19/06/08
78 MESES DEPOIS
Houve de tudo: leituras, performance, dança, imagem, música e as fumarolas do Diogo. A "nossa" GINA honrou-nos com a sua presença, sentada na 1ª fila, ao colo do Alberto Magassela. Ufana.
Há noites assim:
Ontem levámos uma tareia de Poesia, Poesia cor de gente, Poesia virada para o lado certo da Vida.
Estamos todos de parabéns - 80 espectáculos ao serviço da nossa língua, ao serviço da nossa Pátria.
Aos que fazem, aos que deixam fazer, aos navegadores solitários, cúmplices que, mês a mês, enchem o nosso auditório, o programador do ciclo dedica o mais belo exercício espiritual do mundo. Para não ter de dizer que vos amo:
exercício espiritual
É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem
É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora
(Mário Cesariny)
é preciso dizer quinta em vez de dizer horizonte
18/06/08
BIFE PICADO - TUDO ACABADO
Os Homens Estragaram o Romantismo
Com a cabeça cheia de ideias
fui até ao centro comercial.
Vi jovens bonitas e também feias
é normal, até aqui tudo bestial.
Cheio de enlevo, a cada bonita disse:
«Vem lá a casa, serás bem aparecida.»
Já em casa, oh!, antes não a visse,
estava no meu quarto a feia adormecida.
( Daniel Maia-Pinto Rodrigues)
17/06/08
BIFE PICADO - ANJO ACOCORADO
Quando te pões a mastigar o tojo
para troçar dos ruminantes
fico realmente confuso, preocupado
(in "Dióspiro", Edições Quasi)
16/06/08
BIFE PICADO - BURRO TRANSTORNADO
SOPHIA
viveu sempre à distância
de uma milha ilha a ilha
que separa o mar da terra
escolheu por acaso a grécia
podia ter sido uma avenida
numa cidade puta ou divina
preferiu no entanto semente
os outros que a colham breve
ao que nus resta de inocência
(in "só cá vim ver o sol", Edições Quasi)
13/06/08
BIFE PICADO - ROSA DO ADRO
AFINAL, A MEMÓRIA
Afinal eram iguais os homens
as mulheres
vistos de cima
quando abanavam ligeiramente a cabeça
para a frente e para trás
ao mesmo tempo,
ou se inclinavam nas horas da infância, da minha infância,
ou quando mexiam no cabelo uns dos outros
para eu adormecer.
Afinal a memória era um lugar parecido
com a memória, e o sonho era um lugar parecido
com a memória, e nós talvez fôssemos todos, na verdade,
parecidos
uns com os outros.
(in "O problema de ser norte", Deriva Editores)
12/06/08
BIFE PICADO - SEGREDO DE ESTADO
AS PESSOAS SENSÍVEIS
As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Àquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra
"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão."
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.
Sophia de Mello Breyner Andresen
(Livro sexto)
11/06/08
BIFE PICADO - CAMIÃO PARADO
MARÉ VIVA
Os longos braços da maré
imprimem na areia
o percurso da lua cheia.
No longo espaço sobre a linha do mar
o súbito deserto
de mim perto
de mim fresca sombra
vértebra da lua
nos sulcos da areia
fundos
que os longos braços da maré
removem do meu corpo nu.
(in "Diário flagrante", Assírio & Alvim)
09/06/08
The terrible truth
Vídeo-poema apresentado no dia 15 de Maio de 2008 na sessão de s Quintas da Leitura do TCA intitulada «O Poeta Nu» dedicada a Jorge Sousa Braga.
imagem de Pedro Guimarães
sonorização de Paulo Sousa
locução de António Durães
com o poema «Portugal», de Jorge Sousa Braga.
BIFE PICADO - POETA ENGASGADO
na rua não dou a quem pede
o que pede, só dou à forma
como pede. no amor só dou
o que o amor me pede, não
dou à forma como pede.
e à vida peço me dê leve
aquilo que ninguém pede
(in "só cá vim ver o sol", Joaquim Castro Caldas, Edições Quasi)
BIFE PICADO - VIOLINO NO TELHADO
Às mulheres saiu-lhes parecido o pescoço.
(in "Dióspiro", Edições Quasi)
06/06/08
AS "QUINTAS" EM BALANÇO
7 espectáculos (dos quais 5 esgotados)
11 sessões (das quais 9 esgotadas)
1.368 espectadores
55 artistas convidados
99,7% (taxa de ocupação de salas)
Obrigado a todos os que com a sua presença alimentam este ciclo - 77 meses consecutivos ao serviço do Sonho.
BIFE PICADO - REGADOR FURADO
um dia político
num grupo de amigos
eu disse desisto
à dúvida dos inimigos
rectifiquei resisto
pelo que ao meio termo
altero o discurso
insisto
(in "Convém Avisar os Ingleses", Edições Quasi")
05/06/08
BIFE PICADO - NAVIO AFUNDADO
O PRINCÍPIO DA ORAÇÃO
Senhor, enche o meu quarto
de alto mar.
(in "O problema de ser norte", Deriva)
04/06/08
BIFE PICADO - NOIVO ENFADADO
ESTIGMA
Filhos dum deus selvagem e secreto
E cobertos de lama, caminhamos
Por cidades,
Por nuvens
E desertos.
Ao vento semeamos o que os homens não querem.
Ao vento arremessamos as verdades que doem
E as palavras que ferem.
Da noite que nos gera, e nós amamos,
Só os astros trazemos.
A treva ficou onde
Todos guardamos a certeza oculta
Do que nós não dizemos,
Mas que somos.
03/06/08
BIFE? BIFE? BIFE?
O EVENTO
Desta feita, o desatino, quase poético, intitula-se "BIFE PICADO" e está marcado para o dia 18 de Junho, às 22h00, no Auditório do TCA. Uma quarta-feira. Desde logo, a primeira novidade: trata-se da primeira quinta-feira de leitura do mundo feita a uma quarta-feira. Porquê? - perguntar-se-á.
Por razões meteorológicas e porque sim, respondemos nós, com a superioridade moral de quem tem o S. Pedro, a Soraia Chaves e o ministro das pescas do nosso lado.
A CONCEPÇÃO SEM DOR
"BIFE PICADO" é uma concepção sem mágoa de João Gesta e Mafalda Capela, com direcção de cena de Pedro Lamares. Membros impolutos do colectivo poético, até nos deixarem.
A HOMENAGEM
"BIFE PICADO" é também a oportunidade rara de homenagear Buffalo Bill, um herói da nossa infância, ao lado de Daniel Boone, Kit Carson, Sandokan e, mais recentemente, Amy Winehouse.
E o que tem a poesia a ver com Buffalo Bill? - perguntará, incrédulo, o espectador. É simples. Conta o biógrafo do aventureiro americano que ele, enquanto limpava a carabina, costumava recitar em voz alta um ou dois cantos de "Os Lusíadas". Nos intervalos, saía em êxtase da tenda, e dizimava uma ou duas manadas de búfalos que, na manhã seguinte, generosamente ofertava aos indígenas.
UM ELENCO LUXURIANTE
Conseguimos reunir à volta do bife um leque improvável e inqualificável de artistas.
Por ordem de entrada no limbo:
- os fogosos recitadores da "Caixa Geral de Despojos": Filipa Leal, Susana Menezes, Isaque Ferreira, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Pedro Lamares e Isaque Ferreira. A "Caixa" actua já com o seu reforço de Verão: a actriz Sofia Grilo.
- o coreógrafo Victor Hugo Pontes que apresenta a peça ´"Ícones", com interpretação de Victor Hugo Pontes, Joana Antunes e Ricardo Machado.
- a dupla americana Thollem MacDonas (piano) e Germaul Barnes (dança), que nos encostará à parede com a performance "Between Between".
- Luís Tobias, também membro da "Caixa Geral de Despojos", responsável pela imagem da sessão.
- performance musical "Lupas em Vénus", a primeira girls band que antes de o ser já o era. Presenças arrebatadoras de Adriana Faria, Daniela Dias, Inês V. Macedo, Maria Enes e Sofia V. Macedo. Para ver e escolher com atenção.
- remate com a música encantatória de Tiago Bettencourt (líder dos grupos Toranja e Mantha). Actuação a solo, para levar para casa.
- lamentavelmente, por razões patrióticas e orçamentais, foi cancelado um momento de strip-tease e poética quântica interpretado pela prima de Bufallo Bill. Paciência - não faltarão oportunidades.
A RIMA QUASE PERFEITA
Serviremos textos apetecíveis da moderna poesia portuguesa e arredores: Fernando Alves dos Santos, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Tiago Rodrigues, , José Carlos Ary dos Santos, Álvaro de Campos, Sophia de Mello Breyner, Natália Correia, Mário Cesariny, Gomes Leal, Filipa Leal, Dan Rhodes e Vassily Kandinsky.
Venha partilhar connosco duas horas de poesia, música, dança e o que mais se verá. Traga agasalhos: bife picado - neve no telhado.
BIFE PICADO - OVO ESCALFADO
ADIVINHO
A si, Maria Leonor
vejo um príncipe na sua vida.
À senhora, Doutora Beatriz Ponce
vejo um futuro pleno de prosperidades.
A si, Olga Maria
vejo-lhe o diabo entre as coxas.
(in "Dióspiro", Edições Quasi)
02/06/08
BIFE PICADO - GATO ESCALDADO
MATANÇA DO TEMPO
já não se mata o porco
só se parte o mealheiro
as patas são de barro
o sangue está infectado
nem o corpo é fumado
nem o amor é enchido
nem o fardo carregado
(in "Convém Avisar os Ingleses", Edições Quasi)
30/05/08
BIFE PICADO - AMOR RASGADO
TERROR DE TE AMAR
Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
29/05/08
BIFE PICADO - MINISTRO TEMPERADO
REQUIEM
a vagina ladrando
a um pénis murcho
é o missil falhando
o buraco do ozono
(in "Só cá vim ver o sol", Joaquim Castro Caldas, Edições Quasi)
28/05/08
BIFE PICADO - FOGO NO RABO
Agora que a juventude
me anda a ir embora pelos olhos
não há sexo, não há, como é que se diz,
ternura, não é?, que valha os braços
as clavículas
a alegria das raparigas.
(in "Dióspiro", Edições Quasi)
27/05/08
BIFE PICADO - PROCISSÃO NO ADRO
Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
( Sophia de Mello Breyner Andresen)
26/05/08
BIFE PICADO - NEVE NO TELHADO
O MEDO
Não tenho o hábito dos cafés, nunca tive,
mas aquele ficara-me de um livro de Al Berto.
Eu falava do medo, não do medo de Al Berto,
do meu, e a minha amiga dizia-me qualquer coisa
amiga. Falávamos de amor, e ela talvez me dissesse
para não ter medo do medo de Al Berto
nem do meu.
Confesso: de tudo o que me disse a minha amiga,
ficou-me apenas a palavra
granito.
(in "O Problema De Ser Norte", Filipa Leal, Deriva Editores)
23/05/08
BIFE PICADO - JANTAR REGADO
ABORDAGEM
Sejamos modernos, sejamos radicais.
Como bem sabes não somos eternos.
E além do mais eu não digo nada aos teus pais.
(in "Dióspiro", Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Edições Quasi)
21/05/08
A NOSSA MUÑECA PREFERIDA
BIFE PICADO - SEXO NO CHIADO
CANTIGA ESPERANDO
III
Enquanto te espero
planto as vinhas,
e nas cinco madrugadas
dos cinco dias em que semeio a seara,
ocultarei todas as estrelas
sobre a nossa cama.
No entremeio
cruzo os meus sonhos com as pessoas
que assomarem às janelas
e juntos inventaremos a nova rosa-dos-ventos:
a vinha, a noite, o templo,
a criança e a muralha,
a sede, o suor, a seara,
a Palavra
(in "Diário Flagrante", Fernando Alves dos Santos, Assírio & Alvim)
20/05/08
19/05/08
10.000 VISITANTES
Gostamos de si e queremos que continue a navegar ao nosso lado, na procura do Caminho do Amor, da Liberdade e do Futuro. Contamos consigo para novas aventuras poéticas. Neste mês florido de Maio, queremos tudo, já!
PARA TI MEU AMOR
Fui à feira dos pássaros
E comprei pássaros
Para ti
meu amor
Fui à feira das flores
E comprei flores
Para ti
meu amor
Fui à feira da sucata
E comprei correntes
Pesadas correntes
Para ti
meu amor
E depois fui à feira dos escravos
E procurei-te
Mas não te encontrei
meu amor
("Paroles", Jacques Prévert)
16/05/08
O Poeta Nu
15/05/08
SONO DE PRIMAVERA
entre os dedos da minha mão
E o meu sono é tranquilo
como o das rosas
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
14/05/08
A FERIDA ABERTA
sangra ciclicamente um
cíclame que floresce às
horas mais inapropriadas
Quem me dera poder guardar
todos esses milhões de flores
que acabam diariamente em
pensos higiénicos nos contentores
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
13/05/08
AUTOBIOGRAFIA
Um dia devido a um acidente ficou cego. Finalmente o seu universo era uma imensa rosa negra.
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
12/05/08
VIA LÁCTEA
de Saúde praticam-se diariamente
Cem milhões de cópulas em todo
o mundo das quais resultam
mais ou menos trezentos mil
litros de esperma isto sem
contar com o produto das actividades
solitárias e das poluções nocturnas
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
09/05/08
Jorge Sousa Braga e Mazgani

"O Poeta Nu", um livro fascinante de Jorge Sousa Braga, dá nome à próxima sessão e marca o regresso do Poeta às "Quintas de Leitura", dezoito meses depois.
O evento realiza-se no dia 15 de Maio, pelas 22H00, no Café-Teatro do TCA.
Jorge Sousa Braga será apresentado por Nuno Artur Silva, fundador e director geral das "Produções Fictícias".
Separadas e ao vivo, anunciam-se as presenças das performers Margarida Mestre e Élèonore Didier que apresentarão, respectivamente, as peças "Performance líquida" e "Laisservenir", ambas encomendadas pelo TCA para este espectáculo.
As leituras de "O Poeta Nu" estarão a cargo da poeta Filipa Leal e dos actores Pedro Lamares, Sandra Salomé e Sofia Grillo. António Durães dará voz ao vídeo-poema "Portugal", trabalho também da responsabilidade de Pedro Guimarães (imagem) e Paulo Sousa (som).
Tudo isto, sob o olhar perspicaz e sensível do fotógrafo Renato Roque.
Por fim, o sempre tão esperado momento musical. Desta feita, o convidado é o cantor Mazgani (voz e guitarras), justamente considerado pela revista francesa "Les inrockuptibles" como um dos vinte novos artistas mais promissores da Europa. Ao ouvirmos "Song of the New Heart" damos por nós a ouvir na voz e no som de guitarra de Mazgani influências tão díspares como Leonard Cohen, Tom Waits e Echo & the Bunnymen.
De que mais argumentos precisa para se juntar a nós na noite de 15 de Maio? - Espera-o a magia da Palavra de Jorge Sousa Braga e a alma dos seus numerosos convidados.
(fotografia acima - Ninho de melro de Renato Roque)
MIMOSAS
a montanha veste o mesmo vestido amarelo
para ver se ainda lhe serve na cintura
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
08/05/08
ALENTEJO
agora ninguém pode tocar
na planície
Cansado de devorar paisagens
o girassol mostra agora
os dentes podres
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
07/05/08
LADAINHA
Pórtico real
Princesa das flores
Porta misteriosa
Pérola vermelha
Coração de peónia
Pegada de gazela
Pórtico de jade
Palácio de púrpura
Delta negro
Pote de mel
Botão de lótus
Gruta de canela
Porta alada
Flor da lua
Rogai por nós
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
06/05/08
Apresentação de "Arquivo de Nuvens" de Marta Bernardes em Madrid
In" Archivo de nubes"
LIBRERIA RAFAEL ALBERTI,
Calle Tutor,57
Metro: Moncloa, Madrid
19:30
Presentación del libro de Marta Bernardes.
"EN LA ENCRUCIJADA DEL MEJOR PESSOA (ALVARO DE CAMPOS) Y UNA TRADICIÓN POÉTICA QUE SE APARTÓ DEL SURREALISMO PARA VIVIR LOS EFECTOS DE LO REAL EN LAVIDA, MARTA BERNARDES APARECE COMO UNA VOZ POLIFONICA BIEN SITUADA. ES PLASTICA . ES DRAMÁTICA. ES CANTANTE.
ES PLÁSTICA PORQUE APURA Y DILATA LA DISTANCIA QUE HAY ENTRE LA IMÁGENES Y LAS COSAS, SOBRE TODO EL MOMENTO EN QUE AQUELLAS SUPLANTAN A ESTAS.
ES DRAMÁTICA PORQUE SU DRAMA EN TIEMPO RECOGE LOS INTERVALOS MENUDOS DE LO COTIDIANO Y TAMBIÉN LAS FRACTURAS DE LOS GRANDES MOMENTOS EPOCALES.
ES CANTANTE PORQUE SOBRE TODO ES UN REGISTRO SONORO QUE SE BIFURCA ENTRE LA SIBILACIÓN OPACA DEL PORTUGUÉS DE OPORTO Y UN CASTELLANO CANTARÍN QUE INCURRE A VECES EN ERRORES QUE SON HALLAZGOS FECUNDOS POR IMPREVISTOS.
PERO ES ESAS TRES COSAS PORQUE A LA VEZ SABE PINTAR, CONOCE EL TEATRO COMO ACTRIZ Y COREÓGRAFA Y ES CAPAZ DE INTERPRETAR CON SU VOZ UN AMPLIO REPERTORIO LIRICO
SOLO TIENE EL LIMITE DE SU JUVENTUD. PERO ESO ES PORQUE ELLA LO APARENTA
LA PRUEBA ES QUE COMETE VERSOS CON LA VIDA VIVIDA DE UN HOOMBRE DE SETENTA AÑOS, O UN CANTAUTOR DE CINCUENTA, O DE UNA NIÑA DE DOCE, O DE UN NIÑO SALTARÍN QUE SE DISFRAZA DE UNA CHICA QUE SE EMPEÑA EN HACERNOS CREER QUE PUEDE SER VISTA COMO LA "MONICA NARANJO PORTUGUESA"
UN SINFIN DE JUEGOS Y DE HALLAZGOS
UN COMPROMISO CON LAS VOCES DE LAS COSAS (COMO RAMÓN) Y LAS COSAS DE LAS VOCES (COMO BARTHES)
UN PULSO POÉTICO AFINADÍSIMO QUE NO SE DA MUCHA IMPORTANCIA
QUE ESPERA QUE SE APAREZCA EL DUENDE, EL VERBO DEL OTRO LADO, PARA TRATARLO DE TÚ"
MIGUEL MARINAS
FOZ
aves marinhas combatem
o incêndio do crepúsculo
Sete da manhã
O sol acorda
com olheiras enormes
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
05/05/08
CANÇÃO
como a água de um iceberg
Colhido por masturbação
centrifugado capacitado...
Bebe deste esperma simples
ou com gelo e limão
Só assim conseguirás
a redenção
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
02/05/08
LIXEIRO
lixo atravessas a cidade
de bairro em bairro de rua
em rua de beco em beco
com as luvas de protecção e
o colete fluorescente. Conheces
como ninguém o cheiro
a azedo e a vomitado...
Não te surpreendas se um dia
destes descobrires um coração
ainda a sangrar embrulhado
num saco de supermercado
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
30/04/08
COMUNHÃO
outra numa janela do sétimo
andar do hospital. Nada
as perturba. Nem o ruído
das escavadoras no túnel
em construção. Uma pomba
catando a outra num gesto
de ternura. Os olhos são
a única impureza no meio
de tanta brancura
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
29/04/08
UM ANJO NO PORTO
sobre a Torre dos Clérigos
ou descendo a Avenida dos
Aliados ao fim da tarde
Disfarçava mal as asas
por debaixo da gabardina
e abdicara da auréola. Po-
dem não acreditar mas eu
vi-o. Da última vez atra-
vessava a pé o rio
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
28/04/08
"Esta pedra flutua / na mesma água/ que a lua"
DIÓSPIROS
acariciar
com os dedos com
a língua
e só depois
muito depois
se deixam morder
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
26/04/08
SAGRES
cigarro para fumar
E para apagá-la:
todo o mar
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
24/04/08
GERÊS
já as minhas sandálias andavam
a passear lá fora na relva
Esta noite
até os atacadores dos sapatos
floriram
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
22/04/08
O regresso de ESTE TEM MENOS GRAÇA de Pedro Tochas

Nos dias 25, 26 e 27 o teatro apenas faz venda directa, não aceitando reservas de bilhetes.
CANÇÃO DE AMOR
o teu nome. Só ele é capaz
de soletrá-lo de trás para a
frente e da frente para trás
indiferentemente
Só ele fala como falo
( in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
21/04/08
18/04/08
Fragmentos de uma noite quase perfeita
Conversa entre Yolanda Castaño e José Luís Peixoto. Ao fundo, fotografia de Mafalda Capela


A estreia de Pinóquio nas Quintas de Leitura .

Leitura por Natália Luíza

Leitura por Susana Menezes


Pedro Lamares lê "O sorriso dos afogados" de José Luís Peixoto.
ao fundo imagens de Mafalda Capela

Mário Laginha e Pedro Lamares

Concerto por Mário Laginha
Fotografias do espectáculo por Hugo Valter Moutinho




Jornal PÚBLICO de hoje. 





















