O AMOR
A Natureza tem uma entrada por trás
como os clubes clandestinos;
e o coração, mesmo apaixonado, não é tão estúpido
como uma galinha, por exemplo,
que é capaz de seguir durante horas
uma linha traçada a giz no chão.
(in "1", editora Relógio D'Água)
18/07/08
17/07/08
Bife Picado fora de horas
OS AVIÕES
Lembro-me: não gostava de aviões.
Companheiros de jogo levantavam dedo e cabeça
Em direcção às bem organizadas nuvens de passageiros
E eu permanecia de rosto baixo como excluído
De uma brincadeira de que desconhecia o alfabeto.
Nunca me diverti com o excesso, ainda hoje
Tenho vergonha de certos ruídos,
Dizem-me que baixo muito a cabeça;
Como uma vaca que olha para a erva. E é verdade.
Por vezes tenho vergonha de ver, muitas vezes vergonha
De ser visto.
Gonçalo M. Tavares em "1" ( editora relógio d' água)
Gonçalo M. Tavares será o próximo convidado do ciclo "Quintas de Leitura". Nos próximos dias publicaremos neste blogue alguns dos seus poemas.
Companheiros de jogo levantavam dedo e cabeça
Em direcção às bem organizadas nuvens de passageiros
E eu permanecia de rosto baixo como excluído
De uma brincadeira de que desconhecia o alfabeto.
Nunca me diverti com o excesso, ainda hoje
Tenho vergonha de certos ruídos,
Dizem-me que baixo muito a cabeça;
Como uma vaca que olha para a erva. E é verdade.
Por vezes tenho vergonha de ver, muitas vezes vergonha
De ser visto.
Gonçalo M. Tavares em "1" ( editora relógio d' água)
Gonçalo M. Tavares será o próximo convidado do ciclo "Quintas de Leitura". Nos próximos dias publicaremos neste blogue alguns dos seus poemas.
16/07/08
15/07/08
AS PRÓXIMAS SESSÕES
Estamos quase de férias. Divulgamos, hoje, em primeira mão, as duas próximas "Quintas de Leitura".
Dia 25 de Setembro
A Literatura e o Reino - conferência por Gonçalo M. Tavares
participam ainda:
Bernardo Sassetti (piano solo)
Susana Menezes, Pedro Lamares, Paulo Campos dos Reis e Isaque Ferreira (leituras)
Alexandre Soares (guitarra)
Rachel Caiano (imagem)
Dia 23 de Outubro
A Noite Abre Meus Olhos
participam:
José Tolentino Mendonça (poeta convidado)
Aldina Duarte (fado)
Sónia Baptista (performance)
Filipa Leal, Pedro Lamares e Paulo Campos dos Reis (leituras)
Ilda David' (imagem)
O Teatro do Campo Alegre ao serviço do SONHO.
Dia 25 de Setembro
A Literatura e o Reino - conferência por Gonçalo M. Tavares
participam ainda:
Bernardo Sassetti (piano solo)
Susana Menezes, Pedro Lamares, Paulo Campos dos Reis e Isaque Ferreira (leituras)
Alexandre Soares (guitarra)
Rachel Caiano (imagem)
Dia 23 de Outubro
A Noite Abre Meus Olhos
participam:
José Tolentino Mendonça (poeta convidado)
Aldina Duarte (fado)
Sónia Baptista (performance)
Filipa Leal, Pedro Lamares e Paulo Campos dos Reis (leituras)
Ilda David' (imagem)
O Teatro do Campo Alegre ao serviço do SONHO.
11/07/08
Momentos da noite de ontem

Dead Combo

Dead Combo com Ana Deus e Alexandre Soares

Filipa Leal e Catarina Nunes de Almeida

Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Susana Menezes e Pedro Lamares
10/07/08
09/07/08
AS ESTRELAS CHAMAM-SE UMAS ÀS OUTRAS PELOS NOMES PRÓPRIOS
Amanhã há mais estrelas na Rua das Estrelas.
Por ordem de entrada em órbita:
Catarina Nunes de Almeida
Marta Bernardes
Filipa Leal
Maria Bleck Soares
Susana Menezes
Pedro Lamares
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Tó Trips
Pedro Gonçalves
Ana Deus
Alexandre Soares
-Junte-se a nós e seja a estrela principal desta noite fulgente.
Por ordem de entrada em órbita:
Catarina Nunes de Almeida
Marta Bernardes
Filipa Leal
Maria Bleck Soares
Susana Menezes
Pedro Lamares
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Tó Trips
Pedro Gonçalves
Ana Deus
Alexandre Soares
-Junte-se a nós e seja a estrela principal desta noite fulgente.
O "DIÁRIO" DE CATARINA
As ondas rebentaram na saia
muito perto da estrada de pó.
O teu corpo por escrito em cima da mesa:
«Pégaso trocou as asas pelo peso de uma mulher».
Fomos recebendo o dia como se ele fosse
as margens e a sombra e nós
o caudal lento entre pernas da terra.
Cada gota um meio. Nem princípio nem fim.
E o dia chegou nu sem penas nem pêlos
igual aos animais alados cobertos
pelo peso de uma mulher.
(in "Prefloração", Quasi Edições, Catarina Nunes de Almeida)
muito perto da estrada de pó.
O teu corpo por escrito em cima da mesa:
«Pégaso trocou as asas pelo peso de uma mulher».
Fomos recebendo o dia como se ele fosse
as margens e a sombra e nós
o caudal lento entre pernas da terra.
Cada gota um meio. Nem princípio nem fim.
E o dia chegou nu sem penas nem pêlos
igual aos animais alados cobertos
pelo peso de uma mulher.
(in "Prefloração", Quasi Edições, Catarina Nunes de Almeida)
08/07/08
A POESIA DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA
FUSÃO
I
Quando as amoras estão maduras
a menstruação corre no vale
vinda do teu lado. A noite é uma ponte
deitada sobre as margens da cintura:
lugares de xisto onde repousam
sombras de animais.
II
Por vezes os seios crescem-me no teu peito.
Os dias vêm quando vêm os teus lábios
maçã que mordo entre as pernas.
Todo o nosso corpo é flor mútua
escultura que brotou do mesmo chão
imperfeita.
(in "Preflorações", Quasi Edições)
I
Quando as amoras estão maduras
a menstruação corre no vale
vinda do teu lado. A noite é uma ponte
deitada sobre as margens da cintura:
lugares de xisto onde repousam
sombras de animais.
II
Por vezes os seios crescem-me no teu peito.
Os dias vêm quando vêm os teus lábios
maçã que mordo entre as pernas.
Todo o nosso corpo é flor mútua
escultura que brotou do mesmo chão
imperfeita.
(in "Preflorações", Quasi Edições)
07/07/08
AS "FÁBULAS" DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA
Ainda uma palavra no labirinto ainda
a carne crua na boca dos centauros;
são assim as fábulas: os bandos partem
e os flamingos esperam,
as patas esmagando as penas que ficaram.
Depois são as asas que poisam no dorso de outros animais
são os campos que germinam nas entranhas das sementes
e a terra que não morre de parto
ainda que as flores nasçam siamesas.
(in "Preflorações", Quasi Edições)
a carne crua na boca dos centauros;
são assim as fábulas: os bandos partem
e os flamingos esperam,
as patas esmagando as penas que ficaram.
Depois são as asas que poisam no dorso de outros animais
são os campos que germinam nas entranhas das sementes
e a terra que não morre de parto
ainda que as flores nasçam siamesas.
(in "Preflorações", Quasi Edições)
04/07/08
A PROSTITUTA DA RUA DA GLÓRIA
Tanges a noite sem saber que a noite
é uma cítara com cordas de ferro
onde os insectos ferem as asas.
O teu canto arranha o azul da chama
e a cidade desperta para a dança:
um labirinto de minotauros
sorvendo o odor do primeiro tango -
um ténue resquício de feno escondido na nuca.
Ainda ontem foi lua cheia no teu ventre.
Sobrou um aquário onde os cegos vêm depenicar
a caspa dos pombos.
Hoje não saias, deixa-te ficar.
Pelos corredores as fêmeas largam o pó
das florestas quentes -
ténues resquícios de feno escondidos na nuca.
Hoje não saias, deixa-te ficar.
Deixa dormir o teu sexo cansado de morrer.
(in "Preflorações", Catarina Nunes de Almeida)
é uma cítara com cordas de ferro
onde os insectos ferem as asas.
O teu canto arranha o azul da chama
e a cidade desperta para a dança:
um labirinto de minotauros
sorvendo o odor do primeiro tango -
um ténue resquício de feno escondido na nuca.
Ainda ontem foi lua cheia no teu ventre.
Sobrou um aquário onde os cegos vêm depenicar
a caspa dos pombos.
Hoje não saias, deixa-te ficar.
Pelos corredores as fêmeas largam o pó
das florestas quentes -
ténues resquícios de feno escondidos na nuca.
Hoje não saias, deixa-te ficar.
Deixa dormir o teu sexo cansado de morrer.
(in "Preflorações", Catarina Nunes de Almeida)
03/07/08
"PREFLORAÇÃO" de CATARINA NUNES DE ALMEIDA
Prosseguimos hoje a divulgação de alguns poemas de Catarina Nunes de Almeida, a próxima convidada das "Quintas de Leitura".
HÍMEN
Desenho as palavras no lento desabraço das nossa pernas.
Esta noite compreendi que o meu corpo é leve
onde o teu estremece
que o teu nome acaba nas entranhas
onde o cheiro tem o meu nome
e queima.
CERES
Soubeste esperar por mim
embalada na carne o teu hálito
no meu hálito
alimentando os deuses
e as raízes que sustêm as almas.
Havia já um poema encravado no caule
duas notas da sinfonia
escorrendo para os beiços da terra.
Escavei-te e bebi
do teu incêndio
o meu incêndio
e nasci.
TODAS AS SERPENTES
Se me engasgar com o teu sangue
algum dia a minha língua será uma pétala?
Apenas um lago onde a terra derrama
todas as serpentes.
HÍMEN
Desenho as palavras no lento desabraço das nossa pernas.
Esta noite compreendi que o meu corpo é leve
onde o teu estremece
que o teu nome acaba nas entranhas
onde o cheiro tem o meu nome
e queima.
CERES
Soubeste esperar por mim
embalada na carne o teu hálito
no meu hálito
alimentando os deuses
e as raízes que sustêm as almas.
Havia já um poema encravado no caule
duas notas da sinfonia
escorrendo para os beiços da terra.
Escavei-te e bebi
do teu incêndio
o meu incêndio
e nasci.
TODAS AS SERPENTES
Se me engasgar com o teu sangue
algum dia a minha língua será uma pétala?
Apenas um lago onde a terra derrama
todas as serpentes.
02/07/08
20.000 PÁGINAS VISITADAS DO NOSSO BLOGUE
A todos os que continuam a acreditar que o Sonho e a Poesia são os motores da História, dedicamos este poema da "novíssima" Catarina Nunes de Almeida, a próxima convidada das "Quintas de Leitura":
ÚLTIMA SENTENÇA
Os meus cabelos morreram
abraçados às aves.
Entornei-lhes os meus seios
para que vivam de sede.
(in "Prefloração", Quasi Edições)
ÚLTIMA SENTENÇA
Os meus cabelos morreram
abraçados às aves.
Entornei-lhes os meus seios
para que vivam de sede.
(in "Prefloração", Quasi Edições)
01/07/08
CATARINA NUNES DE ALMEIDA, A NOSSA PRÓXIMA CONVIDADA
CRUCIAL
Meio-dia na boca.
Um só toque entre mim
e o poema:
tanto porém o sangue
da primeira vez.
(in "Prefloração, Edições Quasi)
Meio-dia na boca.
Um só toque entre mim
e o poema:
tanto porém o sangue
da primeira vez.
(in "Prefloração, Edições Quasi)
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