06/05/08

Apresentação de "Arquivo de Nuvens" de Marta Bernardes em Madrid


"SI UN DIA_DIA EL ECO-ECO SE VOLVIESE_VIESE AUTONOMO_TONOMO Y SE LIBERTASE_TASE , DIRIA_RIA: ME SIENTO SOLO-SOLO."

In" Archivo de nubes"



LIBRERIA RAFAEL ALBERTI,
Calle Tutor,57
Metro: Moncloa, Madrid
DIA 8 DE MAIO
19:30


Presentación del libro de Marta Bernardes.

"EN LA ENCRUCIJADA DEL MEJOR PESSOA (ALVARO DE CAMPOS) Y UNA TRADICIÓN POÉTICA QUE SE APARTÓ DEL SURREALISMO PARA VIVIR LOS EFECTOS DE LO REAL EN LAVIDA, MARTA BERNARDES APARECE COMO UNA VOZ POLIFONICA BIEN SITUADA. ES PLASTICA . ES DRAMÁTICA. ES CANTANTE.
ES PLÁSTICA PORQUE APURA Y DILATA LA DISTANCIA QUE HAY ENTRE LA IMÁGENES Y LAS COSAS, SOBRE TODO EL MOMENTO EN QUE AQUELLAS SUPLANTAN A ESTAS.
ES DRAMÁTICA PORQUE SU DRAMA EN TIEMPO RECOGE LOS INTERVALOS MENUDOS DE LO COTIDIANO Y TAMBIÉN LAS FRACTURAS DE LOS GRANDES MOMENTOS EPOCALES.
ES CANTANTE PORQUE SOBRE TODO ES UN REGISTRO SONORO QUE SE BIFURCA ENTRE LA SIBILACIÓN OPACA DEL PORTUGUÉS DE OPORTO Y UN CASTELLANO CANTARÍN QUE INCURRE A VECES EN ERRORES QUE SON HALLAZGOS FECUNDOS POR IMPREVISTOS.
PERO ES ESAS TRES COSAS PORQUE A LA VEZ SABE PINTAR, CONOCE EL TEATRO COMO ACTRIZ Y COREÓGRAFA Y ES CAPAZ DE INTERPRETAR CON SU VOZ UN AMPLIO REPERTORIO LIRICO
SOLO TIENE EL LIMITE DE SU JUVENTUD. PERO ESO ES PORQUE ELLA LO APARENTA
LA PRUEBA ES QUE COMETE VERSOS CON LA VIDA VIVIDA DE UN HOOMBRE DE SETENTA AÑOS, O UN CANTAUTOR DE CINCUENTA, O DE UNA NIÑA DE DOCE, O DE UN NIÑO SALTARÍN QUE SE DISFRAZA DE UNA CHICA QUE SE EMPEÑA EN HACERNOS CREER QUE PUEDE SER VISTA COMO LA "MONICA NARANJO PORTUGUESA"
UN SINFIN DE JUEGOS Y DE HALLAZGOS
UN COMPROMISO CON LAS VOCES DE LAS COSAS (COMO RAMÓN) Y LAS COSAS DE LAS VOCES (COMO BARTHES)
UN PULSO POÉTICO AFINADÍSIMO QUE NO SE DA MUCHA IMPORTANCIA
QUE ESPERA QUE SE APAREZCA EL DUENDE, EL VERBO DEL OTRO LADO, PARA TRATARLO DE TÚ"

MIGUEL MARINAS

FOZ

Com água no bico
aves marinhas combatem
o incêndio do crepúsculo


Sete da manhã
O sol acorda
com olheiras enormes

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

05/05/08

CANÇÃO

Este esperma é puro
como a água de um iceberg

Colhido por masturbação
centrifugado capacitado...

Bebe deste esperma simples
ou com gelo e limão

Só assim conseguirás
a redenção

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

02/05/08

Restam poucos bilhetes para venda


LIXEIRO

Pendurado num camião do
lixo atravessas a cidade

de bairro em bairro de rua
em rua de beco em beco

com as luvas de protecção e
o colete fluorescente. Conheces

como ninguém o cheiro
a azedo e a vomitado...

Não te surpreendas se um dia
destes descobrires um coração

ainda a sangrar embrulhado
num saco de supermercado

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

30/04/08

COMUNHÃO

Uma pomba catando a
outra numa janela do sétimo

andar do hospital. Nada
as perturba. Nem o ruído

das escavadoras no túnel
em construção. Uma pomba

catando a outra num gesto
de ternura. Os olhos são

a única impureza no meio
de tanta brancura

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

29/04/08

UM ANJO NO PORTO

Eu vi-o um dia destes pairando
sobre a Torre dos Clérigos

ou descendo a Avenida dos
Aliados ao fim da tarde

Disfarçava mal as asas
por debaixo da gabardina

e abdicara da auréola. Po-
dem não acreditar mas eu

vi-o. Da última vez atra-
vessava a pé o rio

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

28/04/08

26/04/08

SAGRES

Só tenho uma ponta de
cigarro para fumar
E para apagá-la:
todo o mar

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

24/04/08

GERÊS

Quando me levantei
já as minhas sandálias andavam
a passear lá fora na relva


Esta noite
até os atacadores dos sapatos
floriram

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

22/04/08

O regresso de ESTE TEM MENOS GRAÇA de Pedro Tochas


Os bilhetes para este espectáculo (um exclusivo Quintas de Leitura) serão colocados à venda no TCA no dia 25 de Abril às 13:00.
Nos dias 25, 26 e 27 o teatro apenas faz venda directa, não aceitando reservas de bilhetes.

A partir do dia 28 de Abril, se ainda existirem bilhetes disponíveis, serão então aceites reservas que terão de ser levantadas até 48 horas antes do dia do espectáculo.
Relembramos que este espectáculo de Quintas de Leitura foi um desafio do programador João Gesta ao comediante Pedro Tochas. Saiba mais aqui ou na Tábua ao lado sobre Pedro Tochas.

(fotografia de Raquel Viegas)

CANÇÃO DE AMOR

Ensinei o meu pénis a dizer
o teu nome. Só ele é capaz

de soletrá-lo de trás para a
frente e da frente para trás

indiferentemente

Só ele fala como falo


( in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

18/04/08

Fragmentos de uma noite quase perfeita

Ela não é francesa Ele não é espanhol - performance musical


Eduardo Raon
Inês Jacques

Conversa entre Yolanda Castaño e José Luís Peixoto. Ao fundo, fotografia de Mafalda Capela


A estreia de Pinóquio nas Quintas de Leitura .

Leitura por Natália Luíza

Leitura por Susana Menezes

Pedro Lamares lê "O sorriso dos afogados" de José Luís Peixoto.

ao fundo imagens de Mafalda Capela

Mário Laginha e Pedro Lamares

Concerto por Mário Laginha

Fotografias do espectáculo por Hugo Valter Moutinho

17/04/08

Na Imprensa de hoje






Por ordem: gratuitos Meia-Hora e Metro / revistas semanais Sábado e Visão / jornal Público.
(para ler clicar sobre as imagens)

15/04/08


Notícia publicada dia 9 de Abril no Jornal de Notícias.
(para ler clicar sobre a imagem)

14/04/08



Notícia publicada hoje, no suplemento das Artes e das Letras d' O Primeiro de Janeiro.

(para ler clicar sobre a imagem)

09/04/08

UMA GAVETA CHEIA DE PAPÉIS VALIOSOS


Acaba de ser publicado, pela Quasi Edições, o 3º livro de poemas de José Luís Peixoto.

É um verdadeiro tesouro e intitula-se "Gaveta de Papéis". Foi "Prémio Daniel Faria 2008".
Na próxima sessão das "Quintas de Leitura", o autor vai ler alguns poemas deste novíssimo livro. A nosso pedido, lerá "Fotografia do Porto", que revelamos aqui:

FOTOGRAFIA DO PORTO

O Porto é uma menina a falar-me de outra idade.
Quando olho para o Porto sinto que já não sou capaz
de entender a sua voz delicada e, só por ouvir, sou
um monstro que destrói. Mas os meus dedos são capazes
de tocar-lhe nos ombros, de afastar-lhe os cabelos.
Entre mim e o Porto, existem milímetros que são
muito maiores do que quilómetros, mesmo quando
os nossos lábios se tocam, sobretudo quando os nossos
lábios se tocam. De que poderíamos falar, eu e o Porto,
deitados na cama, a respirar, transpirados e nus?
Eis uma pergunta que nunca terá responta.

in "Gaveta de Papéis", Quasi edições.

08/04/08


O recital na Viva - O Porto em revista on-line.



Notícia publicada hoje no diário gratuito Global.

04/04/08

Lucía Aldao

«Foron en realidade case tres horas de beleza as que se viviron o xoves 27 de marzo no teatro Campo Alegre da “espantosa” (primeiro false friend) cidade de Porto, dentro do ciclo xenial chamado 'Quintas de Leitura', unha cita poética mensual estupenda, coordinada por João Gesta, desas que aquí non se estilan e que leva enchendo un gradarío de cento e pico (case 200) persoas dende o ano 2001. Cágate lorito. » (...)


Lucía Aldao, uma das poetas e performers galegas presentes na sessão «Um instantinho de beleza» publicou este texto estupendo no ANOSATERRA DIÁRIO virtual, a respeito da sua vinda às«Quintas». Imperdível. Texto integral para ler clicando aqui.

02/04/08

Desmantelamento de um rio

José Luís Peixoto e Yolanda Castaño.
Dois nomes maiores da poesia ibérica


A próxima sessão das "Quintas de Leitura" marca um inesperado encontro poético entre dois nomes maiores da poesia ibérica: José Luís Peixoto e Yolanda Castaño.

O encontro está marcado para o dia 17 de Abril de 2008, às 22h00, no Café-Teatro do TCA, numa sessão intitulada "Desmantelamento de um rio".

José Luís Peixoto lerá poemas do seu novíssimo livro "Gaveta de Papéis", prémio de poesia Daniel Faria. A galega Yolanda Castaño lerá textos do seu mais recente livro "Profundidade de campo" e mostrará o vídeo poema (RE)SER(VADO).

O espectáculo é ainda abrilhantado pela presença de muitos convidados: Pedro Lamares, Natália Luíza e Susana Menezes (nas leituras) e, a abrir a sessão, a formação musical "Ela Não É Francesa Ele Não É Espanhol", composta por Inês Jacques (voz) e Eduardo Raon (harpa).

Mafalda Capela, responsável pela fotografia do espectáculo, apresentará um trabalho original produzido nas Galveias, terra natal de Peixoto.

E, no fim disto tudo, um momento há muito esperado: o regresso, quatro anos depois, de Mário Laginha (piano solo) às "Quintas de Leitura".

Na noite de 17 de Abril é proibido ficar em casa - partilhe connosco este momento mágico e irrepetível.

Espectáculo para maiores de 12 anos.

(fotografia de Pat)

Gaveta de Papéis






Encantar-te-ás com os poetas até conheceres um.
Com calças de poeta, camisa de poeta e casaco
de poeta, os poetas dirigem-se ao supermercado.

As pessoas que estão sozinhas telefonam muitas vezes,
por isso, os poetas telefonam muitas vezes. Querem
falar de artigos de jornal, de fotografias ou de postais.

Nunca dês demasiado a um poeta, arrepender-te-ás.
São sempre os últimos a encontrar estacionamento
para o carro, mas quando chove não se molham,

passam entre as gotas de chuva. Não por serem
mágicos, ou serem magros, mas por serem parvos.
A falta de sentido prático dos poetas não tem graça.


José Luís Peixoto - do seu novíssimo livro "Gaveta de Papéis", prémio de poesia Daniel Faria.




(Fotografia de Pat)

31/03/08

UM ANO DEPOIS, O REGRESSO DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO ÀS "QUINTAS DE LEITURA"

A bilheteira abre hoje - reserve já o seu bilhete.

Instantinhos da noite de 27 de Março

María Lado e Lucía Aldao (Galiza) - Performance poética Todo Mal.

COPO - Paulo Condessa e Nuno Moura.

Isabel Ariel (Dança)




LUPA - Inês Veiga de Macedo, Daniela Dias e Adriana Faria.

Caixa Geral de Despojos - Paulo Campos dos Reis

Caixa Geral de Despojos - Isaque Ferreira

Caixa Geral de Despojos - Pedro Lamares


Couple Coffee -Luanda Cozetti (voz) & Norton Daiello (baixo)


Fotografias por Pat (Caixa Geral de Despojos).

27/03/08

25/03/08

O Primeiro de Janeiro - notícia publicada a 21 de Março de 2008.

Das Artes e das Letras - O Primeiro de Janeiro - publicada a 24 de Março de 2008.



Jornal de Notícias, dia 23 de Março de 2008
(para ler clicar sobre as imagens).

20/03/08

Dia Mundial da Poesia

O Dia Mundial da Poesia comemora-se a 21 de Março por iniciativa da UNESCO, que o proclamou em 1999 com o objectivo de defender a diversidade linguística.
As «Quintas de Leitura» celebram a Poesia todos os dias, desde 2001.

19/03/08

COPOfonia poética. No TCA, pois claro.

O colectico "COPO", constituído pelos poetas Nuno Moura e Paulo Condessa, participarão também no mega-recital de 27 de Março. Não deixarão de ler poemas da incontornável Adília Lopes. Só para verem o que não vão perder:

Perda
sobre
perda

Pedra
sobre
pedra

( in "Caderno" / Adília Lopes)

07/03/08

UM INSTANTINHO DE BELEZA COM O POETA ABJECCIONISTA ANTÓNIO JOSÉ FORTE

Assim se chama o autor de "Uma faca nos dentes", texto que será lido pelo colectivo poético "Lupa" no próximo recital das "Quintas".
Para abrir o apetite para a noite de 27 de Março, lembramos aqui um dos mais belos poemas de amor da moderna poesia portuguesa, também da autoria de António José Forte.


POEMA

Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada

alguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler

alguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-lo passar na direcção dos rios

alguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse
para ouvir-te sonhar

03/03/08

Como explicar Um instantinho???

“Um instantinho de beleza”
EXERCÍCIOS DE ESTILO NAS “QUINTAS DE LEITURA”


“Um instantinho de beleza” é um mega recital de poesia, uma salada de trutas, inspirado num verso de Alexandre O´ Neill. Realiza-se no âmbito do ciclo “Quintas de Leitura”, no Auditório do Teatro do Campo Alegre, no dia 27 de Março, às 22h00.

Três colectivos poéticos – “Copo”, “Caixa Geral de Despojos” e “Lupa” – farão uma viagem triunfal através da poesia portuguesa, com paragens obrigatórias em António José Forte, Daniel Filipe, Luíz Pacheco, Fernando Assis Pacheco, Mário Cesariny, Adília Lopes, António Gancho, Jorge Sousa Braga, entre outras. É, nas palavras de João Gesta, “um pequeno levantamento do que melhor se escreveu em Portugal, dos anos 50 até aos nossos dias”.

As equipas alinham na sua máxima força. Por ordem de entrada em campo: Isaque Ferreira, Pedro Lamares e Paulo Campos dos Reis (Caixa Geral de Despojos); Nuno Moura e Paulo Condessa (Copo); Adriana Faria, Daniela Dias e Inês Veiga de Macedo (Lupa).

As actrizes galegas María Lado e Lucía Aldao também ajudam à festa com a performance poética “Todo Mal”.

Estreia de Isabel Ariel na dança das “Quintas”. Pat, outro membro do colectivo “Caixa Geral de Despojos”, envolverá a sessão num manto diáfano de Sonho e Poesia. Sim, é isso: Pat responde pela imagem da sessão.

Para o fim do espectáculo fica o sempre tão esperado momento musical – estreia nas “Quintas” da dupla “Couple Coffee”, o casamento musical de Luanda Cozetti e Norton Daiello. No site da banda pode ler-se: “Ela faz tudo o que quer com a voz. Ele sola, acompanha, e mais do que isso: o seu baixo canta. Dessa alquimia resulta uma música espantosa, original e sofisticada. A comunicação com o público é imediata. Não há quem fique indiferente a tanto virtuosismo”.

Não fique em casa – venha celebrar connosco o mi(ni)stério da Poesia. Fora de horas.

No site do Corps de Textes

A notícia publicada no site do Corps de Textes sobre o espectáculo que aconteceu nas Quintas de Leitura. Para ler aqui.

25/02/08

INVENTÁRIO

É o título de um desconcertante poema de Alexandre O´Neill. Será lido no próximo recital das "Quintas" pelo Paulo Campos dos Reis, ponta-de-lança do colectivo "Caixa Geral de Despojos".
Um dos seus versos dá nome à sessão.

Inventário

Um dente d' oiro a rir dos panfletos
Um marido afinal ignorante
Dois corvos mesmo muito pretos
Um polícia que diz que garante

A costureira muito desgraçada
Um máquina infernal de fazer fumo
Um professor que não sabe quase nada
Um colossalmente bom aluno

Um revólver já desiludido
Uma criança doida de alegria
Um imenso tempo perdido
Um adepto da simetria

Um conde que cora ao ser condecorado
Um homem que ri de tristeza
Um amante perdido encontrado
O gafanhoto chamado surpresa

O desertor cantando no coreto
Um malandrão que vem pé-ante-pé
Um senhor vestidíssimo de preto
Um organista que perdeu a fé

Um sujeito enganando os amorosos
Um cachimbo cantando a marselhesa
Dois detidos de facto perigosos
Um instantinho de beleza

Um octogenário divertido
Um menino coleccionando tampas
Um congressista que diz Eu não prossigo
Uma velha que morre a páginas tantas.

(Alexandre O'Neill)

UM INSTANTINHO DE BELEZA

(para ler clicar sobre a imagem)