06/05/08

FOZ

Com água no bico
aves marinhas combatem
o incêndio do crepúsculo


Sete da manhã
O sol acorda
com olheiras enormes

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

05/05/08

CANÇÃO

Este esperma é puro
como a água de um iceberg

Colhido por masturbação
centrifugado capacitado...

Bebe deste esperma simples
ou com gelo e limão

Só assim conseguirás
a redenção

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

02/05/08

Restam poucos bilhetes para venda


LIXEIRO

Pendurado num camião do
lixo atravessas a cidade

de bairro em bairro de rua
em rua de beco em beco

com as luvas de protecção e
o colete fluorescente. Conheces

como ninguém o cheiro
a azedo e a vomitado...

Não te surpreendas se um dia
destes descobrires um coração

ainda a sangrar embrulhado
num saco de supermercado

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

30/04/08

COMUNHÃO

Uma pomba catando a
outra numa janela do sétimo

andar do hospital. Nada
as perturba. Nem o ruído

das escavadoras no túnel
em construção. Uma pomba

catando a outra num gesto
de ternura. Os olhos são

a única impureza no meio
de tanta brancura

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

29/04/08

UM ANJO NO PORTO

Eu vi-o um dia destes pairando
sobre a Torre dos Clérigos

ou descendo a Avenida dos
Aliados ao fim da tarde

Disfarçava mal as asas
por debaixo da gabardina

e abdicara da auréola. Po-
dem não acreditar mas eu

vi-o. Da última vez atra-
vessava a pé o rio

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

26/04/08

SAGRES

Só tenho uma ponta de
cigarro para fumar
E para apagá-la:
todo o mar

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

24/04/08

GERÊS

Quando me levantei
já as minhas sandálias andavam
a passear lá fora na relva


Esta noite
até os atacadores dos sapatos
floriram

(in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

22/04/08

O regresso de ESTE TEM MENOS GRAÇA de Pedro Tochas


Os bilhetes para este espectáculo (um exclusivo Quintas de Leitura) serão colocados à venda no TCA no dia 25 de Abril às 13:00.
Nos dias 25, 26 e 27 o teatro apenas faz venda directa, não aceitando reservas de bilhetes.

A partir do dia 28 de Abril, se ainda existirem bilhetes disponíveis, serão então aceites reservas que terão de ser levantadas até 48 horas antes do dia do espectáculo.
Relembramos que este espectáculo de Quintas de Leitura foi um desafio do programador João Gesta ao comediante Pedro Tochas. Saiba mais aqui ou na Tábua ao lado sobre Pedro Tochas.

(fotografia de Raquel Viegas)

CANÇÃO DE AMOR

Ensinei o meu pénis a dizer
o teu nome. Só ele é capaz

de soletrá-lo de trás para a
frente e da frente para trás

indiferentemente

Só ele fala como falo


( in "O Poeta Nu", Jorge Sousa Braga)

18/04/08

Fragmentos de uma noite quase perfeita

Ela não é francesa Ele não é espanhol - performance musical


Eduardo Raon
Inês Jacques

Conversa entre Yolanda Castaño e José Luís Peixoto. Ao fundo, fotografia de Mafalda Capela


A estreia de Pinóquio nas Quintas de Leitura .

Leitura por Natália Luíza

Leitura por Susana Menezes

Pedro Lamares lê "O sorriso dos afogados" de José Luís Peixoto.

ao fundo imagens de Mafalda Capela

Mário Laginha e Pedro Lamares

Concerto por Mário Laginha

Fotografias do espectáculo por Hugo Valter Moutinho

17/04/08

Na Imprensa de hoje






Por ordem: gratuitos Meia-Hora e Metro / revistas semanais Sábado e Visão / jornal Público.
(para ler clicar sobre as imagens)

15/04/08

14/04/08



Notícia publicada hoje, no suplemento das Artes e das Letras d' O Primeiro de Janeiro.

(para ler clicar sobre a imagem)

09/04/08

UMA GAVETA CHEIA DE PAPÉIS VALIOSOS


Acaba de ser publicado, pela Quasi Edições, o 3º livro de poemas de José Luís Peixoto.

É um verdadeiro tesouro e intitula-se "Gaveta de Papéis". Foi "Prémio Daniel Faria 2008".
Na próxima sessão das "Quintas de Leitura", o autor vai ler alguns poemas deste novíssimo livro. A nosso pedido, lerá "Fotografia do Porto", que revelamos aqui:

FOTOGRAFIA DO PORTO

O Porto é uma menina a falar-me de outra idade.
Quando olho para o Porto sinto que já não sou capaz
de entender a sua voz delicada e, só por ouvir, sou
um monstro que destrói. Mas os meus dedos são capazes
de tocar-lhe nos ombros, de afastar-lhe os cabelos.
Entre mim e o Porto, existem milímetros que são
muito maiores do que quilómetros, mesmo quando
os nossos lábios se tocam, sobretudo quando os nossos
lábios se tocam. De que poderíamos falar, eu e o Porto,
deitados na cama, a respirar, transpirados e nus?
Eis uma pergunta que nunca terá responta.

in "Gaveta de Papéis", Quasi edições.