25/06/08

OUTRO POEMA DE CATARINA NUNES DE ALMEIDA

CRUCIAL

Meio-dia na boca.
Um só toque entre mim
e o poema:
tanto porém o sangue
da primeira vez.

(in "Prefloração", Quasi Edições)

23/06/08

A Novíssima Poesia Portuguesa

Catarina Nunes de Almeida é considerada uma das poetas mais representativas da chamada "novíssima poesia portuguesa". Ao lado de Filipa Leal, Alexandre Nave, Rui Coias, Vasco Gato, Daniel Jonas, José Rui Teixeira, Vítor Nogueira, Zé Luís Costa, entre (poucos) outros.

Alguns destes autores já participaram nas "Quintas de Leitura" (Filipa Leal, Daniel Jonas, Vasco Gato). Anuncia-se para breve uma sessão com Rui Coias.
Em 10 de Julho participará Catarina Nunes de Almeida. A sessão intitula-se "Allegro ma non troppo, un poco maestoso".
Vamos hoje começar a divulgar alguns poemas da sua obra.

SOLO

Um dia os nossos gestos serão verdes.
Dormiremos aos pés da terra
nas nossas bocas só os pés da terra
e a folhagem em vez dos meus braços.
Basta um grão de pó na unha
a noite dedilhada no centro do poro
para que eu estenda os seios no deserto
depois da vindima. Entre a pele e as espigas
já não restam reticências - apenas uma escama
com que agasalho o mundo.

(in "Prefloração", Edições Quasi")

19/06/08

78 MESES DEPOIS




Foram 3 horas de frenético espectáculo - um bife verdadeiramente bem passado.
Houve de tudo: leituras, performance, dança, imagem, música e as fumarolas do Diogo. A "nossa" GINA honrou-nos com a sua presença, sentada na 1ª fila, ao colo do Alberto Magassela. Ufana.
Há noites assim:
Ontem levámos uma tareia de Poesia, Poesia cor de gente, Poesia virada para o lado certo da Vida.
Estamos todos de parabéns - 80 espectáculos ao serviço da nossa língua, ao serviço da nossa Pátria.
Aos que fazem, aos que deixam fazer, aos navegadores solitários, cúmplices que, mês a mês, enchem o nosso auditório, o programador do ciclo dedica o mais belo exercício espiritual do mundo. Para não ter de dizer que vos amo:

exercício espiritual

É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem


É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora

(Mário Cesariny)

é preciso dizer quinta em vez de dizer horizonte



18/06/08


Jornal PÚBLICO de hoje.
JORNAL DE NOTÍCIAS de ontem.

BIFE PICADO - TUDO ACABADO

Um dos poemas que Daniel Maia-Pinto Rodrigues lerá esta noite no recital "Bife Picado":

Os Homens Estragaram o Romantismo

Com a cabeça cheia de ideias
fui até ao centro comercial.
Vi jovens bonitas e também feias
é normal, até aqui tudo bestial.

Cheio de enlevo, a cada bonita disse:
«Vem lá a casa, serás bem aparecida.»
Já em casa, oh!, antes não a visse,
estava no meu quarto a feia adormecida.

( Daniel Maia-Pinto Rodrigues)

17/06/08

BIFE PICADO - ANJO ACOCORADO

Um poema de Daniel Maia-Pinto Rodrigues:

Quando te pões a mastigar o tojo
para troçar dos ruminantes
fico realmente confuso, preocupado

(in "Dióspiro", Edições Quasi)


No jornal O PRIMEIRO DE JANEIRO de 17 de Junho.

(para ler clicar sobre a imagem)

16/06/08

Quintas de Leitura no Museu Soares dos Reis


Notícia publicada ontem no jornal O PRIMEIRO DE JANEIRO.
(para ler clicar sobre a imagem)

BIFE PICADO - BURRO TRANSTORNADO

Mais um poema de Joaquim Castro Caldas.

SOPHIA

viveu sempre à distância
de uma milha ilha a ilha
que separa o mar da terra
escolheu por acaso a grécia
podia ter sido uma avenida
numa cidade puta ou divina
preferiu no entanto semente
os outros que a colham breve
ao que nus resta de inocência

(in "só cá vim ver o sol", Edições Quasi)

Na revista Os Meus Livros

(para ler clicar sobre a imagem)

13/06/08

BIFE PICADO - ROSA DO ADRO

Mais um poema de Filipa Leal. Uma das poetas que estará presente no recital "Bife Picado".

AFINAL, A MEMÓRIA

Afinal eram iguais os homens
as mulheres
vistos de cima
quando abanavam ligeiramente a cabeça
para a frente e para trás
ao mesmo tempo,
ou se inclinavam nas horas da infância, da minha infância,
ou quando mexiam no cabelo uns dos outros
para eu adormecer.
Afinal a memória era um lugar parecido
com a memória, e o sonho era um lugar parecido
com a memória, e nós talvez fôssemos todos, na verdade,
parecidos
uns com os outros.

(in "O problema de ser norte", Deriva Editores)

12/06/08

BIFE PICADO - SEGREDO DE ESTADO

Um poema de Sophia, que será lido no recital "Bife Picado" pelo actor Pedro Lamares.

AS PESSOAS SENSÍVEIS

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Àquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão."

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

Sophia de Mello Breyner Andresen
(Livro sexto)

11/06/08


Revista Visão e revista Sábado, publicadas hoje mas correspondentes à edição de amanhã, quinta-feira, dia 12. ( para ler clicar sobre as imagens)

BIFE PICADO - CAMIÃO PARADO

Um poema de Fernando Alves dos Santos:

MARÉ VIVA

Os longos braços da maré
imprimem na areia
o percurso da lua cheia.
No longo espaço sobre a linha do mar
o súbito deserto
de mim perto
de mim fresca sombra
vértebra da lua
nos sulcos da areia
fundos
que os longos braços da maré
removem do meu corpo nu.

(in "Diário flagrante", Assírio & Alvim)

09/06/08

The terrible truth

Vídeo-poema apresentado no dia 15 de Maio de 2008 na sessão de s Quintas da Leitura do TCA intitulada «O Poeta Nu» dedicada a Jorge Sousa Braga.

imagem de Pedro Guimarães
sonorização de Paulo Sousa
locução de António Durães

com o poema «Portugal», de Jorge Sousa Braga.