Estamos quase de férias. Divulgamos, hoje, em primeira mão, as duas próximas "Quintas de Leitura".
Dia 25 de Setembro
A Literatura e o Reino - conferência por Gonçalo M. Tavares
participam ainda:
Bernardo Sassetti (piano solo)
Susana Menezes, Pedro Lamares, Paulo Campos dos Reis e Isaque Ferreira (leituras)
Alexandre Soares (guitarra)
Rachel Caiano (imagem)
Dia 23 de Outubro
A Noite Abre Meus Olhos
participam:
José Tolentino Mendonça (poeta convidado)
Aldina Duarte (fado)
Sónia Baptista (performance)
Filipa Leal, Pedro Lamares e Paulo Campos dos Reis (leituras)
Ilda David' (imagem)
O Teatro do Campo Alegre ao serviço do SONHO.
15/07/08
11/07/08
Momentos da noite de ontem

Dead Combo

Dead Combo com Ana Deus e Alexandre Soares

Filipa Leal e Catarina Nunes de Almeida

Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Susana Menezes e Pedro Lamares
10/07/08
09/07/08
AS ESTRELAS CHAMAM-SE UMAS ÀS OUTRAS PELOS NOMES PRÓPRIOS
Amanhã há mais estrelas na Rua das Estrelas.
Por ordem de entrada em órbita:
Catarina Nunes de Almeida
Marta Bernardes
Filipa Leal
Maria Bleck Soares
Susana Menezes
Pedro Lamares
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Tó Trips
Pedro Gonçalves
Ana Deus
Alexandre Soares
-Junte-se a nós e seja a estrela principal desta noite fulgente.
Por ordem de entrada em órbita:
Catarina Nunes de Almeida
Marta Bernardes
Filipa Leal
Maria Bleck Soares
Susana Menezes
Pedro Lamares
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Tó Trips
Pedro Gonçalves
Ana Deus
Alexandre Soares
-Junte-se a nós e seja a estrela principal desta noite fulgente.
O "DIÁRIO" DE CATARINA
As ondas rebentaram na saia
muito perto da estrada de pó.
O teu corpo por escrito em cima da mesa:
«Pégaso trocou as asas pelo peso de uma mulher».
Fomos recebendo o dia como se ele fosse
as margens e a sombra e nós
o caudal lento entre pernas da terra.
Cada gota um meio. Nem princípio nem fim.
E o dia chegou nu sem penas nem pêlos
igual aos animais alados cobertos
pelo peso de uma mulher.
(in "Prefloração", Quasi Edições, Catarina Nunes de Almeida)
muito perto da estrada de pó.
O teu corpo por escrito em cima da mesa:
«Pégaso trocou as asas pelo peso de uma mulher».
Fomos recebendo o dia como se ele fosse
as margens e a sombra e nós
o caudal lento entre pernas da terra.
Cada gota um meio. Nem princípio nem fim.
E o dia chegou nu sem penas nem pêlos
igual aos animais alados cobertos
pelo peso de uma mulher.
(in "Prefloração", Quasi Edições, Catarina Nunes de Almeida)
08/07/08
A POESIA DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA
FUSÃO
I
Quando as amoras estão maduras
a menstruação corre no vale
vinda do teu lado. A noite é uma ponte
deitada sobre as margens da cintura:
lugares de xisto onde repousam
sombras de animais.
II
Por vezes os seios crescem-me no teu peito.
Os dias vêm quando vêm os teus lábios
maçã que mordo entre as pernas.
Todo o nosso corpo é flor mútua
escultura que brotou do mesmo chão
imperfeita.
(in "Preflorações", Quasi Edições)
I
Quando as amoras estão maduras
a menstruação corre no vale
vinda do teu lado. A noite é uma ponte
deitada sobre as margens da cintura:
lugares de xisto onde repousam
sombras de animais.
II
Por vezes os seios crescem-me no teu peito.
Os dias vêm quando vêm os teus lábios
maçã que mordo entre as pernas.
Todo o nosso corpo é flor mútua
escultura que brotou do mesmo chão
imperfeita.
(in "Preflorações", Quasi Edições)
07/07/08
AS "FÁBULAS" DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA
Ainda uma palavra no labirinto ainda
a carne crua na boca dos centauros;
são assim as fábulas: os bandos partem
e os flamingos esperam,
as patas esmagando as penas que ficaram.
Depois são as asas que poisam no dorso de outros animais
são os campos que germinam nas entranhas das sementes
e a terra que não morre de parto
ainda que as flores nasçam siamesas.
(in "Preflorações", Quasi Edições)
a carne crua na boca dos centauros;
são assim as fábulas: os bandos partem
e os flamingos esperam,
as patas esmagando as penas que ficaram.
Depois são as asas que poisam no dorso de outros animais
são os campos que germinam nas entranhas das sementes
e a terra que não morre de parto
ainda que as flores nasçam siamesas.
(in "Preflorações", Quasi Edições)
04/07/08
A PROSTITUTA DA RUA DA GLÓRIA
Tanges a noite sem saber que a noite
é uma cítara com cordas de ferro
onde os insectos ferem as asas.
O teu canto arranha o azul da chama
e a cidade desperta para a dança:
um labirinto de minotauros
sorvendo o odor do primeiro tango -
um ténue resquício de feno escondido na nuca.
Ainda ontem foi lua cheia no teu ventre.
Sobrou um aquário onde os cegos vêm depenicar
a caspa dos pombos.
Hoje não saias, deixa-te ficar.
Pelos corredores as fêmeas largam o pó
das florestas quentes -
ténues resquícios de feno escondidos na nuca.
Hoje não saias, deixa-te ficar.
Deixa dormir o teu sexo cansado de morrer.
(in "Preflorações", Catarina Nunes de Almeida)
é uma cítara com cordas de ferro
onde os insectos ferem as asas.
O teu canto arranha o azul da chama
e a cidade desperta para a dança:
um labirinto de minotauros
sorvendo o odor do primeiro tango -
um ténue resquício de feno escondido na nuca.
Ainda ontem foi lua cheia no teu ventre.
Sobrou um aquário onde os cegos vêm depenicar
a caspa dos pombos.
Hoje não saias, deixa-te ficar.
Pelos corredores as fêmeas largam o pó
das florestas quentes -
ténues resquícios de feno escondidos na nuca.
Hoje não saias, deixa-te ficar.
Deixa dormir o teu sexo cansado de morrer.
(in "Preflorações", Catarina Nunes de Almeida)
03/07/08
"PREFLORAÇÃO" de CATARINA NUNES DE ALMEIDA
Prosseguimos hoje a divulgação de alguns poemas de Catarina Nunes de Almeida, a próxima convidada das "Quintas de Leitura".
HÍMEN
Desenho as palavras no lento desabraço das nossa pernas.
Esta noite compreendi que o meu corpo é leve
onde o teu estremece
que o teu nome acaba nas entranhas
onde o cheiro tem o meu nome
e queima.
CERES
Soubeste esperar por mim
embalada na carne o teu hálito
no meu hálito
alimentando os deuses
e as raízes que sustêm as almas.
Havia já um poema encravado no caule
duas notas da sinfonia
escorrendo para os beiços da terra.
Escavei-te e bebi
do teu incêndio
o meu incêndio
e nasci.
TODAS AS SERPENTES
Se me engasgar com o teu sangue
algum dia a minha língua será uma pétala?
Apenas um lago onde a terra derrama
todas as serpentes.
HÍMEN
Desenho as palavras no lento desabraço das nossa pernas.
Esta noite compreendi que o meu corpo é leve
onde o teu estremece
que o teu nome acaba nas entranhas
onde o cheiro tem o meu nome
e queima.
CERES
Soubeste esperar por mim
embalada na carne o teu hálito
no meu hálito
alimentando os deuses
e as raízes que sustêm as almas.
Havia já um poema encravado no caule
duas notas da sinfonia
escorrendo para os beiços da terra.
Escavei-te e bebi
do teu incêndio
o meu incêndio
e nasci.
TODAS AS SERPENTES
Se me engasgar com o teu sangue
algum dia a minha língua será uma pétala?
Apenas um lago onde a terra derrama
todas as serpentes.
02/07/08
20.000 PÁGINAS VISITADAS DO NOSSO BLOGUE
A todos os que continuam a acreditar que o Sonho e a Poesia são os motores da História, dedicamos este poema da "novíssima" Catarina Nunes de Almeida, a próxima convidada das "Quintas de Leitura":
ÚLTIMA SENTENÇA
Os meus cabelos morreram
abraçados às aves.
Entornei-lhes os meus seios
para que vivam de sede.
(in "Prefloração", Quasi Edições)
ÚLTIMA SENTENÇA
Os meus cabelos morreram
abraçados às aves.
Entornei-lhes os meus seios
para que vivam de sede.
(in "Prefloração", Quasi Edições)
01/07/08
CATARINA NUNES DE ALMEIDA, A NOSSA PRÓXIMA CONVIDADA
CRUCIAL
Meio-dia na boca.
Um só toque entre mim
e o poema:
tanto porém o sangue
da primeira vez.
(in "Prefloração, Edições Quasi)
Meio-dia na boca.
Um só toque entre mim
e o poema:
tanto porém o sangue
da primeira vez.
(in "Prefloração, Edições Quasi)
30/06/08
MAIS POESIA DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA
NOCTURNO
Escuto sem margens a melodia do rio.
Na noite existe um canto líquido
sementes que ardem nas línguas dos rouxinóis.
Sorvo essa polpa essa enxurrada de valsas
e atravesso a ponte.
Um calor primitivo roça a madrugada:
És tu o sol que me nasce entre as pernas.
(in "Prefloração", Quasi Edições)
Escuto sem margens a melodia do rio.
Na noite existe um canto líquido
sementes que ardem nas línguas dos rouxinóis.
Sorvo essa polpa essa enxurrada de valsas
e atravesso a ponte.
Um calor primitivo roça a madrugada:
És tu o sol que me nasce entre as pernas.
(in "Prefloração", Quasi Edições)
27/06/08
A POESIA DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA
O poema da folha de sala da sessão:
ENTARDECER
Hoje entardeci mais despida do que antigamente.
Não sei se pelos bosques tão devastados
se pelas bagas que colheste do meu dorso.
À tua sombra todos os amores são silvestres,
só as amoras são frutos impossíveis.
(in "Prefloração", Edições Quasi")
ENTARDECER
Hoje entardeci mais despida do que antigamente.
Não sei se pelos bosques tão devastados
se pelas bagas que colheste do meu dorso.
À tua sombra todos os amores são silvestres,
só as amoras são frutos impossíveis.
(in "Prefloração", Edições Quasi")
26/06/08
Dead Combo e dois Tristes Tigres em concerto nas Quintas de Leitura
Alegre mas não muito
um pouco majestoso
Catarina Nunes de Almeida é a próxima convidada do ciclo poético "Quintas de Leitura". A sessão, intitulada "Allegro ma non troppo, un poco maestoso", realiza-se no dia 10 de Julho, às 22h00, no Café-Teatro do TCA.
Catarina Nunes de Almeida, actualmente a leccionar em Itália, é justamente considerada um dos nomes mais importantes da chamada "novíssima poesia portuguesa", ao lado de poetas como Filipa Leal, Daniel Jonas, Vasco Gato, Alexandre Nave, José Rui Teixeira, Vítor Nogueira e Rui Coias. Recorde-se que alguns destes autores foram já convidados das "Quintas de Leitura", tendo mesmo publicado na colecção "Cadernos do Campo Alegre", editada pelo Teatro do Campo Alegre.
A sessão construída em torno da poesia de Catarina reúne muitos convidados e momentos inesperados. Pauta-se, antes de tudo, pela juventude dos participantes.
A poeta e jornalista Filipa Leal conversará com a convidada. Um frente a frente, portanto, entre duas novíssimas vozes da poesia portuguesa.
A também jovem e talentosa escritora, cantora e performer Marta Bernardes, apresentará a peça "PhODA". Marta explica-nos que uma phoda mal realizada pode chegar a causar a morte. Ao contrário, a phoda correcta dá força e vigor, melhorando a floração e o desenvolvimento. Cá estaremos para ver...
As leituras estarão a cargo de Pedro Lamares, Susana Menezes, Daniel Maia-Pinto Rodrigues e da própria poeta convidada.
Outro jovem talento assegura a imagem da sessão - falamos da artista plástica Maria Bleck Soares.
E para fecharmos o ciclo em beleza, antes das merecidas férias de Verão, prometemos um memorável concerto pelos DEAD COMBO, banda composta pelos músicos Tó Trips (guitarra) e Pedro Gonçalves (contrabaixo). Tocarão temas do seu novíssimo disco "Lusitânia Playboys".
Refira-se, ainda, que os DEAD COMBO actuarão, numa parte do concerto, reforçados com dois "tristes tigres": Ana Deus (voz) e Alexandre Soares (guitarra). Não faltarão os temas "Descapotável", "Olho da Rua" e "Desnorte" que tanto sucesso fizeram no concerto das "40 horas de Serralves em festa".
De que mais argumentos precisa para se juntar a nós, nesta noite que se adivinha mágica?
Voltaremos em Setembro (dia 25) com uma noite dedicada aos “livros pretos” de Gonçalo M. Tavares, escritor convidado.
Até lá, viva a Língua Portuguesa e quem a apoiar!
Alegre mas não muito
um pouco majestoso
Catarina Nunes de Almeida é a próxima convidada do ciclo poético "Quintas de Leitura". A sessão, intitulada "Allegro ma non troppo, un poco maestoso", realiza-se no dia 10 de Julho, às 22h00, no Café-Teatro do TCA.
Catarina Nunes de Almeida, actualmente a leccionar em Itália, é justamente considerada um dos nomes mais importantes da chamada "novíssima poesia portuguesa", ao lado de poetas como Filipa Leal, Daniel Jonas, Vasco Gato, Alexandre Nave, José Rui Teixeira, Vítor Nogueira e Rui Coias. Recorde-se que alguns destes autores foram já convidados das "Quintas de Leitura", tendo mesmo publicado na colecção "Cadernos do Campo Alegre", editada pelo Teatro do Campo Alegre.
A sessão construída em torno da poesia de Catarina reúne muitos convidados e momentos inesperados. Pauta-se, antes de tudo, pela juventude dos participantes.
A poeta e jornalista Filipa Leal conversará com a convidada. Um frente a frente, portanto, entre duas novíssimas vozes da poesia portuguesa.
A também jovem e talentosa escritora, cantora e performer Marta Bernardes, apresentará a peça "PhODA". Marta explica-nos que uma phoda mal realizada pode chegar a causar a morte. Ao contrário, a phoda correcta dá força e vigor, melhorando a floração e o desenvolvimento. Cá estaremos para ver...
As leituras estarão a cargo de Pedro Lamares, Susana Menezes, Daniel Maia-Pinto Rodrigues e da própria poeta convidada.
Outro jovem talento assegura a imagem da sessão - falamos da artista plástica Maria Bleck Soares.
E para fecharmos o ciclo em beleza, antes das merecidas férias de Verão, prometemos um memorável concerto pelos DEAD COMBO, banda composta pelos músicos Tó Trips (guitarra) e Pedro Gonçalves (contrabaixo). Tocarão temas do seu novíssimo disco "Lusitânia Playboys".
Refira-se, ainda, que os DEAD COMBO actuarão, numa parte do concerto, reforçados com dois "tristes tigres": Ana Deus (voz) e Alexandre Soares (guitarra). Não faltarão os temas "Descapotável", "Olho da Rua" e "Desnorte" que tanto sucesso fizeram no concerto das "40 horas de Serralves em festa".
De que mais argumentos precisa para se juntar a nós, nesta noite que se adivinha mágica?
Voltaremos em Setembro (dia 25) com uma noite dedicada aos “livros pretos” de Gonçalo M. Tavares, escritor convidado.
Até lá, viva a Língua Portuguesa e quem a apoiar!
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