06/07/07

AS "QUINTAS DE LEITURA" VISTAS POR DANIEL MAIA-PINTO RODRIGUES


No seu novo livro "Dióspiro", o poeta Daniel Maia-Pinto Rodrigues escreveu um poema intitulado "Quintas de Leitura".


O livro reune trinta anos (1977-2007) de poesia de Daniel e foi ontem lançado solenemente no Teatro do Campo Alegre do Porto, numa sessão vibrante e esgotada.

QUINTAS DE LEITURA

Senhoras, sobretudo
se de sobretudo estão os homens
é aqui, senhoras
nas Quintas de Leitura
do Teatro do Campo Alegre
que encontrais a ternura
que encontrais a febre.

Aqui, nos recitais, já vimos Ana Deus
tirar da voz jardins de maravilhas, Rui
Reininho lançar ao público perfumes de alecrim -
Isaque Ferreira com palavras descobriu ilhas!
Aqui, recitou-se no mais puro latim
a épica fala do Pilatos ao Herodes:
"tu vê lá o que é que decides, vê lá se não me
lixas; não me deixes ficar mal nas odes!"
Pois bem, senhoras... nas quintas de leitura
leram-se as odes de Pilatos...
e leram-se os pilotos do futuro em sonetos
revisitou-se em imagens o Irão e o Iraque
só lamento que nos saraus em duetos
me caiba em sorte precisamente o Isaque.

Senhoras, sobretudo
é nas Quintas de Leitura
do Teatro do Campo Alegre
que encontrais a ternura
que encontrais a febre.

28/06/07

Pela Blogosfera... (Amantes...)

O espectáculo Amantes e Outros Nomes de Família (21 de Junho) já anda por aí nas teclas da blogosfera.

O insecto fala por si.

O conta-mina também cá esteve.

O roxo e verde encantou-se.

O 4thefun fala em noite perfeita (com direito a fado).

O POETA DANIEL MAIA-PINTO RODRIGUES COMEMORA 30 ANOS DE VIDA POÉTICA NAS "QUINTAS DE LEITURA"

(imagem por PAT)

Este será o poema que fechará a sessão do próximo dia 5 de Julho -"Dióspiro"-, lido pelo actor Pedro Lamares:

A HISTÓRIA DO PASTOR

A seguir a história do pastor.
O pastor vivia em Goinge, floresta normanda.
Era filho dos senhores da Escânia
hoje conhecedores de ciências.
Aos vinte anos sabia já
distinguir as ervas
curava com esmero os golpes do gado.

Entretinha-se com o queixo.
E todos os arroios
o conheciam de sol a sol.

Aos vinte e seis anos
casou com Dourada, a rapariga débil.
Aos trinta
viu realizar-se um sonho antigo:
receber os primos no pátio.
Abriu então cervejas
fritou amêndoas
falou pela primeira vez de nostalgia.

(Daniel Maia-Pinto Rodrigues)

27/06/07

A MÚSICA DAS "QUINTAS"

As "Quintas de Leitura" não vivem só de poesia e de poetas.
Desde Janeiro de 2002 que, no âmbito deste ciclo, temos tido a participação de alguns dos nomes mais importantes da música portuguesa.
Recordamos aqui esses nomes, por ordem de entrada em órbita:


Ana Deus e Quico Serrano
Miguel Azguime
António Olaio e João Taborda
Ana Deus e J.P. Coimbra
Khora Emsemble (Jorge Salgado, David Lloyd, José Pereira de Sousa, Ana Paula Miranda e Álvaro Teixeira Lopes)
Margarida Reis
Ana Deus e Rogério Pinto
Coro Académico da Universidade do Minho, dirigido por Fernando C. Lapa
Pedro Tudela
O Projecto é Grave!
Caetano Veloso
@c (Pedro Tudela, Pedro Almeida e Miguel Carvalhais)
Ana Deus, Fátima Santos e João Taborda
Mesa
Pedro Moura, Paulo das Cavernas e João Ricardo
X-Wife
Mário Laginha
Adolfo Luxúria Canibal e António Rafael
Bernardo Sassetti
Luísa Cruz e Jeff Cohen
Ana Deus, Alexandre Soares e Fátima Santos
Sílvia Mateus e Álvaro Teixeira Lopes
Ana Deus e J. P. Simões
Plaza
Rui Reininho e Armando Teixeira
Vera Mantero, Vítor Rua e Nuno Rebelo
Old Jerusalem
Mário Teixeira
João Lima
Aldina Duarte, José Manuel Neto e Carlos Manuel Proença
Lula Pena
Mécanosphère
Pedro Abrunhosa, Cláudio Souto e Alexandre Almeida
Carlos Bica e Jorge Coelho
Domingos António
Dead Combo
The Legendary Tiger Man
Jorge Palma
O´queStrada
Bullet
Paulo Praça e os bons rapazes
Marta Bernardes e Nuno de Sousa
Thollem Mcdonas (E.U.A.)

Até final do ano anunciam-se ainda:

Agnes Heginger & Georg Breinschmid (Áustria)
Meme
Eldbjorg Raknes (Noruega)
O Projecto é Grave!
Amanalupa


As "Quintas de Leitura" ao serviço dos seus sonhos...

19/06/07

folhas caídas da BMAG





A Biblioteca Almeida Garrett (Porto) e o programa da CMP «O Porto a Ler» convida a cada mês uma personalidade da cidade para partilhar com os leitores 4 poemas à sua escolha. Um poema por semana. À iniciativa - folhas caídas - é agora a vez de João Gesta, o programador das Quintas de Leitura - assinar a escolha da edição de 4 folhas com poemas de Ana Paula Inácio, Mário Cesariny, Alexandre O'Neill e Filipa Leal (na imagem).

11/06/07

E em Julho apresentamos...

... um dióspiro maduro, aqui com uma colagem de João Rios que tão bem ilustra o universo poético de Daniel Maia-Pinto Rodrigues. E vejam só o Daniel no Insónia.

06/06/07

Pela blogosfera

Adoramos ser falados, comentados, agraciados ou mesmo ferozmente criticados. Pela blogosfera vejam o que se encontra:

-Alguém andou «em cima» do Vasco Gato : aqui (ROXO E VERDE)

- Alguém «perseguiu» o José Luís Peixoto: aqui (OEIRAS A LER)

- Alguém «elogia» as leituras : aqui (LINHA DO NORTE)

Tudo isto é FADO

Aldina Duarte por Isabel Pinto

30/05/07

A POESIA DE MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA - DIA 21 DE JUNHO NAS "QUINTAS"

(foto de Artur Henriques)
Este belo poema fechará a sessão.
Chama-se FADO e será dito pela poeta convidada. A seguir, durante trinta minutos, momentos mágicos de fado com ALDINA DUARTE.


FADO

Dizem os ventos que as marés não dormem esta noite.
Estou assustada à espera que regresses: as ondas já
engoliram a praia mais pequena e entornaram algas
nos vasos da varanda. E, na cidade, conta-se que
as praças acoitaram à tarde dezenas de gaivotas
que perseguiram os pombos e os morderam.

A lareira crepita lentamente. O pão ainda está morno
à tua mesa. Mas a água já ferveu três vezes
para o caldo. E em casa a luz fraqueja, não tarda
que se apague. E tu não tardes, que eu fiz um bolo
de ervas com canela; e há compota de ameixas
e suspiros e um cobertor de lã na cama e eu

estou assustada. A lua está apenas por metade,
a terra treme. E eu tremo, com medo que não voltes.


29/05/07

Performance de Ana Borralho & João Galante a 21 de Julho



UNÍSSONO


Uníssono partilha dos mesmos processos de trabalho recorrentes nas performances de Borralho & Galante.
Interessa continuar a explorar a relação que o corpo social contemporâneo promove com o corpo biológico, colocando, agora, no centro das atenções a barreira/relação entre os performers.
Importa identificar e definir os limites do controlo sobre o próprio corpo; e da arte com os códigos que governam a sociedade.

Retrato de Ana Borralho e João Galante

Reconhecer em João Galante e Ana Borralho não tanto uma dupla de artistas mas um casal é central para a compreensão do seu trabalho. A dupla pressupõe, ou pelo menos admite, a conjugação de duas forças, enquanto neste casal essa conjugação torna-se uma só. Não é impunemente que em todos os seus trabalhos em conjunto eles nunca estejam frente a frente. O frente-a-frente, em Galante-Borralho, é o de um casal com o seu público. Mesmo em “No Body Never Mind 001”, em que o público os rodeava num círculo, Galante estava virado para uma metade do público, e Borralho para a outra. Tal como nos retratos de família, eles não se olham – eles olham-nos. Essa é uma das razões para que o feminino e o masculino, no seu trabalho, seja simultaneamente revelado e invertido. Eles não operam na dicotomia, mas no símbolo unificado. Também não se trata de um jogo de máscaras de quem-é-quem. O trabalho de Galante-Borralho não é dois-em-um, mas uma unidade separada em dois corpos. A identificação de um implica a iconografia contida no outro. Sem cara, não há coroa.

In programa do Lab 11/REAL
por Rui Catalão