGO

na rua não dou a quem pede
o que pede, só dou à forma
como pede. no amor só dou
o que o amor me pede, não
dou à forma como pede.
e à vida peço me dê leve
aquilo que ninguém pede

(in "só cá vim ver o sol", Joaquim Castro Caldas, Edições Quasi)

BIFE PICADO - VIOLINO NO TELHADO

Um pensamento de Daniel Maia-Pinto Rodrigues:

Às mulheres saiu-lhes parecido o pescoço.

(in "Dióspiro", Edições Quasi)

06/06/08

AS "QUINTAS" EM BALANÇO

A nossa acção poética durante os primeiros cinco meses de 2008:

7 espectáculos (dos quais 5 esgotados)

11 sessões (das quais 9 esgotadas)

1.368 espectadores

55 artistas convidados

99,7% (taxa de ocupação de salas)

Obrigado a todos os que com a sua presença alimentam este ciclo - 77 meses consecutivos ao serviço do Sonho.

BIFE PICADO - REGADOR FURADO

O "VOTO SECRETO" de Joaquim Castro Caldas:

um dia político
num grupo de amigos
eu disse desisto

à dúvida dos inimigos
rectifiquei resisto

pelo que ao meio termo
altero o discurso
insisto

(in "Convém Avisar os Ingleses", Edições Quasi")

05/06/08

BIFE PICADO - NAVIO AFUNDADO

Do novíssimo livro de Filipa Leal:

O PRINCÍPIO DA ORAÇÃO

Senhor, enche o meu quarto
de alto mar.

(in "O problema de ser norte", Deriva)

04/06/08

BIFE PICADO - NOIVO ENFADADO

José Carlos Ary dos Santos, sempre:

ESTIGMA

Filhos dum deus selvagem e secreto
E cobertos de lama, caminhamos
Por cidades,
Por nuvens
E desertos.
Ao vento semeamos o que os homens não querem.
Ao vento arremessamos as verdades que doem
E as palavras que ferem.
Da noite que nos gera, e nós amamos,
Só os astros trazemos.
A treva ficou onde
Todos guardamos a certeza oculta
Do que nós não dizemos,
Mas que somos.

03/06/08

BIFE? BIFE? BIFE?



A próxima sessão de Quintas de Leitura do Teatro do Campo Alegre, 80º espectáculo do ciclo, fica marcada pelo regresso aos palcos do TCA do colectivo poético “Caixa Geral de Despojos” (CGD). Um recital a acontecer dia 18 de Junho, às 22h00, no Auditório do TCA. Sobre este espectáculo a CGD explica:

O EVENTO

Desta feita, o desatino, quase poético, intitula-se "BIFE PICADO" e está marcado para o dia 18 de Junho, às 22h00, no Auditório do TCA. Uma quarta-feira. Desde logo, a primeira novidade: trata-se da primeira quinta-feira de leitura do mundo feita a uma quarta-feira. Porquê? - perguntar-se-á.

Por razões meteorológicas e porque sim, respondemos nós, com a superioridade moral de quem tem o S. Pedro, a Soraia Chaves e o ministro das pescas do nosso lado.

A CONCEPÇÃO SEM DOR

"BIFE PICADO" é uma concepção sem mágoa de João Gesta e Mafalda Capela, com direcção de cena de Pedro Lamares. Membros impolutos do colectivo poético, até nos deixarem.

A HOMENAGEM

"BIFE PICADO" é também a oportunidade rara de homenagear Buffalo Bill, um herói da nossa infância, ao lado de Daniel Boone, Kit Carson, Sandokan e, mais recentemente, Amy Winehouse.

E o que tem a poesia a ver com Buffalo Bill? - perguntará, incrédulo, o espectador. É simples. Conta o biógrafo do aventureiro americano que ele, enquanto limpava a carabina, costumava recitar em voz alta um ou dois cantos de "Os Lusíadas". Nos intervalos, saía em êxtase da tenda, e dizimava uma ou duas manadas de búfalos que, na manhã seguinte, generosamente ofertava aos indígenas.

UM ELENCO LUXURIANTE

Conseguimos reunir à volta do bife um leque improvável e inqualificável de artistas.
Por ordem de entrada no limbo:

- os fogosos recitadores da "Caixa Geral de Despojos": Filipa Leal, Susana Menezes, Isaque Ferreira, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Pedro Lamares e Isaque Ferreira. A "Caixa" actua já com o seu reforço de Verão: a actriz Sofia Grilo.

- o coreógrafo Victor Hugo Pontes que apresenta a peça ´"Ícones", com interpretação de Victor Hugo Pontes, Joana Antunes e Ricardo Machado.

- a dupla americana Thollem MacDonas (piano) e Germaul Barnes (dança), que nos encostará à parede com a performance "Between Between".

- Luís Tobias, também membro da "Caixa Geral de Despojos", responsável pela imagem da sessão.

- performance musical "Lupas em Vénus", a primeira girls band que antes de o ser já o era. Presenças arrebatadoras de Adriana Faria, Daniela Dias, Inês V. Macedo, Maria Enes e Sofia V. Macedo. Para ver e escolher com atenção.

- remate com a música encantatória de Tiago Bettencourt (líder dos grupos Toranja e Mantha). Actuação a solo, para levar para casa.

- lamentavelmente, por razões patrióticas e orçamentais, foi cancelado um momento de strip-tease e poética quântica interpretado pela prima de Bufallo Bill. Paciência - não faltarão oportunidades.


A RIMA QUASE PERFEITA


Serviremos textos apetecíveis da moderna poesia portuguesa e arredores: Fernando Alves dos Santos, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Tiago Rodrigues, , José Carlos Ary dos Santos, Álvaro de Campos, Sophia de Mello Breyner, Natália Correia, Mário Cesariny, Gomes Leal, Filipa Leal, Dan Rhodes e Vassily Kandinsky.

Venha partilhar connosco duas horas de poesia, música, dança e o que mais se verá. Traga agasalhos: bife picado - neve no telhado.

Nota: para maiores de 16 anos.



BIFE PICADO - OVO ESCALFADO

Daniel Maia-Pinto Rodrigues, outra vez:

ADIVINHO

A si, Maria Leonor
vejo um príncipe na sua vida.
À senhora, Doutora Beatriz Ponce
vejo um futuro pleno de prosperidades.
A si, Olga Maria
vejo-lhe o diabo entre as coxas.

(in "Dióspiro", Edições Quasi)

02/06/08

BIFE PICADO - GATO ESCALDADO

Outro poema de Joaquim Castro Caldas:

MATANÇA DO TEMPO

já não se mata o porco
só se parte o mealheiro
as patas são de barro
o sangue está infectado
nem o corpo é fumado
nem o amor é enchido
nem o fardo carregado

(in "Convém Avisar os Ingleses", Edições Quasi)

30/05/08

Pedro Tochas continua com «menos graça»



Notícias dos jornais de ontem. Jornal de Notícias e Destak.
(para ler clicar sobre as imagens)

BIFE PICADO - AMOR RASGADO

Outro poema de Sophia:

TERROR DE TE AMAR

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

29/05/08

BIFE PICADO - MINISTRO TEMPERADO

Joaquim Castro Caldas, outro dos poetas lidos em "Bife Picado".

REQUIEM

a vagina ladrando
a um pénis murcho
é o missil falhando
o buraco do ozono

(in "Só cá vim ver o sol", Joaquim Castro Caldas, Edições Quasi)

28/05/08

BIFE PICADO - FOGO NO RABO

Outra vez o poeta Daniel Maia-Pinto Rodrigues:

Agora que a juventude
me anda a ir embora pelos olhos
não há sexo, não há, como é que se diz,
ternura, não é?, que valha os braços
as clavículas
a alegria das raparigas.

(in "Dióspiro", Edições Quasi)

27/05/08

BIFE PICADO - PROCISSÃO NO ADRO

Um belo poema de Sophia, outra das poetas que será lida na sessão:


Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

( Sophia de Mello Breyner Andresen)

26/05/08


No suplementos Das Artes e das Letras de hoje, no jornal O Primeiro de Janeiro.
(para ler clicar sobre a imagem.)

BIFE PICADO - NEVE NO TELHADO

Um poema de Filipa Leal, outra das nossas poetas convidadas.

O MEDO

Não tenho o hábito dos cafés, nunca tive,
mas aquele ficara-me de um livro de Al Berto.

Eu falava do medo, não do medo de Al Berto,
do meu, e a minha amiga dizia-me qualquer coisa
amiga. Falávamos de amor, e ela talvez me dissesse
para não ter medo do medo de Al Berto
nem do meu.

Confesso: de tudo o que me disse a minha amiga,
ficou-me apenas a palavra
granito.

(in "O Problema De Ser Norte", Filipa Leal, Deriva Editores)

23/05/08

BIFE PICADO - JANTAR REGADO

Um poema, quase normal, de Daniel Maia-Pinto Rodrigues, um dos poetas convidados de "Bife Picado":

ABORDAGEM

Sejamos modernos, sejamos radicais.
Como bem sabes não somos eternos.
E além do mais eu não digo nada aos teus pais.

(in "Dióspiro", Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Edições Quasi)

21/05/08

A NOSSA MUÑECA PREFERIDA


A Gina é a mascote da "Caixa Geral de Despojos". Nasceu em Matanzas (Cuba) e foi trazida pelo Isaque Ferreira para Portugal. Parece que vai viver com ele, na Póvoa, às escondidas do SEF. Nós estamos todos muito apaixonados por ela e não deixaremos que lhe façam mal. Está a estudar línguas na "Independente" e, lá mais para o Verão, estamos certos, abraçará a pasta das finanças.


Este poema da Adília Lopes é para ti, Gina:

La vida es sueño

Deste-me o sono

e os sonhos

de que preciso

para sobreviver

quando me abraçaste

quando eu te abracei

o mundo mudou

os sonhos são sonhos

mas há sonhos

que são verdade

(é um auto bíblico)

sueños hay que verdad son

estou-te muito agradecida

graças a ti acredito

na coroa da Polónia


BIFE PICADO - SEXO NO CHIADO

Dois anos depois, a "Caixa Geral de Despojos" volta às "Quintas". Iniciamos hoje a publicação de textos dos poetas seleccionados para o recital "Bife Picado". Alguns deles serão lidos na sessão.

CANTIGA ESPERANDO

III

Enquanto te espero
planto as vinhas,
e nas cinco madrugadas
dos cinco dias em que semeio a seara,
ocultarei todas as estrelas
sobre a nossa cama.
No entremeio
cruzo os meus sonhos com as pessoas
que assomarem às janelas
e juntos inventaremos a nova rosa-dos-ventos:
a vinha, a noite, o templo,
a criança e a muralha,
a sede, o suor, a seara,
a Palavra

(in "Diário Flagrante", Fernando Alves dos Santos, Assírio & Alvim)

19/05/08

10.000 VISITANTES

Estamos felizes e um pouco orgulhosos. O blogue das "Quintas" atingiu as 10.000 visitas. Isto tudo, num país à beira-mar encalhado, que dedica mais atenção aos novíssimos seios da Luciana Abreu do que aos novíssimos talentos da literatura portuguesa.
Gostamos de si e queremos que continue a navegar ao nosso lado, na procura do Caminho do Amor, da Liberdade e do Futuro. Contamos consigo para novas aventuras poéticas. Neste mês florido de Maio, queremos tudo, já!

PARA TI MEU AMOR

Fui à feira dos pássaros
E comprei pássaros
Para ti
meu amor
Fui à feira das flores
E comprei flores
Para ti
meu amor
Fui à feira da sucata
E comprei correntes
Pesadas correntes
Para ti
meu amor
E depois fui à feira dos escravos
E procurei-te
Mas não te encontrei
meu amor

("Paroles", Jacques Prévert)

16/05/08

O Poeta Nu




"Performance Líquida" de Margarida Mestre





"LAISSERVENIR" de Élèonore Didier






Nuno Artur Silva e Jorge Sousa Braga







Sandra Salomé e Filipa Leal (leituras)




Pedro Lamares e Sofia Grillo (leituras)



Mazgani (concerto a solo)



fotografias de Pat

14/05/08



Notícias publicadas hoje no Jornal de Notícias e no Global Notícias.

A FERIDA ABERTA

Há uma ferida aberta que
sangra ciclicamente um

cíclame que floresce às
horas mais inapropriadas

Quem me dera poder guardar
todos esses milhões de flores

que acabam diariamente em
pensos higiénicos nos contentores

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

13/05/08

AUTOBIOGRAFIA

A sua paixão eram as rosas. Durante anos dedicara-se a estranhos cruzamentos. Perseguia uma rosa negra.

Um dia devido a um acidente ficou cego. Finalmente o seu universo era uma imensa rosa negra.

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

12/05/08


Notícia publicada hoje no suplemento do jornal O Primeiro de Janeiro, das Artes e das Letras.
(para ler clicar sobre a notícia)

VIA LÁCTEA

Segundo dados da Organização Mundial
de Saúde praticam-se diariamente

Cem milhões de cópulas em todo
o mundo das quais resultam

mais ou menos trezentos mil
litros de esperma isto sem

contar com o produto das actividades
solitárias e das poluções nocturnas

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

09/05/08

Jorge Sousa Braga e Mazgani


"O Poeta Nu", um livro fascinante de Jorge Sousa Braga, dá nome à próxima sessão e marca o regresso do Poeta às "Quintas de Leitura", dezoito meses depois.

O evento realiza-se no dia 15 de Maio, pelas 22H00, no Café-Teatro do TCA.

Jorge Sousa Braga será apresentado por Nuno Artur Silva, fundador e director geral das "Produções Fictícias".

Separadas e ao vivo, anunciam-se as presenças das performers Margarida Mestre e Élèonore Didier que apresentarão, respectivamente, as peças "Performance líquida" e "Laisservenir", ambas encomendadas pelo TCA para este espectáculo.

As leituras de "O Poeta Nu" estarão a cargo da poeta Filipa Leal e dos actores Pedro Lamares, Sandra Salomé e Sofia Grillo. António Durães dará voz ao vídeo-poema "Portugal", trabalho também da responsabilidade de Pedro Guimarães (imagem) e Paulo Sousa (som).

Tudo isto, sob o olhar perspicaz e sensível do fotógrafo Renato Roque.

Por fim, o sempre tão esperado momento musical. Desta feita, o convidado é o cantor Mazgani (voz e guitarras), justamente considerado pela revista francesa "Les inrockuptibles" como um dos vinte novos artistas mais promissores da Europa. Ao ouvirmos "Song of the New Heart" damos por nós a ouvir na voz e no som de guitarra de Mazgani influências tão díspares como Leonard Cohen, Tom Waits e Echo & the Bunnymen.

De que mais argumentos precisa para se juntar a nós na noite de 15 de Maio? - Espera-o a magia da Palavra de Jorge Sousa Braga e a alma dos seus numerosos convidados.

(fotografia acima - Ninho de melro de Renato Roque)

Mazgani - Bring Your Love

MIMOSAS

Todos os anos na mesma altura
a montanha veste o mesmo vestido amarelo
para ver se ainda lhe serve na cintura

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

08/05/08

ALENTEJO

Papoilas vermelhas -
agora ninguém pode tocar
na planície


Cansado de devorar paisagens
o girassol mostra agora
os dentes podres

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

07/05/08

LADAINHA

Concha perfumada
Pórtico real
Princesa das flores
Porta misteriosa
Pérola vermelha
Coração de peónia
Pegada de gazela
Pórtico de jade
Palácio de púrpura
Delta negro
Pote de mel
Botão de lótus
Gruta de canela
Porta alada
Flor da lua

Rogai por nós

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

06/05/08

Apresentação de "Arquivo de Nuvens" de Marta Bernardes em Madrid


"SI UN DIA_DIA EL ECO-ECO SE VOLVIESE_VIESE AUTONOMO_TONOMO Y SE LIBERTASE_TASE , DIRIA_RIA: ME SIENTO SOLO-SOLO."

In" Archivo de nubes"



LIBRERIA RAFAEL ALBERTI,
Calle Tutor,57
Metro: Moncloa, Madrid
DIA 8 DE MAIO
19:30


Presentación del libro de Marta Bernardes.

"EN LA ENCRUCIJADA DEL MEJOR PESSOA (ALVARO DE CAMPOS) Y UNA TRADICIÓN POÉTICA QUE SE APARTÓ DEL SURREALISMO PARA VIVIR LOS EFECTOS DE LO REAL EN LAVIDA, MARTA BERNARDES APARECE COMO UNA VOZ POLIFONICA BIEN SITUADA. ES PLASTICA . ES DRAMÁTICA. ES CANTANTE.
ES PLÁSTICA PORQUE APURA Y DILATA LA DISTANCIA QUE HAY ENTRE LA IMÁGENES Y LAS COSAS, SOBRE TODO EL MOMENTO EN QUE AQUELLAS SUPLANTAN A ESTAS.
ES DRAMÁTICA PORQUE SU DRAMA EN TIEMPO RECOGE LOS INTERVALOS MENUDOS DE LO COTIDIANO Y TAMBIÉN LAS FRACTURAS DE LOS GRANDES MOMENTOS EPOCALES.
ES CANTANTE PORQUE SOBRE TODO ES UN REGISTRO SONORO QUE SE BIFURCA ENTRE LA SIBILACIÓN OPACA DEL PORTUGUÉS DE OPORTO Y UN CASTELLANO CANTARÍN QUE INCURRE A VECES EN ERRORES QUE SON HALLAZGOS FECUNDOS POR IMPREVISTOS.
PERO ES ESAS TRES COSAS PORQUE A LA VEZ SABE PINTAR, CONOCE EL TEATRO COMO ACTRIZ Y COREÓGRAFA Y ES CAPAZ DE INTERPRETAR CON SU VOZ UN AMPLIO REPERTORIO LIRICO
SOLO TIENE EL LIMITE DE SU JUVENTUD. PERO ESO ES PORQUE ELLA LO APARENTA
LA PRUEBA ES QUE COMETE VERSOS CON LA VIDA VIVIDA DE UN HOOMBRE DE SETENTA AÑOS, O UN CANTAUTOR DE CINCUENTA, O DE UNA NIÑA DE DOCE, O DE UN NIÑO SALTARÍN QUE SE DISFRAZA DE UNA CHICA QUE SE EMPEÑA EN HACERNOS CREER QUE PUEDE SER VISTA COMO LA "MONICA NARANJO PORTUGUESA"
UN SINFIN DE JUEGOS Y DE HALLAZGOS
UN COMPROMISO CON LAS VOCES DE LAS COSAS (COMO RAMÓN) Y LAS COSAS DE LAS VOCES (COMO BARTHES)
UN PULSO POÉTICO AFINADÍSIMO QUE NO SE DA MUCHA IMPORTANCIA
QUE ESPERA QUE SE APAREZCA EL DUENDE, EL VERBO DEL OTRO LADO, PARA TRATARLO DE TÚ"

MIGUEL MARINAS

FOZ

Com água no bico
aves marinhas combatem
o incêndio do crepúsculo


Sete da manhã
O sol acorda
com olheiras enormes

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

05/05/08

CANÇÃO

Este esperma é puro
como a água de um iceberg

Colhido por masturbação
centrifugado capacitado...

Bebe deste esperma simples
ou com gelo e limão

Só assim conseguirás
a redenção

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

02/05/08

Restam poucos bilhetes para venda


LIXEIRO

Pendurado num camião do
lixo atravessas a cidade

de bairro em bairro de rua
em rua de beco em beco

com as luvas de protecção e
o colete fluorescente. Conheces

como ninguém o cheiro
a azedo e a vomitado...

Não te surpreendas se um dia
destes descobrires um coração

ainda a sangrar embrulhado
num saco de supermercado

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

30/04/08

COMUNHÃO

Uma pomba catando a
outra numa janela do sétimo

andar do hospital. Nada
as perturba. Nem o ruído

das escavadoras no túnel
em construção. Uma pomba

catando a outra num gesto
de ternura. Os olhos são

a única impureza no meio
de tanta brancura

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

29/04/08

UM ANJO NO PORTO

Eu vi-o um dia destes pairando
sobre a Torre dos Clérigos

ou descendo a Avenida dos
Aliados ao fim da tarde

Disfarçava mal as asas
por debaixo da gabardina

e abdicara da auréola. Po-
dem não acreditar mas eu

vi-o. Da última vez atra-
vessava a pé o rio

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

26/04/08

SAGRES

Só tenho uma ponta de
cigarro para fumar
E para apagá-la:
todo o mar

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

24/04/08

GERÊS

Quando me levantei
já as minhas sandálias andavam
a passear lá fora na relva


Esta noite
até os atacadores dos sapatos
floriram

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

22/04/08

O regresso de ESTE TEM MENOS GRAÇA de Pedro Tochas


Os bilhetes para este espectáculo (um exclusivo Quintas de Leitura) serão colocados à venda no TCA no dia 25 de Abril às 13:00.
Nos dias 25, 26 e 27 o teatro apenas faz venda directa, não aceitando reservas de bilhetes.

A partir do dia 28 de Abril, se ainda existirem bilhetes disponíveis, serão então aceites reservas que terão de ser levantadas até 48 horas antes do dia do espectáculo.
Relembramos que este espectáculo de Quintas de Leitura foi um desafio do programador João Gesta ao comediante Pedro Tochas. Saiba mais aqui ou na Tábua ao lado sobre Pedro Tochas.

(fotografia de Raquel Viegas)

CANÇÃO DE AMOR

Ensinei o meu pénis a dizer
o teu nome. Só ele é capaz

de soletrá-lo de trás para a
frente e da frente para trás

indiferentemente

Só ele fala como falo


( in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

18/04/08

Fragmentos de uma noite quase perfeita

Ela não é francesa Ele não é espanhol - performance musical


Eduardo Raon
Inês Jacques

Conversa entre Yolanda Castaño e José Luís Peixoto. Ao fundo, fotografia de Mafalda Capela


A estreia de Pinóquio nas Quintas de Leitura .

Leitura por Natália Luíza

Leitura por Susana Menezes

Pedro Lamares lê "O sorriso dos afogados" de José Luís Peixoto.

ao fundo imagens de Mafalda Capela

Mário Laginha e Pedro Lamares

Concerto por Mário Laginha

Fotografias do espectáculo por Hugo Valter Moutinho