Um poema, quase normal, de Daniel Maia-Pinto Rodrigues, um dos poetas convidados de "Bife Picado":
ABORDAGEM
Sejamos modernos, sejamos radicais.
Como bem sabes não somos eternos.
E além do mais eu não digo nada aos teus pais.
(in "Dióspiro", Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Edições Quasi)
23/05/08
21/05/08
A NOSSA MUÑECA PREFERIDA
A Gina é a mascote da "Caixa Geral de Despojos". Nasceu em Matanzas (Cuba) e foi trazida pelo Isaque Ferreira para Portugal. Parece que vai viver com ele, na Póvoa, às escondidas do SEF. Nós estamos todos muito apaixonados por ela e não deixaremos que lhe façam mal. Está a estudar línguas na "Independente" e, lá mais para o Verão, estamos certos, abraçará a pasta das finanças.
Este poema da Adília Lopes é para ti, Gina:
La vida es sueño
Deste-me o sono
e os sonhos
de que preciso
para sobreviver
quando me abraçaste
quando eu te abracei
o mundo mudou
os sonhos são sonhos
mas há sonhos
que são verdade
(é um auto bíblico)
sueños hay que verdad son
estou-te muito agradecida
graças a ti acredito
na coroa da Polónia
BIFE PICADO - SEXO NO CHIADO
Dois anos depois, a "Caixa Geral de Despojos" volta às "Quintas". Iniciamos hoje a publicação de textos dos poetas seleccionados para o recital "Bife Picado". Alguns deles serão lidos na sessão.
CANTIGA ESPERANDO
III
Enquanto te espero
planto as vinhas,
e nas cinco madrugadas
dos cinco dias em que semeio a seara,
ocultarei todas as estrelas
sobre a nossa cama.
No entremeio
cruzo os meus sonhos com as pessoas
que assomarem às janelas
e juntos inventaremos a nova rosa-dos-ventos:
a vinha, a noite, o templo,
a criança e a muralha,
a sede, o suor, a seara,
a Palavra
(in "Diário Flagrante", Fernando Alves dos Santos, Assírio & Alvim)
CANTIGA ESPERANDO
III
Enquanto te espero
planto as vinhas,
e nas cinco madrugadas
dos cinco dias em que semeio a seara,
ocultarei todas as estrelas
sobre a nossa cama.
No entremeio
cruzo os meus sonhos com as pessoas
que assomarem às janelas
e juntos inventaremos a nova rosa-dos-ventos:
a vinha, a noite, o templo,
a criança e a muralha,
a sede, o suor, a seara,
a Palavra
(in "Diário Flagrante", Fernando Alves dos Santos, Assírio & Alvim)
20/05/08
19/05/08
10.000 VISITANTES
Estamos felizes e um pouco orgulhosos. O blogue das "Quintas" atingiu as 10.000 visitas. Isto tudo, num país à beira-mar encalhado, que dedica mais atenção aos novíssimos seios da Luciana Abreu do que aos novíssimos talentos da literatura portuguesa.
Gostamos de si e queremos que continue a navegar ao nosso lado, na procura do Caminho do Amor, da Liberdade e do Futuro. Contamos consigo para novas aventuras poéticas. Neste mês florido de Maio, queremos tudo, já!
PARA TI MEU AMOR
Fui à feira dos pássaros
E comprei pássaros
Para ti
meu amor
Fui à feira das flores
E comprei flores
Para ti
meu amor
Fui à feira da sucata
E comprei correntes
Pesadas correntes
Para ti
meu amor
E depois fui à feira dos escravos
E procurei-te
Mas não te encontrei
meu amor
("Paroles", Jacques Prévert)
Gostamos de si e queremos que continue a navegar ao nosso lado, na procura do Caminho do Amor, da Liberdade e do Futuro. Contamos consigo para novas aventuras poéticas. Neste mês florido de Maio, queremos tudo, já!
PARA TI MEU AMOR
Fui à feira dos pássaros
E comprei pássaros
Para ti
meu amor
Fui à feira das flores
E comprei flores
Para ti
meu amor
Fui à feira da sucata
E comprei correntes
Pesadas correntes
Para ti
meu amor
E depois fui à feira dos escravos
E procurei-te
Mas não te encontrei
meu amor
("Paroles", Jacques Prévert)
16/05/08
O Poeta Nu
15/05/08
SONO DE PRIMAVERA
Adormeço sempre com o teu mamilo
entre os dedos da minha mão
E o meu sono é tranquilo
como o das rosas
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
entre os dedos da minha mão
E o meu sono é tranquilo
como o das rosas
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
14/05/08
A FERIDA ABERTA
Há uma ferida aberta que
sangra ciclicamente um
cíclame que floresce às
horas mais inapropriadas
Quem me dera poder guardar
todos esses milhões de flores
que acabam diariamente em
pensos higiénicos nos contentores
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
sangra ciclicamente um
cíclame que floresce às
horas mais inapropriadas
Quem me dera poder guardar
todos esses milhões de flores
que acabam diariamente em
pensos higiénicos nos contentores
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
13/05/08
AUTOBIOGRAFIA
A sua paixão eram as rosas. Durante anos dedicara-se a estranhos cruzamentos. Perseguia uma rosa negra.
Um dia devido a um acidente ficou cego. Finalmente o seu universo era uma imensa rosa negra.
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
Um dia devido a um acidente ficou cego. Finalmente o seu universo era uma imensa rosa negra.
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
12/05/08
VIA LÁCTEA
Segundo dados da Organização Mundial
de Saúde praticam-se diariamente
Cem milhões de cópulas em todo
o mundo das quais resultam
mais ou menos trezentos mil
litros de esperma isto sem
contar com o produto das actividades
solitárias e das poluções nocturnas
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
de Saúde praticam-se diariamente
Cem milhões de cópulas em todo
o mundo das quais resultam
mais ou menos trezentos mil
litros de esperma isto sem
contar com o produto das actividades
solitárias e das poluções nocturnas
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
09/05/08
Jorge Sousa Braga e Mazgani

"O Poeta Nu", um livro fascinante de Jorge Sousa Braga, dá nome à próxima sessão e marca o regresso do Poeta às "Quintas de Leitura", dezoito meses depois.
O evento realiza-se no dia 15 de Maio, pelas 22H00, no Café-Teatro do TCA.
Jorge Sousa Braga será apresentado por Nuno Artur Silva, fundador e director geral das "Produções Fictícias".
Separadas e ao vivo, anunciam-se as presenças das performers Margarida Mestre e Élèonore Didier que apresentarão, respectivamente, as peças "Performance líquida" e "Laisservenir", ambas encomendadas pelo TCA para este espectáculo.
As leituras de "O Poeta Nu" estarão a cargo da poeta Filipa Leal e dos actores Pedro Lamares, Sandra Salomé e Sofia Grillo. António Durães dará voz ao vídeo-poema "Portugal", trabalho também da responsabilidade de Pedro Guimarães (imagem) e Paulo Sousa (som).
Tudo isto, sob o olhar perspicaz e sensível do fotógrafo Renato Roque.
Por fim, o sempre tão esperado momento musical. Desta feita, o convidado é o cantor Mazgani (voz e guitarras), justamente considerado pela revista francesa "Les inrockuptibles" como um dos vinte novos artistas mais promissores da Europa. Ao ouvirmos "Song of the New Heart" damos por nós a ouvir na voz e no som de guitarra de Mazgani influências tão díspares como Leonard Cohen, Tom Waits e Echo & the Bunnymen.
De que mais argumentos precisa para se juntar a nós na noite de 15 de Maio? - Espera-o a magia da Palavra de Jorge Sousa Braga e a alma dos seus numerosos convidados.
(fotografia acima - Ninho de melro de Renato Roque)
MIMOSAS
Todos os anos na mesma altura
a montanha veste o mesmo vestido amarelo
para ver se ainda lhe serve na cintura
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
a montanha veste o mesmo vestido amarelo
para ver se ainda lhe serve na cintura
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
08/05/08
ALENTEJO
Papoilas vermelhas -
agora ninguém pode tocar
na planície
Cansado de devorar paisagens
o girassol mostra agora
os dentes podres
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
agora ninguém pode tocar
na planície
Cansado de devorar paisagens
o girassol mostra agora
os dentes podres
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
07/05/08
LADAINHA
Concha perfumada
Pórtico real
Princesa das flores
Porta misteriosa
Pérola vermelha
Coração de peónia
Pegada de gazela
Pórtico de jade
Palácio de púrpura
Delta negro
Pote de mel
Botão de lótus
Gruta de canela
Porta alada
Flor da lua
Rogai por nós
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
Pórtico real
Princesa das flores
Porta misteriosa
Pérola vermelha
Coração de peónia
Pegada de gazela
Pórtico de jade
Palácio de púrpura
Delta negro
Pote de mel
Botão de lótus
Gruta de canela
Porta alada
Flor da lua
Rogai por nós
(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)
06/05/08
Apresentação de "Arquivo de Nuvens" de Marta Bernardes em Madrid
"SI UN DIA_DIA EL ECO-ECO SE VOLVIESE_VIESE AUTONOMO_TONOMO Y SE LIBERTASE_TASE , DIRIA_RIA: ME SIENTO SOLO-SOLO."
In" Archivo de nubes"
LIBRERIA RAFAEL ALBERTI,
Calle Tutor,57
Metro: Moncloa, Madrid
In" Archivo de nubes"
LIBRERIA RAFAEL ALBERTI,
Calle Tutor,57
Metro: Moncloa, Madrid
DIA 8 DE MAIO
19:30
Presentación del libro de Marta Bernardes.
"EN LA ENCRUCIJADA DEL MEJOR PESSOA (ALVARO DE CAMPOS) Y UNA TRADICIÓN POÉTICA QUE SE APARTÓ DEL SURREALISMO PARA VIVIR LOS EFECTOS DE LO REAL EN LAVIDA, MARTA BERNARDES APARECE COMO UNA VOZ POLIFONICA BIEN SITUADA. ES PLASTICA . ES DRAMÁTICA. ES CANTANTE.
ES PLÁSTICA PORQUE APURA Y DILATA LA DISTANCIA QUE HAY ENTRE LA IMÁGENES Y LAS COSAS, SOBRE TODO EL MOMENTO EN QUE AQUELLAS SUPLANTAN A ESTAS.
ES DRAMÁTICA PORQUE SU DRAMA EN TIEMPO RECOGE LOS INTERVALOS MENUDOS DE LO COTIDIANO Y TAMBIÉN LAS FRACTURAS DE LOS GRANDES MOMENTOS EPOCALES.
ES CANTANTE PORQUE SOBRE TODO ES UN REGISTRO SONORO QUE SE BIFURCA ENTRE LA SIBILACIÓN OPACA DEL PORTUGUÉS DE OPORTO Y UN CASTELLANO CANTARÍN QUE INCURRE A VECES EN ERRORES QUE SON HALLAZGOS FECUNDOS POR IMPREVISTOS.
PERO ES ESAS TRES COSAS PORQUE A LA VEZ SABE PINTAR, CONOCE EL TEATRO COMO ACTRIZ Y COREÓGRAFA Y ES CAPAZ DE INTERPRETAR CON SU VOZ UN AMPLIO REPERTORIO LIRICO
SOLO TIENE EL LIMITE DE SU JUVENTUD. PERO ESO ES PORQUE ELLA LO APARENTA
LA PRUEBA ES QUE COMETE VERSOS CON LA VIDA VIVIDA DE UN HOOMBRE DE SETENTA AÑOS, O UN CANTAUTOR DE CINCUENTA, O DE UNA NIÑA DE DOCE, O DE UN NIÑO SALTARÍN QUE SE DISFRAZA DE UNA CHICA QUE SE EMPEÑA EN HACERNOS CREER QUE PUEDE SER VISTA COMO LA "MONICA NARANJO PORTUGUESA"
UN SINFIN DE JUEGOS Y DE HALLAZGOS
UN COMPROMISO CON LAS VOCES DE LAS COSAS (COMO RAMÓN) Y LAS COSAS DE LAS VOCES (COMO BARTHES)
UN PULSO POÉTICO AFINADÍSIMO QUE NO SE DA MUCHA IMPORTANCIA
QUE ESPERA QUE SE APAREZCA EL DUENDE, EL VERBO DEL OTRO LADO, PARA TRATARLO DE TÚ"
MIGUEL MARINAS
19:30
Presentación del libro de Marta Bernardes.
"EN LA ENCRUCIJADA DEL MEJOR PESSOA (ALVARO DE CAMPOS) Y UNA TRADICIÓN POÉTICA QUE SE APARTÓ DEL SURREALISMO PARA VIVIR LOS EFECTOS DE LO REAL EN LAVIDA, MARTA BERNARDES APARECE COMO UNA VOZ POLIFONICA BIEN SITUADA. ES PLASTICA . ES DRAMÁTICA. ES CANTANTE.
ES PLÁSTICA PORQUE APURA Y DILATA LA DISTANCIA QUE HAY ENTRE LA IMÁGENES Y LAS COSAS, SOBRE TODO EL MOMENTO EN QUE AQUELLAS SUPLANTAN A ESTAS.
ES DRAMÁTICA PORQUE SU DRAMA EN TIEMPO RECOGE LOS INTERVALOS MENUDOS DE LO COTIDIANO Y TAMBIÉN LAS FRACTURAS DE LOS GRANDES MOMENTOS EPOCALES.
ES CANTANTE PORQUE SOBRE TODO ES UN REGISTRO SONORO QUE SE BIFURCA ENTRE LA SIBILACIÓN OPACA DEL PORTUGUÉS DE OPORTO Y UN CASTELLANO CANTARÍN QUE INCURRE A VECES EN ERRORES QUE SON HALLAZGOS FECUNDOS POR IMPREVISTOS.
PERO ES ESAS TRES COSAS PORQUE A LA VEZ SABE PINTAR, CONOCE EL TEATRO COMO ACTRIZ Y COREÓGRAFA Y ES CAPAZ DE INTERPRETAR CON SU VOZ UN AMPLIO REPERTORIO LIRICO
SOLO TIENE EL LIMITE DE SU JUVENTUD. PERO ESO ES PORQUE ELLA LO APARENTA
LA PRUEBA ES QUE COMETE VERSOS CON LA VIDA VIVIDA DE UN HOOMBRE DE SETENTA AÑOS, O UN CANTAUTOR DE CINCUENTA, O DE UNA NIÑA DE DOCE, O DE UN NIÑO SALTARÍN QUE SE DISFRAZA DE UNA CHICA QUE SE EMPEÑA EN HACERNOS CREER QUE PUEDE SER VISTA COMO LA "MONICA NARANJO PORTUGUESA"
UN SINFIN DE JUEGOS Y DE HALLAZGOS
UN COMPROMISO CON LAS VOCES DE LAS COSAS (COMO RAMÓN) Y LAS COSAS DE LAS VOCES (COMO BARTHES)
UN PULSO POÉTICO AFINADÍSIMO QUE NO SE DA MUCHA IMPORTANCIA
QUE ESPERA QUE SE APAREZCA EL DUENDE, EL VERBO DEL OTRO LADO, PARA TRATARLO DE TÚ"
MIGUEL MARINAS
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