27/09/07

Ensaio geral de Quarta-feira



A Patrícia Campos registou alguns momentos do ensaio geral da sessão «A cidade líquida». Podemos ver nas imagens a poeta convidada Filipa Leal, a recitadora Inês Veiga de Macedo, que abre a sessão, o actor Pedro Lamares e as cantoras Ana Deus e Marta Barnardes que integram o projecto MEME. As fotografias de fundo são de Mafalda Capela.

18/09/07

ESTREIA DA POETA MARIA ANDRESEN NAS "QUINTAS DE LEITURA"

Fotografia de Mafalda Capela


A poeta Maria Andresen vai participar pela primeira vez neste ciclo poético.

A sessão realiza-se no dia 25 de Outubro e intitula-se "LUGARES E PASSAGENS".
Do guião, escolhemos este belo poema:

Pedras de silêncio somos
se atalhos há
são filamentos ténues
quebradiços

Chamei-te
uma pedra de silêncio
somos todos
uma pedra hirta
ao sol

(in "Lugares"/Relógio D' Água)

OS POETAS DAS "QUINTAS"




















Vale a pena recordar os poetas que já passaram pelo ciclo "Quintas de Leituras". O nosso critério, que tanto vos faz rir, é o nosso critério:

Regina Guimarães
Adília Lopes
Daniel Jonas
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
José Luís Peixoto
Jorge Sousa Braga
Caetano Veloso
valter hugo mãe
Gonçalo M. Tavares
Filipa Leal
Adolfo Luxúria Canibal
Nuno Júdice
Maria do Rosário Pedreira
Paulo Campos dos Reis
Pedro Mexia
Rui Reininho
Ana Luísa Amaral
António Mega Ferreira
Pedro Abrunhosa
Manuel António Pina
João Habitualmente
Jorge Reis-Sá
Fernando Pinto do Amaral
Vasco Gato

Para breve, temos anunciadas outras estreias absolutas:

Maria Andresen (Outubro de 2007)
Catarina Nunes de Almeida (2008)
Rui Coias (2008)
Jorge Gomes Miranda (2008)
José Tolentino Mendonça (2008)
Francisco José Viegas (2008)

E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
...
E já nenhum poder destrói o poema.
...
E o poema faz-se contra a carne e o tempo.

(Poesia Toda, Herberto Helder)

POEMA INÉDITO DE FILIPA LEAL

Fotografia de Mafalda Capela

Filipa Leal escreveu este poema no dia 1 de Agosto de 2007. Será publicado na folha de sala da sessão "A cidade líquida".

O MAPA

Um dia perguntou-me:
Estudaste os teus mapas? Conheces os caminhos?

Olhei-a desconfiada e, cheia de medo de me perder,
desenhei-me em quadrado,

desfiz-me em quilómetros.

Foi você que pediu uma poeta maior?

DOURO

Não sei se prefiro o rio
ou o seu reflexo nas janelas espelhadas.

De um lado
os barcos ancorados,
do outro lado:
barcos - na imediata memória das âncoras.
Deste lado, o porto, ou o cais,
contracenando com a sua própria inexistência
daquele lado.

Existirá aquele rio nos espelhos?
Poderá este subsistir sem as janelas?

Sou dourada como os peixes que te
desabitaram. E, do outro lado, sou
desabitada.

in "Talvez os Lírios Compreendam" / Filipa Leal

Para ouvir no dia 27, aqui nas "quintas" do TCA.

10/09/07

Textos ...

Já começamos a receber alguns textos dos nossos queridos leitores. De cada vez que chega um novo email ou um novo comentário, aumenta o batimento do nosso coração. Ficamos mesmo felizes. Obrigada.

04/09/07

Não se esqueça de reservar bilhete


A partir de segunda-feira, dia 10 de Setembro, já pode reservar o seu bilhete para esta fulgente sessão, dedicada ao último livro de Filipa Leal. A segunda edição deste livro, com capa de Mafalda Capela, estará no dia 27 à venda no TCA.

27/08/07

Devagar para não assustar


Olá. O blogue das Quintas de Leitura está de volta. Este semana será ainda devagar para não assustar, até porque o Teatro do Campo Alegre apenas reabre as portas em Setembro. Para a semana esteremos a funcionar a todo o vapor.
E, para já, que tal enviarem-nos os vossos poemas? as vossas sugestões de leitura. Ou melhor: que tal contarem-nos como foram as vossas férias ou falarem-nos sobre as vossas leituras, ah? é boa ideia, não é? Até já.
(foto: PAT)

31/07/07

Regressamos a 27 de Agosto

(João Gesta por PAT)

As Quintas de Leitura numa pausa de preparação para a grande viagem a caminho da Zambujeira do Mar.
Todos os detalhes sobre as sessões que reiniciam em Setembro estão aqui.
Prazeres líquidos.
(nota: comentários e emails enviados durante este período serão publicados a 27 de Agosto, data de regresso deste blogue.)

Férias com um cheirinho a regresso




Fotografia de Mafalda Capela para a sessão «A cidade líquida» sobre a obra de Filipa Leal.




Imagem de um desenho de Diogo Vaz a propósito da poesia de Maria Andresen.

Pedro Tochas por Raquel Viegas . A nova comédia portuguesa à solta.



Imagem de uma pintura de Isabel Lhano que se cruzará com a poesia de Nuno Júdice.




Fotografia de Telmo Sá sobre peça «Arremesso» de Marta Bernardes, em estreia literária nos Cadernos do Campo Alegre - «Arquivo de Nuvens».


30/07/07

O MAIS BELO POEMA DE AMOR PARA OS NOSSOS CÚMPLICES


Vamos de férias. Obrigado a todos os "sonhadores" que, mês a mês, poeta a poeta, vão alimentando este ciclo. Gostaríamos que ficassem com um dos mais belos momentos da poesia de Nuno Júdice, o nosso convidado de Novembro. No início de Setembro cá estaremos para novas aventuras poéticas.

ATÉ AO FIM

Mas é assim o poema: construído devagar,
palavra a palavra, e mesmo verso a verso,
até ao fim. O que não sei é
como acabá-lo; ou, até, se
o poema quer acabar. Então, peço-te ajuda:
puxo o teu corpo
para o meio dele, deito-o na cama
da estrofe, dispo-o de frases
e de adjectivos até te ver,
tu,
o mais nu dos pronomes. Ficamos
assim. Para trás, palavras e versos,
e tudo o que
não é preciso dizer:
eu e tu, chamando o amor
para que o poema acabe.

Nuno Júdice / "Pedro, Lembrando Inês", Publicações Dom Quixote
Imagem: pintura de Isabel Lhano.

25/07/07

A FESTA QUE SE SEGUE

(Filipa Leal por Mafalda Capela)

A sessão chama-se "A Cidade Líquida". Incidirá sobre a obra de uma das vozes mais importantes da novíssima poesia portuguesa - a poeta Filipa Leal.

"ODE LOUCA" é um dos poemas mais belos do seu mais recente livro:

Todos os homens têm o seu rio.
Lamentam-no sentados no interior das casas
de interior e como o poeta que escreve a lápis
apagam a memória com a sua água.
Os rios abandonam os homens que envelhecem
longe da infância, e eles choram
o reflexo absurdo na distância.
Por vezes, enlouquecem os rios, os homens,
os poetas nas palavras repetidas
que buscam uma ode que lhes diga
a textura. Todos procuram o mesmo:
um lugar de água mais limpa
ou um espelho que não lhes negue
a hipótese do reflexo.
O rio sofre mais do que o homem,
o poeta,
porque dele se espera que nos devolva
a imagem de tudo, menos de si próprio.
Todos os rios têm o seu narciso,
mas poucos, muito poucos,
o simples reflexo das suas águas.

(in "A cidade líquida e outras texturas"/editora Deriva)

23/07/07

TEMPO DE BALANÇO

As "Quintas" estão quase a ir de férias. Regressam no dia 27 de Setembro com uma sessão intitulada "A Cidade Líquida", dedicada à obra da poeta Filipa Leal.

Fazemos, agora, o balanço da nossa acção poética nos primeiros sete meses do ano.
A saber:

9 espectáculos (dos quais 8 esgotados)
14 sessões (12 esgotadas)
74 artistas convidados
1828 espectadores
98,65% taxa de ocupação de salas

Quintas de Leitura: continuamos a acreditar que SONHAR é preciso.

13/07/07

Pedido do Poeta Daniel Maia-Pinto Rodrigues ao Doutor Rui Rio

(Tino Pereira ao volante do De Tomaso Pantera
foto: Automundo - colecção Rui Quéirós - na sportscarportugal.com.sapo.pt)

Doutor Rui Rio, localize, por favor
o antigo carro de corrida De Tomaso Pantera,
que correu em Portugal de 1976 a 1983,
e faça-o alinhar no Circuito de Clássicos da Boavista.

Falando agora mais em geral: na minha opinião
o veículo que em Portugal
melhor interpretou o espírito do automobilismo
foi aquele De Tomaso Pantera GTS.
Este automóvel de competição – igualmente com
especificações para estrada – animou, nos primeiros
anos da década de 70, as corridas de Grande Turismo
por todo esse mundo. Formava grelhas de partida
com os Ferrari (Daytona) 365 GTB 4, com os
Porsche 911 S e os Chevrolet Corvette.

Um destes De Tomaso Pantera correu em Portugal
em todos os circuitos e em todas as rampas de montanha
desde o início de 1976 até ao final de 1983,
quando viu, então, chegar ao fim a homologação desportiva
que o permitia entrar em competição.

Pelas suas características, únicas em Portugal,
de carro italiano de Grande Turismo,
alinhando, com absoluta regularidade,
em provas de velocidade, pelo implícito que
isso tem de “carro solitário”, pela beleza das linhas,
por ter participado galharda e desportivamente,
já na década de 80, com automóveis mais novos,
e alguns deles (pela evolução da tecnologia)
bem mais potentes e mises au point – é aquele De Tomaso Pantera
o veículo, na minha opinião, e como já disse, que melhor
soube interpretar o espírito do automobilismo em Portugal.
Já agora referir quem sempre o conduziu: Tino (Celestino) Pereira.

Tasquinhas de Vila do Conde,
casas-de-pasto de Vila Real,
viagens ao Estoril,
calor e frio das Montanhas por onde os carros sobem as Rampas;
estais em mim, estais na minha poesia,
estais na minha memória. Sabeis bem que encontro Poesia
no Vago e no Afastamento, mas que também encontro
a Poesia em vós, Momentos Reais, Vida, Entusiasmos, Recordações.

Daniel Augusto Maia-Pinto Rodrigues, quarenta e poucos anos, um fã de automobilismo.

(poema do livro «Dióspiro» - 30 anos de poesia - de Daniel Maia-Pinto Rodrigues, recentemente lançado no ciclo Quintas de Leitura).

Os Clássicos na Actualidade

12/07/07

Galicia Hoxe

(para ler clicar sobre a imagem).
No Domingo seguinte à sessão de Quintas de Leitura «Dióspiro», na qual participou a poeta e perfomer Yolanda Castaño, o "único diario en galego" Galicia Hoxe publicava, na última página, a crónica de Yolanda: "Cousas boas".
Sobre a sua participação nas Quintas, Yolanda escreve:
M.04 Campo Alegre e X.05 Espectáculo poético.

09/07/07

Foi um belíssimo Dióspiro...






Antes da entrada em cena. Incluindo uma cadeira com asas, para receber Daniel Maia-Pinto Rodrigues.




A poeta e performer galega Yolanda Castaño.

Daniel Maia-Pinto e Filipa Leal.

A bailarina russa ...



A voz e a música dos austríacos Agnes Heginger e Georg Breinschmid.
(fotos de Hugo Valter Moutinho)

06/07/07

AS "QUINTAS DE LEITURA" VISTAS POR DANIEL MAIA-PINTO RODRIGUES


No seu novo livro "Dióspiro", o poeta Daniel Maia-Pinto Rodrigues escreveu um poema intitulado "Quintas de Leitura".


O livro reune trinta anos (1977-2007) de poesia de Daniel e foi ontem lançado solenemente no Teatro do Campo Alegre do Porto, numa sessão vibrante e esgotada.

QUINTAS DE LEITURA

Senhoras, sobretudo
se de sobretudo estão os homens
é aqui, senhoras
nas Quintas de Leitura
do Teatro do Campo Alegre
que encontrais a ternura
que encontrais a febre.

Aqui, nos recitais, já vimos Ana Deus
tirar da voz jardins de maravilhas, Rui
Reininho lançar ao público perfumes de alecrim -
Isaque Ferreira com palavras descobriu ilhas!
Aqui, recitou-se no mais puro latim
a épica fala do Pilatos ao Herodes:
"tu vê lá o que é que decides, vê lá se não me
lixas; não me deixes ficar mal nas odes!"
Pois bem, senhoras... nas quintas de leitura
leram-se as odes de Pilatos...
e leram-se os pilotos do futuro em sonetos
revisitou-se em imagens o Irão e o Iraque
só lamento que nos saraus em duetos
me caiba em sorte precisamente o Isaque.

Senhoras, sobretudo
é nas Quintas de Leitura
do Teatro do Campo Alegre
que encontrais a ternura
que encontrais a febre.

28/06/07

Pela Blogosfera... (Amantes...)

O espectáculo Amantes e Outros Nomes de Família (21 de Junho) já anda por aí nas teclas da blogosfera.

O insecto fala por si.

O conta-mina também cá esteve.

O roxo e verde encantou-se.

O 4thefun fala em noite perfeita (com direito a fado).

O POETA DANIEL MAIA-PINTO RODRIGUES COMEMORA 30 ANOS DE VIDA POÉTICA NAS "QUINTAS DE LEITURA"

(imagem por PAT)

Este será o poema que fechará a sessão do próximo dia 5 de Julho -"Dióspiro"-, lido pelo actor Pedro Lamares:

A HISTÓRIA DO PASTOR

A seguir a história do pastor.
O pastor vivia em Goinge, floresta normanda.
Era filho dos senhores da Escânia
hoje conhecedores de ciências.
Aos vinte anos sabia já
distinguir as ervas
curava com esmero os golpes do gado.

Entretinha-se com o queixo.
E todos os arroios
o conheciam de sol a sol.

Aos vinte e seis anos
casou com Dourada, a rapariga débil.
Aos trinta
viu realizar-se um sonho antigo:
receber os primos no pátio.
Abriu então cervejas
fritou amêndoas
falou pela primeira vez de nostalgia.

(Daniel Maia-Pinto Rodrigues)

27/06/07

A MÚSICA DAS "QUINTAS"

As "Quintas de Leitura" não vivem só de poesia e de poetas.
Desde Janeiro de 2002 que, no âmbito deste ciclo, temos tido a participação de alguns dos nomes mais importantes da música portuguesa.
Recordamos aqui esses nomes, por ordem de entrada em órbita:


Ana Deus e Quico Serrano
Miguel Azguime
António Olaio e João Taborda
Ana Deus e J.P. Coimbra
Khora Emsemble (Jorge Salgado, David Lloyd, José Pereira de Sousa, Ana Paula Miranda e Álvaro Teixeira Lopes)
Margarida Reis
Ana Deus e Rogério Pinto
Coro Académico da Universidade do Minho, dirigido por Fernando C. Lapa
Pedro Tudela
O Projecto é Grave!
Caetano Veloso
@c (Pedro Tudela, Pedro Almeida e Miguel Carvalhais)
Ana Deus, Fátima Santos e João Taborda
Mesa
Pedro Moura, Paulo das Cavernas e João Ricardo
X-Wife
Mário Laginha
Adolfo Luxúria Canibal e António Rafael
Bernardo Sassetti
Luísa Cruz e Jeff Cohen
Ana Deus, Alexandre Soares e Fátima Santos
Sílvia Mateus e Álvaro Teixeira Lopes
Ana Deus e J. P. Simões
Plaza
Rui Reininho e Armando Teixeira
Vera Mantero, Vítor Rua e Nuno Rebelo
Old Jerusalem
Mário Teixeira
João Lima
Aldina Duarte, José Manuel Neto e Carlos Manuel Proença
Lula Pena
Mécanosphère
Pedro Abrunhosa, Cláudio Souto e Alexandre Almeida
Carlos Bica e Jorge Coelho
Domingos António
Dead Combo
The Legendary Tiger Man
Jorge Palma
O´queStrada
Bullet
Paulo Praça e os bons rapazes
Marta Bernardes e Nuno de Sousa
Thollem Mcdonas (E.U.A.)

Até final do ano anunciam-se ainda:

Agnes Heginger & Georg Breinschmid (Áustria)
Meme
Eldbjorg Raknes (Noruega)
O Projecto é Grave!
Amanalupa


As "Quintas de Leitura" ao serviço dos seus sonhos...

19/06/07

folhas caídas da BMAG





A Biblioteca Almeida Garrett (Porto) e o programa da CMP «O Porto a Ler» convida a cada mês uma personalidade da cidade para partilhar com os leitores 4 poemas à sua escolha. Um poema por semana. À iniciativa - folhas caídas - é agora a vez de João Gesta, o programador das Quintas de Leitura - assinar a escolha da edição de 4 folhas com poemas de Ana Paula Inácio, Mário Cesariny, Alexandre O'Neill e Filipa Leal (na imagem).

11/06/07

E em Julho apresentamos...

... um dióspiro maduro, aqui com uma colagem de João Rios que tão bem ilustra o universo poético de Daniel Maia-Pinto Rodrigues. E vejam só o Daniel no Insónia.

06/06/07

Pela blogosfera

Adoramos ser falados, comentados, agraciados ou mesmo ferozmente criticados. Pela blogosfera vejam o que se encontra:

-Alguém andou «em cima» do Vasco Gato : aqui (ROXO E VERDE)

- Alguém «perseguiu» o José Luís Peixoto: aqui (OEIRAS A LER)

- Alguém «elogia» as leituras : aqui (LINHA DO NORTE)

Tudo isto é FADO

Aldina Duarte por Isabel Pinto

30/05/07

A POESIA DE MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA - DIA 21 DE JUNHO NAS "QUINTAS"

(foto de Artur Henriques)
Este belo poema fechará a sessão.
Chama-se FADO e será dito pela poeta convidada. A seguir, durante trinta minutos, momentos mágicos de fado com ALDINA DUARTE.


FADO

Dizem os ventos que as marés não dormem esta noite.
Estou assustada à espera que regresses: as ondas já
engoliram a praia mais pequena e entornaram algas
nos vasos da varanda. E, na cidade, conta-se que
as praças acoitaram à tarde dezenas de gaivotas
que perseguiram os pombos e os morderam.

A lareira crepita lentamente. O pão ainda está morno
à tua mesa. Mas a água já ferveu três vezes
para o caldo. E em casa a luz fraqueja, não tarda
que se apague. E tu não tardes, que eu fiz um bolo
de ervas com canela; e há compota de ameixas
e suspiros e um cobertor de lã na cama e eu

estou assustada. A lua está apenas por metade,
a terra treme. E eu tremo, com medo que não voltes.


29/05/07

Performance de Ana Borralho & João Galante a 21 de Julho



UNÍSSONO


Uníssono partilha dos mesmos processos de trabalho recorrentes nas performances de Borralho & Galante.
Interessa continuar a explorar a relação que o corpo social contemporâneo promove com o corpo biológico, colocando, agora, no centro das atenções a barreira/relação entre os performers.
Importa identificar e definir os limites do controlo sobre o próprio corpo; e da arte com os códigos que governam a sociedade.

Retrato de Ana Borralho e João Galante

Reconhecer em João Galante e Ana Borralho não tanto uma dupla de artistas mas um casal é central para a compreensão do seu trabalho. A dupla pressupõe, ou pelo menos admite, a conjugação de duas forças, enquanto neste casal essa conjugação torna-se uma só. Não é impunemente que em todos os seus trabalhos em conjunto eles nunca estejam frente a frente. O frente-a-frente, em Galante-Borralho, é o de um casal com o seu público. Mesmo em “No Body Never Mind 001”, em que o público os rodeava num círculo, Galante estava virado para uma metade do público, e Borralho para a outra. Tal como nos retratos de família, eles não se olham – eles olham-nos. Essa é uma das razões para que o feminino e o masculino, no seu trabalho, seja simultaneamente revelado e invertido. Eles não operam na dicotomia, mas no símbolo unificado. Também não se trata de um jogo de máscaras de quem-é-quem. O trabalho de Galante-Borralho não é dois-em-um, mas uma unidade separada em dois corpos. A identificação de um implica a iconografia contida no outro. Sem cara, não há coroa.

In programa do Lab 11/REAL
por Rui Catalão