NOCTURNO
Escuto sem margens a melodia do rio.
Na noite existe um canto líquido
sementes que ardem nas línguas dos rouxinóis.
Sorvo essa polpa essa enxurrada de valsas
e atravesso a ponte.
Um calor primitivo roça a madrugada:
És tu o sol que me nasce entre as pernas.
(in "Prefloração", Quasi Edições)
30/06/08
27/06/08
A POESIA DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA
O poema da folha de sala da sessão:
ENTARDECER
Hoje entardeci mais despida do que antigamente.
Não sei se pelos bosques tão devastados
se pelas bagas que colheste do meu dorso.
À tua sombra todos os amores são silvestres,
só as amoras são frutos impossíveis.
(in "Prefloração", Edições Quasi")
ENTARDECER
Hoje entardeci mais despida do que antigamente.
Não sei se pelos bosques tão devastados
se pelas bagas que colheste do meu dorso.
À tua sombra todos os amores são silvestres,
só as amoras são frutos impossíveis.
(in "Prefloração", Edições Quasi")
26/06/08
Dead Combo e dois Tristes Tigres em concerto nas Quintas de Leitura
Alegre mas não muito
um pouco majestoso
Catarina Nunes de Almeida é a próxima convidada do ciclo poético "Quintas de Leitura". A sessão, intitulada "Allegro ma non troppo, un poco maestoso", realiza-se no dia 10 de Julho, às 22h00, no Café-Teatro do TCA.
Catarina Nunes de Almeida, actualmente a leccionar em Itália, é justamente considerada um dos nomes mais importantes da chamada "novíssima poesia portuguesa", ao lado de poetas como Filipa Leal, Daniel Jonas, Vasco Gato, Alexandre Nave, José Rui Teixeira, Vítor Nogueira e Rui Coias. Recorde-se que alguns destes autores foram já convidados das "Quintas de Leitura", tendo mesmo publicado na colecção "Cadernos do Campo Alegre", editada pelo Teatro do Campo Alegre.
A sessão construída em torno da poesia de Catarina reúne muitos convidados e momentos inesperados. Pauta-se, antes de tudo, pela juventude dos participantes.
A poeta e jornalista Filipa Leal conversará com a convidada. Um frente a frente, portanto, entre duas novíssimas vozes da poesia portuguesa.
A também jovem e talentosa escritora, cantora e performer Marta Bernardes, apresentará a peça "PhODA". Marta explica-nos que uma phoda mal realizada pode chegar a causar a morte. Ao contrário, a phoda correcta dá força e vigor, melhorando a floração e o desenvolvimento. Cá estaremos para ver...
As leituras estarão a cargo de Pedro Lamares, Susana Menezes, Daniel Maia-Pinto Rodrigues e da própria poeta convidada.
Outro jovem talento assegura a imagem da sessão - falamos da artista plástica Maria Bleck Soares.
E para fecharmos o ciclo em beleza, antes das merecidas férias de Verão, prometemos um memorável concerto pelos DEAD COMBO, banda composta pelos músicos Tó Trips (guitarra) e Pedro Gonçalves (contrabaixo). Tocarão temas do seu novíssimo disco "Lusitânia Playboys".
Refira-se, ainda, que os DEAD COMBO actuarão, numa parte do concerto, reforçados com dois "tristes tigres": Ana Deus (voz) e Alexandre Soares (guitarra). Não faltarão os temas "Descapotável", "Olho da Rua" e "Desnorte" que tanto sucesso fizeram no concerto das "40 horas de Serralves em festa".
De que mais argumentos precisa para se juntar a nós, nesta noite que se adivinha mágica?
Voltaremos em Setembro (dia 25) com uma noite dedicada aos “livros pretos” de Gonçalo M. Tavares, escritor convidado.
Até lá, viva a Língua Portuguesa e quem a apoiar!
Alegre mas não muito
um pouco majestoso
Catarina Nunes de Almeida é a próxima convidada do ciclo poético "Quintas de Leitura". A sessão, intitulada "Allegro ma non troppo, un poco maestoso", realiza-se no dia 10 de Julho, às 22h00, no Café-Teatro do TCA.
Catarina Nunes de Almeida, actualmente a leccionar em Itália, é justamente considerada um dos nomes mais importantes da chamada "novíssima poesia portuguesa", ao lado de poetas como Filipa Leal, Daniel Jonas, Vasco Gato, Alexandre Nave, José Rui Teixeira, Vítor Nogueira e Rui Coias. Recorde-se que alguns destes autores foram já convidados das "Quintas de Leitura", tendo mesmo publicado na colecção "Cadernos do Campo Alegre", editada pelo Teatro do Campo Alegre.
A sessão construída em torno da poesia de Catarina reúne muitos convidados e momentos inesperados. Pauta-se, antes de tudo, pela juventude dos participantes.
A poeta e jornalista Filipa Leal conversará com a convidada. Um frente a frente, portanto, entre duas novíssimas vozes da poesia portuguesa.
A também jovem e talentosa escritora, cantora e performer Marta Bernardes, apresentará a peça "PhODA". Marta explica-nos que uma phoda mal realizada pode chegar a causar a morte. Ao contrário, a phoda correcta dá força e vigor, melhorando a floração e o desenvolvimento. Cá estaremos para ver...
As leituras estarão a cargo de Pedro Lamares, Susana Menezes, Daniel Maia-Pinto Rodrigues e da própria poeta convidada.
Outro jovem talento assegura a imagem da sessão - falamos da artista plástica Maria Bleck Soares.
E para fecharmos o ciclo em beleza, antes das merecidas férias de Verão, prometemos um memorável concerto pelos DEAD COMBO, banda composta pelos músicos Tó Trips (guitarra) e Pedro Gonçalves (contrabaixo). Tocarão temas do seu novíssimo disco "Lusitânia Playboys".
Refira-se, ainda, que os DEAD COMBO actuarão, numa parte do concerto, reforçados com dois "tristes tigres": Ana Deus (voz) e Alexandre Soares (guitarra). Não faltarão os temas "Descapotável", "Olho da Rua" e "Desnorte" que tanto sucesso fizeram no concerto das "40 horas de Serralves em festa".
De que mais argumentos precisa para se juntar a nós, nesta noite que se adivinha mágica?
Voltaremos em Setembro (dia 25) com uma noite dedicada aos “livros pretos” de Gonçalo M. Tavares, escritor convidado.
Até lá, viva a Língua Portuguesa e quem a apoiar!
Clube Dos Nadadores De Inverno live@ Serralves em festa 08
Um cheirinho do que pode ser o concerto de Ana Deus+ Dead Combo + Alexandre Soares nas «Quintas» de Julho.
DEAD COMBO
"Lusitânia Playboys"- Dead Combo.
Vídeo realizado por Alexandre Azinheira.
Nas Quintas em JULHO.
25/06/08
OUTRO POEMA DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA
CRUCIAL
Meio-dia na boca.
Um só toque entre mim
e o poema:
tanto porém o sangue
da primeira vez.
(in "Prefloração", Quasi Edições)
Meio-dia na boca.
Um só toque entre mim
e o poema:
tanto porém o sangue
da primeira vez.
(in "Prefloração", Quasi Edições)
23/06/08
A Novíssima Poesia Portuguesa
Catarina Nunes de Almeida é considerada uma das poetas mais representativas da chamada "novíssima poesia portuguesa". Ao lado de Filipa Leal, Alexandre Nave, Rui Coias, Vasco Gato, Daniel Jonas, José Rui Teixeira, Vítor Nogueira, Zé Luís Costa, entre (poucos) outros.
Alguns destes autores já participaram nas "Quintas de Leitura" (Filipa Leal, Daniel Jonas, Vasco Gato). Anuncia-se para breve uma sessão com Rui Coias.
Em 10 de Julho participará Catarina Nunes de Almeida. A sessão intitula-se "Allegro ma non troppo, un poco maestoso".
Vamos hoje começar a divulgar alguns poemas da sua obra.
SOLO
Um dia os nossos gestos serão verdes.
Dormiremos aos pés da terra
nas nossas bocas só os pés da terra
e a folhagem em vez dos meus braços.
Basta um grão de pó na unha
a noite dedilhada no centro do poro
para que eu estenda os seios no deserto
depois da vindima. Entre a pele e as espigas
já não restam reticências - apenas uma escama
com que agasalho o mundo.
(in "Prefloração", Edições Quasi")
Alguns destes autores já participaram nas "Quintas de Leitura" (Filipa Leal, Daniel Jonas, Vasco Gato). Anuncia-se para breve uma sessão com Rui Coias.
Em 10 de Julho participará Catarina Nunes de Almeida. A sessão intitula-se "Allegro ma non troppo, un poco maestoso".
Vamos hoje começar a divulgar alguns poemas da sua obra.
SOLO
Um dia os nossos gestos serão verdes.
Dormiremos aos pés da terra
nas nossas bocas só os pés da terra
e a folhagem em vez dos meus braços.
Basta um grão de pó na unha
a noite dedilhada no centro do poro
para que eu estenda os seios no deserto
depois da vindima. Entre a pele e as espigas
já não restam reticências - apenas uma escama
com que agasalho o mundo.
(in "Prefloração", Edições Quasi")
20/06/08
19/06/08
78 MESES DEPOIS
Foram 3 horas de frenético espectáculo - um bife verdadeiramente bem passado.
Houve de tudo: leituras, performance, dança, imagem, música e as fumarolas do Diogo. A "nossa" GINA honrou-nos com a sua presença, sentada na 1ª fila, ao colo do Alberto Magassela. Ufana.
Há noites assim:
Ontem levámos uma tareia de Poesia, Poesia cor de gente, Poesia virada para o lado certo da Vida.
Estamos todos de parabéns - 80 espectáculos ao serviço da nossa língua, ao serviço da nossa Pátria.
Aos que fazem, aos que deixam fazer, aos navegadores solitários, cúmplices que, mês a mês, enchem o nosso auditório, o programador do ciclo dedica o mais belo exercício espiritual do mundo. Para não ter de dizer que vos amo:
exercício espiritual
É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem
É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora
(Mário Cesariny)
é preciso dizer quinta em vez de dizer horizonte
Houve de tudo: leituras, performance, dança, imagem, música e as fumarolas do Diogo. A "nossa" GINA honrou-nos com a sua presença, sentada na 1ª fila, ao colo do Alberto Magassela. Ufana.
Há noites assim:
Ontem levámos uma tareia de Poesia, Poesia cor de gente, Poesia virada para o lado certo da Vida.
Estamos todos de parabéns - 80 espectáculos ao serviço da nossa língua, ao serviço da nossa Pátria.
Aos que fazem, aos que deixam fazer, aos navegadores solitários, cúmplices que, mês a mês, enchem o nosso auditório, o programador do ciclo dedica o mais belo exercício espiritual do mundo. Para não ter de dizer que vos amo:
exercício espiritual
É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem
É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora
(Mário Cesariny)
é preciso dizer quinta em vez de dizer horizonte
18/06/08
BIFE PICADO - TUDO ACABADO
Um dos poemas que Daniel Maia-Pinto Rodrigues lerá esta noite no recital "Bife Picado":
Os Homens Estragaram o Romantismo
Com a cabeça cheia de ideias
fui até ao centro comercial.
Vi jovens bonitas e também feias
é normal, até aqui tudo bestial.
Cheio de enlevo, a cada bonita disse:
«Vem lá a casa, serás bem aparecida.»
Já em casa, oh!, antes não a visse,
estava no meu quarto a feia adormecida.
( Daniel Maia-Pinto Rodrigues)
Os Homens Estragaram o Romantismo
Com a cabeça cheia de ideias
fui até ao centro comercial.
Vi jovens bonitas e também feias
é normal, até aqui tudo bestial.
Cheio de enlevo, a cada bonita disse:
«Vem lá a casa, serás bem aparecida.»
Já em casa, oh!, antes não a visse,
estava no meu quarto a feia adormecida.
( Daniel Maia-Pinto Rodrigues)
17/06/08
BIFE PICADO - ANJO ACOCORADO
Um poema de Daniel Maia-Pinto Rodrigues:
Quando te pões a mastigar o tojo
para troçar dos ruminantes
fico realmente confuso, preocupado
(in "Dióspiro", Edições Quasi)
Quando te pões a mastigar o tojo
para troçar dos ruminantes
fico realmente confuso, preocupado
(in "Dióspiro", Edições Quasi)
16/06/08
BIFE PICADO - BURRO TRANSTORNADO
Mais um poema de Joaquim Castro Caldas.
SOPHIA
viveu sempre à distância
de uma milha ilha a ilha
que separa o mar da terra
escolheu por acaso a grécia
podia ter sido uma avenida
numa cidade puta ou divina
preferiu no entanto semente
os outros que a colham breve
ao que nus resta de inocência
(in "só cá vim ver o sol", Edições Quasi)
SOPHIA
viveu sempre à distância
de uma milha ilha a ilha
que separa o mar da terra
escolheu por acaso a grécia
podia ter sido uma avenida
numa cidade puta ou divina
preferiu no entanto semente
os outros que a colham breve
ao que nus resta de inocência
(in "só cá vim ver o sol", Edições Quasi)
13/06/08
BIFE PICADO - ROSA DO ADRO
Mais um poema de Filipa Leal. Uma das poetas que estará presente no recital "Bife Picado".
AFINAL, A MEMÓRIA
Afinal eram iguais os homens
as mulheres
vistos de cima
quando abanavam ligeiramente a cabeça
para a frente e para trás
ao mesmo tempo,
ou se inclinavam nas horas da infância, da minha infância,
ou quando mexiam no cabelo uns dos outros
para eu adormecer.
Afinal a memória era um lugar parecido
com a memória, e o sonho era um lugar parecido
com a memória, e nós talvez fôssemos todos, na verdade,
parecidos
uns com os outros.
(in "O problema de ser norte", Deriva Editores)
AFINAL, A MEMÓRIA
Afinal eram iguais os homens
as mulheres
vistos de cima
quando abanavam ligeiramente a cabeça
para a frente e para trás
ao mesmo tempo,
ou se inclinavam nas horas da infância, da minha infância,
ou quando mexiam no cabelo uns dos outros
para eu adormecer.
Afinal a memória era um lugar parecido
com a memória, e o sonho era um lugar parecido
com a memória, e nós talvez fôssemos todos, na verdade,
parecidos
uns com os outros.
(in "O problema de ser norte", Deriva Editores)
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