07/02/08

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Notícia publicada na segunda-feira, dia 4 de Fevereiro, no jornal O Primeiro de Janeiro.




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Notícia publicada hoje da revista Visão Se7e

06/02/08

Corps de Textes / Quintas de Leitura

(Para ler clicar sobre a imagem. Para saber mais sobre esta ligação das Quintas de Leitura clique aqui ).

01/02/08

"ESTE TEM MENOS GRAÇA" DE PEDRO TOCHAS

As três sessões esgotaram em menos de 2 horas. Num ápice, voaram 360 ingressos das bilheteiras do TCA.
É um recorde absoluto na já longa história das "Quintas de Leitura" - parabéns Pedro Tochas.
O espectáculo será repetido nos dias 29, 30 e 31 de Maio de 2008, assinalando a 10ª presença de Pedro Tochas neste ciclo.

31/01/08

28/01/08

FACÍNORAS PARA MAIS TARDE RECORDAR

O olhar atento de Hugo Valter Moutinho registou alguns momentos desta sessão mágica.
Aqui os deixamos, por ordem de entrada em cena:

A cantora Chat

O papagaio Figo, a estrela da noite. Sabe dizer, mas não disse, "Vivó Porto"!

valter hugo mãe, o poeta


Adolfo Luxúria Canibal, lendo "mil quilómetros além do corpo"

As leituras de Pedro Lamares

"conversa por sms" lido por Isaque Ferreira

valter hugo mãe, o cantor

Pós Facínoras



(Nas edições de Sábado, dia 26 de Janeiro de 2008, o que viram o Jornal de Notícias e O Primeiro de Janeiro. Para ler clicar sobre cada uma das imagens).

24/01/08

Facínoras na Imprensa de hoje




Na revista Sábado, na revista Visão e no Jornal de Notícias. Para ler clicar sobre cada uma das imagens.

17/01/08

UM ANO AO SERVIÇO DA VIDA

O blogue das "Quintas de Leitura" faz um ano.

Cerca de 7.000 visitantes vieram ao nosso encontro, alimentando-nos e ajudando-nos a crescer.

A todos os que, como nós, continuam a acreditar que o Amor, a Liberdade e a Poesia são os nossos mais sólidos valores, os únicos capazes de combaterem eficazmente as amarguras e as injustiças da Vida, dedicamos este belo poema (inédito) de José Luís Peixoto, um dos nossos próximos convidados:

as coisas que imaginamos

quando nos deitamos no sofá, o peso precioso da tua cabeça
sobre o meu colo, não há limite para as coisas que imaginamos.

imaginamos que atravessamos uma ponte sobre o rio.
imaginamos que somos a chuva a cair sobre o jardim.

imaginamos o tempo onde está o nosso filho.
imaginamos o lugar onde adormece.

deitados no sofá, sabemos que anoiteceu lá fora, e
sabemos que a pele do nosso filho nasce sob a tua pele.

imaginamos cada pormenor do seu rosto.
imaginamos os seus olhos grandes.

imaginamos que somos três a imaginar.

(José Luís Peixoto)

10/01/08

O PACHECO

Foto: capa da revista "Ler" (1995)

Morreu Luiz Pacheco. Deixou-nos algumas das mais belas e brilhantes páginas da literatura portuguesa do século XX. Refiro, entre muitas, os livros "Comunidade", "Exercícios de Estilo" e "O libertino passeia por Braga, a idolátrica, o seu esplendor".
São, insisto, leituras imperdíveis.
No próximo dia 27 de Março, integrado no recital de poesia "Um instantinho de beleza", Isaque Ferreira lerá um notável texto de Luiz Pacheco intitulado "O que é o neo-abjeccionismo".
Saliente-se que esta iniciativa foi programada muitos meses antes da morte de Luiz Pacheco e insere-se na regular acção poética do ciclo "Quintas de Leitura".

Sobre Luiz Pacheco, em jeito de homenagem, reproduzimos na íntegra, um texto do poeta A. Pedro Ribeiro:

"Evocar Luiz Pacheco é dizer não à vidinha deprimente de todos os dias que faz vencidos, vendidos e convertidos ao império do tédio, do dinheiro, do consumo e do mercado. Evocar Luiz Pacheco é denunciar as capelinhas e as honrarias literárias. É celebrar a liberdade, o espírito livre, que se coloca à margem, que caga nos políticos postiços, nos moralistas de esquerda e de direita. É dizer que é possível dizer não à norma e às convenções, à merda instituída através da via libertina e libertária de Sade ou de Henry Miller. É acreditar que a provocação e a subverção constantes revelam o homem autêntico, generoso, puro. É celebrar o grande escritor, a literatura que se confunde com a vida. É dizer que a vida não é a vidinha, que há espaço dentro do homem onde a liberdade é livre."

09/01/08

valter hugo mãe regressa este mês


Inéditos e estreias



Um ano depois, o poeta valter hugo mãe, Prémio Literário José Saramago 2007, regressa às «Quintas de Leitura», numa sessão intitulada «Facínoras».

A sessão - que se realiza no dia 24 de Janeiro, às 22h00, no Café-Teatro do TCA - reúne um conjunto de textos provocatórios e cheios de humor, escritos pelo poeta propositadamente para as vozes dos seus amigos e convidados Isaque Ferreira, Pedro Lamares e Adolfo Luxúria Canibal.

valter hugo mãe é também responsável pela imagem deste espectáculo.

«Facínoras» inicia-se com um momento musical muito esperado - a estreia nas «Quintas de Leitura» e o regresso a Portugal da cantora parisiense Chat. Canções ao piano, a fazer lembrar o melhor da chanson française, na voz «infantil, ingénua e melíflua» da bela e misteriosa Charlène. «Uma ementa imperdível», diz o programador do ciclo, João Gesta.

Está, contudo, reservado para o fim o momento mais esperado e inusitado da noite: valter hugo mãe vai revelar-nos, em estreia mundial, os seus dotes vocais, acompanhado por António Rafael (teclas) e Miguel Pedro (percussão), músicos da banda Mão Morta, e ainda por Henrique Fernandes (contrabaixo).

O poeta, os amigos e a gata - todos à solta, num teatro perto do seu coração. Uma noite esquisita para contar aos outros no dia seguinte.

(fotografia de Chat por Vera Marmelo)

04/01/08

Ainda o grupo Amanalupa


Rui Costa (Amanalupa) refere-se à sua presença no Ciclo Quintas de Leitura,
na sessão dedicada a Nuno Júdice. (Para ler clicar sobre a imagem).

26/12/07

GLÓBULOS AO VENTO

Vale o que vale. É apenas a opinião do programador João Gesta, depois de ouvir atentamente os comentários da sua equipa e de alguns fiéis seguidores do ciclo. Tudo no âmbito das Quintas de Leitura, está bom de ver:

MELHOR SESSÃO DO ANO - «Amantes e outros nomes de família» - sessão dedicada à Poesia de Maria do Rosário Pedreira com Fado de Aldina Duarte. AQUI.

MELHORES MOMENTOS MUSICAIS - Aldina Duarte e Dead Combo. AQUI.

MELHOR FLYER DO ANO - «Arquivo de Nuvens» da autoria de Marta Bernardes e Telmo Sá. AQUI.

REVELAÇÕES DO ANO - Marta Bernardes (na escrita); Mônica Coteriano (na performance); Inês Veiga de Macedo (na leitura).

A todos os que participaram e nos ajudaram a crescer, o nosso eterno agradecimento e a nossa profunda admiração.

21/12/07

Um Natal de Poesia e Sonho


A casa onde nasceu
de
José Luís Peixoto


Rita Burmester (fotografia)



A mesa estava posta, mas a sala de jantar ainda estava deserta. Na lareira, dois pequenos troncos adormeciam numa cama de chamas brandas. As paredes altas da sala de jantar seguravam o peso de quadros com rostos sisudos de avós de avós que já ninguém conhecia. Pelas janelas entravam os sons da cidade. Por ser noite de Natal, havia menos carros nas ruas e, por isso, distinguia-se melhor as vezes em que o rugido de um motor se aproximava e afastava do silêncio da sala de jantar ainda deserta. Invisíveis, os passos da mãe foram firmes no tapete do corredor. Distinguia-se o som do vestido a tocar nas paredes e no chão. Entrou e contornou a mesa sem olhá-la porque olhava e sorria apenas para dentro de si. Aproximou-se da lareira e, com a ponta da tenaz, explodiu fagulhas nos troncos. As chamas animaram-se de uma nova força e ergueram-se quase até ao início da chaminé. Assim ardia também o entusiasmo que a mãe tentava esconder, mas que mostrava em gestos súbitos e num sorriso permanente.
Ao longe, a porta do quarto da filha abriu-se. De repente, a mãe passou as mãos pelo vestido, tentando arranjá-lo para fingir que não o tinha arranjado e estudou uma posição casual para fingir que não tinha estudado aquela posição. Os passos da filha eram lentos. No corredor, o som da armação do vestido raspava pelas paredes e arrastava-se pelo chão. Foi recebida pelo sorriso da mãe e pelas palavras "feliz Natal" ditas num tom infantil. Sem sorrir, a filha mexeu os lábios, mas não se ouviu mais do que duas palavras misturadas num único murmúrio imperceptível. Com pressa, a mãe sentou-se à mesa. A filha, de olhar baixo, sentou-se também.
Desde que, no final do Verão, tinha sido obrigada a vender a casa onde vivera sempre e onde nascera que a filha não conseguia sorrir. A mãe, como uma voz da consciência, explicou-lhe que era impossível aguentar todos os gastos. A filha sabia e entendia, mas os campos que rodeavam a casa eram uma parte gigante da sua vida. Nas árvores que se estendiam pela distância estavam todas as suas idades. Era na montanha que se erguia no horizonte dessa casa onde nasceu que depositava os seus sonhos. Também por isso, nunca mais conseguiu nem sonhar, nem sorrir. Passava os dias no quarto com as cortinas corridas, com a pele cada vez mais pálida e com os braços cada vez mais fracos.
A mãe segurou a sineta entre dois dedos e, com um ligeiro movimento do pulso ecoou a sua estridência pela casa. Passou um instante e, num crescendo, ouviram-se os passos rápidos da criada anã. Era a única que tinha continuado com elas. Tinha ficado por amizade, por gratidão e porque não tinha outro sítio para onde ir. A criada anã entrou na sala de jantar com a terrina da sopa e subiu a um pequeno banquinho para encher os pratos de sopa e de vapor. Enquanto comia, a mãe levantava brevemente o olhar e tocava o rosto da filha com ternura. Entre colheradas de sopa, de cada vez que a olhava, a mãe lembrava-se da filha noutros natais: quando tinha catorze anos, recebeu o seu primeiro vestido de crescida e, na manhã do dia de Natal, quando a mãe a ajudou a vesti-lo e quando assistiu à descida solene das escadas sob palmas e timidez; ou quando era ainda pequena e já corria pelos campos a recolher musgo e ramos de pinheiro porque queria ajudar em todas as decorações da casa; ou quando nasceu, tão pequenina, e era a única atenção da casa ou quando ficaram sozinhas e, pela primeira vez, houve silêncio na noite de Natal. As lembranças misturavam-se. A criada anã entrou com uma travessa de carne. Subiu ao banquinho, serviu-as e saiu. Por detrás do rosto da mãe sucediam-se memórias e pormenores. Lembrava-se do rosto da filha quando, na hora dos presentes, lhe colocava um embrulho no colo. Lembrava-se da imagem da filha com o cabelo em canudos sobre os ombros, sentada no chão da sala a brincar com bonecas novas. Lembrava-se da filha quando era feliz. Já não tentava disfarçar a avidez com que queria olhá-la.
Assim que a filha pousou os talheres sobre o prato e passou um ângulo do guardanapo pelos lábios finos, sem esperar pelos bolos ou pelas sobremesas que sabia estarem prontas na cozinha, a mãe pousou palavras sobre a toalha de mesa. Com uma voz feita com a suavidade do mesmo linho, disse: "tenho um presente para ti". A filha olhou-a surpreendida. O tempo em que recebia presentes parecia-lhe tão distante. Mas a mãe, com a maneira que tinha de falar-lhe quando ela ainda era criança, repetiu: "tenho um presente para ti". Então, como se a filha mostrasse que esperava receber um pequeno embrulho, a mãe disse-lhe: "para veres o presente, tens de ir à janela". Com um rosto que não conseguia imaginar o que poderia ser, a filha levantou-se e caminhou na direcção da janela. A mãe continuou sentada, à espera da sua reacção. A filha afastou as cortinas. Passou um momento. E ficou suspensa. Abriu mais olhos. Passou outro momento. E não tinha palavras nem para dizer a si própria. Depois dos vidros da janela, caía chuva miudinha sobre os campos. Uma noite de estrelas iluminava a terra e toda a distância das árvores até ao horizonte, até ao corpo imenso da montanha onde depositara os seus sonhos.


(Este é o Postal de 2007 das Quintas de Leitura - Um Natal de Poesia e Sonho).


Pedro Tochas em exclusivo para as Quintas de Leitura




Pedro Tochas vai apresentar-se no ciclo Quintas de Leitura do Teatro do Campo Alegre (TCA) pela 9ª vez. Para trás ficam espectáculos de grande sucesso como «Work in progress» (2004), «Work in progress – ensaio geral» (2004), «Maiores de 18» (2005), «Maiores de 18» (2006), «Na ponta da língua» (2006), «Versão 1.1» (2007), «O palhaço escultor» (2007) e «Já tenho idade para ter juízo» (2007), que trouxeram ao TCA e a este ciclo milhares de espectadores, em sessões sempre esgotadas.

A receita do sucesso de Pedro Tochas é simples:

O comediante, dono de um invulgar poder de improvisação e de um notável sentido de observação, serve-se da realidade quotidiana que o rodeia, apanha-a no ar, e, no momento seguinte, amplia-a, transforma-a, remistura-a, servindo-a, mais à frente, em apetecíveis doses individuais, bem ao gosto dos seus indefectíveis seguidores.

Cria-se, assim, uma empatia, um nó indestrutível, um casamento para toda a vida, entre Tochas e o seu público. Tochas surge aos olhos do público como o «chefe iluminado» que diz coisas incómodas, que ousa desafiar os poderosos, que ridiculariza o «politicamente correcto».

Tochas sabe e pode dizer NÃO ao sistema, servindo-se da sua mais eficaz arma: o humor. Tochas aparece aos olhos do espectador como um ser simples, mas implacável, uma espécie de justiceiro por conta própria – Deus perdoa, Tochas não. Cada passo em falso do espírito do espectador, encontrará o humor de Tochas pela frente.


«Este tem menos graça» - o novo desafio

Avancemos.

A equipa das Quintas de Leitura do TCA gosta de desafios. E lançou a Pedro Tochas o mais difícil de todos: pegar nas piadas e situações que foram recusadas, rejeitadas, enjeitadas e repudiadas em espectáculos anteriores – vá-se lá saber porquê - e apresentá-las num espectáculo sob o título «Este tem menos graça», um exercício original, libertador, expiatório mesmo, que nos emocione, que nos emulsione e, sobretudo, que nos faça rir perdidamente.

Será possível encher uma sala para ouvir as estórias mais banais e comezinhas de Tochas?

Conseguirá o comediante dar a volta, com graça, a toda esta desgraça?

Queremos que seja você a lançar-nos a primeira pedra.

Com um sorriso ao canto da noite, o TCA espera-vos nos dias 13, 14 e 15 de Fevereiro, às 22h00, para dizerem de vossa justiça.

Estreia absoluta no TCA de um espectáculo pensado e construído de raiz para este ciclo poético. Venha rir inteligentemente. E deixamo-vos com uma promessa solene: se não gostar, prometemos que não lhe devolveremos o dinheiro. É bem feita.

João Gesta,
Programador das Quintas de Leitura do Teatro do Campo Alegre.
Porto, 17 de Dezembro de 2007


Também no site do Tochas aqui.
Atenção: os bilhetes serão colocados à venda no dia 1 de Fevereiro de 2008.